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quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Resenha de UM parágrafo sobre "CORINGA"!


Perturbador. Incômodo. Depressivo. "Coringa" é um filme que consegue instigar todas essas emoções no espectador ao mesmo tempo que o leva a reflexões acerca da sociedade, a forma que ela trata seus cidadãos mais necessitados e como basta apenas uma fagulha para que toda a civilização parta para a barbárie, em momento algum glorificando os atos de seu protagonista, que é alguém impossível de conquistar a simpatia do público. E muito disso se deve à atuação de Joaquin Phoenix, que merece toda a aclamação que vem recebendo, mas que não está sozinho e conta com o apoio de todo um elenco afiado, além de uma trilha sonora que consegue agravar ainda mais os momentos de impacto, tal qual sua fotografia claustrofóbica, asfixiante. É sim um filme baseado em quadrinhos, em especial devido a suas pequenas inconsistências e furos (eclipsados por seus pontos fortes), mas definitivamente não é uma adaptação "padrão".

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quarta-feira, 10 de julho de 2019

Resenha de UM parágrafo sobre "HOMEM-ARANHA: LONGE DE CASA"!


O Homem-Aranha integrado ao UCM chega a seu segundo filme de forma leve, divertida e com o mesmo espírito de comédia adolescente de seu antecessor, o que deve agradar em cheio os fãs dos longas. O ponto mais fraco aqui é a forma que o protagonista é escrito: Peter é meio bocó, extremamente inocente e, numa falha que desafia o próprio cerne do herói, tem os poderes, mas nenhuma responsabilidade. Por outro lado, o Mystério de Jake Gyllenhaal é o ponto mais forte da adaptação, com uma atualização de seus conceitos para a atualidade que caiu como uma luva. O humor é bem trabalhado, tal qual a relação entre os personagens; a trilha sonora é envolvente, mas as duas cenas pós-créditos roubam o show: a primeira por ditar o futuro do Aranha (e ter uma participação muito especial) e a segunda por indicar os caminhos que a Marvel deve seguir em sua fase 4.

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quarta-feira, 27 de março de 2019

Batman 80 anos - 8 histórias que não são as mesmas de sempre


Hoje, o Batman completa 80 anos de sua primeira aparição em uma história em quadrinhos, na edição nº 27 de Detective Comics, de 1939. Claro que é uma data simbólica, pois o registro exato da chegada da revista às bancas de jornal estadunidenses foi perdido com o tempo (até porque elas vinham com um mês na capa, mas chegavam com pelo menos dois meses de antecedência para o público), e também está alinhada tanto com o dia em que os lançamentos chegam às comic shops dos EUA quanto com o lançamento da edição nº 1000 de Detective Comics, o segundo gibi a atingir a marca (o primeiro foi Action Comics no ano passado). 

De qualquer forma, esta grande celebração do aniversário de um dos personagens mais queridos da cultura pop levará diversos sites a soltarem suas listas com as melhores histórias do Morcegão de todos os tempos, e todas elas terão aquelas mesmas escolhas que já cansamos de ver: Batman: O Cavaleiro das TrevasBatman: Ano UmBatman: A Piada Mortal, Batman: O Longo Dia das Bruxas, talvez um Batman: Asilo Arkham - Uma Séria Casa em Um Sério Mundo e LJA: Torre de Babel, e pessoas desprovidas de bom-senso incluirão Batman: Silêncio e Batman: A Corte das Corujas. E, independente da qualidade, são todas HQs batidas, que basicamente qualquer pessoa viva já ouviu falar um dia. Por isso, cá estou eu para fugir do senso comum e listar 8 histórias muito boas protagonizadas pelo Cruzado Encapuzado que não são essas de sempre, e você pode conferir minha seleção logo abaixo:

"BATMAN: LOUCO AMOR E OUTRAS HISTÓRIAS"


Batman: A Série Animada foi um estrondoso sucesso à época, sendo fundamental para o retorno do personagem às graças o público geral ao lado dos filmes dirigidos por Tim Burton e até hoje é tida como sua melhor adaptação para outras mídias. A animação também foi importante para dar ao mundo a Arlequina, que inicialmente faria apenas uma breve aparição em um episódio, mas caiu nas graças tanto do público quanto dos produtores. Querendo se aprofundar mais em sua criação, Paul Dini e Bruce Timm planejaram contar como ela veio a ser quem é no próprio desenho, mas o roteiro foi vetado pelos executivos. Então, a dupla desenvolveu a trama em uma graphic novel fechada, e assim nasceu Batman: Louco Amor, a história que mostra como a psiquiatra Dra. Harleen Quinzel se tornou a Palhaça do Crime de Gotham City e que, apesar do visual cartunesco, apresenta temas complexos como relacionamento abusivo e Síndrome de Estocolmo. Edições mais recentes trazem também algumas outras tramas relacionadas e outros trabalhos de Dini e Timm nos gibis derivados do desenho animado. Ah, e após o sucesso desta HQ, Louco Amor acabou se tornando um episódio de As Novas Aventuras do Batman, inclusive tão bom quanto ela.

"BATMAN/PLANETARY: NOITE SOBRE A TERRA"


Planetary é um quadrinho criado por Warren Ellis e John Cassaday que, em tramas que envolvem aventura e ficção científica do mais alto nível, realiza um grande estudo da cultura pop global em 27 edições e mais 3 graphic novels. Uma delas é Batman/Planetary: Noite Sobre a Terra, que mostra o trio formado por Elijah Snow, Jakita Wagner e O Baterista indo até a Gotham City de sua Terra para investigarem alguns estranhos crimes e uma possível distorção da realidade. Durante os procedimentos, o fluxo espacial muda e eles acabam se deparando com o Batman. A partir disso, os Exploradores do Desconhecido com várias das marcantes versões que o Homem Morcego teve durante os anos em uma divertida e rica trama que faz sua análise e presta sua homenagem ao personagem, deixando claro por que ele é tão importante e como tem durado por tanto tempo. Eu recomendo a leitura da série completa, mas esta é uma trama fechada e pode ser lida separadamente do resto com praticamente zero prejuízo, então vá sem medo.

"BATMAN: XAMÃ"


Eu não lembro onde foi, mas sei que procurei sobre esta história antes de comprá-la e li mais ou menos o seguinte: "se Ano Um é a origem urbana do Batman, esta é a origem mística". Esta análise não poderia estar mais correta, pois Batman: Xamã também se passa no primeiro ano de atuação do herói e complementa a tão celebrada obra de Miller e Mazzuchelli, em uma trama detetivesca recheada de elementos de misticismo que mostra o protagonista tendo contato com alguns nativos americanos que resgatam sua vida de um acidente, avançando no tempo para mostrar Gotham sendo assolada por assassinatos, tráfico de drogas e seitas de sacrifício humano que se mostram surpreendentemente conectadas por elementos deste seu passado não muito distante. Uma ótima leitura vinda de uma das maiores mentes que já passaram pelos títulos do personagem em todos os tempos, aliada a uma equipe artística igualmente competente.

"BATMAN: A TRILOGIA DO DEMÔNIO"


Pode parecer trapaça, afinal são três histórias: Batman: O Filho do Demônio (1987), de Mike W. Barr e Jerry Bingham; Batman: A Noiva do Demônio (1990), de Mike W. Barr e Tom Grindberg; e Batman: O Nascimento do Demônio (1992), de Denny O'Neil e Norm Breyfogle. No entanto, é impossível citar uma sem citar as demais, já que todas exploram detalhes até então desconhecidos sobre Ra's Al Ghul, especialmente a terceira, que é sua história de origem, enquanto as outra duas mostram sua incessante busca por um herdeiro para seu império de terror, tudo envolto por aquele clima de investigação e aventura que apenas o Batman pode oferecer. Do início ao fim, a trilogia é um deleite textual e visual.

"BATMAN: O HOMEM QUE RI"


O final de Batman: Ano Um deixa um gancho para apresentar o primeiro encontro entre o Coringa e os protetores de Gotham. Quem ficou encarregado de preencher esta lacuna foi o roteirista Ed Brubaker ao lado do artista Doug Mahnke. Funcionando como uma sequência direta e emprestando muitos dos elementos narrativos ali vistos, Batman: O Homem Que Ri é uma atualização da primeira aparição do Palhaço do Crime em Batman nº 1, de 1940, em uma trama de pura investigação policial que mostra o vilão espalhando sua onda de caos por Gotham e que é a pedra fundamental de um dos mais doentios antagonismos já vistos na ficção. Muito do que Christopher Nolan mostrou em seus filmes, especialmente em Cavaleiro das Trevas, tem origem aqui.

"BATMAN: MORTE EM FAMÍLIA"


O dia em que o Robin morreu é, certamente, uma das mais marcantes passagens em toda a trajetória do Cruzado Encapuzado. Batman: Morte em Família mostra este traumatizante evento (decidido por ligações telefônicas feitas pelos fãs em uma disputa acirrada) em uma trama que aborda responsabilidade, rebeldia, insubordinação e responsabilidade e que leva seus protagonistas para fora de Gotham City, situando-se em países africanos em sua maior parte. O desfecho do arco é um tanto mirabolante para os padrões atuais, mas ver o Coringa espancando Jason Todd com um pé de cabra e depois explodindo o armazém onde ele estava preso sepultaram qualquer resquício de inocência que ainda restava ao herói.

"BATMAN: O QUE ACONTECEU AO CAVALEIRO DAS TREVAS?"


O Batman morreu (durante a Crise Final). Como seria o funeral dele? Bom, Neil Gaiman e Andy Kubert meio que responderam esta pergunta em Batman: O Que Aconteceu ao Cavaleiro das Trevas?, um título que presta sua homenagem à clássica Superman: O Que Aconteceu ao Homem de Aço?, de Alan Moore, Curt Swan e George Pérez. Neste arco de apenas duas edições, vemos diversas figuras importantes para o Maior Detetive de Todos os Tempos, sejam aliados ou vilões, atendendo a seu velório e prestando sua últimas homenagens, sempre contando uma história que passaram juntos e referenciando às mais diversas eras do Homem Morcego nos quadrinhos. Uma belíssima história repleta de homenagens e que deixa claro o que herói significa e por que ele é indispensável.

"LJA: NOVA ORDEM MUNDIAL"


Esta é uma história da Liga da Justiça, sim, a gênese de toda a fase de Grant Morrison e Howard Porter a frente do título em seu relançamento, mas o Batman é fundamental para seu desenvolvimento e conclusão. LJA: Nova Ordem Mundial mostra Superman, Mulher-Maravilha, Batman, Aquaman, Caçador de Marte, Flash (Wally West) e Lanterna Verde (Kyle Rayner) unindo esforços após um estranho grupo de supostos heróis vindos do espaço aparece prometendo o fim de todas as mazelas da Terra, mas nada é o que parece. Vemos aqui o Cruzado Encapuzado ser subestimado por seus inimigos, o que o leva a descobrir suas verdadeiras identidades e intenções ao ponto de conseguir derrotar boa parte deles sozinho enquanto o restante da Liga é mantido em cativeiro, deixando claro por que ele é o "homem mais perigoso do mundo".

BÔNUS: "BATMAN: A MÁSCARA DO FANTASMA"


Esta não é uma história em quadrinhos, mas sim um longa animado derivado de Batman: A Série Animada. Eu já falei muito sobre ele aqui, mas é sempre válido recomendá-lo. Então, se você ainda não assistiu Batman: A Máscara do Fantasma, pare tudo que você está fazendo e vá ver este que é o melhor filme já feito do personagem, funcionando como uma história fechada que mostra tanto sua origem quanto uma aventura completamente inédita, recheada de ação e com competência o suficiente para comover desde aqueles que pouco conhecem o herói até os seus maiores fãs.

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Resenha de UM parágrafo sobre "AQUAMAN"!


Passado mais de um ano desde o fracasso retumbante de Liga da Justiça entre o público e a crítica, a DC reencontra o caminho com seu herói mais zombado em todo imaginário popular. Abusando das cores como até então não visto em todo este universo cinematográfico, Aquaman apresenta uma mescla de epopeia com aventura (que flerta com uma pitada de tosquice e breguice de tons quase verhoevianos) aliado a ricas criações de monstros e cenários através de um competente CGI, algo raro de se ver nos filmes de herói atualmente. Embora o ar romântico principal não funcione como o esperado, todo o resto se mostra bem azeitado, com Jason Momoa esbanjando carisma no papel principal e protagonizando cenas de ação estilizadas ao lado de seus companheiros de elenco (com Nicole Kidman, Patrick Wilson e Amber Heard surpreendendo em um terreno que está longe de suas zonas de conforto). Tudo isso é embalado por uma boa seleção de músicas e a estilizada trilha sonora de Rupert Gregson-Williams até o fim, que soa um pouco vago, mas não prejudica a experiência. 

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quinta-feira, 29 de novembro de 2018

"Blade Runner" ganhará um anime e sonhos podem SIM se tornar realidade


Blade Runner é um dos maiores clássicos do cinema e do imaginário cyberpunk existentes. Creio que todos saibam disso. Seu sucessor, Blade Runner 2049, lançado no ano passado, possivelmente trilha o mesmo caminho do original, que só recebeu a devida atenção anos após sua exibição nos cinemas. São muitos os pontos sobre a sequência que podem ser destacados (como fica bem claro neste texto que traduzi), entre eles a campanha de marketing, que divulgou três curta-metragens antes de sua estreia como uma forma de estabelecer uma conexão mais forte entre os dois longas, sendo eles 2036: Nexus Dawn e 2048: Nowhere to Run, ambos live-action, e Blackout 2022, um anime dirigido por Sinichiro Watanabe, criador dos renomados Cowboy Bebop e Samurai Champloo, e que deixou um gostinho de quero mais, com fãs se perguntando como seria uma série completa no estilo.

Se você foi um dos que implorou por mais material da franquia produzido em desenhos animados japoneses, então só tem a agradecer pela confirmação feita hoje de que sim, haverá um anime situado no universo de Blade Runner. Batizado como Black Lotus, será situado no ano de 2032 e contará com alguns personagens conhecidos do público em seus 13 episódios, que durarão por volta de 30 minutos. Watanabe fará parte do projeto como produtor criativo, enquanto a direção ficará sob encargo de Shinji Aramaki e Kenji Kamiyama, respectivamente conhecidos por seus trabalhos em Neon Genesis Evangelion e Ghost in the Shell: Stand Alone Complex. A exibição se dará através do bloco Toonami da Cartoon Network nos EUA e do Crunchyroll para o resto do mundo.

A notícia é provavelmente uma das melhores coisas que poderiam acontecer para a marca, seja como um todo ou para este atual momento de revitalização do nome, com a ótima recepção do último filme pela crítica (apesar da baixa arrecadação em bilheteria, especialmente se comparada com os valores de produção). A possibilidade de expansão do já rico mundo de Blade Runner é provavelmente o sonho de muitas das mentes criativas espalhadas pelo mundo, enquanto a sede por novas histórias ali situadas é o suficiente para levar os mais aficionados ao delírio. E ver pessoas tão competentes envolvidas na produção dá ainda mais motivos para colocar um belo sorriso no rosto de qualquer um.

Aliás, é importante ressaltar o quão interessantes são estas escolhas das principais mentes criativas do anime. Todos estiveram envolvidos, de uma forma ou de outra, em produções relacionadas a ficções científicas e ao universo cyberpunk: enquanto Ghost in the Shell teve fortes influências de Blade Runner ao mesmo tempo que ajudou a moldar o subgênero (para depois vir a influenciar a trilogia Matrix, que por sua vez influenciou tudo o que veio a seguir), Evangelion também bebeu muito desta fonte para definir sua identidade visual. Cowboy Bebop, por sua vez, é basicamente uma obra que poderia muito bem se passar no mesmo universo dos longas por inúmeros motivos, tanto é que a escolha de Watanabe para a direção de Blackout 2022 não foi a toa e se mostrou muito acertada, assim como a dos outros dois também parece ser.

Ainda não há data para o lançamento de Black Lotus, mas seu anúncio, por si só, já é motivo para comemoração e a prova de que sim, sonhos podem se tornar realidade. Fica a torcida para que o produto-final faça jus à expectativa, mas vendo os nomes envolvidos, fica difícil isso não acontecer.

Caso você ainda não tenha visto Blackout 2022, confira-o logo abaixo e observe o potencial que Black Lotus possui:


E se você nunca assistiu Blade Runner na vida, pelo amor de Deus, PARE TUDO O QUE VOCÊ ESTIVER FAZENDO E VÁ VER O FILME, A SEQUÊNCIA E OS CURTAS. Agradeça-me depois.

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

[RESENHA] "Bohemian Rhapsody" (2018)



Há anos que já vinha se falando sobre um filme sobre a história do Queen com enfoque em Freddie Mercury. Inicialmente, o projeto foi anunciado com Sacha Baron Cohen (Borat, Bruno, O Ditador) como intérprete do vocalista, algo que nunca foi para frente e acabou por deixar o papel sob o encargo de Rami Malek, conhecido especialmente por protagonizar a série Mr. Robot. Mas mesmo após escalados os atores que viveriam Brian May, Roger Taylor, John Deacon e Mary Austen (Gwilyn Lee, Ben Hardy, Joe Mazzello e Lucy Boynton, respectivamente) e com a maior parte do longa já gravado, o diretor Bryan Singer misteriosamente "se afastou" da produção sem muitas explicações. Foi uma estrada tortuosa, mas Bohemian Rhapsody teve as adversidades deixadas para trás e chegou aos cinemas no último dia 1º de novembro no Brasil (2 do mesmo mês para o resto do mundo) com um resultado agradável, apesar de algumas incongruências.

O roteiro trabalha a relação de Mercury com sua família, com os outros membros do grupo e com Mary Austin, além da descoberta de sua homossexualidade. E tudo isso funciona para propósitos narrativos, estruturando o filme de forma sólida e servindo a seu objetivo de cativar o público com a trajetória de uma das maiores vozes que já passaram por este mundo. Entretanto, diversas liberdades foram tomadas, mudando a ordem e a data de muitos fatos para o funcionamento da trama como planejado pela produção. Na maioria dos casos, são pormenores inocentes (como a passagem da banda pelo Brasil, que é retratada como sendo em algum momento entre 1977 e 1979, mas só veio a ocorrer de fato em 1981 pela primeira vez, enquanto o histórico show no Rock In Rio só aconteceu em 1985), quando não exagerados (a cena de Freddie tocando a melodia de Bohemian Rhapsody enquanto deitado com Mary beira o ridículo), mas distorções como a descoberta da AIDS por volta de 1985 (que na verdade se deu em 1987) desviam muito da realidade e podem confundir os menos familiarizados com a história. Além disso, momentos mais espetaculosos da vida do vocalista, como o abuso de drogas e as insanas festas dadas por ele ficam apenas implícitos no contexto das cenas que as retratam, uma decisão mercadológica para manter a classificação etária a mais baixa possível.

Ainda assim, muitos dos elementos ali mostrados possuem respaldo da realidade e são capazes de fascinar desde os mais leigos aos grandes conhecedores do Queen, especialmente no que diz respeito ao processo de composição. Ver as experimentações feitas pelo quarteto em estúdio para dar a origem a alguns de seus maiores sucessos apenas evidenciam a sua genialidade, enquanto os conflitos internos entre os membros deixam clara a realidade de qualquer banda e exploram uma faceta pouco conhecida pelo grande público. Fica a ressalva, porém, de que estes aspectos poderiam ser ainda mais ricos caso fossem mostradas algumas celebridades amigas do grupo, em especial o músico David Bowie, tão essencial para a composição de Under Pressure e participante de diversos outros importantes momentos, mas que no longa foi reduzido a apenas algumas breves menções.

Apesar destes pontos controversos quanto ao script, Bohemian Rhapsody deve muito de sua repercussão ao trabalho desenvolvido pelos atores. Mesmo no menor dos papeis, não é possível dizer que alguém esteja mal no filme, ainda mais com nomes como Aidan Gillen e Mike Myers fazendo pontuais aparições e preenchendo esta lacuna. Mas os intérpretes dos personagens principais são os grandes destaques, com caracterização, postura, modos e tiques fiéis aos dos membros da banda, seja em suas entrevistas e conversas, seja em suas apresentações nos palcos. Quem mais impressiona, no entanto, é Rami Malek, com uma performance meticulosamente estudada, dando vida a um Freddie Mercury que não deixa a dever em quase nada ao original, ficando clara a dedicação do ator em reproduzir até o menor dos trejeitos do lendário frontman, algo que se mostra explícito no vídeo que compara a apresentação do Queen no Live Aid com a reprodução no longa.

E como é de se imaginar, não há do que se reclamar da trilha sonora. As composições orquestrais de John Ottman funcionam de forma competente dentro do longa sempre que há espaço para elas. As músicas do Queen, por sua vez, embalam a grande maioria dos momentos mais memoráveis, sendo muitas vezes acompanhadas de rápidos jogos de cena retratando apresentações ou gravações em estúdio, com a melhor sendo o da própria canção-título. Foram selecionadas 20 faixas do grupo para o filme, envolvendo boa parte de seus maiores sucessos, seja de forma integral ou editada, de modo que é possível considerar o disco uma bela coletânea, especialmente por incorporar algumas versões até então inéditas no formato de áudio.

Uma adaptação ipsis literis da história do Queen para os cinemas resultaria em algo nos moldes de O Lobo de Wall Street ou Bingo, O Rei das Manhãs. Este não é o caso de Bohemian Rhapsody, não apenas por não se aprofundar nos aspectos mais pesados das vidas de seus protagonistas, mas também por tomar muitas liberdades poéticas com trajetória do grupo, ao ponto de distorcer a realidade em alguns momentos. Apesar disso, consegue acertar no retrato de muitos outros, com o auxílio do trabalho de seu elenco (em especial do impecável Rami Malek), da inteligente montagem e de uma matadora seleção musical para compor sua trilha. Não é perfeito, mas executa com competência seu trabalho de comover os adeptos de longa data e conquistar uma nova legião de fãs.

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CONFIRA TAMBÉM A TRILHA SONORA:

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Triste com o filme do Venom? Pelo menos a atual HQ dele é muito boa!


Queira ou não, goste ou não, o Venom é um dos personagens mais populares que saiu das páginas dos quadrinhos do Homem-Aranha. Surgido como vilão no final dos anos 1980 e transformado em anti-herói graças a seu crescente apelo nas histórias do aracnídeo, a criação de Todd McFarlane e David Michelinie já passou por diversas fases (chegando até a integrar os Guardiões da Galáxia) e seu simbionte já fez par com diversos hospedeiros, mas sempre é lembrado pelo original, Eddie Brock, e o clima de terror e violência que marcaram sua primeira aparição. O impacto de seu surgimento foi grande o suficiente para angariar fãs e levá-lo até as telas do cinema pela primeira vez como um dos antagonistas de Homem-Aranha 3, em 2007, e retornar neste como protagonista de Venom, sua primeira empreitada solo que, por escolha dos produtores, mostra-se isolado do universo do herói que o colocou nos holofotes.

Infelizmente, apesar de estar indo bem nas bilheterias, seu filme autointitulado acabou não vivendo às expectativas, decepcionando tanto crítica quanto público, que se depararam com uma história desorganizada que não foge do básico, momentos bizarros e efeitos especiais pouco convincentes, de modo que nem mesmo as boas atuações do competente elenco conseguem se sobressair às inúmeras falhas. É uma pena e um desperdício, de fato. No entanto, nem tudo são más notícias quando se trata do personagem: Venom vive uma de suas melhores fases nas páginas das revistas em quadrinhos, com roteiros de Donny Cates e desenhos de Ryan Stegman, dois talentos em ascensão que vêm ganhando cada vez mais espaço na Marvel.

Logo na primeira edição da HQ já é possível perceber o quão diferenciada ela é: tudo se inicia com Brock tendo sonhos estranhos situados na Idade Média, em que ouve um idioma que não consegue identificar. Ao acordar, encontra o simbionte acuado, sem entender o que está acontecendo ao certo. Ainda assim, resolvem sair para patrulhar e tentar salvar algumas vidas. É a partir daí que as coisas ficam ainda mais interessantes: o parasita alienígena foge do controle em um confronto, Eddie descobre que o "seu outro" (como ele carinhosamente chama o organismo extraterrestre com quem divide o corpo) não foi o primeiro a aparecer na Terra e parte em busca dos velhos companheiros de equipe de um ex-agente da SHIELD que conhece entre estes acontecimentos.

Parece loucura, não? Pois essa pegada se mantém nos números seguintes, adicionando cada vez mais elementos absurdos. Mentes conectadas, dragões intergaláticos, deuses do abismo, ligações com a origem do universo e os Celestiais, a guerra do Vietnã... É possível encontrar tudo isto e mais um pouco em Venom. E o mais impressionante é que FAZ TOTAL SENTIDO. O trabalho de Cates na criação e desenvolvimento da trama consegue encaixar os mais variados elementos das principais fases do personagem (e até de outros, como é o caso do Thor) e combiná-los com criações próprias para trazer a tona uma mitologia rica e que faz jus às raízes do antigo vilão do Homem-Aranha. Ao mesmo tempo, não se esquece de entreter o leitor e equilibra o desenrolar da história com cenas de ação frenéticas ao lado de Stegman que, apesar de apresentar uma arte ligeiramente confusa em alguns momentos, entrega grandiosidade e exagero sempre exigido dele.

O gibi vem se destacando nos Estados Unidos, com inúmeros elogios dos veículos especializados edição após edição, além de ter conquistado uma boa base de fãs, que provavelmente foi formada pelos incansáveis fanáticos pelo anti-herói, apreciadores de uma boa leitura e quem entrou no hype do filme e acabou se deparando com uma ótima publicação. Curiosamente ou não, a revista triunfa exatamente nos aspectos que o recente longa falhou, apresentando uma trama coerente e que foge (muito) do lugar comum, momentos que surpreendem e um bom trabalho artístico. Ryan Stegman declarou uma vez que "Venom era melhor que Watchmen", algo que rapidamente foi abraçado pelos leitores. Uma brincadeira, claro, mas seu trabalho ao lado de Donny Cates vem se mostrando de altíssimo nível e não é exagero dizer que a dupla está fazendo uma das melhores HQs atualmente disponíveis no mercado, a qual certamente já marcou a história do personagem.

Acredite: este é só o início das pirações que acontecem em "Venom". Ficou curioso? Vá ler a HQ!

terça-feira, 18 de setembro de 2018

A Capitã Marvel vem aí para chutar nossas bundas (ao som de Pearl Jam após alugar uma fita VHS)


Sorriam, fãs da Marvel ao redor do mundo! Após anos clamando por um filme solo de alguma de suas principais heroínas (algo que já deveria ter acontecido há tempos com, no mínimo, a Viúva Negra), está chegando o dia de o estúdio finalmente entregar uma de suas mais aguardadas adaptações desde seu anúncio no fim de 2014: Capitã Marvel. O longa, que já deveria ter sido lançado em julho deste ano de acordo com o planejamento inicial, finalmente chegará aos cinemas brasileiros em 7 de março de 2019, com estreia estrategicamente marcada nos EUA e demais mercados no dia subsequente, 8 de março, Dia Internacional da Mulher.

Após a divulgação das primeiras imagens e detalhes através da Entertainment Weekly, hoje foi a vez de mostrar o primeiro pôster e trailer, revelados durante a participação da atriz Brie Larson, que dá vida à protagonista, no programa estadunidense Good Morning America. Simples e pouco reveladores, porém poderosos, os materiais promocionais deixam uma mensagem bem clara: a Marvel Studios não está para brincadeiras, seja no que diz respeito à introdução daquela que promete ser a principal super-heroína de seu universo cinematográfico, seja para enfrentar a competição e possíveis comparações da DC que, além de Shazam! (o Capitão Marvel original), também tem marcada a estreia de Mulher-Maravilha 1984 para o próximo ano.

A prévia dá pistas do que esperar do filme, porém. Amnésia, passado como piloto de caças militares, natureza alienígena dos poderes, fica claro que, como era de se esperar, a origem de Carol Danvers será diferente da vista nos quadrinhos, deixando de lado a identidade super-heroica de Ms. Marvel (o que deixa aberta a possibilidade da introdução de Kamala Khan em um futuro próximo) e já indo direto aos finalmentes, com a presença da Carol Corps., capacete com moicano e as habilidades cósmicas de quando foi conhecida por Binária. Ao mesmo tempo, muita ação aliada ao clima típico dos anos 1990, época em que o longa se situa (com direito até à presença de uma loja da rede de videolocadoras BlockBuster), acabam por remeter à clássicos como Exterminador do Futuro 2 e Duro de Matar 2 e 3. E vale ainda o destaque para o jovem Nick Fury, a participação de Jude Law (que suspeito que será a versão cinematográfica de Mar-Vell) e, como não poderia deixar de ser, a cena em que a personagem-título dá um soco em uma velhinha, provavelmente um Skrull disfarçado, como já apontado por vários sites.

Confira abaixo o primeiro trailer de Capitã Marvel:


De quebra, fique também com o belo primeiro pôster do filme:

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Resenha de UM parágrafo sobre "OS JOVENS TITÃS EM AÇÃO! NOS CINEMAS"!


Tal como a série animada que lhe deu origem, Os Jovens Titãs Em Ação! Nos Cinemas é transgressivo em relação a tudo o que já foi feito anteriormente com os personagens ou a equipe em qualquer mídia, deixando de lado grandes clichês superheroicos, dramas e romances adolescentes em prol de um humor às vezes subvertido, às vezes escrachado, mas que no fim não poupa ninguém (especialmente o próprio Universo DC, mas sem se esquecer da concorrência ou mesmo de outras grandes franquias do cinema). Cenas de ação dinâmicas e números musicais dão sustância à história para justificar um longa-metragem, que é então tomado por uma vasta gama de absurdos divertidíssimos que desafiam os limites do que já é conhecido por desenho animado pelo público. São muitas também as aparições de personagens e referências à Editora das Lendas, com destaque à reinterpretação do vilão Exterminador para este mundo que não se leva nem um pouco a sério. Acredite ou não, mas este é um dos melhores filmes lançados pela DC Entertainment desde a conclusão da trilogia O Cavaleiro das Trevas de Christopher Nolan, ao lado de Mulher-Maravilha e LEGO Batman - O Filme.

TRAILER:

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

[RESENHA] "Missão: Impossível - Efeito Fallout" (2018)


Franquias de cinema são curiosas, pois não há um padrão para suas existências. Algumas começam muito bem e vão decaindo a cada novo lançamento (que é o que mais acontece), algumas conseguem manter o fôlego até o final, algumas tem seu ápice no segundo filme, outras começam bem, acabam se perdendo no meio mas conseguem entregar uma conclusão satisfatória. E há o caso de Missão: Impossível, que gastou toda uma trilogia tentando se encontrar, soube se reinventar para uma nova década pelas mãos mais que competentes de Brad Bird e, posteriormente, Christopher McQuarrie, conquistou novo público e vem se firmando como um dos principais nomes quando o assunto é ação nos últimos anos. Cenas cada vez mais insanas (nas quais Tom Cruise não usa dublês) aliadas a boas tramas modernas de espionagem, fotografia inventiva e pouco convencional, e elencos competentes se tornaram marcas registradas dessa nova fase, que parecia haver atingido seu ápice em Nação Secreta (2015).

Mas, para Cruise e McQuarrie, parece sempre haver espaço para mais. Assim como os próprios filmes, a dupla parece cada vez mais empenhada em transformar o impossível em possível. E foi para essa missão que Missão: Impossível - Efeito Fallout foi concebido: superar seu antecessor, apresentando uma trama melhor, direção mais criativa e preocupada com detalhes, um elenco ainda mais competente e, claro, sequências de ação ainda mais frenéticas e espetaculosas do que as vistas anteriormente. E dado o elevado patamar em que os dois últimos longas se estabeleceram, é espantoso pensar no quão fácil o resultado final fez a tarefa parecer.

Conectando-se diretamente com o final do quinto filme, Efeito Fallout traz o agente da IMF Ethan Hunt (Cruise) tendo que lidar com os Apóstolos, organização de anarco-terroristas dissidente do Sindicato, que confrontou em sua missão anterior. O plano do grupo é ter acesso a armas nucleares para espalhar o caos e destruir a ordem vigente, e Hunt está disposto a ir até as consequências finais para impedi-los. Junto a ele, retornam alguns personagens apresentados ao público anteriormente, como o Secretário Alan Hunley (Alec Baldwin), a agente Ilsa Faust (Rebecca Ferguson), sua ex-esposa Julia (Michelle Monaghan), o vilão Solomon Lane (Sean Harris) e figuras mais do que carimbadas como Luther (Ving Rhames) e Benji (Simon Pegg). Juntam-se ainda a este vasto elenco novidades como o agente Walker (Henry Cavill), a Diretora da CIA Erika Sloane (Angela Bassett) e a misteriosa Viúva Branca (Vanessa Kirby).

O desenvolvimento da trama apresenta alguns interessantes desdobramentos, culminando em viradas de roteiro que, em primeiro momento, podem parecer previsíveis para aqueles que já conhecem a série, mas que são sucedidos tantas outras em sequência que acabam por deixar o espectador desnorteado tamanhas as surpresas (que até chegam a ser excessivas, há de se reconhecer). Ao mesmo tempo, as relações de Hunt com aqueles que o rodeiam são levadas à beira de um colapso devido a suas ações em prol da missão, mas são sustentadas pela fé quase cega que seus parceiros tem no protagonista. O conflito é ainda mais agravado pelos atos de seus colegas no ramo, como é o caso de Walker (personagem em que Cavill escorrega em sua atuação vez ou outra, mas que convence durante as cenas de ação) e Faust, que é quem mais afeta o agente de forma profissional e pessoal (ainda que esta última não se resolva de forma decente). Tudo isso cria uma atmosfera que direciona para a percepção de que a tarefa em questão é, de fato, impossível.


O que mais leva a crer nessa impossibilidade, no entanto, são as cenas de ação. Grande marca pela qual a franquia se fez conhecida nos últimos anos, elas se sobressaem às demais não pelo absurdo de uma ou outra de maior destaque, mas pela quantidade. Esse é o filme de Missão: Impossível com o maior número de sequências de ação em toda a franquia, e todas se mostram insanas, ainda que cada qual a seu modo: seja pelo risco oferecido ou pela quantidade de detalhes a serem observados, fica claro para qualquer um que não foi a toa que Tom Cruise se machucou durante as gravações do longa. Pensar no astro protagonizando cada um daqueles momentos sem o auxílio de qualquer dublê só agrava a sensação de perigo existente, a qual já se encontra potencializada pela direção de McQuarrie, seja em saltos de paraquedas, perseguições de veículos em ruas movimentadas, corridas por telhados parisienses ou assalto a helicópteros em movimento (embora o uso de computação gráfica fique evidente até demais em momentos-chave).

Aliás, a direção não se destaca apenas durante a ação. Mesmo nos momentos de maior respiro, Christopher McQuarrie consegue criar ambientações que evidenciam o perigo das situações através de uma variada combinação de registros fechados com outros que apresentam os cenários de forma mais aberta em diversos ângulos, algo que o permite, em conjunto com o trabalho do diretor de fotografia Rob Hardy, criar composições de cena requintadas, sofisticadas e agradáveis em determinados pontos. Ainda sobre os aspectos técnicos, vale o destaque à trilha sonora composta por Lorne Balfe, uma das grandes forças motrizes do filme através de suas faixas impactantes dentro da medida, bem como aos departamentos de arte responsáveis por desenvolverem as máscaras e demais acessórios que já são mais do que conhecidos.

Missão: Impossível - Efeito Fallout encerra a segunda trilogia da saga com espaço para mais continuações, muito graças ao caráter episódico da série, bem como às recentes adições ao elenco, que podem vir a ganhar mais espaço no futuro. Este sexto longa funciona, ao mesmo tempo, como a conclusão de um arco e uma porta de entrada para novos fãs já que, mesmo com referências a seus antecessores, a reintrodução sucinta de personagens e elementos apresentados anteriormente permite seu funcionamento de forma individual, ainda que não seja o mais recomendado. Seja como for, os níveis aqui estabelecidos se mostram ainda mais difíceis de serem superados pelas mentes criativas envolvidas, por mais capazes que elas já tenham se provado. O trabalho desenvolvido por Christopher McQuarrie e Tom Cruise, ainda que com alguns ínfimos problemas, acabou por culminar não apenas no melhor Missão: Impossível, mas também em um dos melhores filmes de ação da década.

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quinta-feira, 23 de agosto de 2018

CINCO Resenhas de Um Parágrafo sobre a franquia "MISSÃO: IMPOSSÍVEL"!


Missão: Impossível - Efeito Fallout chegou aos cinemas há algumas semanas. Nunca fui grande aficionado pela franquia, mas fiquei curioso para conferir sua mais recente adição após a chuva de elogios que tomou a crítica especializada. Por isso, resolvi assistir a todos os demais filmes de Missão: Impossível feitos anteriormente como forma de me preparar para este novo. E isso me deu uma ideia de postagem: por que não resenhar TODOS os longas? Deste modo, pela primeira vez na história, publico este verdadeiro compilado de Resenhas de Um Parágrafo sobre cada um dos lançamentos da saga sem fim de Ethan Hunt e seus parceiros, em um formato experimental que, se bem recebido, pode vir a ser usado com outros grandes nomes do cinema.

Claro, o texto sobre Efeito Fallout sairá separadamente, mas você pode conferir minhas impressões sobre os outros cinco Missão: Impossível logo a seguir.

MISSÃO: IMPOSSÍVEL (1996)


O primeiro Missão: Impossível chegou aos cinemas há 22 anos com boa direção do aclamado Brian De Palma, um competente elenco, trilha sonora feita pela criativa mente de Danny Elfman e algumas cenas que vieram a se tornar icônicas com o passar dos anos. O filme, no entanto, é prejudicado por um roteiro sem ritmo que acaba se perdendo em sua indecisão entre ser uma trama de espionagem clássica ou de ação, ficando no meio do caminho e não atingindo satisfatoriamente nenhuma das duas opções. Ainda assim, trouxe alguns elementos que se tornariam marca registrada da franquia, como o briefing das missões ao início, os dispositivos tecnológicos e, principalmente, as máscaras e moduladores de voz.

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MISSÃO: IMPOSSÍVEL 2 (2000)


Com uma diferença brutal de direcionamento em relação a seu antecessor, Missão: Impossível 2 assume sua identidade como filme de ação e chega ao novo milênio repleto de influências e vícios tirados diretamente de um recém lançado Matrix. O principal problema da sequência é seu exagero, seja dentro do roteiro repleto de clichês ou através das escolhas no mínimo questionáveis do diretor, que acabam por tornar o longa muito caricato, por pouco não assumindo um tom de paródia. Ainda assim, sequências repletas de movimento e, principalmente, boas lutas (é o John Woo, afinal) acabam por fazê-lo divertido e bom para ser conferido de forma descompromissada.

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MISSÃO: IMPOSSÍVEL 3 (2006)


Um ainda pouco conhecido J. J. Abrams assume as rédeas da franquia em seu terceiro lançamento e a parceria veio a mudar seu destino para sempre (até porque a Bad Robot, produtora de Abrams, cuidou deste e de todas as sequências desde então). Missão: Impossível 3 aprende com seus erros anteriores, se deixa influenciar por A Identidade Bourne e A Supremacia Bourne e entrega um filme de espionagem moderno, sabendo se dividir entre os momentos de ação e as reviravoltas características. Um sempre competente Phillip Seymour Hoffman brilha como antagonista de Tom Cruise, enquanto a adição de Simon Pegg como Benji Dunn se mostra bem-vinda e fundamental para o futuro. Só seria melhor se o final não fosse tão piegas.

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MISSÃO: IMPOSSÍVEL - PROTOCOLO FANTASMA (2011)


O primeiro Missão: Impossível da atual década abre uma nova trilogia acertando as arestas faltantes para a saga alçar novos e promissores voos. O diretor Brad Bird, de Os Incríveis e Gigante de Ferro, assume o comando e faz de Protocolo Fantasma um filme divertido, com roteiro redondo, visual polido (às vezes até hermético demais) e que ainda ousa ao brincar com alguns elementos clássicos da franquia. É aqui que se inicia a loucura das cenas de ação em lugares e situações improváveis sem o uso de um dublê para Tom Cruise, o que as torna fascinantes e realistas. Ainda faz um bom trabalho em se conectar com os eventos vistos em seu antecessor.

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MISSÃO: IMPOSSÍVEL - NAÇÃO SECRETA (2015)


O quinto longa de Missão: Impossível segue os caminhos estabelecidos pelo anterior e eleva ainda mais o nível da franquia. Nação Secreta é divertido, bem escrito e apresenta cenas de ação mais absurdas que as de Protocolo Fantasma, contando com uma fotografia que as valoriza e expõe todo seu perigo. O trabalho de Christopher McQuarrie, seja no roteiro ou na direção, são a alma do sucesso do filme, enquanto as adições de Rebecca Ferguson e Alec Baldwin, junto com o reaproveitamento de Jeremy Renner, injetam novo ânimo a este universo. Não apenas uma das grandes películas de ação dos últimos anos, como também o melhor da saga até este ponto.

Trailer:

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

"Os X-Men e o Preconceito" (vulgo "meu TCC") disponível NA ÍNTEGRA!


Todo universitário tem que passar pelo tão temido Trabalho de Conclusão de Curso (ou TCC para os mais chegados). Não há como evitá-lo: ele é um passo essencial na formação do aluno e um meio de tentar estimular a produção de pesquisa científica no país. Sua obrigatoriedade, no entanto, faz com que os alunos o encarem como um fardo, um empecilho em suas já complicadas jornadas para obtenção do tão sonhado diploma, e acabam por escolher temas quem nem sempre os satisfazem, mas como eles devem apresentar algo, veem-se sem maiores opções. Eu, no entanto, tive a sorte de poder aliviar esse peso ao garantir a chance de estabelecer uma conexão entre meu curso e algumas das coisas que mais gosto.

A ideia de trabalhar com o tema Os X-Men e o Preconceito veio em 2016, em uma conversa com uma amiga minha enquanto pegávamos o ônibus até a faculdade. Naquela época, eu precisava encontrar uma forma de completar minhas horas complementares de pesquisa e a publicação de um artigo científico era uma das opções a serem consideradas. O trabalho seria bem mais brando, abordando apenas a relação da criação dos mutantes da Marvel com a luta pelos direitos civis dos negros nos Estados Unidos, que por si só já envolve diversas nuances e já renderia o conteúdo necessário.

Acabei não precisando escrever o artigo, mas a ideia seguiu viva dali em diante, sendo refinada, encorpada e tendo como foco a história Deus Ama, O Homem Mata, uma das que trata do assunto com maior afinco. Terminei por considerá-la para ser meu TCC e já até sabia quem poderia me orientar: o professor Guilherme Madeira, com quem tive aula de Direitos Humanos no terceiro semestre do curso e que não apenas era alguém de grande conhecimento e didática, mas também era um fascinado pela Cultura Pop assim como eu e entenderia onde chegar com o trabalho.

Chegando a época, propus o tema e ele o abraçou. Conversamos algumas vezes para definir o direcionamento e os aspectos a serem abordados. Os tópicos foram estabelecidos e passei a trabalhar no conteúdo o qual, após algumas noites mal-dormidas, foi concluído no início de maio último. E no dia 14 de junho de 2018, o trabalho Os X-Men e o Preconceito: uma análise da origem e desenvolvimento dos personagens e da história "Deus Ama, O Homem Mata" como metáfora do racismo e da intolerância foi aprovado pela banca formada pelo meu orientador, o já citado professor Madeira, a professora Orly Kibrit e a professora Carolina Mourão, todos a quem só tenho a agradecer por terem possibilitado que esse sonho se tornasse realidade.

A notícia da aprovação de um TCC de tema tão peculiar acabou se espalhando com uma rapidez muito maior do que eu esperava. Mais inesperado ainda foi saber que muita gente se interessou em lê-lo, o que me deixou extremamente feliz. Por isso, estou disponibilizando o trabalho todo de forma integral para leitura e download através do Google Docs. Espero que possa, acima de tudo, proporcionar uma leitura agradável a todos que se aventurem a conferir o resultado de algo do qual me orgulho. Mais do que isso, gostaria de ajudar, incentivar e quem sabe até inspirar qualquer um que venha a ter a mesma sorte que tive com a liberdade para poder trabalhar a face mais séria e consciente de algo que gosto tanto quanto o universo dos super-heróis. Abordagens como esta são pouco comuns no mundo acadêmico, mas caso você tenha a chance, agarre-a com todas as forças, porque definitivamente vale a pena.

Confira abaixo a íntegra do meu trabalho Os X-Men e o Preconceito. Boa leitura!

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

5 anos, novos rumos e o que vem por aí

No último dia 23 de junho, este blog completou 5 anos de sua criação. Sua primeira postagem só veio à luz em 24 de junho de 2013, e sua divulgação pública só se deu no dia subsequente. Tudo isso porque pretendia lançá-lo de forma impactante, com um post de boas vindas já de prontidão e outro de tema relevante já em vias de publicação (no caso, o texto sobre as manifestações de 2013, primeiro O bom, o mau e o feio que fiz). Com o nome de Valar Morghulis, Valar Dohaeris - Um Blog Sem Estandartes, um layout preto, pesado e que dificultava a leitura, diversas ideias e vislumbres com um quê de megalomania de um jovem recém-saído do ensino médio e prestes a alcançar a maioridade, a empreitada durou exatas 8 postagens antes de ficar largada às traças por quase um ano.

Foi só em 04 dezembro de 2014 que retomei o projeto. Repaginei o blog por completo, de seu nome a sua identidade, e assim nasceu o Ground Zero. E assim ele ficou por quase 4 anos, com algumas pequenas modificações pontuais, mas tendo um visual limpo e funcional. As ideias, contudo, se mantiveram as mesmas da configuração anterior: escrever sobre tudo o que eu achasse relevante com uma abordagem que tentasse emular alguma seriedade ou profissionalismo (e por isso o subtítulo o ponto de impacto). E eu tentei algumas investidas em outros assuntos e gêneros textuais nesse tempo, seja na já citada publicação sobre política, em uma postagem homenageando um dos meus maiores ídolos do futebol ou até em uma crônica e um conto de autoria própria, tudo para manter o fogo da criatividade aceso.

O período entre 2015 e o final de 2016 foi marcado por uma enorme inconsistência em meu comprometimento, o qual parecia vir como uma força indomável e cessava repentinamente com a mesma intensidade. Ao mesmo tempo, também foi um período repleto de experimentações em postagens, que vieram por originar as Resenhas de Um Parágrafo, uma criação que gosto muito, mas que por um tempo foi banalizada e felizmente limitei seu uso a filmes de herói (e quando sinto necessidade, faço um outro texto com abordagem mais completa). A situação só mudou de figura em 24 de outubro de 2016, com minha publicação sobre a atemporalidade do Superman (que até hoje considero uma das melhores coisas que já escrevi), e foi a partir de então que entrei em meu período mais prolífico no blog, culminando no último ano, 2017, em que muitas vezes coloquei no ar dois ou três textos na mesma semana, criei meu projeto Balanço Musical e foi o momento de maior alcance de público em relação aos anos anteriores.

Embora haja diferença na dedicação e na frequência, esses três anos seguiram um padrão de postagens com uma mensagem bastante clara: apesar de ter interesse e uma certa compreensão de política, estou longe de ser a pessoa mais adequada para analisar e discorrer sobre o assunto. Apesar de gostar muito de futebol e ter conhecimentos de seus bastidores, não cabe a mim escrever sobre o mesmo ou qualquer outro esporte de forma aprofundada. E apesar de gostar de brincar com narrativas e gêneros textuais, o espaço correto para poder mexer com isso seria um livro de minha autoria ou um endereço dedicado apenas a isso.

O Ground Zero se tornou um blog de Cultura Pop. Sempre foi, na verdade. Apesar de minhas ideias iniciais serem outras, as postagens sempre se enveredaram por este caminho, e os demais textos citados não passaram de pontos fora da curva. Mas as mesmas ideias iniciais ainda estavam impregnadas por toda sua identidade, especialmente no nome e no subtítulo. Que impacto é esse que eu quero causar falando sobre a relevância do Superman, os desapontantes problemas da última temporada de Game of Thrones, a beleza da violência em Atômica ou mesmo ao expressar minha revolta com Liga da Justiça? São temas importantes, mas dentro do nicho da arte e do entretenimento, mas a impressão que ficava era de que assuntos de proporções muito maiores e graves seriam tratados aqui. A proposta e o conteúdo passaram a destoar, e de repente Ground Zero - o ponto de impacto parou de fazer sentido com o que eu vinha produzindo.

Era hora de desancorar deste tão citado ponto de impacto em que fixei minha morada criativa e partir em busca de novos rumos, explorar os pontos mais remotos do multiverso da Cultura Pop e intensificar o trabalho que já vinha sendo feito aqui. E assim surgiu a ideia de mudar (mais uma vez) o nome do blog para A Balsa, uma troca que já vinha sendo pensada há muito tempo e que, na verdade, deveria ter sido implementada no aniversário do blog, mas um sem fim de atividades e acontecimentos acabaram adiando meus planos (e também foram responsáveis pela queda de meu rendimento por aqui neste ano). A escolha tem como base o transporte do grupo de personagens dos quadrinhos conhecido por The Authority (criado por Warren Ellis e Bryan Hitch), um veículo capaz de navegar pelo espaço existente entre as diversas Terras paralelas do multiverso, conhecido por Sangria. Mais do que adequado para o conteúdo que desenvolvo, e inclusive permitiu a brincadeira feita no subtítulo, navegando pelas entranhas da cultura pop.

Importante notar, no entanto, que apesar da mudança de nome, a identidade visual estabelecida anteriormente no Ground Zero será mantida, com modificação apenas nas figuras da imagem de fundo, que agora conta com a silhueta do multiverso em formato de floco de neve (baseado em uma teoria real) estabelecido em Planetary, outra história em quadrinhos criada por Warren Ellis, em parceria com John Cassaday, que compartilha do mesmo universo e conceitos de The Authority. A aparência simples, limpa e o layout acessível e funcional da primeira mudança foram elementos que me agradaram muito e que não pretendo abrir mão em um futuro próximo.

A manutenção visual não significa, porém, que o nome será a única novidade. Não. Minha intenção é que este seja o início de uma nova era para o blog, visando cada vez mais sua disseminação e crescimento, e para isso tenho em mente a implementação de algumas alterações, novas inciativas e boas notícias. São planos que variam entre curto, médio e longo prazo, alguns virão antes de outros, mas eles irão acontecer de qualquer modo, e nada mais justo do que compartilhar alguns dos que estão mais encaminhados:

- Mudança nos Marcadores: a mais importante novidade aqui é que o Balanço Musical finalmente ganhará um Marcador próprio, para facilitar o acesso a todas as postagens, enquanto os sobre Esportes e Atualidades chegarão ao seu fim pelos motivos citados acima, e seus conteúdos ficarão disponíveis dentro dos Textos. (NOTA: não que estes assuntos jamais serão tratados novamente por aqui, mas ambos serão relacionados a assuntos da Cultura Pop, pois felizmente ela permite essa forma de abordagem sobre seus produtos)

- Acesso de conteúdo em páginas próprias: o blog passará a ter páginas próprias para acesso de seu conteúdo, dividindo-o conforme os temas. Pretendo também colocar uma página com biografia (ao invés daquela que está na lateral direita do layout), ou um Sobre, ou uma página com contatos. Ou as três.

- A publicação do meu TCC: SIM, FINALMENTE! Depois da notícia da aprovação de meu Trabalho de Conclusão de Curso, muita gente ficou interessada em conferi-lo devido ao tema. Por isso, vou disponibilizar, de forma gratuita e na íntegra, o acesso ao arquivo por aqui. A postagem já está pronta há quase dois meses, mas estava esperando ter tempo para realizar essa mudança no blog para publicá-la. E justamente por isso que ela já sairá AMANHÃ! Então, fiquem atentos e preparem-se para acessar o link assim que ele for disponibilizado.

- Novas colunas: o Balanço Musical acabou por atrair mais público do que eu esperava, e desde o ano passado já estou com a ideia de criar novas colunas. Acabou ensejando em minha tentativa com o Gênios da Nona Arte há cerca de um ano, que escrevi para celebrar o centenário de Jack Kirby. Ela ainda não teve uma segunda edição, mas continua dentro dos meus planos. E há espaço para outras, talvez sobre cinema, talvez sobre séries. Veremos.

- Abertura para colaborações: esta talvez seja a mudança mais significativa, mas sim, pretendo disponibilizar o espaço do blog para que outros autores possam apresentar suas visões sobre a Cultura Pop e seus produtos. Não será algo deliberado, apenas algumas pessoas selecionadas terão essa oportunidade (pelo menos por ora), e todos os textos terão minha supervisão e revisão, mas será bom poder dar voz a outras visões além da minha por aqui, muitas vezes sobre temas que não costumo abordar.

- Podcast: este é um projeto que já está no meu radar há muito tempo, acabou não dando certo no passado, mas nunca foi abandonado por completo. E agora, neste que estão chamando de "O Ano do Podcast no Brasil", parece ser o momento adequado. Então sim, um Podcast de minha autoria vem aí. E não será um que obedece as convenções do formato, embora seja inspirado em um consagrado modelo da mídia tradicional. Aguardem.

E esse é só o início de uma série de mudanças e novidades que pretendo colocar em prática para alcançar cada vez mais público, atrair mais atenção e ir em busca da profissionalização do blog para que, um dia, ele possa se tornar um site com domínio próprio e se sobressaia dentre os portais brasileiros. Tudo isso, claro, sem abandonar a já conhecida qualidade do trabalho desenvolvido por aqui, dedicando-me apenas a evoluir e melhorar cada vez mais.

Preparem-se, pois A Balsa está prestes a partir para novas aventuras, se aventurar por caminhos pouco convencionais e navegar pelas entranhas da Cultura Pop, por mais curvilíneas e repletas de obstáculos que elas sejam. E espero que todos estejam animados, porque eu certamente estou.

terça-feira, 10 de julho de 2018

Resenha de UM parágrafo sobre "HOMEM-FORMIGA E A VESPA"!


A Marvel Studios mais uma vez adentra os campos da comédia, e novamente com muita qualidade. Homem-Formiga e a Vespa expande a irreverência e as piadas visuais vistas no primeiro filme, ao mesmo tempo em que desenvolve seus personagens em diversos núcleos e trabalha a dinâmica de Scott Lang com as pessoas que o cercam ainda melhor do que anteriormente. O grande destaque, porém, fica para a parte visual na criação do Reino Quântico, capaz de misturar as sensações de fascínio, urgência e familiaridade no espectador. Mais divertido que seu antecessor, é mais uma prova da versatilidade das criações da editora, especialmente em contraste com Vingadores: Guerra Infinita.

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terça-feira, 3 de julho de 2018

Resenha de UM parágrafo sobre "OS INCRÍVEIS 2"!


Após 14 anos, a família de super-heróis mais querida da Pixar está de volta em uma sequência de encher os olhos, seja por sua beleza visual, pela riqueza de seu conteúdo ou pela preservação do espírito de seu antecessor. Ainda que estruturalmente semelhante ao original, Os Incríveis 2 trabalha temas como a vida adulta e suas desilusões, as relações familiares, as lições da adolescência e o amadurecimento com uma roupagem atualizada e discussões necessárias, ao mesmo tempo em que segue com sua visão de "super-heróis no mundo real" e expande a mitologia do primeiro longa com a adição de novos heróis e informações. E tudo isso em meio a situações bem-humoradas, ação e roubadas de cena por parte de personagens como Zezé e Edna Moda, que formam a melhor e mais improvável das combinações. Embalada por mais uma marcante trilha de Michael Giacchino, é uma verdadeira aula de como se fazer uma sequência a altura.

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segunda-feira, 11 de junho de 2018

[RESENHA] "Han Solo: Uma História Star Wars" (2018)


Filmes de bastidores turbulentos dificilmente vêm a resultar em trabalhos decentes. Conflitos entre produtores e realizadores acabam por gerarem interferências em todo o processo criativo, minando ideias que poderiam mudar o rumo do produto final e fazê-lo se destacar ante os demais lançamentos do momento, ou de longas pertencentes ao mesmo gênero. Basta olhar para Liga da Justiça, Esquadrão Suicida, Batman vs. Superman: A Origem da Justiça e Quarteto Fantástico, todos produções de grande potencial que acabaram por ser algo entre o medíocre e o execrável devido a intrigas e interferências de figurões de Hollywood.

Han Solo: Uma História Star Wars também passou por complicações. Após um celebrado anúncio de que Phil Lord e Chris Miller dirigiriam o filme em meados de 2016, a dupla foi demitida do cargo cerca de um ano depois, após já haver investido quatro meses em sua gravação e estar próxima de finalizá-lo. Ainda não há um consenso acerca dos motivos de Kathleen Kennedy, CEO da Lucasfilm, para a tomada de tal decisão, mas o fato é que, dois dias depois, Ron Howard já estava anunciado como novo comandante do longa, que passou por extensas refilmagens (cerca de 70%, pelo que se tem conhecimento), o que atrasou o início de sua divulgação, mas não de sua chegada aos cinemas, que ficou mantida para 24 de maio deste ano no Brasil (25 de maio no resto do mundo, mesma data do lançamento de Uma Nova Esperança e O Retorno de Jedi).

Embora o departamento de marketing tenha se esforçado ao máximo, com dois bons trailers e diversos belos pôsteres, Han Solo não consegue disfarçar o que é: um filme problemático como os citados acima, que também tiveram problemas de bastidores, o que fica claro já em seus primeiros minutos. Apoiando-se em clichês e respostas para perguntas que jamais foram feitas enquanto tenta distrair o espectador com cenas de ação que raramente conseguem cumprir seu papel, o mais novo spin-off de Star Wars deixa clara a desnecessidade de sua existência ao se cercar de coincidências que pouco acrescentam (quando não destroem) à mitologia de um dos mais queridos heróis clássicos da saga.

Não que o filme seja um desastre completo. Han Solo: Uma História Star Wars tem sim pontos positivos, a começar, por exemplo, com a interpretação de Donald Glover como uma versão mais jovem de Lando Calrissian, de modo que o ator transmite com fidelidade os trejeitos, o estilo e a elegância do histórico personagem encarnado por Billy Dee Williams na trilogia original, chegando até a impostar sua voz para fazê-la se assemelhar com a do antigo intérprete. Todo o elenco, na verdade, realiza um bom trabalho dentro do que lhes foi entregue, inclusive Alden Ehrenreich, dono do papel principal e um dos principais temores devido ao que vinha sido dito acerca dos bastidores, mas que convence como Han Solo, ainda que esteja longe do calibre de atuação de Harrison Ford. Os efeitos especiais também se destacam, mantendo o já conhecido padrão de qualidade Industrial Light & Magic, e a trilha sonora composta por John Powell (com o tema principal sendo de autoria de John Williams) é bem executada e muitas vezes eleva o que é visto em tela.

O que desbalanceia o filme quanto a todos estes aspectos técnicos é seu roteiro. Apesar de seguir uma sequência linear lógica e respeitar a estrutura básica de narrativa, a forma com que retrata a história de Han Solo é através de uma origem que se sente compelida a explicar cada aspecto icônico do personagem, e todos dentro de uma única aventura. Desse modo, o público é exposto a algumas irrelevantes respostas acerca do protagonista, como a origem de seu nome, de seu icônico blaster, de sua fama de soltar cargas contrabandeadas ou o motivo para haver atirado primeiro em Greedo nos eventos do primeiro Star Wars. Ao mesmo tempo, momentos como o famoso "Percurso de Kessel em 12 Parsecs" ou a forma com que Han ganha a Millenium Falcon de Lando são retratados de forma branda e acabam por desmistificar estas informações dadas durante os três filmes clássicos, que por muitos anos habitaram o imaginário dos fãs e pareciam melhores ali.

Também fraqueja o script quando precisa desenvolver seus personagens ou a relação entre eles. É fácil se identificar com conhecidos como Solo, Lando e Chewbacca, mas novas adições como Tobias Beckett, Dryden Vos ou Val não conseguem estabelecer qualquer ligação com o público, sendo tão descartáveis quanto aparentam ser. Nem mesmo Qi'ra (Emilia Clarke), uma das protagonistas da trama, consegue se firmar e mostrar ao que veio, sendo parte de um arco dispensável que pouco faria diferença no resultado final. Suas interações ainda soam forçadas, pouco naturais, ao passo que o relacionamento entre Han e Chewie, que deveria ser um dos principais pontos do enredo, se dá de forma apressada e mal-desenvolvida, enquanto Lando protagoniza com a androide L3-37 (Phoebe Waller-Bridge) um dos momentos mais desconexos e talvez até vexatórios de todo o filme.

Soma-se a todos estes problemas apontados o filtro de fotografia usado pelo diretor Ron Howard, que não apenas escurece toda a película, dificultando assistir algumas cenas realizadas em ambientes de pouca luminosidade (especialmente em 3D), mas também neutraliza todas as suas cores, deixando Han Solo sem vida ou carisma, um erro básico quando se trata de um longa que tenta se pautar pelo humor, o qual poucas vezes se sobressai. Na falta de tantos elementos, tudo o que sobra é um filme insonso, desnecessário e até mesmo esquecível que, embora consiga ser divertido em momentos de maior fan-service, acaba não cativando o espectador pela ausência de um foco narrativo definido e melhor desenvolvido.

Dizer que não existem ideias ruins, especialmente dentro da indústria do entretenimento, seria uma mentira, porque elas existem. Mas mesmo ideias ruins podem render bons produtos se executadas da forma correta e estiverem nas mãos das pessoas certas. Jamais saberemos se este era o caso de Han Solo: Uma História Star Wars ou se a versão filmada por Phil Lord e Chris Miller seria melhor que a vista nos cinemas, mas certamente ela seria algo muito distinto do mostrado. De qualquer modo, o filme comandado por Ron Howard e lançado pela Lucasfilm acabou por seguir outro caminho e ficar no lugar comum, sendo, ainda que bem atuada e realizada, uma aventura medíocre e de pouco charme, algo que jamais poderia faltar a um personagem como Han Solo.

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sexta-feira, 18 de maio de 2018

Resenha de UM parágrafo sobre "DEADPOOL 2"!


Maior, mais violento e com mais piadas e quebras da quarta parede: Deadpool 2 é tudo o que uma sequência deveria ser. A mão do diretor David Leitch é sentida através da melhoria das cenas de ação em relação a seu antecessor, mas também por seu fetiche por neons e uma paleta de cores mais fria. Apesar de vez ou outra se aproximar demais do visto no anterior (e em muitas delas fazer uma autozoação acerca do roteiro), o filme ganha ares de frescor com as adições de Cable e Domino. O humor peculiar ao personagem se alia a tudo o que os quadrinhos dos anos 1990 tinham para oferecer de pior e criam uma grande sátira dos personagens criados por Rob Liefeld, ao mesmo tempo que o longa consegue entreter a qualquer espectador e mais uma vez provém nas figuras de Deadpool e Ryan Reynolds uma alternativa para quem está cansado dos filmes de herói tradicionais.

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