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quarta-feira, 8 de agosto de 2018

5 anos, novos rumos e o que vem por aí

No último dia 23 de junho, este blog completou 5 anos de sua criação. Sua primeira postagem só veio à luz em 24 de junho de 2013, e sua divulgação pública só se deu no dia subsequente. Tudo isso porque pretendia lançá-lo de forma impactante, com um post de boas vindas já de prontidão e outro de tema relevante já em vias de publicação (no caso, o texto sobre as manifestações de 2013, primeiro O bom, o mau e o feio que fiz). Com o nome de Valar Morghulis, Valar Dohaeris - Um Blog Sem Estandartes, um layout preto, pesado e que dificultava a leitura, diversas ideias e vislumbres com um quê de megalomania de um jovem recém-saído do ensino médio e prestes a alcançar a maioridade, a empreitada durou exatas 8 postagens antes de ficar largada às traças por quase um ano.

Foi só em 04 dezembro de 2014 que retomei o projeto. Repaginei o blog por completo, de seu nome a sua identidade, e assim nasceu o Ground Zero. E assim ele ficou por quase 4 anos, com algumas pequenas modificações pontuais, mas tendo um visual limpo e funcional. As ideias, contudo, se mantiveram as mesmas da configuração anterior: escrever sobre tudo o que eu achasse relevante com uma abordagem que tentasse emular alguma seriedade ou profissionalismo (e por isso o subtítulo o ponto de impacto). E eu tentei algumas investidas em outros assuntos e gêneros textuais nesse tempo, seja na já citada publicação sobre política, em uma postagem homenageando um dos meus maiores ídolos do futebol ou até em uma crônica e um conto de autoria própria, tudo para manter o fogo da criatividade aceso.

O período entre 2015 e o final de 2016 foi marcado por uma enorme inconsistência em meu comprometimento, o qual parecia vir como uma força indomável e cessava repentinamente com a mesma intensidade. Ao mesmo tempo, também foi um período repleto de experimentações em postagens, que vieram por originar as Resenhas de Um Parágrafo, uma criação que gosto muito, mas que por um tempo foi banalizada e felizmente limitei seu uso a filmes de herói (e quando sinto necessidade, faço um outro texto com abordagem mais completa). A situação só mudou de figura em 24 de outubro de 2016, com minha publicação sobre a atemporalidade do Superman (que até hoje considero uma das melhores coisas que já escrevi), e foi a partir de então que entrei em meu período mais prolífico no blog, culminando no último ano, 2017, em que muitas vezes coloquei no ar dois ou três textos na mesma semana, criei meu projeto Balanço Musical e foi o momento de maior alcance de público em relação aos anos anteriores.

Embora haja diferença na dedicação e na frequência, esses três anos seguiram um padrão de postagens com uma mensagem bastante clara: apesar de ter interesse e uma certa compreensão de política, estou longe de ser a pessoa mais adequada para analisar e discorrer sobre o assunto. Apesar de gostar muito de futebol e ter conhecimentos de seus bastidores, não cabe a mim escrever sobre o mesmo ou qualquer outro esporte de forma aprofundada. E apesar de gostar de brincar com narrativas e gêneros textuais, o espaço correto para poder mexer com isso seria um livro de minha autoria ou um endereço dedicado apenas a isso.

O Ground Zero se tornou um blog de Cultura Pop. Sempre foi, na verdade. Apesar de minhas ideias iniciais serem outras, as postagens sempre se enveredaram por este caminho, e os demais textos citados não passaram de pontos fora da curva. Mas as mesmas ideias iniciais ainda estavam impregnadas por toda sua identidade, especialmente no nome e no subtítulo. Que impacto é esse que eu quero causar falando sobre a relevância do Superman, os desapontantes problemas da última temporada de Game of Thrones, a beleza da violência em Atômica ou mesmo ao expressar minha revolta com Liga da Justiça? São temas importantes, mas dentro do nicho da arte e do entretenimento, mas a impressão que ficava era de que assuntos de proporções muito maiores e graves seriam tratados aqui. A proposta e o conteúdo passaram a destoar, e de repente Ground Zero - o ponto de impacto parou de fazer sentido com o que eu vinha produzindo.

Era hora de desancorar deste tão citado ponto de impacto em que fixei minha morada criativa e partir em busca de novos rumos, explorar os pontos mais remotos do multiverso da Cultura Pop e intensificar o trabalho que já vinha sendo feito aqui. E assim surgiu a ideia de mudar (mais uma vez) o nome do blog para A Balsa, uma troca que já vinha sendo pensada há muito tempo e que, na verdade, deveria ter sido implementada no aniversário do blog, mas um sem fim de atividades e acontecimentos acabaram adiando meus planos (e também foram responsáveis pela queda de meu rendimento por aqui neste ano). A escolha tem como base o transporte do grupo de personagens dos quadrinhos conhecido por The Authority (criado por Warren Ellis e Bryan Hitch), um veículo capaz de navegar pelo espaço existente entre as diversas Terras paralelas do multiverso, conhecido por Sangria. Mais do que adequado para o conteúdo que desenvolvo, e inclusive permitiu a brincadeira feita no subtítulo, navegando pelas entranhas da cultura pop.

Importante notar, no entanto, que apesar da mudança de nome, a identidade visual estabelecida anteriormente no Ground Zero será mantida, com modificação apenas nas figuras da imagem de fundo, que agora conta com a silhueta do multiverso em formato de floco de neve (baseado em uma teoria real) estabelecido em Planetary, outra história em quadrinhos criada por Warren Ellis, em parceria com John Cassaday, que compartilha do mesmo universo e conceitos de The Authority. A aparência simples, limpa e o layout acessível e funcional da primeira mudança foram elementos que me agradaram muito e que não pretendo abrir mão em um futuro próximo.

A manutenção visual não significa, porém, que o nome será a única novidade. Não. Minha intenção é que este seja o início de uma nova era para o blog, visando cada vez mais sua disseminação e crescimento, e para isso tenho em mente a implementação de algumas alterações, novas inciativas e boas notícias. São planos que variam entre curto, médio e longo prazo, alguns virão antes de outros, mas eles irão acontecer de qualquer modo, e nada mais justo do que compartilhar alguns dos que estão mais encaminhados:

- Mudança nos Marcadores: a mais importante novidade aqui é que o Balanço Musical finalmente ganhará um Marcador próprio, para facilitar o acesso a todas as postagens, enquanto os sobre Esportes e Atualidades chegarão ao seu fim pelos motivos citados acima, e seus conteúdos ficarão disponíveis dentro dos Textos. (NOTA: não que estes assuntos jamais serão tratados novamente por aqui, mas ambos serão relacionados a assuntos da Cultura Pop, pois felizmente ela permite essa forma de abordagem sobre seus produtos)

- Acesso de conteúdo em páginas próprias: o blog passará a ter páginas próprias para acesso de seu conteúdo, dividindo-o conforme os temas. Pretendo também colocar uma página com biografia (ao invés daquela que está na lateral direita do layout), ou um Sobre, ou uma página com contatos. Ou as três.

- A publicação do meu TCC: SIM, FINALMENTE! Depois da notícia da aprovação de meu Trabalho de Conclusão de Curso, muita gente ficou interessada em conferi-lo devido ao tema. Por isso, vou disponibilizar, de forma gratuita e na íntegra, o acesso ao arquivo por aqui. A postagem já está pronta há quase dois meses, mas estava esperando ter tempo para realizar essa mudança no blog para publicá-la. E justamente por isso que ela já sairá AMANHÃ! Então, fiquem atentos e preparem-se para acessar o link assim que ele for disponibilizado.

- Novas colunas: o Balanço Musical acabou por atrair mais público do que eu esperava, e desde o ano passado já estou com a ideia de criar novas colunas. Acabou ensejando em minha tentativa com o Gênios da Nona Arte há cerca de um ano, que escrevi para celebrar o centenário de Jack Kirby. Ela ainda não teve uma segunda edição, mas continua dentro dos meus planos. E há espaço para outras, talvez sobre cinema, talvez sobre séries. Veremos.

- Abertura para colaborações: esta talvez seja a mudança mais significativa, mas sim, pretendo disponibilizar o espaço do blog para que outros autores possam apresentar suas visões sobre a Cultura Pop e seus produtos. Não será algo deliberado, apenas algumas pessoas selecionadas terão essa oportunidade (pelo menos por ora), e todos os textos terão minha supervisão e revisão, mas será bom poder dar voz a outras visões além da minha por aqui, muitas vezes sobre temas que não costumo abordar.

- Podcast: este é um projeto que já está no meu radar há muito tempo, acabou não dando certo no passado, mas nunca foi abandonado por completo. E agora, neste que estão chamando de "O Ano do Podcast no Brasil", parece ser o momento adequado. Então sim, um Podcast de minha autoria vem aí. E não será um que obedece as convenções do formato, embora seja inspirado em um consagrado modelo da mídia tradicional. Aguardem.

E esse é só o início de uma série de mudanças e novidades que pretendo colocar em prática para alcançar cada vez mais público, atrair mais atenção e ir em busca da profissionalização do blog para que, um dia, ele possa se tornar um site com domínio próprio e se sobressaia dentre os portais brasileiros. Tudo isso, claro, sem abandonar a já conhecida qualidade do trabalho desenvolvido por aqui, dedicando-me apenas a evoluir e melhorar cada vez mais.

Preparem-se, pois A Balsa está prestes a partir para novas aventuras, se aventurar por caminhos pouco convencionais e navegar pelas entranhas da Cultura Pop, por mais curvilíneas e repletas de obstáculos que elas sejam. E espero que todos estejam animados, porque eu certamente estou.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

ESPECIAL METAL GEAR SOLID - "They played us like a damn fiddle!"


Olá! Sou fã de Metal Gear Solid há muito tempo e, devido ao lançamento de "Metal Gear Solid V: The Phantom Pain" no próximo dia 01/09, resolvi fazer uma série de postagens especiais para celebrar tanto o novo game quanto o encerramento da épica criação de Hideo Kojima. Mas não contarei a trama da saga ou farei reviews de cada título, e sim falarei um pouco das minhas experiências com os jogos na ordem em que eu os descobri, coisa que, acredito eu, muitos irão se identificar.

Confira as postagens anteriores abaixo:
PARTE 1 - PARTE 2 - PARTE 3 - PARTE 4

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2012, mais uma vez.

Enquanto eu jogava "Peace Walker" tranquilamente no conforto da minha casa, já tendo terminado-o, algo aconteceu durante a Tokyo Game Show. Já tinha um tempo que rumores vinham circulando pela web, e eles foram confirmados com o anúncio de que um novo Metal Gear Solid estava a caminho. Anunciado como "Metal Gear Solid: Ground Zeroes", ele seria uma sequência direta de "PW" e traria Big Boss novamente ao protagonismo. E um trailer de 13 minutos foi lançado.

Aquilo era a coisa mais bela que eu já havia visto relacionada a video-games até então.

Um gráfico realista ao extremo, com todos os detalhes de feição humana e cenário possíveis de se imaginar. Efeitos de luz e água perfeitamente criados num mundo digital, graças ao poder da fantástica "FOX Engine". Um clima mais tenso do que tudo visto antes. Um novo, misterioso e desfigurado vilão, que aparentava ser o chefe de uma também nova e misteriosa organização. O retorno de personagens conhecidos como Chico e Paz. E aquilo sairia para Xbox 360. Cara, eu realmente precisava colocar minhas mãos naquele jogo o mais rápido que pudesse.

Em dezembro daquele mesmo ano, um game chamado "The Phantom Pain", desenvolvido por uma empresa desconhecida chamada "Moby Dick Studios" e com a direção de um tal de "Joakim Mogren" foi anunciado durante a Video Game Awards, e ele tinha gráficos extremamente semelhantes aos apresentados pela FOX Engine em "Ground Zeroes". Rumores e teorias se espalharam de que aquele se tratava na verdade do "Metal Gear Solid 5", fortalecidos por uma vasta gama de fatos (como Joakim = Kojima, esse Moby Dick Studios havia sido criado a pouquíssimo tempo e o personagem do vídeo era muito semelhante ao Big Boss). Tudo isso se confirmou em 2013 durante a Game Developer Conference, com Kojima revelando ser mesmo o tal Mogren e confirmando pela primeira vez "Metal Gear Solid V: The Phantom Pain". O jogo apareceu mais uma vez durante a E3 em junho, aproveitando o anúncio do PS4 e do Xbox One e sendo oficializado para tais consoles e também para X360, PS3 e PC.

OK, muito bacana, meu hype foi a mil com tudo isso. Mas e o tal do "Ground Zeroes"?

Hideo Kojima esclareceu a situação depois. No fim, ambos os games seriam lançados, mas eles seriam parte de algo maior, chamado por ele de "MGSV Experience". Assim, teríamos "Metal Gear Solid V: Ground Zeroes", servindo como um prólogo, e "Metal Gear Solid V: The Phantom Pain", que seria o jogo principal. Beleza, dois jogos, não tinha por que reclamar. Pouco depois, em 2013 mesmo, foi anunciado de que GZ seria lançado em 18 de março do ano seguinte para PS3, PS4, Xbox 360 e Xbox One. E lá fui eu direto embarcar no trem das expectativas...

Quando o jogo veio a público, porém, não foi exatamente o que se esperava.

A maior parte das críticas que "Ground Zeroes" recebeu foi por causa de sua duração. O jogo tem apenas uma missão principal, que pode ser concluída em cerca de 2 horas na primeira vez que é jogada e em apenas 5 minutos (ou até menos) caso um jogador habilidoso resolva fazer uma speed-run. Fora isso, ainda há mais 5 (ou 6, caso você jogue a versão de PC) missões extras, sem relação alguma com a trama. E isso é muito pouco quando se trata de um game que leva "Metal Gear Solid" em seu título. Mesmo com reconhecimento dos gráficos espetaculares e uma boa diversidade de extras, bem como o trabalho necessário para se conseguir 100%, muita gente disse esse não passava de uma "demo técnica".

Kojima se retratou após o lançamento e as críticas sofridas pelo título. Seu argumento foi o de que apenas lançou "MGSV:GZ" devido ao tempo necessário para o desenvolvimento completo do jogo principal, algo que ainda estava longe de ocorrer na época. Assim, o jogador poderia ter uma chance de conferir todas as novidades prometidas, além de ter um tempo para se acostumar a várias das novas mecânicas que estariam presentes em "TPP". E foi prometido conteúdos extras através da transferência de saves entre os dois capítulos.

Eu só tive a oportunidade de jogar "Metal Gear Solid V: Ground Zeroes" nesse ano, em junho, quando comprei a versão para PC (que só saiu em dezembro do ano passado). E, mesmo assim, joguei bem pouco, apenas completei a missão principal, pois estava sem tempo na época. Mas já foi o suficiente para me impressionar, seja com toda a beleza gráfica e os detalhes, o novo gameplay (atualizado e com comandos semelhantes aos dos FPSs atuais, pelo menos quando se usa um controle), a liberdade e as várias opções de como executar o objetivo. Mesmo assim, fico feliz de ter pego um bom desconto durante a Steam Summer Sale, pois o jogo realmente não vale o preço que ele foi vendido por aqui em sua versão para os consoles (muito embora ele seja bem mais barato para PC, corrigindo essa injustiça de certa forma).

Eu pretendia jogá-lo mais antes do lançamento de "Metal Gear Solid V: The Phantom Pain", mas nesse momento estamos às portas de seu lançamento... Bom, talvez ainda dê para aproveitá-lo, pois não sei quando conseguirei por as mãos no novo jogo. Eu só espero que seja logo (já estou movendo meus pauzinhos para isso faz um tempo).

E é isso.

"Tá, mas e o MGS4?"

Eu nunca joguei "Metal Gear Solid 4: Guns of The Patriots". Não tenho PS3, apenas X360. Mas já assisti todas as (8:30h) de cutscenes do game no Youtube, e devo dizer que fiquei extremamente satisfeito em como a história de Solid Snake foi concluída. A experiência de jogá-lo deve ser ainda melhor (como sempre é), e ainda espero um dia conseguir comprar um PlayStation 3, nem que seja apenas para esse propósito.

De qualquer forma, foi um prazer poder compartilhar minhas memórias e impressões sobre games que gosto tanto, e sem dúvidas são os meus preferidos, com uma boa distância para qualquer outro existente. Para finalizar, deixo aqui o trailer final de "The Phantom Pain", mostrando a evolução da franquia.



V HAS COME TO. Bom "Metal Gear Solid V: The Phantom Pain" para todos!

domingo, 30 de agosto de 2015

ESPECIAL METAL GEAR SOLID - "From now on... Call me Big Boss!"


Olá! Sou fã de Metal Gear Solid há muito tempo e, devido ao lançamento de "Metal Gear Solid V: The Phantom Pain" no próximo dia 01/09, resolvi fazer uma série de postagens especiais para celebrar tanto o novo game quanto o encerramento da épica criação de Hideo Kojima. Mas não contarei a trama da saga ou farei reviews de cada título, e sim falarei um pouco das minhas experiências com os jogos na ordem em que eu os descobri, coisa que, acredito eu, muitos irão se identificar.

Confira as postagens anteriores abaixo:

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"And, now, for something completely different..."

A essa altura, já tendo jogado 3 títulos por completo, eu achei que já conhecia Metal Gear Solid bem o suficiente e que nada mais poderia me surpreender. Felizmente, esse tal de Hideo Kojima discordava completamente disso.

"Metal Gear Solid: Peace Walker" saiu, originalmente, para PSP em 2010. E eu até cheguei a ter contato com o game uma vez através de um amigo, mas a falta de um segundo analógico no portátil não o tornava da experiência a mais agradável, e demoraria um pouco até eu me acostumar com os comandos adaptados. Sendo assim, acabei deixando-o de lado, até por achar que esse era um spin-off como "Metal Gear Solid: Portable Ops" e que contaria apenas partes pouco essenciais para o entendimento da história.

Vocês podem imaginar, então, qual foi minha reação ao me deparar com tal jogo remasterizado em HD incluso na coletânea para X360. Ainda por cima, sem seu antecessor junto. Dei uma pesquisada na internet, e só aí descobri que "Portable Ops" não havia sido dirigido por Kojima e por isso foi deixado de fora, sendo então considerado "parcialmente canon". "Peace Walker", por outro lado, era um jogo feito pelo criador da saga e, mais do que isso, o início de um novo e derradeiro capítulo no enredo de MGS, completando o que foi iniciado em 1987 com "Metal Gear" para computadores MSX.

Assim, dando procedência à minha maratona de jogatina em 2012, chegou a vez de jogar MGS:PW. Como dá pra imaginar, eu estava bem animado, pois era um jogo completamente inédito para mim.

Eis que o inesperado entra em ação.

"Novidade". Se tem alguma palavra para descrever "Metal Gear Solid: Peace Walker", é essa. Porque eu me deparei com algo que não era o que eu estava acostumado. Praticamente tudo foi mudado: menus, interface, apresentação, opções, modos. Até o "pré-título", algo que pouca gente dava atenção (quando notavam sua existência), mudou: o tradicional "Tactical Espionage Action" tornou-se "Tactical Espionage Operations". E essa modificação, por mais insignificante que pareça, representou uma virada radical no estilo do game.

Todos os jogos da franquia eram lineares, seguiam seu caminho e aconteciam de forma contida em si. Mas não "Peace Walker": o velho sistema de jogo foi substituído por missões. 33 principais e mais 128 extras, totalizando em 161. E agora você tinha que gerenciar a "Mother Base", o centro de operações da "Militaires Sans Frontieries" (uma alusão aos mundialmente famosos "Médicos Sem Fronteiras"), a nova organização militar de Snake e Kaz Miller (que já havia "aparecido" em MGS1), que começava como uma pequena plataforma marítima no meio do nada. E para manter o local, era necessário recrutar soldados, que podiam ser encontrados nas missões e extraídos através do "Fulton Recovery System" (um sistema que de fato foi usado pelo Exército Estadunidense). Quanto mais soldados e mais alta a classificação deles (dependendo também da especialização de cada um), mais a Mother Base evoluía. Não só isso: novos equipamentos e armas eram desenvolvidos e melhorados, os suprimentos iam sendo reabastecidos, integrantes feridos eram curados mais rápido. E sim, os outros membros da MSF podiam ficar feridos, pois era possível enviá-los em missões paralelas próprias, as "Outer Ops", nas quais não dava, porém, para controlá-los, apenas montar o melhor time possível e colocá-los em ação.

Claro que uma organização militar não estaria completa sem algumas máquinas de guerra. Era possível consegui-las também em missões, bastava não destruí-las em combate. Sim, havia meios para tal, bastava atingir apenas o piloto, e assim era possível pegar tanques, veículos blindados e helicópteros dos mais variados tipos. A parte mais legal, porém, era a oportunidade de construir seu próprio Metal Gear, o ZEKE, ao coletar partes "deixadas" pelos chefes ("Pupa", "Chrysalis", "Cocoon" e "Peace Walker", todos máquinas) e também roubar chips que formam suas inteligências artificiais. Quando pronto, você podia mudar suas cores e até mesmo adicionar algumas partes extras, também obtidas pelos chefões. Ah, e todo esse maquinário da destruição podia acompanhar os soldados durante as "Outer Ops".

Devido ao novo sistema de missões, o modo de se apresentar a história também foi modificado. As cenas em computação gráfica foram substituídas por uma espécie de história em quadrinhos animada na maior parte do tempo (devido às limitações do PSP), sendo algumas dessas interativas, parecendo minigames. Há também algumas gravações de áudio com informações complementares. E foi adicionada uma divisão por capítulos, que se referem mais ou menos a umas 5 ou 6 missões consecutivas. Tudo isso, ao meu ver, não interferiu em nada. Pelo contrário: só facilitou a compreensão da trama, que, aliás, é maravilhosa. Foi a primeira vez desde MGS3 que eu não sabia absolutamente nada sobre ela, então tive uma experiência quase única e aproveitei cada segundo daquele enredo que, surpreendentemente, se distanciava um pouco da completa (e fantástica) loucura da franquia e era algo mais leve e introspectivo, repleto de personagens interessantes como Amanda, Chico, Paz, Huey e Dr Strangelove. E Kaz se mostra um excelente parceiro, tem função essencial e só cresce no decorrer do jogo.

A coisa mais marcante, porém, é o tema oficial do jogo. "Heavens Divide", imortalizada pela voz de Donna Burke, é bela e tocante, estando facilmente entre as melhores músicas de toda a série. Fora, claro, que o momento que ela começa a tocar enquanto você enfrenta o Peace Walker é inesquecível.



Eu acho que fiquei jogando Peace Walker durante um mês de forma ininterrupta, ou até mais. É um jogo extenso e difícil, cheio de truques e elementos a serem coletados, soldados a serem obtidos, melhorias a serem realizadas e missões a serem desbloqueadas. Algumas delas, inclusive, só se você rejogar uma missão principal ou jogar uma (ou até algumas) missões alternativas. Então você ainda fica tentando se superar, obter algumas coisas extras nas fases, bater seu próprio tempo e rank, explorando todos os segredos... E aí realmente vai tempo. Um tempo de total diversão e cheio de surpresas.

Todas essas novidades, no fim, se tornaram essenciais para a série. "Ground Zeroes" usou de um esquema semelhante e "The Phantom Pain" trará as missões e a Mother Base de volta. Nada mais justo, pois o sistema é extremamente divertido e um dos pontos mais altos de "Metal Gear Solid: Peace Walker", hoje considerado importantíssimo para o cânone da saga pela ligação direta com seu quinto título. E só não o considero o melhor MGS já feito porque ele apresenta algumas pequenas limitações na jogabilidade e não tem nenhum chefe humano. Não fosse por isso, ele teria força o suficiente para se igualar a MGS1 e MGS3, quem sabe até mesmo superá-los. Mesmo assim, ele também tem um lugar muito especial no meu coração.

Ah, e a versão remasterizada em HD tem suporte para o segundo analógico dos controles de PS3 e X360. Ainda bem.

A seguir: seja tocado como um maldito violino.

PS: esqueci de dizer, mas PW tem dois finais: um parcial e um definitivo. Então, se você ainda pretende jogá-lo, está dada a dica. De nada.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

ESPECIAL METAL GEAR SOLID - "I'm like you, I have no name."


Olá! Sou fã de Metal Gear Solid há muito tempo e, devido ao lançamento de "Metal Gear Solid V: The Phantom Pain" no próximo dia 01/09, resolvi fazer uma série de postagens especiais para celebrar tanto o novo game quanto o encerramento da épica criação de Hideo Kojima. Mas não contarei a trama da saga ou farei reviews de cada título, e sim falarei um pouco das minhas experiências com os jogos na ordem em que eu os descobri, coisa que, acredito eu, muitos irão se identificar.

Confira as postagens anteriores abaixo:
PARTE 1 - PARTE 2

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É, eu joguei Metal Gear Solid na ordem reversa: primeiro o 3, depois o 2 e, por fim, o 1. E acabou sendo uma experiência muito interessante.

Já havia um tempo que eu vinha tentando jogar "Metal Gear Solid", um dos maiores clássicos do PlayStation 1. Eu tinha os dois CDs em mãos e tinha um emulador que rodava o jogo muito bem. Mas, nas minhas primeiras tentativas, eu nem chegava até o elevador e via o título, ou seja, basicamente eu não jogava. E não sei por quê. Talvez o fato de já saber a história e, especialmente, ter lido a ótima HQ que conta a trama do jogo me afastava de prosseguir. O enredo de MGS sempre foi uma coisa importante para mim, mas uma vez que eu já sabia toda essa parte por completo, não via grandes motivos para me aventurar pela ilha de Shadow Moses.

Até que chegou 2012. Nesse fatídico ano, já citado por mim nos dois posts anteriores, passei por alguns momentos complicados na minha vida, fiquei bem pra baixo e procurei por coisas que pudessem me distrair. Aliado a isso, eu consegui a "Metal Gear Solid HD Collection" para Xbox 360 e, como eu não tinha nada muito mais importante para fazer (exceto a parte de estudar para o vestibular... Não repitam isso, crianças, foi muito irresponsável da minha parte), pensei "Quer saber? Vou jogar todos os jogos em sequência". Incluindo o MGS1.

E olha, se arrependimento matasse... Eu certamente não estaria escrevendo esse texto por conta desse jogo. Como eu pude deixá-lo passar por tanto tempo? Pensando agora, talvez eu não tenha aprendido direito a lição de que ler a história e vivenciar a experiência completa são coisas completamente distintas. E, se eu havia a aprendido, ela certamente foi reforçada, e nunca mais cometi esse terrível erro novamente. Nem mesmo com "Quarteto Fantástico".

O primeiro "Metal Gear Solid" fez milagres com o hardware que o PS1 tinha. Belos gráficos, especialmente por ter sido lançado em 1998, uma atmosfera extremamente envolvente, cenários bem criados, inteligência artificial de primeira, ambientes que passam a sensação da vida presente neles, uma fantástica e marcante trilha sonora (com um "Alert Theme" que até hoje me aterroriza), ação stealth minuciosamente criada e controles impecáveis, práticos e perfeitamente responsivos. Junto a tudo isso, temos a visão cinematográfica de Hideo Kojima que só enriquece a experiência e a faz tudo parecer um grande filme interativo.

Agora, onde eu já li tudo isso? Ah sim, eu mesmo falei essas coisas quando escrevi sobre MGS2 e MGS3! Essa foi a parte mais interessante de ter jogado esse clássico: ver que os melhores elementos da franquia estiveram presentes desde o começo, e Kojima só foi evoluindo-os e aperfeiçoando-os com o passar do tempo e as inovações da tecnologia. Mesmo os jogos que deram início a tudo, "Metal Gear" e "Metal Gear 2: Solid Snake", já possuíam um pouco disso, mas, quando o "Solid" passou a fazer do título, essas coisas foram elevadas a um novo patamar e se tornaram a marca registrada da saga.

E a trama é muito melhor sendo jogada do que lida numa HQ (óbvio, afinal ela foi pensada para funcionar em um formato e não para o outro). Além de ser fantástica, claro. Tantos momentos emocionantes, reviravoltas e diálogos marcantes, protagonizados por personagens que, para mim, são os mais empáticos de toda a série. Mesmo os vilões tem seu carisma, e são figuras-chave de algumas das melhores cutscenes de "Metal Gear Solid". Sério, como não sentir-se tocado ouvindo, principalmente, as histórias de vida de Psycho Mantis e Sniper Wolf, dois dos favoritos dos fãs? E ainda temos Liquid Snake, o antagonista principal e líder do grupo FoxHound, que é quem revela um dos maiores plot twists do game. Mas é em MGS1 que conhecemos Revolver Ocelot, personagem essencial para quase todos os eventos que envolvem este e os jogos que vieram em seguida. E desde sua primeira aparição podemos ver o quão diferenciado o lendário pistoleiro é.

O que eu mais gostei, porém, foram as boss battles. São as melhores e mais criativas de toda a franquia. Todas excelentes e desafiadoras, e cada uma com sua peculiaridade, o que as torna ainda mais incríveis. Quem não sofreu para derrotar o Hind D ou o Metal Gear REX? Quem não travou um duelo épico de snipers contra Sniper Wolf? Quem não se sentiu acuado ao enfrentar o brutal Vulcan Raven? E, principalmente, quem não socou o Liquid com gosto durante o confronto final? E isso que nem mencionei as batalhas emocionantes contra Ocelot e Cyborg Ninja. A minha preferida, porém, é contra Psycho Mantis. Porque, além de não ser lá uma tarefa simples, ela quebra a quarta parede dos mais fantásticos modos possíveis: o oponente lê "sua mente" (no caso, seu Memory Card) e pode realizar comentários caso ache algum save de títulos da Konami, te obriga a trocar o controle para a porta 2 (caso contrário ele detectará todos os seus movimentos) e pode fazer objetos se moverem na vida real, pedindo para você colocar seu controle sobre uma superfície plana e movendo-o para o lado (caso ele tenha a função Rumble, que o faz tremer). Um verdadeiro toque de gênio, que só poderia ter saído da da brilhante mente de Hideo Kojima. Caso esteja afim, relembre um pouco deste épico confronto:



Como eu já disse, me arrependo muito por não ter jogado "Metal Gear Solid" antes. Eu amei o jogo em todos os seus aspectos, mesmo só tendo terminado-o 14 anos após seu lançamento. Por incrível que pareça, esse game também envelheceu muito bem pois, mesmo com seus gráficos claramente ultrapassados (ainda que sejam da melhor qualidade possível para o PS1), o gameplay e a apresentação parecem mais atuais que nunca, o som ainda é ótimo e a história lida com temas atemporais. Ou seja, ele estava muito a frente de seu tempo. E até hoje tenho dúvidas se meu favorito da saga é o MGS1 ou o MGS3, mesmo eu amando este último de uma forma especial. Mas a única conclusão que posso chegar é que ambos tem o direito a ocupar tal posto, cada qual por suas qualidades e a marca que deixou em minhas memórias.

E sim, também tenho um carinho único por MGS1, porque ele foi essencial para eu sair daquele estado de tristeza em que me encontrava. Especialmente pela cena final, e toda a reflexão feita nela por Solid Snake e Meryl. Jamais me esquecerei daquelas palavras.

Ah é, dá pra obter dois finais, um bom/definitivo e um ruim/alternativo! Cara, esse jogo é mesmo demais!

OK. Trilogia encerrada. E agora?

Próxima parada: NICARÁGUA.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

ESPECIAL METAL GEAR SOLID - "Raiden, turn off the game console right now!"


Olá! Sou fã de Metal Gear Solid há muito tempo e, devido ao lançamento de "Metal Gear Solid V: The Phantom Pain" no próximo dia 01/09, resolvi fazer uma série de postagens especiais para celebrar tanto o novo game quanto o encerramento da épica criação de Hideo Kojima. Mas não contarei a trama da saga ou farei reviews de cada título, e sim falarei um pouco das minhas experiências com os jogos na ordem em que eu os descobri, coisa que, acredito eu, muitos irão se identificar.

Confira a postagem anterior abaixo:

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Eu joguei a série Metal Gear Solid numa ordem completamente errada. E agora essa frase fará sentido.

Depois de jogar "Metal Gear Solid 3", eu fiquei fascinado pela franquia. Queria saber tudo, jogar tudo. Mas, infelizmente, não achava os demais games em lugar nenhum (afinal, se o mais recente já foi complicado de conseguir, o quão impossível seria encontrar os outros), não tinha dinheiro para comprar um PSP e jogar "Metal Gear Solid: Portable Ops" (que teoricamente deveria ser uma sequência para os eventos de "Snake Eater", mas não foi dirigido por Kojima, e hoje é considerado "parcialmente canon") e um PS3  aqui no Brasil ainda era absurdamente caro, logo não tinha nem chances de comprá-lo e esperar por "Metal Gear Solid 4: Guns of the Patriots". O que eu fiz, então? Li tudo em fóruns e afins (inclusive, abraço para a galera da comunidade "Metal Gear Solid BRASIL" do finado Orkut, que disponibilizou muito conteúdo em português). Foi basicamente um mestrado em MGS.

E ficou assim por bom tempo. 4 anos se passaram e, embora eu nunca tenha me esquecido da franquia, acabei jogando muitos outros títulos, me tornei um viciado em Guitar Hero/Rock Band, consegui um PC melhor e aprendi a baixar e gravar jogos (heh). Houve uma época que eu tinha conta no Black Cats, um dos sites de torrents privado mais famosos e cobiçados da internet, e, como o PS2 já estava quase sem lançamentos, tive uma ideia brilhante: baixar "Metal Gear Solid 2: Sons of Liberty", que nunca estava ativo em outros sites de torrent, para me divertir e passar o tempo. Afinal, eu já conhecia a história toda (inclusive tinha lido a HQ baseada no primeiro MGS, estando teoricamente bem situado), então não seria exatamente surpreendido.

Mas, cara, como eu estava enganado. Eu fui surpreendido. BEM surpreendido. Não pela trama-base em si, e sim pelos pequenos detalhes. Mas antes, vamos mais uma vez falar de aberturas:



Essa introdução é genial. Diversas cenas, todas focadas em Solid Snake, se passando durante a primeira parte do jogo, dando a entender que ele quem seria o protagonista, e só nos últimos segundos que aparece o Raiden. O vídeo remete a todo o material de divulgação do game, que fez a mesma coisa e escondeu o loirinho que é o verdadeiro protagonista do jogo. Eu já sabia quando joguei, e hoje isso é senso comum, mas foi uma verdadeira polêmica na época de lançamento (e até hoje há quem torça o nariz). Uma coisa é certa: Kojima "trollou" o mundo, antes mesmo de "trollar" ter algum significado. Ponto para ele.

Falando do jogo em si, eu de fato fiquei surpreso, feliz e me diverti demais com ele. Basicamente toda a mecânica que eu havia encontrado em MGS3 estava ali, com exceção, obviamente, dos elementos inovadores de sobrevivência. Os cenários também estavam longe do esplendor e da área colossal das florestas soviéticas, mas Big Shell era extremamente bem feito, com vários níveis e poderia facilmente confundir o jogador, sendo quase um labirinto. E também tinha animais pelo local (quem nunca pisou no cocô de gaivota e escorregou, não é mesmo?), embora você não pudesse, e nem precisasse, se alimentar deles. Não dá pra dizer que jogar MGS2 depois de seu sucessor foi exatamente um downgrade, mesmo tendo gráficos obviamente inferiores, mas ainda assim muito bons, ainda mais se considerarmos a época que foi feito (o game saiu em novembro de 2001, pouco mais de um ano e meio depois do lançamento do PlayStation 2 no mercado). Ele continuava muito atual, e mal dava para perceber tanto os 4 anos que os separavam.

E, mesmo já "conhecendo", a história conseguiu me pegar de assalto. Porque eu só conhecia o que havia lido, e obviamente deixaram muita coisa de lado. Todo o desenvolvimento de Raiden e a evolução da trama, além dos vários momentos emocionantes e personagens que se destacam, são pontos extremamente interessantes, e que apenas o game pode te proporcionar. Foi com "Metal Gear Solid 2" que eu aprendi uma valiosa lição: "ler é uma coisa, jogar é outra completamente diferente". Porque há coisas que só a experiência completa pode te fornecer, como foi exatamente o caso aqui. Especialmente na parte final do game, quando você acha que sua cópia veio com problema, Coronel Campbell fica completamente louco (o que você pode conferir aqui, por sua conta e risco), você fica todo confuso e então é revelado o grande plot twist. Aliás, Kojima pode falar que o tema desse jogo é MEME, mas o enredo todo trata de MANIPULAÇÃO. Os protagonistas foram manipulados de um jeito que nem mesmo o mais visionário dos fãs poderia ter previsto na época. Assim como esses mesmos fãs foram manipulados em toda a divulgação. Filho da mãe. Mais um ponto para ele.

As férias de inverno de 2009 (que também é quando a maior parte do jogo se passa, curiosamente) foram muito melhores graças a "Sons of Liberty", e acabei zerando-o duas vezes. Revisitei o jogo novamente em 2012, também remasterizado em HD, mas que usava como base a versão "Substance", com diversas "VR Missions", melhorias, a dificuldade "European Extreme" e uma coleção expandida de dog tags a serem coletadas. Também tive a oportunidade de reparar em detalhes que haviam passado despercebidos, inclusive uma das falas finais de Snake, que também se tornou favorita para mim, graças a seu teor puramente filosófico:

"Life isn't just about passing on your genes. We can leave behind much more than just DNA. Through speech, music, literature and movies...what we've seen, heard, felt...anger, joy and sorrow...these are the things I will pass on. That's what I live for. We need to pass the torch, and let our children read our messy and sad history by its light. We have all the magic of the digital age to do that with. The human race will probably come to an end some time, and new species may rule over this planet. Earth may not be forever, but we still have the responsibility to leave what traces of life we can. Building the future and keeping the past alive are one and the same thing."

Tem muitos fãs por aí que dizem não gostar de "Metal Gear Solid 2", seja por conta da mudança de protagonista ou por não terem sentido o mesmo impacto que os demais títulos da franquia tiveram. E, de fato, é um game "estranho". Mas no bom sentido da palavra. Talvez sua complexidade espante muita gente, além de todas as loucuras de Hideo Kojima (que estava inspiradíssimo durante todo o processo criativo). Particularmente, acho-o genial e extremamente subestimado, justamente por causa desses elementos, e por ter uma das melhores quebras de quarta parede que já vi. Não é meu favorito, mas chega muito próximo, e certamente possui um espaço especial em meu coração.

Ah! Lembra que falei da revista "Dicas e Truques para PlayStation" no post anterior? Acontece que eu também tinha a edição com o review de MGS2, que comprei por causa do guia de "Harry Potter and the Socerer's Stone" para PS1 quanto tinha uns 6 anos de idade. Esse foi meu real primeiro contato com a franquia, mesmo sem ter entendido muita coisa e me interessado bem pouco. Mas acho que, no fim das contas, era mesmo pra ser, certo? Fora que foi muito bacana ler o texto depois de todo aquele tempo e ver o jogo ser tão ovacionado.

E, quando achei que a franquia já havia me oferecido tudo de melhor, depois de dois ótimos jogos, eis que mordi minha língua novamente. "The Best is Yet to Come", já dizia o título dá música...

terça-feira, 25 de agosto de 2015

ESPECIAL METAL GEAR SOLID - "I'm still in a dream, Snake Eater!"


Olá! Sou fã de Metal Gear Solid há muito tempo e, devido ao lançamento de "Metal Gear Solid V: The Phantom Pain" no próximo dia 01/09, resolvi fazer uma série de postagens especiais para celebrar tanto o novo game quanto o encerramento da épica criação de Hideo Kojima. Mas não contarei a trama da saga ou farei reviews de cada título, e sim falarei um pouco das minhas experiências com os jogos na ordem em que eu os descobri, coisa que, acredito eu, muitos irão se identificar.

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Eu joguei a série Metal Gear Solid numa ordem completamente errada.

Antes de tudo, acho que vale situar as coisas: eu tinha por volta de 10 anos e costumava comprar a famigerada "Dicas e Truques para PlayStation". Sim, os tempos eram outros, a internet banda larga ainda dava seus primeiros passos no Brasil e o melhor jeito de ficar por dentro das novidades dos games, arranjar dicas e ver críticas ainda era através de revistas. Em suas edições, um jogo que vinha recebendo destaque era um tal de "Metal Gear Solid 3: Snake Eater", sendo sempre elogiado por todas as suas inovações, atmosfera envolvente e apresentação única, e consagrando-se, assim, o "melhor jogo de PlayStation 2" até aquele momento, segundo os redatores.

E eu, obviamente, fiquei curioso. Afinal, se esse game era tão bom e inovador, então certamente eu, uma criança que gostava muito de ficar horas jogando video-game, deveria tê-lo. E fui atrás. Mas eu nunca encontrava nas lojas da minha cidade (interior de São Paulo, as coisas realmente demoravam mais para chegar por lá, mas esse aparentemente não existia naquelas terras). Para a minha sorte, alguns amigos meus conseguiram suas cópias (comprando em outras cidades, importando, sei lá). Então, tudo o que tive que fazer foi pegar emprestado por uns dias, para testar e afins.

Vocês devem estar se perguntando: "que tipo de pessoa começa a jogar uma franquia pelo seu terceiro título? Quer dizer, tem outros dois antes, que você tá simplesmente ignorando, não deveria jogá-los primeiro?" Afinal, ninguém começa a ver Star Wars por "O Retorno de Jedi" ou "A Vingança dos Sith". Ninguém lê Harry Potter começando pelo "Prisioneiro de Azkaban". Ninguém assiste "De Volta Para o Futuro III" antes dos outros dois. Senhor dos Anéis não deve ser iniciado por "O Retorno do Rei". E, especialmente, você não deve ver "Exterminador do Futuro: A Rebelião das Máquinas", "Homem de Ferro 3" ou Homem-Aranha 3" antes dos demais. Aliás, você nem deve ver esses filmes, mas isso fica pra outra discussão.

Mas e se for Indiana Jones? Bom, você pode tranquilamente começar por "A Última Cruzada", pois cada longa clássico tem sua história fechada e redonda, sem grandes ligações diretas com a trama dos demais. E, felizmente, esse é o caso de "Metal Gear Solid 3" em relação ao seus antecessores. Mais do que isso, ele é o primeiro na ordem cronológica dos acontecimentos da saga, antes mesmo dos velhos jogos que deram início a tudo, "Metal Gear" e Metal Gear 2: Solid Snake", para MSX (que não devem ser confundidos, em hipótese alguma, com "Metal Gear Solid" e "Metal Gear Solid 2: Sons of Liberty"). Então, não foi exatamente um erro ou um grande problema.

Ainda que fosse um problema, não seria um que eu me arrependeria de ter cometido. Porque o game mudou minha vida desde a primeira vez que o joguei. A começar por sua abertura:



Quanta perfeição. Eu já a vi dezenas, centenas de vezes, e nunca me cansei. Essa bela homenagem aos temas dos 007 clássicos entoada por Cynthia Harrell é uma música que sempre me encantou, e sempre me encantará. E todo o clima de anos 1960, Guerra Fria e espionagem só colaboram para melhorar tudo isso, dando o tom certeiro sobre o que o jogador pode esperar  daí para frente. Para melhorar, essa introdução é interativa. Você pode mexer com a ondulação das letras, mudá-las para caracteres em japonês, transformadas em esqueletos de cobra, mudar as cores de fundo, mudar imagenzinhas, direcioná-las de forma diferente... Basicamente, você brinca com tudo aquilo ao seu bel-prazer, algo que se repete na tela de "Press Start". Simplesmente fantástico.

Quando entrei no game de fato, minha cabeça explodiu. Nunca tinha visto nada como aquilo, seja nos quesitos de gráficos, gameplay, sons ou ambientação. Eu realmente me sentia na pele de um espião estadunidense infiltrado nas selvas soviéticas em uma missão ultra-secreta. Tudo colaborava para isso: a (então) perfeição visual, os controles perfeitamente responsivos, os barulhos da natureza selvagem e a vida daquele local, com a fauna e a flora em perfeita sincronia. Aliado a esses detalhes, ainda havia a ação em stealth meticulosamente criada, uma ótima inteligência artificial dos inimigos, áreas diferentes a serem exploradas, um vasto arsenal a ser encontrado conforme se progredia, "boss battles" emocionantes (The End e The Boss, em especial), segredos e easter eggs. Recursos inovadores como a possibilidade de escolher um traje e pintura facial diferentes para se camuflar melhor em cada local do jogo, a necessidade de caçar animais ou encontrar alimentos para manter sua barra de stamina em bons níveis e a opção de realizar curativos ou usar medicamentos no caso de algum ferimento ou envenenamento só colaboravam ainda mais para transformar a experiência na melhor que já tive com video-games até hoje.

Mesmo tendo pego MGS3 emprestado, apenas para "testes", eu fiquei com o jogo por um bom tempo. Zerei várias e várias vezes, tentando conseguir todas as armas, camuflagens, pinturas e tudo mais que pudesse estar escondido, ao mesmo tempo que ia batendo meus recordes de tempo de término do jogo (acho que meu melhor tempo foi 2:53h na época), e usando apenas a arma de tranquilizantes para tudo. Quando devolvia, pegava emprestado com algum outro amigo que o tinha. E fiquei um belo tempo nesse esquema, até que finalmente pude comprar a minha própria cópia.

Só que o "Metal Gear Solid 3" que eu comprei era diferente daquele que meus amigos tinham. Enquanto a versão deles era a "Snake Eater", a minha era a "Subsistence", lançada um ano depois. E qual a diferença? Bom, meu jogo tinha algumas novidades. Novas camuflagens e pinturas foram inseridas, além de mais um nível de dificuldade, o "European Extreme" (que também esteve presente na versão "Substance" de MGS2). Fora isso, esse lançamento tinha um disco extra, que continha várias cutscenes engraçadalhas que parodiavam momentos do próprio game, o modo "Snake vs Monkey" (já presente na versão comum, mas agora com novas fases), os clássicos "Metal Gear" e "Metal Gear 2: Solid Snake", em toda sua glória, e o modo online, que eu infelizmente nunca pude jogar, pois internet no PS2 era luxo demais em uma época que eu tinha 512 kbps de banda larga. A grande e mais essencial inovação, porém, ficou por conta da inserção da câmera livre em todos os modos, ao contrário da câmera em ponto fixo vista até então. Isso melhorou a experiência em todos os aspectos, e acabou se tornando tendência para os títulos da saga que viriam a seguir (o próprio Kojima disse que testou o recurso nessa versão já pensando em MGS4).

A única coisa ruim de "Metal Gear Solid 3: Subsistence" é que ele não compartilhava o save com "Snake Eater". Ou seja, todo meu progresso e esforço feito com os jogos dos meus amigos foi por água abaixo. Mas tudo bem, pois tive a "sorte" de fazer tudo de novo. E foi ainda melhor dessa vez.

Mas e a história? Ah, a história... É engraçado ter tanto amor por uma trama que eu só fui entender por completo anos depois, quando rejoguei toda a franquia (agora na versão remasterizada em HD) por volta de 2012, justamente para conseguir compreender tudo (antes só havia lido em fóruns e afins, pois meu inglês ainda era bem básico). E valeu muito a pena, pois pude reviver momentos marcantes e aproveitar muito melhor outros que passaram completamente despercebidos. Um enredo complexo, abordando diversas questões políticas (num tempo tão delicado para o mundo), militares e de lealdade, apresentado majestosamente pela visão cinematográfica de Hideo Kojima e que, aliado ao visual de cair o queixo e uma gama de personagens carismáticos e memoráveis, se tornou algo único. Jamais esquecerei certos momentos, especialmente aqueles no final do game. MGS3 ainda possui uma das minhas citações favoritas, proferida por The Boss antes de seu confronto final com Snake:

"In 1960 I saw a vision of the ideal future from space. Three years earlier the Soviet Union had succeeded in launching Sputnik, the first manmade satellite in history, into orbit. This came as a huge shock to the United States. In response, America threw everything it had into its own manned space flight project, the Mercury project. Even as the Soviets seemed poised to send their first man into space America was still experimenting with chimpanzees in rockets. The government wanted human data. So they secretly decided to send a human being into space. I was the one they chose. At the time they didn't have the technology to block out cosmic rays and whoever they sent up would inevitably be exposed to heavy radiation. That's why they chose me. After all, I had already been irradiated once. Of course, you won't find any of this in the history books. I could see the planet as it appeared form space. That's when it finally hit me. Space exploration is nothing but another game in the power struggle between the US and USSR. Politics, economics, the arms race - they're all just arenas for meaningless competition. I'm sure you can see that. But the Earth itself has no boundaries. No East, No West, No Cold War. And the irony of it is, the United States and the Soviet Union are spending billions on their space programs and the missile race only to arrive at the same conclusion. In the 21st century everyone will be able to see that we are all just inhabitants of a little celestial body called Earth. A world without communism and capitalism... that is the world I wanted to see. But reality continued to betray me.

É, "Metal Gear Solid 3" foi um game que marcou bastante minha vida. Uma experiência inesquecível e única, que mudou minha maneira de encarar video-games para sempre. E eu sei que isso também aconteceu com muitos outros, pois vejo direto pessoas dizerem que este é seu título favorito da franquia e também foi seu primeiro. Saibam que sofremos juntos para enfrentar The End, criamos o "Time Paradox" ao atirar em Ocelot quando ele está nocauteado, caçamos os sapos Kerotan em cada novo cenário que explorávamos e nos emocionamos juntos com as cenas que fecham a história. Fico feliz em ter crescido jogando a saga, enquanto pude vê-la evoluir conforme crescia. E, do mesmo jeito que eu envelheci, MGS3 também envelheceu, e envelheceu muitíssimo bem. Mesmo mais de 10 anos depois, esse ainda é meu jogo favorito entre todos que já joguei, algo que talvez só venha a ser desbancado por "Metal Gear Solid V: The Phantom Pain".

"Mas espera, se tantos outros fizeram como você e começaram pelo terceiro jogo, porque você disse que jogou numa ordem completamente errada?"

Calma, esse é só o começo...

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Novidades direto da D23!

Ocorreu neste fim de semana em Anaheim, California, a convenção D23, que é, basicamente, uma mini Comic Con focada na Disney e em suas propriedades, como a Pixar, Marvel e Lucasfilm. Coisas bem bacanas foram divulgas por lá, e por isso resolvi trazer algumas delas para o blog.

PIXAR: nosso estúdio de animação favorito confirmou três sequências: Os Incríveis 2, Carros 3 e Toy Story 4, como é possível conferir na imagem abaixo.


Dessas três novidades, há detalhes apenas sobre a última. O novo Toy Story será de fato uma espécie de comédia romântica com base no relacionamento entre o caubói Woody e Bo Peep (conhecida no Brasil, por motivos que desconheço, como Betty), a boneca pastoreira dos dois primeiros filmes. 

Além disso, foi anunciada uma nova animação chamada "Coco", que terá como inspiração o Dia de los Muertos, e "Procurando Dory" recebeu uma nova imagem, que conta com um novo personagem, o polvo Hank:


MARVEL: o primeiro trailer de "Capitão América: Guerra Civil" foi divulgado na feira, e ele é completamente diferente daquela descrição que apareceu na internet uns dias atrás. Nada de Homem-Aranha, e nada do vídeo também, que só deve ser lançado mundialmente por volta de NOVEMBRO. Também foi mostrada uma arte conceitual do uniforme do Doutor Estranho, que também ainda não está disponível, mas que, segundo relatos, está extremamente fiel ao das HQs.

PIRATAS DO CARIBE: o quinto longa da franquia, "Dead Men Tell No Tales", realmente está acontecendo e sairá em 7 de julho de 2017. O logo foi finalmente divulgado:


Além disso, foi confirmado retorno de Orlando Bloom como Will Turner, bem como o envolvimento de Javier Bardem com filme, que interpretará um pirata chamado Capitão Salazar.

STAR WARS: pra início de conversa, Colin Trevorrow foi confirmado como o diretor de "Star Wars Episódio IX" (muito provavelmente graças ao 1.5 bilhão de dólares que "Jurassic World" fez nas bilheterias mundiais, sendo o maior sucesso do ano até o momento). Logo em seguida, foi divulgado que o primeiro filme derivado da franquia mudou de nome e agora se chamará "Rogue One: A Star Wars Story" (antes conhecido como "Star Wars Anthology: Rogue One"), e a primeira imagem do elenco caracterizado foi mostrada (e, por algum motivo, não consigo tirar meus olhos dela):


Da esquerda para a direita: Riz Ahmed, Diego Luna, Felicity Jones (<3), Jiang Wen e Donnie Yen.

Em seguida, foi a vez de "Star Wars: O Despertar da Força" tomar o palco. Nada de trailer, como já havia sido divulgado, mas mostraram o (finalmente) primeiro pôster do longa, feito por Drew Struzan, também responsável pelos posteres de todos os demais filmes da franquia. Por algum motivo, não soltaram a imagem oficialmente na rede, então contentem-se com essa foto dele: 


Pra fechar o painel, o CEO da Disney, Bob Iger, divulgou que Star Wars ganhará dois parques temáticos completos, em conjunto à Disneyland, na Califórnia, e à Walt Disney Resort, na Flórida. Eles terão experiências imersivas, com personagens icônicos espalhados por toda a área, e também um SIMULADOR DE MILLENIUM FALCON. Comecem a guardar dinheiro desde já.

KINGDOM HEARTS: foi revelado que a tão aguardada sequência terá um mundo baseado em "Operação Big Hero", animação de sucesso do Walt Disney Studios lançada no fim de 2014. Confira o anúncio completo abaixo:



Para finalizar, fiquem com essa imagem do dia que o Capitão Han Solo encontrou o Capitão Jack Sparrow:

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

2015: o que vem por aí


Sempre que um novo ano chega, cria-se uma expectativa por novidades e mudanças em relação ao que foi visto no anterior. E 2015 promete muita coisa bacana, seja pelo que já foi anunciado antes ou pelo que está sendo especulado que pode ocorrer. Teremos muitas potenciais surpresas nos próximos 12 meses em diversas áreas, além daquilo que já está fazendo as pessoas explodirem de tanta espera. Com isso em mente, resolvi falar sobre o que provavelmente abalará o mundo nesse ano, além de deixar clara minha opinião sobre e dizer o que eu mais aguardo. E, desde já, peço desculpas caso tenha deixado algo passar.

FILMES: nesse ano, o mundo está com sua atenção totalmente voltada para "Os Vingadores: A Era de Ultron" e "Star Wars: O Despertar da Força". São seus dois maiores lançamentos, os quais as pessoas já aguardam desde pelo menos 2012. Também serão lançados um novo Mad Max, "A Estrada da Fúria", a conclusão da franquia Jogos Vorazes nos cinemas com "A Esperança, parte 2" e um novo filme de Quentin Tarantino, "The Hateful Eight". Não estou esperando grandes coisas de "Homem-Formiga", "Exterminador do Futuro: Genisys" e do reboot do "Quarteto Fantástico", mas posso (e espero) estar errado. "Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros" é uma verdadeira incógnita para mim, e a novas animações da Pixar, "Divertida Mente" e "The Good Dinosaur", devem seguir aquele padrão de qualidade que conhecemos. Ainda chegarão ao Brasil alguns filmes que foram lançados no exterior na reta final de 2014, como "O Jogo da Imitação", "Birdman", "O Abutre", "Sniper Americano" e "O Ano Mais Violento". E deveremos ser bombardeados com trailers dos lançamentos de 2016, como "Batman v Superman: Alvorecer da Justiça", "Capitão América: Guerra Civil", "X-Men: Apocalipse", "Esquadrão Suicida", "Deadpool" e "Animais Fantásticos e Onde Habitam". 2015 está excelente para falir indo ao cinema.

GAMES: para quem comprou um PlayStation 4 e/ou um Xbox One, esse é o ano que você realmente tirará proveito do(s) console(s). Os mais aguardados por mim são "Metal Gear Solid V: The Phantom Pain", "Batman: Arkham Knight" e o (finalmente!) novo "Star Wars Battlefront", já que sou um fã incondicional das três franquias. Junto a esses, também serão lançados "Uncharted 4: A Thief's End", "Halo 5: Guardians", "Rise of the Tomb Raider", "Mortal Kombat X", "The Witcher 3: Wild Hunt", "Evolve", "Bloodborne", "The Order: 1886" e "Battlefield: Hardline". A Nintendo, por sua vez, vem com um novo "The Legend of Zelda" e, após uma década, um novo "Star Fox", e devem seguir dominando o mercado de portáteis com o 3DS, bem como tendo um relativo sucesso com seus criativos, divertidos e subestimados jogos exclusivos. E sim, teremos novos "Call of Duty" e "Assassin's Creed", além da edição anual de "FIFA", que sempre promete novidades, mas só apresenta mais e mais bugs. Há rumores de que novos "Pokémon" estão em desenvolvimento, bem como um "The Last of Us 2", e existe a possibilidade de "Kingdom Hearts III" ser lançado ainda em 2015. E, para não cometer injustiças, eu espero que os desenvolvedores independentes sigam inovando e nos presenteando com games incríveis.

QUADRINHOS: já sabemos que o Universo Marvel sofrerá um reboot nesse ano, começando com o evento "Everything Ends", que acarretará em uma nova saga das "Guerras Secretas" e assim culminará no que aparenta ser retcons das mais famosas histórias da editora, como "Guerra Civil" e "A Manopla do Infinito", além de novidades como o fim do Universo Ultimate/Millenium, "Inhumans: Atillan Rising", "Spider-Man: Renew Your Vows" e uma nova publicação dos X-Men baseada no desenho de sucesso dos anos 1990. Não se sabe ao certo o que vai gerar toda essa confusão, mas a editora, que agora também detém os direitos de Star Wars nos quadrinhos, ainda tem muito o que fazer com suas publicações atuais, além de novidades como "Uncanny Inhumans" e "The Wolverines". A DC Comics, por sua vez, também deve ver seu universo principal passar por mais um reboot, já que confirmaram o encerramento de 16 de seus lançamentos mensais para 2015. É a chance de se redimirem com seus fieis leitores após a má impressão causada pelas polêmicas de "Os Novos 52", que, apesar de ter acertado a mão em muitos momentos (especialmente com o Batman), foi alvo de muitas críticas. Também é o momento certo para preparar o terreno visando os filmes que vem aí a partir do ano que vem. Ainda assim, eles também tem muito trabalho pela frente com suas HQs atuais.

SÉRIES: 2015 será grande nessa categoria. Além do encerramento das temporadas atuais de Arrow, Flash, Gotham, Suits, Castle e Marvel's Agents of S.H.I.E.L.D. (e o provável retorno de todos esses programas no segundo semestre), teremos o retorno de Game of Thrones para sua quinta temporada e de Doctor Who para sua nona temporada, além de novos episódios para sucessos da Netflix como "House of Cards" e "Orange is the New Black". Também veremos novas séries de herói como "Supergirl", "Titans", a série dos Novos Titãs, e "Krypton", que terá como foco o avô do Superman. Junto a essas, teremos as séries da Marvel exclusivas da Netflix, como "Demolidor" e "AKA Jessica Jones". Há rumores de que "Arrested Development" retornará para sua 5ª temporada, então é bom ficar de olho. Ah, "The Walking Dead", "Supernatural" e "The Big Bang Theory" vão continuar aí pra quem ainda não desistiu, e o final de "Two and a Half Men" está agendado para fevereiro desse ano. Para finalizar, a minissérie "Marvel's Agent Carter" foi exibida na última terça e obteve boa recepção, o que é, ao meu ver, uma boa notícia.

MÚSICA: o Muse lançará, segundo os próprios membros, o álbum mais pesado de suas carreiras, que beira o Metal. O Halestorm divulgará seu novo registro em breve. O Winery Dogs deverá voltar a estúdio ainda nesse ano. O Ghost já confirmou que seu próximo disco sairá nos próximos meses. O Iron Maiden está, segundo informações, em gravações nesse exato momento. O Metallica, se tiver boa vontade, pode lançar algo novo. E o Megadeth está a procura de novos guitarrista e baterista para poder se redimir do fraco "SuperCollider", de 2013. E isso é tudo o que eu sei sobre o assunto para 2015 até o momento. O resto pretendo descobrir e ser surpreendido de forma natural ao longo dos dias que estão por vir.

ESPORTES: depois do anúncio de que Gerrard deixará o Liverpool ao fim de 2014-2015, não tenho como esperar muitas coisas boas. Só espero ser surpreendido nos campeonatos, com resultados inesperados (como o triunfo do Real Sociedad de David Moyes sobre o Barcelona no último fim de semana) e campeões diferentes do habitual. Mas provavelmente vai acontecer o óbvio nos campeonatos europeus, e a Liga dos Campeões deve ter o Bayern de Munique ou o Real Madrid erguendo a taça. Em 2015 ainda tem Copa América e Jogos Panamericanos, então vamos ver o que vem por aí. É isso.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Comic Con Experience: Por que o sucesso do evento é importante para o público brasileiro


Durante os dias 4 a 7 de dezembro, ocorreu em São Paulo a primeira edição da Comic Con Experience, que propôs trazer para o Brasil algo semelhante ao visto fora do país, com atrações de qualidade, muitos estandes e um espaço exclusivo para quadrinistas exporem seus trabalhos para o público. Eu, infelizmente, não pude ir (vontade não faltou, mas o dinheiro que é bom...). Entretanto, pelo que vi em relatos, vídeos e imagens, deu pra perceber que o evento foi um inegável sucesso, superando até mesmo a expectativa dos próprios organizadores. E essa reposta não veio apenas através dos pagantes, mas também dos convidados e artistas, tanto nacionais quanto internacionais.

Para você que é leigo, te darei uma ajuda: a Comic Con é uma convenção que, como o próprio nome indica, começou como uma reunião de fãs de histórias em quadrinhos, mas que, com o tempo, passou a englobar os outros aspectos da cultura pop, como filmes, séries de TV e games. Ela é realizada em diversos países, sendo as de San Diego e New York, nos Estados Unidos, as mais famosas e importantes. Elas possuem auditórios para palestras e exibição de vídeos (geralmente trailers, previews ou pré-estreias de filmes e episódios-piloto), diversos estandes (onde você pode ver itens expostos e gastar sua grana com o que estiver à venda) e o "Artists' Alley", local no qual os quadrinistas deixam seu trabalho exposto para as pessoas poderem apreciar e comprar, além de terem a oportunidade de trocar algumas palavras com os caras.

Havia muitos anos que uma Comic Con no Brasil era sonhada e clamada pelos nerds daqui. Desta vez, porém, a galera do site Omelete conseguiu os investidores necessários e finalmente pode realizar este desejo, que eles também era deles. E assim nasceu a Comic Con Experience, ou simplesmente CCXP, que, como citado anteriormente, agradou a todos os presentes e teve ótima repercussão, recebendo destaque na mídia nacional e até mesmo aparecendo em sites gringos. Pode não parecer, mas o sucesso do evento tem uma grande importância, tanto para dos fãs da cultura pop quanto para aqueles que não tem muita ligação com o assunto, mas sempre assistem a um filme da Marvel, a uma série da DC Comics ou até mesmo simplesmente assinam o Netflix.

O êxito da CCXP se deve, antes de tudo, à qualidade oferecida aos visitantes. Boa parte das atrações que estiveram presentes na ocasião são reconhecidas em nível internacional. Dentre os convidados, participaram atores como Richard Armitage (da trilogia Hobbit), Sean Astin (da trilogia Senhor dos Anéis e de Goonies), Jason Momoa (da série Game of Thrones e futuro Aquaman nos cinemas), Rebecca Mader (da série Once Upon A Time), Edgar Vivar (o Sr. Barriga de Chaves), Lino Faccioli (também de Game of Thrones), além de quatro membros do elenco de Marco Polo, nova série da Netflix. Foram ao evento também autores e quadrinistas de renome, como Scott Snyder e Sean Gordon Murphy (da atual linha editorial do Batman), Timothy Zahn (escritor dos livros da "Trilogia Thrawn" do Universo Expandido de Star Wars), Don Rosa (lendário autor e desenhista de histórias do Pato Donald) e o grande homenageado da vez, o brasileiro Maurício de Sousa. Além de todos estes, Youtubers brasileiros como Jovem Nerd e Azaghal, Irmãos Piologo, Marcos Castro, Kéfera, Felipe Castanhari e Pathy dos Reis (fora o próprio pessoal do Omelete) compareceram na Comic Con Experience. Sem falar nos estandes de grandes empresas como Disney/Pixar, Marvel, Fox, Warner Bros e a já citada Netflix. Junte tudo isso aos vários artistas (tanto nacionais quanto estrangeiros) do "Artists' Alley", somado aos diversos expositores e vendedores de réplicas e miniaturas, além das exibições exclusivas de "O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos", "Operação Big Hero" e do piloto de "Marco Polo". Dá pra perceber que não foi pouca coisa (e olha que tive que deixar muita informação de fora).

Começa desde aí a vitória da convenção. Conseguir reunir todos estes grandes nomes sob o mesmo teto em quatro dias de evento (por mais que eles não tenham estado presentes em todos) foi um grande feito. Trazer todas as companhias citadas anteriormente, com amostras e exibições muitas vezes exclusivas, também. E, pelo que foi possível conferir nos diversos vídeos gravados e através das reações nas redes sociais, todos aproveitaram a bastante a CCXP, bem como suas visitas ao Brasil. Isso é muito benéfico pois faz com que eles tenham uma boa imagem do país, o que abre as portas para mais vindas e melhora a situação para que mais artistas e marcas participem deste e de outros eventos, tendo um feedback positivo de seus colegas. Pode parecer algo pequeno e que só funciona na teoria, mas acreditem: ajuda muito.

A participação e resposta do público é outro grande ponto a ser destacado. Pelo que foi possível conferir, seja por amigos, conhecidos ou pessoas aleatórias, todos aproveitaram e aprovaram a Comic Con Experience, participando de tudo o que puderam, recebendo e interagindo calorosamente com os convidados durante as entrevistas e palestras, e consumindo até onde seus bolsos permitiam. O envolvimento dos presentes foi tão positivo que até mesmo incentivou artistas a olharem o que mais o evento tinha a oferecer sem medo (e assim foi possível que ninguém menos que Mauricio de Sousa, COM A MÁSCARA DO CORINGA, passeasse pela feira). A importância disso para os nerds brasileiros é quase imensurável, porque mostra com clareza para todo este nicho da indústria do entretenimento que, se eles quiserem investir no Brasil, a população vai responder de forma efetiva e expressiva. Sem dúvidas veremos reflexos disso tudo muito em breve, e quem tem a ganhar somos nós.

Por fim, é importante ressaltar que a própria realização de um evento como este no país é por si só um sucesso. Como falei anteriormente, fazia muito tempo que os amantes da cultura pop careciam de uma Comic Con nestas terras, tendo como mais próximo disso os eventos de animes e mangas feitos por todo o Brasil, mas que, ainda assim, estão bem longe de se igualar. A concretização de uma convenção como esta por aqui só mostra a força dos fãs brasileiros, que devem tudo a aqueles que nunca desistiram desse sonho. Portanto, fica aqui o meu obrigado aos realizadores que tornaram a CCXP possível.

A Comic Con Experience 2015 já está confirmada para acontecer entre 3 a 6 de dezembro, no mesmo local onde foi feita a deste ano. Faz parte dos meus planos desde já, porque também quero contribuir com isso tudo. Quanto mais benefícios para o público brasileiro, melhor. E, se em 2014 já foi muito bom, ano que vem tem tudo para ser maior e melhor, como efeito dessa primeira edição. Nos vemos por lá (assim espero).

O belíssimo poster de divulgação da Comic Con Experience, assinado por Rafael Grampá, Ivan Reis e Marcelo Costa. Não tinha como ficar de fora dessa publicação.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

E lá vamos nós (novamente)...

OK, OK, vocês provavelmente devem estar pensando "não acredito que você criou essa porcaria de blog há mais de um ano, postou algumas vezes, desistiu e só agora resolveu retomar", ou "pff, de novo isso... Aposto que não dura nem duas semanas!" ou (e essa tem 90% de chance) "que lixo é esse no meu feed de notícias do Facebook? *DESCURTIR*". Tudo bem, é perfeitamente compreensível. A maior parte das pessoas que teve qualquer tipo de contato com este praticamente deserto blog já se esqueceu dele por conta do período ridículo de inatividade do mesmo, e os que ainda se lembram certamente já perceberam que algo deu errado. E realmente, eu passei muito longe do que pretendia e cheguei a expressar naquele texto inaugural publicado em 24 de junho do ano passado, para o recém-criado "Valar Morghulis, Valar Dohaeris - Um Blog sem Estandartes".

Em minha defesa, contudo, eu tive meus motivos, e eles não são poucos. Longe disso, aliás. Aprovações, perdas, confusões... Eu estive no olho de um tornado de emoções que, curiosamente, coincidiu justamente com o início desta tentativa de retorno ao mundo da escrita. Foi (e, de certo modo, ainda está sendo) a época mais complexa, intensa e transtornada de toda a minha vida. Em pouco menos de 6 meses, fui do Céu ao Inferno e passei uma temporada por lá. Se no primeiro momento eu estava em contato com mundo completamente novo para mim e me ocupei em explorá-lo ao máximo que podia, o que veio a seguir simplesmente destruiu praticamente toda aquela experiência, de modo que tudo o que eu mais gostaria de fazer era me distrair com qualquer coisa que não exigisse concentração, complexidade ou esforço mental. Realmente achei que escrever pudesse me ajudar naquele momento, como está bem claro em minha última postagem aqui até então, mas o bloqueio mental e todo o peso da ocasião foram mais fortes. 

E assim o blog, outrora tão promissor, foi deixado de lado. Complicações, falta de compreensão por parte de alguns e contratempos posteriores só agravaram mais uma situação que, por si só, já era bem difícil. Enquanto isso, hora e outra eu pensava no "Valar Morghulis, Valar Dohaeris", hora e outra amigos mais próximos o traziam para o assunto e pediam textos novos. Mas eu não estava nem um pouco afim, totalmente indisposto. E, sendo inteiramente franco, eu pensei seriamente em desistir. Não tinha dado certo, a vida segue em frente. Não cheguei a declarar isso para ninguém, só que ele estava fora dos meus planos.

Por volta de setembro deste ano, porém, as sábias palavras de um homem genial iluminaram minhas ideias. 

Neil Gaiman é um escritor inglês, conhecido mundialmente por obras como Sandman, Coraline, Stardust, Os Filhos de Anansi, Os Livros da Magia, Deuses Americanos e O Oceano no Fim do Caminho, seu mais recente lançamento, além de ter assinado o roteiro de dois episódios da atual série de Doctor Who: "The Doctor's Wife" e "Nightmare in Silver". E, apesar de ainda não ter lido por completo nenhuma de suas criações (algo que eu pretendo mudar o mais breve possível), ele é um dos grandes responsáveis por eu estar aqui hoje escrevendo este texto. Em maio de 2012, o autor realizou um discurso para os formandos da University of the Arts da Filadélfia, o qual acabou se tornando um livro chamado "Make Good Art". Mesmo já conhecendo Gaiman e toda a relevância de sua bibliografia, não fazia ideia da existência de tal evento. Felizmente, achei um link do Youtube no mais puro acaso.


Após assistir ao vídeo, olhei para minha vida sob outra perspectiva. Dentre várias outras coisas, eu percebi que simplesmente não estava criando absolutamente nada. Em tempos passados, me recordo de ser alguém bem mais criativo. Não apenas por escrever no falecido, porém jamais esquecido, Bar Obi-Wan ou por estar acostumado a fazer algumas redações. Antes, eu desenhava, inventava algumas histórias. Até mesmo cheguei a compor uma música, mas nunca a mostrei para ninguém. Tudo isso era esporádico e meu maior foco sempre foi a escrita mesmo, porém estava lá. Recentemente, entretanto, todas essas atividades estavam desaparecidas da minha vida, muito devido a tudo o que citei anteriormente. E eu estava encontrando certas dificuldades para me expressar. Desenvolver frases, respostas, textos, trabalhos, tudo parecia mais complicado para mim e nada fluía como antes. Dessa forma, tudo ficou claro após as singelas palavras do sr. Neil Gaiman: eu precisava voltar a criar.

É aí que o blog entra na jogada. Enquanto eu necessitava liberar a minha criatividade, o "Valar Morghulis, Valar Dohaeris" estava aí, largado as traças, esquecido por Deus. Um projeto falho, mal utilizado e com pouquíssimas postagens. Parecia o lugar certo para exercer a atividade, e eu resolvi, assim, retomá-lo. Mas não imediatamente, como é possível observar. Eu estava um tanto ocupado naquele momento, e de nada adiantaria eu retornar às postagens e de novo não dar continuidade. Não. Achei melhor adiar a ideia por um tempo e executá-la quando fosse melhor e mais certo para mim, e enquanto isso iria ponderando sobre ela e aperfeiçoando-a. E, por motivos que desconheço, sinto que agora seja o melhor momento para tal, aliado ao fato de que talvez toda a reflexão possível já tenha sido feita e eu esteja disposto e decidido a voltar.

Mas, ao acessar o blog novamente e analisá-lo durante o período entre a concepção e a execução de meu plano, percebi algo: eu não estava satisfeito com seus elementos. Sim, eu quem fiz tudo nele, dediquei momentos da minha vida a isso, só que nada parecia certo ou me agradava. A começar pelo nome: "Valar Morghulis, Valar Dohaeris - Um Blog sem Estandartes", que na época pareceu genial, era algo difícil e cansativo de se dizer, ler ou até pensar. "Valar Morghulis, Valar Dohaeris" também não ajudava muito, continuava complicado e extenso. A abreviação "VMVD" era horrível e me lembrava do um dia famoso "VDM - Vida de M*rda". E o background, que se encaixava perfeitamente com o logo (o que me deu um trabalho desgraçado para conseguir ajeitar), também se mostrou um problema, pela predominância da cor preta e o tom pesado que ela dava. Então, abri mão de tudo isso, visando um título mais simples e de fácil assimilação, e um clima que não espantasse os leitores.

E, assim, chegamos ao momento atual. Aqui estou eu, realizando essa postagem reinaugural e explicativa, após uma boa dose de trabalho para acertar todos os detalhes do novo nome, da nova URL (afinal eles estão atrelados, e se um muda...) e do novo aspecto visual, muito mais limpo e receptivo. A inspiração da vez? Bom, quem me conhece sabe que sou um grande fã da franquia de games "Metal Gear", que teve como último lançamento "Metal Gear Solid V: Ground Zeroes". Tirei o "es" do subtítulo, tornando-o assim o termo original, e achei que soava muito bem, então resolvi mantê-lo. O símbolo no fundo, por sua vez, é uma edição do logotipo de "Metal Gear Solid: Peace Walker". E, independente de qualquer coisa, acho que eles se adequaram muito bem às minhas intenções.

Quando eu disse, em meu primeiro texto aqui, que aquele era o início de uma nova jornada, mal sabia eu o que estava por vir. E, apesar de estar longe de ser a mais feliz das caminhadas, certamente tem sido uma de grande valor sentimental, aprendizado e amadurecimento. Talvez vocês vejam isso espelhado em meus próximos posts, talvez não. Aliás, outra novidade: pretendo mudar um pouco o meu padrão de escrita. Sempre me foquei em publicações mais longas, mas agora não vejo mais tanta importância nisso. Então, não estranhem se eu soltar algo que tenha apenas um ou dois parágrafos, pois o farei se achar necessário. A palavra de ordem é "criar". Ah, e o que eu falei nos primórdios sobre não postar notícias continua válido.

Enfim. Este lugar ficou parado por muito tempo e estou animado para voltar a escrever. Dessa vez, porém, não direi nada para gerar expectativas, pois o importante é deixar acontecer naturalmente. A única coisa que eu posso prometer é que darei meu melhor enquanto realizo meus textos, e espero que isso agrade outros. Se não, bom, já valeu por ter feito eu sair da inércia.

Welcome to Ground Zero.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

PLAYSTATION 4 VS XBOX ONE: Como ganhar a guerra de consoles antes de começar


Fãs de video-game e tecnologia do mundo todo tem discutido desde a E3 (Electronic Entertainment Expo, evento anual sediado em Los Angeles, EUA, e que ocorreu entre os dias 10 e 12 de junho) as apresentações da Sony e seu PlayStation 4 e da Microsoft e o Xbox One. Mas não porque a disputa entre as empresas ficou ainda mais acirrada já que os consoles estão no mesmo patamar em termos técnicos, e sim pelo fato de que a empresa japonesa ACABOU com os estadunidenses. Isso mesmo: a guerra de consoles da 8ª geração aparentemente acabou sem sequer ter começado.

Quero deixar uma coisa muito clara: não "Sonysta", "Microsofista" (ou "Caixista") ou "Nintendista". Eu apenas escolho qual video-game acredito que seja o melhor no momento (e mais convencional para o meu bolso). Tenho Super Nintendo, PS1, PS2, Xbox 360, GBA e Nintendo DS. Ou seja, não tenho exatamente uma preferência por marca, e sim por qualidade. Então, por favor não venha com mimimi sobre este texto, pois o que direi aqui são apenas fatos que observei na comunidade gamer global.

Antes de tudo, vamos voltar um pouco no tempo, mais precisamente ao dia 20 de fevereiro deste ano, quando a Sony realizou o evento de anúncio do PlayStation 4. Apresentaram todos os seus detalhes técnicos, como o poder de processamento e tudo envolvendo os gráficos, a física e a velocidade. Revelaram o novo controle, DualShock 4, com seu scrollpad e sua conectividade Bluetooth. Mostraram alguns jogos com ótimos gráficos e diversos recursos interessantes. A galera gostou, se divertiu, mas ficou a pergunta: ONDE ESTÁ O CONSOLE? Não mostraram o design do PS4, propositalmente para fazer um suspense até a E3. Isso, porém, gerou uma certa insatisfação nos gamers, que começaram a fazer algumas zoações com o ocorrido. Também foi a porta de entrada para ainda mais designs fakes aparecerem por todos os cantos da internet.

Sendo assim, a Microsoft estava com a bola da vez para impressionar. Avancemos então para um data mais recente: 21 de maio de 2013, dia o anúncio do futuro da marca Xbox. O evento, porém, foi de certa forma decepcionante e deixou muita gente frustrada. Ao contrário do concorrente, o Xbox One foi mostrado, e parece... Um videocassete. Isso mesmo, um VIDEOCASSETE (ou reprodutor de VHS, como desejar). O console é enorme, ainda maior que seu antecessor, Xbox 360, e com um design horrível, sendo totalmente quadrado. Nos atributos técnicos, ele é bem semelhante ao PS4, mas sua aparência espantou a muitos. Outro ponto que desagradou foi a conferência extremamente focada em suas outras funcionalidades, como transmissão de canais ao vivo, Netflix, Skype, integração com o Windows, uma série de Halo feita por Steven Spielberg e exclusiva para a Xbox Live etc, e que deixou de lado um ponto chave: os games. Pouquíssimos títulos foram mostrados, entre eles "Call of Duty: Ghosts", que apresentou como grande novidade um cachorro para auxiliar nas missões (que eu particularmente curti, mas a maioria achou ridículo). E, para piorar, foi anunciado que ele precisaria se conectar à internet pelo menos uma vez por dia e que não rodaria jogos usados ou emprestados sem que se pagasse uma taxa. Este foi o estopim para gerar insatisfação entre todos.

Isso nos leva, enfim, a 10 de junho, início da E3 2013 e dia da apresentação de ambas as empresas. A Microsoft foi a primeira, abrindo o evento, e, para tirar as más impressões do que foi visto anteriormente, se focou quase que totalmente nos games. Começou com tudo, mostrando o trailer de "Metal Gear Solid V: The Phantom Pain", que foi relatado por muitos (inclusive por mim) como o jogo com os mais belos gráficos já vistos, mas que não será um exclusivo e também estará disponível para PS4, e até mesmo para PS3 e Xbox 360. Também apresentou outros títulos multiplataforma, como "Dark Souls II" e "Battlefield 4", e nove exclusivos, entre eles "Forza Motorsport 5", "Killer Instinct" (reboot da famosa série do Super Nintendo), "Quantum Break", "Titanfall", "Ryse: Son of Rome" e um novo jogo da série "Halo". Tirando este último, porém, nenhum deles se mostrou de fato impressionante, e acredito que poderiam muito bem rodar na atual geração. E a empresa manteve sua nova política sobre jogos usados e a conexão online para o Xbox One. Sendo assim, a insatisfação continuou basicamente a mesma.

A Sony, por sua vez, se apresentou no fim do dia. Iniciou a conferência falando brevemente que ainda manteria suporte para o PS3, divulgou trailers para o recém-lançado "The Last of Us" e os vindouros "Batman: Arkham Origins" e "Beyond: Two Souls" (que contará com versões digitais dos atores Ellen Page e Willem Dafoe), e comentou sobre o PSVita e sua biblioteca de títulos. Encerrada esta parte, foram para o momento mais aguardado: a apresentação do design do PlayStation 4. E devo admitir: a espera valeu a pena. Ele é muito bonito, aparentemente leve, pequeno e com um visual muito mais bacana que o do Xbox One, apesar de apresentarem algumas similaridades. Abaixo, uma comparação entre os dois:
Seguindo com a apresentação, a empresa japonesa mostrou novos games para sua futura plataforma, como o steampunk "The Order: 1886", "Mad Max" (adaptação da trilogia de filmes homônima), a comédia (sim, você leu certo) "The Dark Sorcerer" e os aguardados "Kingdom Hearts III" e "Final Fantasy Versus XIII", que passou a se chamar "Final Fantasy XV". Todos aparentemente belíssimos e com cenas "in-game", segundos os produtores. Mas o mais impressionante foi a primeira demonstração de "Destiny", um FPS criado pela Bungie (criadora e ex-desenvolvedora da série "Halo", agora nas mãos da 343 Industries) em parceria com a Sony. Um dos mais belos jogos que já vi até hoje, com cenários colossais e estonteantes, e que me fez dizer "preciso de um PS4". 

O grande trunfo, porém, veio de um anúncio que, há anos atrás, seria considerado ridículo, mas desta vez foi essencial. Em contrapartida à Microsoft, a Sony declarou que o PlayStation 4 permitirá o uso de jogos usados gratuitamente e não precisará estar sempre conectado à internet. A reação do público não poderia ser outra: aplausos e assobios. Todos ovacionaram as decisões da empresa com grande alegria, e ali estava o vencedor da "console war" da 8ª geração, mesmo com o fato de que agora será necessário uma conta na "PlayStation Plus", que é paga, para jogar online. A companhia ainda teve a audácia de lançar o vídeo abaixo poucos minutos depois, que eu considero um verdadeiro golpe de misericórdia no Xbox One:

O que se seguiu nos outros dois dias da E3 só agravou ainda mais a situação da Microsoft. O produtor executivo Don Mattrick deu a infeliz declaração de que "felizmente nós temos um aparelho para aqueles que não tem nenhum tipo de conexão com a internet; chama-se Xbox 360", em resposta aos que se mostraram insatisfeitos com a política do novo video-game. Alguns comentários surgiram na internet falando mal do exclusivo "Ryse: Son of Rome", pelo fato de ser muito fácil, já que você poderia apertar qualquer botão diferente do requisitado em certas sequências que tudo continuaria normal e você venceria os adversários. E, para finalizar com chave de ouro, imagens apareceram mostrando que os jogos que estavam amostra não estavam sendo rodados no Xbox One, e sim em PCs com Windows 7 (para também acabar de vez com o 8) e as últimas placas de vídeo e áudio disponíveis no mercado.

Claro que tudo isso se refletiu nas pré-vendas, que foram abertas poucos dias depois: o console da Sony vendeu muito, mas muito mais. Deve-se levar em consideração a diferença de preço, com o PS4 custando $399 e o Xbox One $499. Mesmo assim, a diferença entre eles é muito grande, com algumas lojas mostrando 40 mil unidades vendidas do primeiro contra 2 mil do segundo. O massacre é tão evidente que diversos sites estadunidenses tem tentado provar a todo custo que o novo Xbox não é um total fracasso. A Microsoft, inclusive, quis amenizar a situação voltou atrás, dizendo que o Xbox One agora rodará jogos usados ou emprestados normalmente e não precisará ficar conectado pelo menos uma vez por dia, apenas para a atualização do primeiro dia. 

Mas já é tarde demais. A não ser, claro, que ocorra uma grande reviravolta até a 9ª geração de consoles, mas não creio que seja uma possibilidade. Quem diria que fatores tão comuns como rodar games usados ou emprestados e a não obrigatoriedade de conexão com a internet decidiriam o confronto entre video-games um dia? É isso que acontece quando você trata os consumidores como "cifrões" e não como pessoas. Que a lição seja válida para a Microsoft, caso contrário só irão ladeira abaixo.

PS: e o Wii U, da Nintendo? Está lá, tentando se sustentar com Mario, Sonic, Zelda, Pokémon, Super Smash Bros e alguns recursos pouco chamativos. Francamente...