quinta-feira, 29 de novembro de 2018

"Blade Runner" ganhará um anime e sonhos podem SIM se tornar realidade


Blade Runner é um dos maiores clássicos do cinema e do imaginário cyberpunk existentes. Creio que todos saibam disso. Seu sucessor, Blade Runner 2049, lançado no ano passado, possivelmente trilha o mesmo caminho do original, que só recebeu a devida atenção anos após sua exibição nos cinemas. São muitos os pontos sobre a sequência que podem ser destacados (como fica bem claro neste texto que traduzi), entre eles a campanha de marketing, que divulgou três curta-metragens antes de sua estreia como uma forma de estabelecer uma conexão mais forte entre os dois longas, sendo eles 2036: Nexus Dawn e 2048: Nowhere to Run, ambos live-action, e Blackout 2022, um anime dirigido por Sinichiro Watanabe, criador dos renomados Cowboy Bebop e Samurai Champloo, e que deixou um gostinho de quero mais, com fãs se perguntando como seria uma série completa no estilo.

Se você foi um dos que implorou por mais material da franquia produzido em desenhos animados japoneses, então só tem a agradecer pela confirmação feita hoje de que sim, haverá um anime situado no universo de Blade Runner. Batizado como Black Lotus, será situado no ano de 2032 e contará com alguns personagens conhecidos do público em seus 13 episódios, que durarão por volta de 30 minutos. Watanabe fará parte do projeto como produtor criativo, enquanto a direção ficará sob encargo de Shinji Aramaki e Kenji Kamiyama, respectivamente conhecidos por seus trabalhos em Neon Genesis Evangelion e Ghost in the Shell: Stand Alone Complex. A exibição se dará através do bloco Toonami da Cartoon Network nos EUA e do Crunchyroll para o resto do mundo.

A notícia é provavelmente uma das melhores coisas que poderiam acontecer para a marca, seja como um todo ou para este atual momento de revitalização do nome, com a ótima recepção do último filme pela crítica (apesar da baixa arrecadação em bilheteria, especialmente se comparada com os valores de produção). A possibilidade de expansão do já rico mundo de Blade Runner é provavelmente o sonho de muitas das mentes criativas espalhadas pelo mundo, enquanto a sede por novas histórias ali situadas é o suficiente para levar os mais aficionados ao delírio. E ver pessoas tão competentes envolvidas na produção dá ainda mais motivos para colocar um belo sorriso no rosto de qualquer um.

Aliás, é importante ressaltar o quão interessantes são estas escolhas das principais mentes criativas do anime. Todos estiveram envolvidos, de uma forma ou de outra, em produções relacionadas a ficções científicas e ao universo cyberpunk: enquanto Ghost in the Shell teve fortes influências de Blade Runner ao mesmo tempo que ajudou a moldar o subgênero (para depois vir a influenciar a trilogia Matrix, que por sua vez influenciou tudo o que veio a seguir), Evangelion também bebeu muito desta fonte para definir sua identidade visual. Cowboy Bebop, por sua vez, é basicamente uma obra que poderia muito bem se passar no mesmo universo dos longas por inúmeros motivos, tanto é que a escolha de Watanabe para a direção de Blackout 2022 não foi a toa e se mostrou muito acertada, assim como a dos outros dois também parece ser.

Ainda não há data para o lançamento de Black Lotus, mas seu anúncio, por si só, já é motivo para comemoração e a prova de que sim, sonhos podem se tornar realidade. Fica a torcida para que o produto-final faça jus à expectativa, mas vendo os nomes envolvidos, fica difícil isso não acontecer.

Caso você ainda não tenha visto Blackout 2022, confira-o logo abaixo e observe o potencial que Black Lotus possui:


E se você nunca assistiu Blade Runner na vida, pelo amor de Deus, PARE TUDO O QUE VOCÊ ESTIVER FAZENDO E VÁ VER O FILME, A SEQUÊNCIA E OS CURTAS. Agradeça-me depois.

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

[RESENHA] "Bohemian Rhapsody" (2018)



Há anos que já vinha se falando sobre um filme sobre a história do Queen com enfoque em Freddie Mercury. Inicialmente, o projeto foi anunciado com Sacha Baron Cohen (Borat, Bruno, O Ditador) como intérprete do vocalista, algo que nunca foi para frente e acabou por deixar o papel sob o encargo de Rami Malek, conhecido especialmente por protagonizar a série Mr. Robot. Mas mesmo após escalados os atores que viveriam Brian May, Roger Taylor, John Deacon e Mary Austen (Gwilyn Lee, Ben Hardy, Joe Mazzello e Lucy Boynton, respectivamente) e com a maior parte do longa já gravado, o diretor Bryan Singer misteriosamente "se afastou" da produção sem muitas explicações. Foi uma estrada tortuosa, mas Bohemian Rhapsody teve as adversidades deixadas para trás e chegou aos cinemas no último dia 1º de novembro no Brasil (2 do mesmo mês para o resto do mundo) com um resultado agradável, apesar de algumas incongruências.

O roteiro trabalha a relação de Mercury com sua família, com os outros membros do grupo e com Mary Austin, além da descoberta de sua homossexualidade. E tudo isso funciona para propósitos narrativos, estruturando o filme de forma sólida e servindo a seu objetivo de cativar o público com a trajetória de uma das maiores vozes que já passaram por este mundo. Entretanto, diversas liberdades foram tomadas, mudando a ordem e a data de muitos fatos para o funcionamento da trama como planejado pela produção. Na maioria dos casos, são pormenores inocentes (como a passagem da banda pelo Brasil, que é retratada como sendo em algum momento entre 1977 e 1979, mas só veio a ocorrer de fato em 1981 pela primeira vez, enquanto o histórico show no Rock In Rio só aconteceu em 1985), quando não exagerados (a cena de Freddie tocando a melodia de Bohemian Rhapsody enquanto deitado com Mary beira o ridículo), mas distorções como a descoberta da AIDS por volta de 1985 (que na verdade se deu em 1987) desviam muito da realidade e podem confundir os menos familiarizados com a história. Além disso, momentos mais espetaculosos da vida do vocalista, como o abuso de drogas e as insanas festas dadas por ele ficam apenas implícitos no contexto das cenas que as retratam, uma decisão mercadológica para manter a classificação etária a mais baixa possível.

Ainda assim, muitos dos elementos ali mostrados possuem respaldo da realidade e são capazes de fascinar desde os mais leigos aos grandes conhecedores do Queen, especialmente no que diz respeito ao processo de composição. Ver as experimentações feitas pelo quarteto em estúdio para dar a origem a alguns de seus maiores sucessos apenas evidenciam a sua genialidade, enquanto os conflitos internos entre os membros deixam clara a realidade de qualquer banda e exploram uma faceta pouco conhecida pelo grande público. Fica a ressalva, porém, de que estes aspectos poderiam ser ainda mais ricos caso fossem mostradas algumas celebridades amigas do grupo, em especial o músico David Bowie, tão essencial para a composição de Under Pressure e participante de diversos outros importantes momentos, mas que no longa foi reduzido a apenas algumas breves menções.

Apesar destes pontos controversos quanto ao script, Bohemian Rhapsody deve muito de sua repercussão ao trabalho desenvolvido pelos atores. Mesmo no menor dos papeis, não é possível dizer que alguém esteja mal no filme, ainda mais com nomes como Aidan Gillen e Mike Myers fazendo pontuais aparições e preenchendo esta lacuna. Mas os intérpretes dos personagens principais são os grandes destaques, com caracterização, postura, modos e tiques fiéis aos dos membros da banda, seja em suas entrevistas e conversas, seja em suas apresentações nos palcos. Quem mais impressiona, no entanto, é Rami Malek, com uma performance meticulosamente estudada, dando vida a um Freddie Mercury que não deixa a dever em quase nada ao original, ficando clara a dedicação do ator em reproduzir até o menor dos trejeitos do lendário frontman, algo que se mostra explícito no vídeo que compara a apresentação do Queen no Live Aid com a reprodução no longa.

E como é de se imaginar, não há do que se reclamar da trilha sonora. As composições orquestrais de John Ottman funcionam de forma competente dentro do longa sempre que há espaço para elas. As músicas do Queen, por sua vez, embalam a grande maioria dos momentos mais memoráveis, sendo muitas vezes acompanhadas de rápidos jogos de cena retratando apresentações ou gravações em estúdio, com a melhor sendo o da própria canção-título. Foram selecionadas 20 faixas do grupo para o filme, envolvendo boa parte de seus maiores sucessos, seja de forma integral ou editada, de modo que é possível considerar o disco uma bela coletânea, especialmente por incorporar algumas versões até então inéditas no formato de áudio.

Uma adaptação ipsis literis da história do Queen para os cinemas resultaria em algo nos moldes de O Lobo de Wall Street ou Bingo, O Rei das Manhãs. Este não é o caso de Bohemian Rhapsody, não apenas por não se aprofundar nos aspectos mais pesados das vidas de seus protagonistas, mas também por tomar muitas liberdades poéticas com trajetória do grupo, ao ponto de distorcer a realidade em alguns momentos. Apesar disso, consegue acertar no retrato de muitos outros, com o auxílio do trabalho de seu elenco (em especial do impecável Rami Malek), da inteligente montagem e de uma matadora seleção musical para compor sua trilha. Não é perfeito, mas executa com competência seu trabalho de comover os adeptos de longa data e conquistar uma nova legião de fãs.

TRAILER:


CONFIRA TAMBÉM A TRILHA SONORA:

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

BALANÇO MUSICAL - Outubro de 2018


Olá! Seja bem-vindo ao meu projeto Balanço Musical, uma coluna mensal na qual falo sobre música, o que escutei no mês que se passou, o porquê das escolhas, o que me influenciou nesses dias, e publico uma playlist com uma faixa referente a cada dia do período. O objetivo não é nada além de escrever um pouco mais sobre música no blog, apresentar algumas coisas diferentes e dar às pessoas a oportunidade de conhecer novos artistas e canções. As postagens são publicadas sempre no primeiro dia útil de cada mês, o que pode ou não coincidir com o dia 1º, hoje excepcionalmente fugindo à regra devido a falta de energia elétrica que me impediu de finalizar o texto a tempo.

Todo ser humano já passou por épocas na vida em que as coisas davam sinais de que finalmente começariam a dar certo, quando na verdade tudo não passava de um alarme falso, uma pegadinha para te fazer acreditar que há algo neste mundo que vá além de decepções, tristeza e rejeições. Como sabiamente disse o Craque Daniel (interpretado pelo tão sábio quanto Daniel Furlan), em um dos vídeos do Falha de Cobertura, "A esperança é o sentimento mais nocivo que tem para qualquer ser humano", e não só por lhe manter sofrendo, como ele completa, mas também porque, quando você a cultiva, todo o resto já foi por água abaixo. 

Essa pseudo-filosofia melancólica e barata é minha forma de enxergar os eventos que se deram durante outubro, um mês que pareceu regido pela Lei de Murphy em sua interpretação mais popular, "se algo puder dar errado, dará errado e da pior maneira possível". Pequenas luzes pareciam estar ao fim do túnel, que se revelaram vaga-lumes e deixaram clara a mensagem do universo: o túnel ainda está longe de acabar. Dos grandes aos menores eventos, do esperado às surpresas, tudo parece ter existido apenas para me fazer agarrar a ínfima possibilidade de dar certo e quebrar a cara com estilo logo em seguida. E sinceramente, chega, né? A mensagem já foi entendida. É muito sofrimento para um ano só.

Pelo menos eu não fico desamparado quando o assunto é música. Como eu disse mês passado, pretendia diminuir um pouco meu consumo de música, e eu o fiz... Mas nem tanto assim. Foram 2.345 scrobbles em outubro segundo meu last.fm, contra 2.462 de setembro, o que indica sim uma queda (especialmente considerando que foram 31 x 30 dias), mas nada muito expressivo. De qualquer forma, o número também inclui 516 artistas, 714 álbuns e 1.782 faixas diferentes. E o ponto mais alto foi que consegui entrar em contato com diversos materiais lançados ainda este ano, já pensando na lista de melhores a ser lançada em dezembro.

Como não poderia deixar de ser, todas estas novidades tem espaço entre os DESTAQUES DO MÊS, ao lado de alguns petardos do passado que podem ser conferidos a seguir.

ARTISTAS DO MÊS:

- Genesis: um dos mais importantes grupos de rock progressivo em todos os tempos ganhou espaço por sua mais que conhecida qualidade, que foi o suficiente para me manter ouvindo alguns de seus trabalhos por mais de uma semana.

- U2: quem me conhece, sabe que não sou o maior entusiasta dos irlandeses, mas que amo seus trabalhos iniciais até o clássico The Joshua Tree. Acabei por redescobrir estes discos e estou até considerando a dar uma segunda chance ao que veio depois, tamanha a qualidade ali contida.

- Pink Floyd: não tinha como ficar de fora aqui, especialmente após a passagem de Roger Waters pelo Brasil no último mês, cercada pelas mais idiotas das polêmicas criadas por gente que nunca compreendeu seu trabalho.

- Rage Against The Machine: mais do que essencial após o período eleitoral.

ÁLBUNS DO MÊS:

- Legend of the Seagullmen - Legend of the Seagullmen (2018): o projeto, que envolve grandes nomes da cena atual, inclusive membros do Mastodon e do Tool, resultou em um trabalho eficiente e interessante, que combina uma boa dose de Metal ao Psicodélico e entrega músicas que podem soar estranhas em uma primeira audição, mas que crescem no ouvinte posteriormente.

- Metric - Art of Doubt (2018): o grande destaque do mês, o álbum lançado pelos canadenses no final de setembro é uma força da natureza quando se trata de hits, de modo que grande parte de suas faixas funcionaria tranquilamente como single. Viciante do início ao fim, consegue agradar desde casuais até fãs mais ferrenhos, transcendendo a esfera do Indie e conquistando até mesmo os mais aversos ao estilo. Uma grata surpresa, decerto.

- Alex Skolnick Trio - Conundrum (2018): o projeto paralelo do guitarrista do Testament é um dos melhores lançamentos instrumentais do ano, seguindo com louvor sua proposta de seguir voltado ao Jazz e apresentando algumas das mais belas músicas de 2018.

- Dee Snider - For the Love of Metal (2018): para quem associa a imagem do vocalista ao Twisted Sister e toda aquela farofada oitentista que o grupo representa, o espanto é imediato ao se deparar com este disco, totalmente voltado para o Metal e que passa longe de qualquer saudosismo, além de ser direto e inspirado. Uma verdadeira pedrada de onde menos se esperava que ela viesse.

- Disturbed - Evolution (2018): o segundo trabalho do grupo após seu retorno do hiato, em 2015, mostra-os se afastando de alguns elementos que foram importantes para seu sucesso no passado, mas que não tem mais lugar no novo caminho que pretendem seguir. Ainda assim, o Metal característico ainda se encontra presente, mas mais maduro e interpolado por algumas faixas acústicas e mais melancólicas. É um CD que faz jus a seu nome.

- Alien Weaponry -  (2018): provavelmente a novidade mais refrescante no cenário do Metal em muitos anos, estes jovens neozelandeses combinaram a sonoridade do estilo com elementos da cultura Maori e fizeram um som autêntico e pesado. Uma boa estreia e, espera-se, o início de uma jornada promissora.

- Dorothy - 28 Days In The Valley (2018): um nome em ascensão nos últimos anos, a banda encabeçada pela vocalista homônima é mais uma surpresa dentre os lançamentos deste ano, oferecendo um som criativo e de qualidade voltado ao Rock clássico, aliado a linhas vocais muito acima da média que agradam mesmo quem não é muito chegado ao gênero.

- Lenny Kravitz - Raise Vibration (2018): um dos mais renomados artistas das últimas décadas chega a seu 11º trabalho com seu já característico Funk Rock ganhando algumas novas camadas e se aproximando mais do Funk hora ou outra. Uma audição agradável que pretendo fazer mais vezes.

- Greta Van Fleet - Anthem Of The Peaceful Army (2018): o disco mais badalado do ano, tanto pela repercussão do EP lançado no último ano quanto pela inegável semelhança da sonoridade com a do Led Zeppelin, a estreia completa do quarteto traz o som voltado ao Rock clássico e as boas performances que se esperava deles. Confesso que achei que faltou um pouco mais de brilho próprio (algo que me pareceu mais presente em From The Fires), mas ainda assim o álbum agrada e traz algumas ótimas canções, especialmente em sua segunda metade. Eis outra banda que promete muito para os próximos anos.

- Gizelle Smith - Ruthless Day (2018): belo e cativante, o mais recente registro desta vocalista voltada ao Funk e ao Soul é de encher os olhos, os ouvidos e a alma. Excelente do início ao fim, é um daqueles CDs que melhora tudo ao seu redor, seja pela bela voz da artista, o ótimo papel desempenhado pelo grupo que a acompanha ou a produção acertada. Recomendado.

- The Stooges - Raw Power (1973): este disco marca presença aqui por eu ter feito uma longa comparação entre as mixagens feitas por David Bowie e Iggy Pop. Minha conclusão é que ambas são ruins, mas a do último é melhor por fazer mais sentido com a proposta do álbum. Quanto à qualidade das músicas, não há muito o que se falar quando se trata de um clássico incontestável.

FAIXAS DO MÊS:

- Beck - Colors: a música-título do álbum lançado no ano passado já havia me cativado à época, mas seu recém-lançado e divertido clipe (que conta com a participação da atriz Alison Brie) fez com que ela ficasse grudada em minha cabeça por dias.



- Metric - Dressed to Suppress: a melhor faixa de Art of Doubt e provavelmente uma das melhores do ano, é extremamente viciante e também tem um ótimo clipe lançado recentemente.


- Helloween - Halloween: uma tradição de todos os Dias das Bruxas.

Confira abaixo a playlist feita durante outubro de 2018: