segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

BALANÇO MUSICAL - Janeiro de 2020


Olá! Seja bem-vindo ao meu projeto Balanço Musical, uma coluna mensal na qual falo sobre música, o que escutei no mês que se passou, o porquê das escolhas, o que me influenciou nesses dias, e publico uma playlist com uma faixa referente a cada dia do período. O objetivo não é nada além de escrever um pouco mais sobre música no blog, apresentar algumas coisas diferentes e dar às pessoas a oportunidade de conhecer novos artistas e canções. As postagens são publicadas sempre na primeira segunda-feira útil de cada mês.

Janeiro foi arrastado. Uma mudança em relação ao últimos meses -- cuja sensação foi de que desapareceram diante de meus olhos --, é verdade, mas os últimos 31 dias foram atribulados, atarefados, cansativos e, para piorar, assombrados pelas mortes de personalidades importantes e admiráveis. Apesar disso tudo, não foi ruim. Na verdade, foi até bem divertido, interessante e, em alguns aspectos, um tanto importante. E acredite no que digo, pois já tive minha cota de janeiros ruins, então se digo que não foi, é porque não foi.

E sabe qual é o maior indicativo para isso? Música (para mim, pelo menos). Já comecei 2020 com os dois pés na porta nesse quesito, consumindo em níveis elevados, conhecendo muita coisa boa e me superando de forma inesperada. Mas infelizmente não posso confiar 100% no reportado pelo meu last.fm nesse mês, pois ele parou de funcionar várias vezes e eu acredito que tenha deixado de registrar pelo menos umas 200 execuções entre as duas primeiras semanas (ele simplesmente não pegou NADA do que ouvi no dia 5). Seja como for, o resultado final acusado pelo site ficou com 3.298 scrobbles, os quais incluem 749 artistas, 1.456 álbuns e 2.311 faixas diferentes. Números altíssimos, é verdade, mas apenas imaginem se tudo realmente tivesse sido incluso... Extraoficialmente, dá para dizer que esse foi o período em que mais ouvi música em toda minha vida, algo evidenciado pelo fato de que bati meu recorde diário (158) DUAS VEZES, uma no dia 19 (169) e outra em 25 de janeiro (174). E acho que não tem como superar essa última marca.

Mas é engraçado pensar que tudo isso se deu em um momento especial: no ANIVERSÁRIO DE TRÊS ANOS DO BALANÇO MUSICAL. Eu adoro meu projeto, pois eu amo música, amo escrever, e amo escrever sobre música. Só que, ultimamente, eu não estou exatamente escrevendo sobre música aqui, apenas falando um pouco da minha vida pessoal, jogando meus números de consumo no texto e fazendo (várias) indicações. As mudanças feitas no último ano não me deixaram completamente satisfeito, afinal, então me vejo obrigado a novamente mexer nos DESTAQUES DO MÊS. Dessa vez, o que tenho em mente é continuar com o formato atual de recomendações, mas escrever sobre uma delas em cada categoria de forma mais detalhada, além de mencionar os gêneros e subgêneros, bem como incluir algumas imagens (sempre que possível). Acho que esse é o formato que sempre procurei para os posts e espero que funcione bem.

Como eu disse antes, muita coisa boa passou pelos meus ouvidos nesse janeiro último, e tive a oportunidade de conhecer várias novidades interessantes. O predomínio foi, em geral, do Rock mas, como sempre, dando espaço para alguns outros estilos (e acho que vale destacar que, comparado aos meses anteriores, o Metal teve uma participação consideravelmente menor nesses últimos 31 dias). Você pode conferir isso por si mesmo a seguir:

ARTISTAS DO MÊS:


- Rush (Rock Progressivo): o mundo perdeu o baterista e compositor Neil Peart no último dia 07 de janeiro (a notícia de seu falecimento só foi divulgada no dia 10), algo que mexeu comigo profundamente. O trio canadense é uma das minhas bandas favoritas não apenas pelo seu som, mas também pelas letras de suas músicas, que contam desde histórias épicas calcadas em ficção científica até relatos pessoais com os quais muito me identifico, sendo elas, em sua vasta maioria, de responsabilidade do falecido percussionista. Descanse em paz, Neil, você merece por tudo o que aconteceu em sua vida, e obrigado por tantas obras maravilhosas.

Também destaco:

- David Bowie (Rock)

- Queen (Rock)

- Blind Guardian (Power Metal)

- Metallica (Thrash Metal)

- Demons & Wizards (Metal)

ÁLBUNS DO MÊS:


 - Sons of Apollo - MMXX (Hard Rock, Metal Progressivo; 2020): é engraçado pensar que, com apenas 17 dias, 2020 já ganhou um forte candidato a melhor álbum do ano. Sucessor do já avassalador Psychotic Symphony (2017), o grupo formado por Jeff Scott Soto (vocal), Ron "Bumblefoot" Thal (guitarra), Billy Sheehan (baixo), Derek Sherinian (teclado) e Mike Portnoy (bateria) vem ainda mais afinado e ressaltando suas qualidades em um disco para ninguém botar defeito. Mais que recomendado.

Também destaco: 

- Anika Nilles / Nevell - For a Colorful Soul (Pop Progressivo; 2020): apesar de não ser meu principal destaque, fica meu apelo para também conferirem esse, que vale MUITO a pena!

- Rage - Wings of Rage (Thrash Metal; 2020)

- British Lion - The Burning (Hard Rock; 2020)

- Magnum - The Serpent Rings (Rock; 2020)

- Petshop Boys - Hotspot (Pop, Eletrônico; 2020)

- Blackbird & Crow - Ailm (Folk Rock; 2020)

- My Chemical Romance - The Black Parade (Emo, Hard Rock; 2006)

- Judas Priest - Defenders Of The Faith (Metal; 1984)

- Duran Duran - Seven and the Ragged Tiger (Pop; 1983)

- Jon & Vangelis - The Friends Of Mister Cairo (Pop Progressivo; 1981)

FAIXAS DO MÊS:

 - Marillion - Slàinte Mhath (Rock Progressivo; 1987): já não é de hoje que estou viciado no álbum Clutching At Straws e, depois do que foi esse janeiro, achei que essa música, que retrata pessoas falando de suas histórias até aquele momento e um ouvinte que nada pode fazer a não ser desejar "saúde" a elas, parecia a forma adequada de encerrar o primeiro mês do ano.

Também destaco:

- The Night Flight Orchestra - Divinyls (Rock, AOR; 2020)

- Avenged Sevenfold - Set Me Free (Hard Rock; 2020)

- Noel Gallagher's High Flying Birds - Dream On (Rock; 2011)

- Huey Lewis And The News - Heart and Soul (Pop Rock; 1983)

- Lionel Richie - All Night Long (All Night) (Pop; 1983)

- Bruce Springsteen - Hungry Heart (Rock; 1980)

- Elvis Costello - What's So Funny About Peace, Love and Understanding? (Rock; 1979)

Por fim, confira a playlist que elaborei durante janeiro de 2020:

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

BALANÇO MUSICAL - Dezembro de 2019


Olá! Seja bem-vindo ao meu projeto Balanço Musical, uma coluna mensal na qual falo sobre música, o que escutei no mês que se passou, o porquê das escolhas, o que me influenciou nesses dias, e publico uma playlist com uma faixa referente a cada dia do período. O objetivo não é nada além de escrever um pouco mais sobre música no blog, apresentar algumas coisas diferentes e dar às pessoas a oportunidade de conhecer novos artistas e canções. As postagens são publicadas sempre na primeira segunda-feira útil de cada mês.

Dezembro foi o que dezembro costuma ser: um encerramento, um fechamento do resto do ano. Ou seja, nada de muito relevante acontece. Mas esse, ao menos, foi divertido e consideravelmente tranquilo. Os momentos ao lado das pessoas realmente importantes para nós, em principal durante o período festivo, dificilmente fazem do mês desagradável. E ainda tive a chance de conferir Star Wars: A Ascensão Skywalker, filme do qual pretendo falar por aqui em breve, pude ver o Liverpool ser campeão mundial, finalizei com sucesso o #365hqs em meu Instagram... Então, dá para dizer que o saldo foi positivo.

O mesmo dá para se dizer quando o assunto é música. Depois da singela queda vista em novembro, dezembro retomou os números mais elevados de consumo musical, ainda que estejam um pouco abaixo do que eu vinha apresentando ao longo do ano. De acordo com meu last.fm, foram 2.774 reproduções durante o último mês (uma média de 89 por dia), que incluíram 656 artistas, 1.098 álbuns e 2.355 faixas diferentes. Belos números que concluíram com chave de ouro meu 2019, ano em que eu mais ouvi música disparado, que acabou com 35.700 reproduções, englobando 2.786 artistas, 7.012 álbuns e 14.420 faixas distintas durante os últimos 12 meses.

E foi, como eu disse, um período sem grandes novidades, que me deixou basicamente revisitando alguns velhos conhecidos ou reouvindo alguns dos melhores lançamentos do ano. Ainda assim, vale ressaltar algumas coisas interessantes em meus DESTAQUES DO MÊS, que podem ser conferidos logo a seguir.

ARTISTAS DO MÊS:

- David Bowie

- The Doors

- Foo Fighters

- The Black Keys

- Jon & Vangelis

- Yes

- Simple Minds

- Black Sabbath

- Oasis

ÁLBUNS DO MÊS:

- The Who - WHO (2019)

- Rob Halford - Celestial (2019)

- Soen - Lotus (2019)

- King Hobo - Mauga (2019)

- Volbeat - Rewind, Replay, Rebound (2019)

- Steven Wilson - Hand Cannot Erase (2015)

- Red Hot Chili Peppers - Stadium Arcadium (2006)

- Million Dollar Quartet - The Complete Million Dollar Quartet (2006)

- The Gathering - Madylion (1995)

- Traveling Wilburys - The Traveling Wilburys, Vol. 3 (1990)

- The Clash - London Calling (1979)

FAIXAS DO MÊS:

- Demon & Wizards - Diabolic (2019)

- She & Him - Happy Holiday (2019)

- Marillion - The Last Straw/Happy Ending (1987)

- Duran Duran - Notorious (1986)

- The Alan Parsons Project - Eye In The Sky (1982)

Confira, por fim, a playlist feita durante o mês de dezembro de 2019:



CONFIRA TAMBÉM AS OUTRAS PUBLICAÇÕES DO BALANÇO MUSICAL EM 2019:

Janeiro;

Fevereiro;

Março;

Abril;

Maio;

Junho;

Julho;

Agosto;

Setembro;

Outubro;

Novembro.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

BALANÇO MUSICAL - Novembro de 2019


Olá! Seja bem-vindo ao meu projeto Balanço Musical, uma coluna mensal na qual falo sobre música, o que escutei no mês que se passou, o porquê das escolhas, o que me influenciou nesses dias, e publico uma playlist com uma faixa referente a cada dia do período. O objetivo não é nada além de escrever um pouco mais sobre música no blog, apresentar algumas coisas diferentes e dar às pessoas a oportunidade de conhecer novos artistas e canções. As postagens são publicadas sempre na primeira segunda-feira útil de cada mês.

Novembro foi o momento da virada. Praticamente tudo o que eu vinha falando há mais de um ano se resolveu. Claro, ainda há problemas e novos surgirão (porque essa é a vida), mas essas coisas vão se arrumando com o tempo. De qualquer forma, é ótimo deixar de ser mais um entre as alarmantes estatísticas que o país vem apresentando nos últimos anos, bem como ocupar meu tempo com algo que não seja apenas um jogo besta, poder voltar a ter contato diário com outras pessoas que não as da minha família, sair de casa e por aí vai.

Essas mudanças não vieram sem consequências, porém, especialmente quando se trata dos meus hábitos de consumo musical. Tudo bem, as últimas semanas foram atípicas, com várias questões a serem resolvidas e eventos a serem atendidos mas, ainda assim, o impacto foi claro. De acordo com meu last.fm, foram 2.366 músicas reproduzidas no último mês, que também incluiu 621 artistas, 990 álbuns e 1.854 faixas diferentes. Foi uma queda brusca, ainda mais se comparada com o apresentado em outubro, só que, mesmo assim, são número altos e que não são atingidos por qualquer pessoa.

E teve muita coisa interessante em meio a isso tudo. Dentre os sempre presentes Rock, Metal e 80s Pop, ainda houve espaço para um pouco de Jazz e até mesmo algumas experimentações com música orquestrada. Tudo isso está presente nos meus DESTAQUES DO MÊS, que podem ser conferidos logo abaixo.

ARTISTAS DO MÊS:

- Rush

- Yes

- Pink Floyd

- The Clash

- Bruce Springsteen

- Green Day

ÁLBUNS DO MÊS:

- Electric Light Orchesta - Jeff Lynne's ELO - From Out Of Nowhere (2019)

- Deaf Rat - Ban The Light (2019)

- Pretty Maids - Undress Your Madness (2019)

- Blind Guardian Twilight Orchestra - Legacy of the Dark Lands (2019)

- Taylor Hawkins & The Coattail Riders - Get The Money (2019)

- Jeff Goldblum & The Mildred Snitzer Orchestra - I Shouldn't Be Telling You This (2019)

- Laura Cox - Burning Bright (2019)

- Lacuna Coil - Black Anima (2019)

- Beck - Hyperspace (2019)

- Neil Young and Crazy Horse - Colorado (2019)

- Fontaines D.C. - Dogrel (2019)

- Black Pumas - Black Pumas (2019)

- Leonard Cohen - Thanks For The Dance (2019)

- Rival Sons - Feral Roots (2019)

- Pink Floyd - The Wall (1979)

FAIXAS DO MÊS:

- Sons of Apollo - Goodbye Divinity (2019)

- White Lies - Falling Out With Me (2019)

- Bruce Dickinson - Tears Of The Dragon (1994)

- The Human League - The Lebanon (1984)

- Ultravox - Vienna (1980)

- Ace Frehley - New York Groove (1978)

- The Clash - I Fought The Law (1977)

- John Lennon - Mind Games (1973)

- Jethro Tull - Aqualung (1971)

- The Dirty Mac - Yer Blues (1968)

Confira, também, a playlist feita durante o mês de novembro de 2019:

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

BALANÇO MUSICAL - Outubro de 2019

(arte por Dan Mumford)

Olá! Seja bem-vindo ao meu projeto Balanço Musical, uma coluna mensal na qual falo sobre música, o que escutei no mês que se passou, o porquê das escolhas, o que me influenciou nesses dias, e publico uma playlist com uma faixa referente a cada dia do período. O objetivo não é nada além de escrever um pouco mais sobre música no blog, apresentar algumas coisas diferentes e dar às pessoas a oportunidade de conhecer novos artistas e canções. As postagens são publicadas sempre na primeira segunda-feira útil de cada mês.

Acho que não há outra forma de definir outubro que não seja "uma montanha-russa de emoções". O início foi "bom", por assim dizer, e então tudo pareceu degringolar, o simples fardo da vida se tornou cada vez mais pesado e, perto do fim, o desespero tomou conta do meu âmago. Mas foi graças a uma atitude desesperada que pude ver alguma luz. Diversas manifestações favoráveis e apoio vindo de vários lados, de gente quem eu nem esperava. E percebi, depois de muito tempo que, apesar de ter pouco contato com o mundo exterior hoje em dia, eu não estou sozinho. Isso, por si só, foi reconfortante (apesar de ainda não ter resolvido meus problemas, algo que espero que venha naturalmente).

E vocês já sabem: meu refúgio, seja nas horas boas, seja nas horas ruins, é a música, essa forma de arte magnânima que toca minha alma de um modo que nenhuma outra consegue. Não à toa, eu ouvi música como poucas vezes antes no último mês. Meu last.fm registrou 3.424 reproduções em outubro, incluindo 675 artistas, 1.122 álbuns e 2.246 faixas diferentes. Números impressionantes, cujo absoluto só ficou atrás do recorde estabelecido em março deste ano, enquanto os demais mantiveram (ou superaram por pouco) o visto em setembro. Isso tudo fará com que 2019 seja, disparado, o ano em que mais consumi música de toda minha vida.

Como é de se imaginar, uma boa dose de variedade esteve presente nesses 31 dias. Jazz, Pop oitentista, Disco music, Blues e, claro, os sempre presentes Rock e Metal, dos quais tive o prazer de conferir alguns grupos e indivíduos abusando do experimentalismo e criatividade. E você pode se certificar disso através das RECOMENDAÇÕES DO MÊS, que podem ser vistas logo a seguir.

ARTISTAS DO MÊS:

- The Pretenders

- Helloween

- Yes

- Muse

- Traveling Wilburys

- Duran Duran

ÁLBUNS DO MÊS:

- Alice Cooper - Breadcrumbs (EP) (2019)

- Chrissie Hynde - Valve Bone Woe (2019)

- Beth Hart - War In My Mind (2019)

- Nick Cave & The Bad Seeds - Ghosteen (2019)

- Babymetal - Metal Distortion (2019)

- Eclipse - Paradigm (2019)

- Flying Colors - Third Degree (2019)

- Tarja - In The Raw (2019)

- Goodbye June - Community Inn (2019)

- Dream Theater - Metropolis, Pt. 2: Scenes from a Memory (1999)

- Rush - Counterparts (1993)

- Fight - War Of  Words (1993)

- Freddie Mercury - Mr. Bad Guy (1985)

- Arcadia - So Red The Rose (1985)

FAIXAS DO MÊS:

- The Heavy - Everything I Got (2019)

- The Black Keys - Get Yourself Together (2019)

- Foo Fighters - Times Like These (Acoustic) (2019)

- Marilyn Manson - This Is Halloween (2006)

- Green Day - Wake Me Up When September Ends (2004)

- Porcupine Tree - Piano Lessons (1999)

E confira também a playlist feita durante outubro de 2019:

quarta-feira, 16 de outubro de 2019

"House of X" e "Powers of X": o fim do sonho e a ascensão de algo maior nos X-Men de Jonathan Hickman

(arte por Pepe Larraz e Marte Gracia)

O último dia 9 de outubro seria o aniversário de 79 anos de John Lennon, um dos artistas mais conhecidos e influentes da história, famoso por integrar os Beatles e por sua carreira solo, assim como por seu ativismo pela paz e sua visão de um mundo próspero, pacífico e unificado (mote de seu sucesso Imagine). E a data também marcou a conclusão definitiva das minisséries House of X e Powers of X com o lançamento da sexta edição da última, encerrando o pontapé inicial da fase do roteirista Jonathan Hickman à frente dos X-Men, um grupo que, conforme deixo claro em meu TCC, sempre almejou a convivência entre seres humanos e mutantes de uma forma próspera, pacífica e unificada.

Mas não mais.

(E ATENÇÃO: DAQUI PARA FRENTE, O TEXTO CONTERÁ SPOILERS DE HOUSE OF X E POWERS OF X, ENTÃO CONTINUE POR SUA CONTA E RISCO)


Antes, vale uma recapitulação: já tem um tempo que o nome X-Men não é sinônimo de qualidade ou vendas; por mais que algumas fases ou títulos tenham se sobressaído, as histórias e passagens ruins ainda tem maior número nos últimos 20 anos, fora a bagunça cronológica que já vem desde antes. Alguém precisava arrumar a casa, e é aí que entra Jonathan Hickman. O roteirista já havia obtido sucesso anteriormente na Marvel em suas aclamadas passagens pelo Quarteto Fantástico e Os Vingadores/Novos Vingadores (as quais culminaram na megassaga Guerras Secretas de 2015), nas quais demonstrou domínio histórico sobre os personagens e a criatividade para estabelecer novos conceitos, e se mostrava o cara certo para assumir esse serviço sujo. Anunciado oficialmente em março deste ano, foi revelado que tudo se iniciaria com as minisséries irmãs House of X e Powers of X (lê-se Powers of Ten), as quais seriam lançadas semanalmente de forma alternada, e que a fase redefiniria o papel dos mutantes no universo ficcional da editora.

Isso ficou claro para os leitores logo em House of X (ou HoX) nº 1, lançada no último 24 de julho. A revista apresentou um novo status quo para os mutantes, agora habitantes da ilha de Krakoa e em busca de seu reconhecimento perante a ONU como nação soberana e independente, a qual teria os antes heróis e vilões coexistindo como um só povo e, acima de tudo, Magneto encarregado da diplomacia, enquanto o Professor Xavier era capaz de andar novamente, agia de forma bizarra e apresentava um visual que em muito se assemelhava ao do Criador (vulgo Reed Richards do Universo Ultimate). Powers of X (ou PoX) nº 1, lançada na semana seguinte (31 de julho), apenas levantou ainda mais questões por trabalhar com quatro diferentes momentos: o Ano Um dos X-Men, que mostrou um estranho diálogo entre Moira MacTaggert e Xavier; o Ano Dez ou presente, principal elo entre os títulos; o Ano Cem, retratando uma devastadora guerra entre humanos e mutantes; e o Ano Mil, no qual essas diferenças pareciam superadas e a vida no planeta se preparava para o próximo passo evolucionário.

As respostas, óbvio, vieram nas edições seguintes, ao lado de conceitos de dar inveja em grandes produções de ficção científica e outros questionamentos e incertezas que devem guiar o que ainda está por vir. Se em PoX vemos ideias sobre modificações genéticas, evolução de inteligências artificiais (feitas para perseguir os mutantes, claro) e até mesmo escalas de sociedades existentes em níveis intergalácticos, HoX se focou em trabalhar melhor essa nova posição em que os X-Men se encontram, explorando as fundações sociopolíticas da emergente nação de Krakoa, apresentando uma forma plausível de se burlar a morte (e os personagens envolvidos no processo são os mais inusitados) e mostrando o Professor X agindo de uma forma mais maniqueísta do que já visto, fazendo todo o necessário para atingir seus objetivos, independente do quão moralmente questionável (ou simplesmente errado) seja, e até se alinhando com alguns do mais perversos adversários que seu grupo já enfrentou.

Acredite: fiquei tão em choque quanto você ao ver isso. (arte por Pepe Larraz e Marte Gracia)

Por maior que tenham sido as besteiras que Xavier tenha cometido no passado, nada indicava que ele viesse a agir de tal forma um dia, o que surpreendeu muita gente. Mas Hickman se valeu de um "retcon do bem" e esclareceu os eventos que levaram a tal mudança de atitude. Tudo se resume a um personagem, aquele que o roteirista classificou como "o mais importante mutante de todos os tempos":

Moira MacTaggert.

Não, você não leu errado.

A estranha conversa entre ela e Charles, vista nas páginas de Powers of X nº 1, foi esclarecida House of X nº 2, publicada na semana seguinte (7 de agosto): Moira é, na verdade, uma mutante cujo poder é, ao morrer, voltar ao ponto inicial de sua vida com todo o conhecimento de sua vida anterior, dando-lhe a vantagem de poder corrigir seus erros prévios ou simplesmente tentar algo totalmente diferente. No decorrer da HQ, passeamos por algumas das vidas da personagem (e tomamos conhecimento acerca das demais nas edições seguintes) e vemos sua dedicação à sobrevivência e prosperidade do Homo superior de diferentes formas, mas todas elas terminam com os humanos perseguindo e massacrando os mutantes, seja através das máquinas, seja ao ponto de forçar artificialmente sua própria evolução (e aí temos o conceito do Homo novissima).

Moira testemunhava o mesmo desfecho não importando as atitudes que tomasse, e nem mesmo alianças mais radicais alteravam o resultado. E foi assim por nove de suas vidas. Em sua décima tentativa, no entanto, decidiu mudar seu modus operandi e experimentar algo diferente, ainda mais extremo do que tudo o que já havia feito até então. Num belo dia, durante o Ano Um dos X-Men, ela se dirigiu a Xavier e abriu sua mente para que o telepata pudesse lê-la, revelando assim sua identidade, seu poder mutante, a experiência adquirida a cada encarnação e o desfecho que todas elas compartilhavam.

Momentos antes da grande revelação. (arte por R.B. Silva, Antonio Di Benedetto e Marte Gracia)

E então chegamos à edição lançada na última semana. PoX nº 6 mostra o que se deu logo após tamanha revelação: o Professor teve um pequeno colapso após receber tantas informações importantes. Ele não conseguia acreditar que, no futuro, eles perdiam, ou melhor, eles sempre perdiam. Sua primeira reação foi começar a avaliar o que ele poderia fazer de diferente, melhorar sua escolha de alunos... Mas Moira joga a triste realidade em sua cara ao dizer que sua idealização é errada, não dá resultados e eles precisam agir diferente para garantir o futuro da espécie. Ela quebra o espírito e os ideais de Xavier. É ali que seu tão conhecido sonho de convivência pacífica entre humanos e mutantes chega ao fim.

Essa cena, assim como suas consequências, mudam tudo o que sabíamos sobre esses personagens. Veja: os X-Men, quando concebidos nos anos 1960, eram uma metáfora para o racismo e os movimentos pelos direitos civis dos negros nos EUA, com o Professor Xavier e Magneto sendo, respectivamente, análogos de Martin Luther King e Malcolm X. E isso se manteve por mais de 50 anos, expandindo-se para abraçar outras formas de preconceitos sofridos por minorias e refleti-los nas páginas dos gibis. Após essas últimas doze semanas, no entanto, por mais que essas dinâmicas não tenham sido esquecidas ou completamente descartadas, isso não se mostra mais uma verdade absoluta. Os antes antagonistas estão unidos em prol de uma causa em comum que não apenas os envolve, mas toda a comunidade mutante, incluindo seus antigos vilões.

Mais do que isso: embora o velho e conhecido sonho de Xavier tenha sido destroçado por Moira, algo ainda maior surgiu de seus escombros. Se uma nação mutante que acolhesse todos os seus iguais de portas abertas parecia algo distante (especialmente após Genosha), ele, ao lado de seus dois aliados, fez com que se tornasse uma realidade. E mais do que um mero território físico, ela vem se estruturando em uma sociedade, com suas próprias leis, organização política, força de vigilância e até mesmo alfabeto, forma escrita e linguagem. Ainda possuem reconhecimento da ONU, acordos comerciais, mecanismos de defesa e, claro, planos para superar a humanidade em qualquer mal que tentar lhe infligir. No fim, saem de cena as citadas analogias sobre racismo e demais preconceitos para dar lugar a algo que soa como uma mistura entre os conceitos de luta de classes e revolução proletária de Karl Marx com a sobrevivência do mais apto de Darwin e Herbert Spencer.

Dá pra ouvir o espírito do Xavier se partindo nessa imagem. (arte por Pepe Larraz e Marte Gracia)

Claro que tudo isso parece muito bonito na teoria, mas a realidade, ainda que dentro de um gibi, não é bem assim. É impossível que o resto do planeta simplesmente fique passivo a tais acontecimentos. E o desfecho mais óbvio? Uma guerra entre humanos e mutantes, assim como aconteceu nas nove vidas anteriores da Moira, mas uma em que os últimos tenham maiores chances e, possivelmente, até consigam ganhar e conquistar seus devidos lugares como os herdeiros naturais da Terra. Ou então a humanidade pode se cansar de ver suas tentativas de destruir os mutantes falharem ou serem preventivamente sabotadas e simplesmente aceitar que serão evolucionariamente substituídos. O mais provável, no entanto, é que não seja nada disso e Jonathan Hickman tenha uma ideia mais criativa para a conclusão de sua fase.

Não dá pra descartar, também, que algo algo aconteça com a sociedade de Krakoa que a impeça de prosperar. Temos que lembrar que a ilha não é habitada apenas pelos "heróis", mas também por vilões de alto calibre como Apocalipse, Senhor Sinistro e Sebastian Shaw, e talvez um deles, colocando seus interesses pessoais e desejos de poder acima dessa enorme conquista da comunidade mutante. E nem mesmo a "santíssima trindade" idealizadora de todo o plano está com as mãos limpas, especialmente por termos visto Xavier e Magneto diminuírem Moira e limitarem de forma drástica seu papel em meio a isso tudo na última semana. Pelo conteúdo das anotações mostradas em PoX nº 6, não seria uma surpresa se, em algum momento, ela viesse a mudar de ideia e passasse a achar que o mundo seria melhor sem os mutantes, sabotando todo o trabalho que foi feito.

(arte por Pepe Larraz e Marte Gracia)

Voltando a John Lennon, em sua música God há a célebre frase "o sonho acabou", em referência ao término dos Beatles. Tais palavras também se aplicam aos X-Men pós-House of X e Powers of X. A diferença é que, ao contrário da mais famosa banda de todos os tempos, algo muito maior surgiu do fim do sonho de Xavier: uma realidade na qual todos os mutantes estão unidos, seguros e preparados para enfrentar o que vier pela frente. Mas até quando ela irá durar? Isso é algo que só saberemos com o passar dos próximos meses ou anos.