segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

5 álbuns do primeiro semestre de 2018 que você deveria ter ouvido


Chegou aquela época mais uma vez: o fim de ano. É o momento de ponderação, reflexão, confraternização e o encontro com amigos, colegas e parentes nos mais variados tipos de festa. Há quem celebre o fim de mais um ciclo, enquanto outros relembram os bons momentos dos 365 dias que se passaram. O fato é que cada pessoa encara o período de uma forma diferente, dependendo de suas experiências de vida e memórias que evocam sentimentos de festividades pregressas, mas uma coisa, acredito eu, é comum para todos: sempre é um alívio poder ver mais um ano chegar ao fim enquanto outro começa, independente das dificuldades enfrentadas, das alegrias vivenciadas, das derrotas, das vitórias. Você ainda está vivo, afinal, e esta é sua maior vitória neste mundo.

O final do ano também é o momento em que começam a ser divulgadas inúmeras listas pelos mais variados veículos de comunicação, especialmente pelos focados em música e entretenimento que, até o momento desta postagem, já soltaram as suas e encheram a vida dos entusiastas com descobertas e recomendações. Então, chegou a hora de eu soltar as minhas também. Seguindo o que estabeleci em 2017, farei três postagens: esta, falando sobre alguns bons álbuns que foram lançados durante o primeiro semestre; outra sobre bons álbuns que saíram neste segundo semestre e que deve estar no ar ainda nesta semana; e, por fim, o tradicional melhores do ano, que planejo postar no dia 19.

Lembrando que estas duas primeiras postagens não possuem critérios de classificação, são apenas exposições sobre os trabalhos em ordem alfabética conforme os artistas. Além disso, elas não devem ser nenhuma surpresa caso você tenha acompanhado as postagens da minha coluna mensal Balanço Musical durante o ano, nas quais falei um pouco sobre todos os discos lançados neste ano que ouvi, o que inclui aqueles presentes aqui. De qualquer modo, nunca é demais reforçar recomendações, especialmente quando se trata de boa música.

Sem mais delongas, confira quais são esses 5 álbuns do primeiro semestre de 2018 que você deveria ter ouvido:

ALIEN WEAPONRY - TŪ


O Alien Weaponry é um grupo formado por três jovens neozelandeses descendentes dos Maori, os povos nativos da região, que carregam tradições muito únicas como o haka (seus cânticos de guerra), popularizado mundialmente pelo time de rúgbi do país. O que o trio faz em , seu trabalho de estreia, é unir estes ritmos e linguajares tribais com o Metal, em um caminho semelhante ao que foi feito pelo Sepultura com a música indígena brasileira em seus mais consagrados álbuns. O resultado é forte, pesado e criativo, com os estilos sendo combinados de um modo bem funcional. Um início com o pé direito para uma banda que devemos prestar atenção no futuro.

ARCTIC MONKEYS - TRANQUILITY BASE HOTEL & CASINO


Após 5 anos desde o lançamento de AM, que botou os indies de Sheffield no mainstream de forma definitiva, o Arctic Monkeys retornou aos estúdios e trouxe à luz seu mais recente lançamento. E ele não é nada que os fãs esperavam. Composto inteiramente por Alex Turner (no que poderia muito bem ser um álbum solo do vocalista), deixa de lado o apelo Pop dos trabalhos anteriores e traz uma sonoridade rebuscada, que na maior parte do tempo se distancia quase que por completo do Rock, além de temáticas complexas em suas letras, como ficção científica e críticas sociais. É um registro pouco acessível e que fez muita gente reclamar e xingá-lo, mas é indiscutível o cuidado com os arranjos e a produção, além da coragem da banda em dar tal guinada em sua carreira, experimentando outros caminhos. Não é um disco para se ouvir a qualquer momento, mas é bem recompensador quando há disposição para escutá-lo.

CAMILA CABELLO - CAMILA


Camila Cabello saiu do Fifth Harmony para buscar uma carreira solo. Não cabe a mim julgar se a decisão da artista foi correta ou não, mas seu primeiro trabalho longe de seu antigo grupo já fez por valer a pena. Camila apresenta a cantora confortável sendo o centro das atenções, esbanjando todo seu talento vocal através de composições que mesclam a música Pop com influências de ritmos latinos, algo explícito em seu maior sucesso, a canção Havanna. Uma audição agradável que me surpreendeu logo nos primeiros dias de 2018.

ELISE LEGROW - PLAYING CHESS


Belo, sutil, refinado. Estes são apenas alguns dos adjetivos que podem ser usados para descrever o último álbum lançado pela pouco conhecida cantora canadense Elise LeGrow, que combina sua voz única e pouco convencional a uma mescla de Pop,  Jazz e  Blues que, através de 11 ágeis faixas, conquista o ouvinte e faz com que ele revisite Playing Chess algumas vezes, tamanho o encanto que o resultado final causa. Um bom exemplo de combinação funcional de um som sofisticado que consegue ser acessível ao mesmo tempo.

SHAME - SONGS OF PRAISE


Lançado em janeiro de 2018, este álbum foi bradado aos ventos pela NME e outras publicações especializadas britânicas como a mais nova "salvação do Rock". Um exagero, convenhamos, mas o trabalho de estreia do Shame tem sim muitas qualidades. Apostando em um som que resgata muitos aspectos do Post-Punk oitentista (e em alguns momentos ecoa o clássico Entertainment! do Gang of Four), é um disco cheio de energia e algumas experimentações aliadas a um tempero mais Pop que são suficientes para cativar qualquer um que o ouça. Não irá salvar um gênero que nem sequer precisa ser salvo, mas é uma boa adição a seus representantes, com a banda podendo surpreender bastante em seus vindouros lançamentos.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

BALANÇO MUSICAL - Novembro de 2018


Olá! Seja bem-vindo ao meu projeto Balanço Musical, uma coluna mensal na qual falo sobre música, o que escutei no mês que se passou, o porquê das escolhas, o que me influenciou nesses dias, e publico uma playlist com uma faixa referente a cada dia do período. O objetivo não é nada além de escrever um pouco mais sobre música no blog, apresentar algumas coisas diferentes e dar às pessoas a oportunidade de conhecer novos artistas e canções. As postagens são publicadas sempre no primeiro dia útil de cada mês, o que pode ou não coincidir com o dia 1º.

"Fuck my life". É neste clima alegre e de puro alto-astral que inicio a coluna desta vez. Novembro foi tão ruim (se não pior) que os meses que o antecederam, dando continuidade à minha inexplicável maré de azar que já perdura ao longo de todo este ano (e não é como se minha vida antes fosse um mar de rosas). É uma daquelas situações que parecem não ter saída, não importa o quão otimista você se mantenha, quanta esperança você cultive: no fim, estes sentimentos parecem te trair e piorar tudo a seu redor quando nada acontece da forma que você espera, ou ao menos de uma maneira minimamente aceitável. Claro, há momentos bons, mas os ruins são tantos que mal dá para aproveitá-los de uma forma digna.

Feito o desabafo, é hora de falar de música. E acho impressionante o quão diametralmente oposto este aspecto da minha vida está sendo de todo o resto durante 2018. Os últimos meses foram recheados de contato com alguns ótimos discos e artistas de destaque durante o ano, e este não foi diferente, inclusive sendo o que mais consegui ouvir trabalhos lançados recentemente (e que estarão presentes nas postagens de melhores do ano que sairão nos próximos dias). Fora, claro, a constante audição e redescoberta de clássicos, artistas renomados e álbuns ou canções que marcaram minha vida em diferentes épocas e que, como um pequeno lembrete da beleza da vida através das mais simples das coisas, sempre parecem ganhar novos significados através do momento ou do estado de espírito em que você se encontra.

Quando se trata de números, novembro repete a tendência (talvez autoimposta) de outubro e apresenta uma queda no meu consumo de música. Segundo meu last.fm, foram "apenas" 2.037 scrobbles, 308 a menos do que no mês anterior. Ainda é muito, de fato, especialmente se comparado com o começo do ano ou, principalmente, 2017, quando os números eram bem mais modestos (provavelmente porque eu estava bem mais ocupado), mas ao menos denota algum tipo de mudança de hábito (ou uma tentativa, que seja). De qualquer forma, não foi o suficiente para me impedir de bater meu recorde de reproduções em um único dia, que atingiu as 142 no dia 21 (era de 132 até então, atingido em agosto). Fora estes, vale ressaltar também que 508 artistas, 740 álbuns e 1.519 faixas diferentes fizeram parte dos últimos 30 dias.

E como é de se imaginar, muitos desses materiais merecem ganhar um espaço por aqui, tamanha suas qualidades e diferenciais. Por isso, hora de deixar a amargura de lado e se deliciar com os DESTAQUES DO MÊS, que podem ser conferidos a seguir.

ARTISTAS DO MÊS:

- Queen: graças ao lançamento de Bohemian Rhapsody, filme que retrata a trajetória do grupo até a apresentação no Live Aid em 1985, o grupo acabou por se tornar parte essencial do último mês. Não que seja necessária qualquer desculpa para ouvir uma das maiores bandas que já passou pela Terra, porém.

- The Beatles: o lançamento da edição de colecionador do disco homônimo (o famigerado Álbum Branco ou The White Album) somado à louca vontade que sinto de tempos em tempos de reouvir vários dos lançamentos da banda em sequência os fazem ganhar espaço novamente por aqui. Mas, novamente, não é necessária nenhuma desculpa ou ocasião especial para ouvi-los.

- a-ha: e falando em vontades loucas... Não sei, mas simplesmente não pude resistir à tentação de ouvir Cry Wolf e alguns outros sucessos do grupo pela milésima vez. Mas vale a pena, pois eles são um grupo como poucos (e infelizmente são muito subestimados).

ÁLBUNS DO MÊS:

- Black Stone Cherry - Family Tree (2018): sabe uma daquelas bandas que você já ouviu falar, tem vontade de conhecer, mas nunca sabe por onde começar? Esse era o Black Stone Cherry para mim. Felizmente soube que eles lançaram um disco neste ano e achei que seria a oportunidade ideal para conferir seu trabalho. E não me decepcionei, pois Family Tree é um disco forte, com composições que remetem àquilo que há de mais fino no Hard Rock, sabendo dosar sua intensidade e demonstrar suas influências.

- Blackberry Smoke - Find a Light (2018): o mesmo que eu disse acima é aplicável aqui também, inclusive quanto ao resultado. A principal diferença é que dá para sentir uma influência mais forte do Southern Rock e do Country no som do Blackberry Smoke, o que faz sua sonoridade mais distinta de demais bandas do gênero e torna o registro prazeroso de se ouvir.

- Turbonegro - RockNRoll Machine (2018): suas letras podem ser estranhas, enquanto suas temáticas podem ser controversas, mas é inegável que suas músicas são boas. O Turbonegro (outro grupo que se encaixa nos que eu disse sobre os dois acima) apresenta uma proposta interessante em seu mais recente trabalho, reproduzindo o Post-Punk com ares de modernidade, mas sem largar mão de elementos nostálgicos que consagraram o estilo em sua gênese.

- Muse - Simulation Theory (2018): discos do Muse sempre são, por algum motivo, um pouco mais difíceis para eu assimilar, e o resultado só passa a fazer sentido com o passar do tempo e algumas audições. Até agora, posso dizer que gostei de Simulation Theory, que possui bons momentos, mas que se afasta de vez do Rock e abraça algo com que o grupo já flerta há muito tempo: o Pop Eletrônico. O sentimento que fica é que o álbum deve ser ouvido de forma descompromissada tal qual um filme oitentista de Sessão da Tarde (alvo evocado pela capa).

- Jeff Goldblum & The Mildred Snitzer Orchestra - The Capitol Studios Sessions (2018): quando, em toda minha vida, eu iria imaginar que ouviria um CD do Jeff Goldblum tocando Jazz? E o pior de tudo é que o resultado é ótimo! Composto de covers de alguns clássicos do estilo e contando com a participação de alguns nomes famosos e até inesperados (como a atriz e comediante Sarah Silverman), é uma audição agradável do início ao fim e uma boa porte de entrada ao gênero.

- Joe Bonamassa - Redemption (2018): o guitarrista e bluesman já havia marcado presença por aqui em setembro com seu mais recente trabalho de covers ao lado de Beth Hart, Black Coffee, e agora retorna com um trabalho que recheado de bons momentos e que consegue conversar com o lado emocional do ouvinte como poucos. Um verdadeiro deleite do início ao fim.

- Stormwitch - Bound to the Witch (2018): confesso que não foi um disco que me impactou em sua primeira audição, uma segunda chance a ele foi mais que o suficiente para me cativar. O competente som do grupo mescla o Hard Rock com algumas pitadas de Judas Priest e o resultado de seu mais recente registro agrada qualquer um que esteja procurando por um som direto, que remeta aos clássicos, sem reinventar a roda.

- The Struts - Young & Dangerous (2018): fui apresentado ao grupo através da alcunha colocada por alguns veículos de mídia como este sendo o "novo Queen". É inegável que há influência dos britânicos em sua sonoridade mas, ao menos para mim, é um resultado que se distancia bastante de qualquer coisa que Freddie Mercury e cia. tenham feito ao longo de sua carreira. Ainda assim, é um trabalho bem sólido e agradável, traduzido em um Pop Rock que sabe balancear o moderno com o clássico.

- Voodoo Circle - Raised on Rock (2018): um álbum que me impressionou do início ao fim desde sua primeira escutada. Forte e cirúrgico, é certamente uma das audições mais completas com que tive contato ao longo do ano, com um equilíbrio entre o peso e a melodia que beira a perfeição. Merece sua atenção, sem dúvidas.

- Thundermother - Thundermother (2018): este autointitulado é na verdade o terceiro disco desta banda exclusivamente feminina. As garotas fazem um som voltado ao Hard Rock que não fica devendo em nada para grandes nomes do estilo, inclusive lembrando o Halestorm em determinados momentos. Outro que vale a pena conhecer.

- Nita Strauss - Controlled Chaos (2018): o primeiro trabalho solo da guitarrista da banda de Alice Cooper, além de integrante do grupo cover The Iron Maidens, coloca todo seu talento em evidência, em composições que variam entre a agressividade e a calmaria e deixam clara toda sua habilidade e técnica. Um caos controlado, como diz seu próprio título, tal qual a vida.

- Mumford & Sons - Delta (2018): gosto bastante de Wilder Mind, de 2015, então a expectativa para este novo trabalho do grupo era um tanto elevada. Mas Delta soa morno, pasteurizado, até mesmo sem alma, com elementos consagrados da sonoridade do Mumford & Sons sacrificados na tentativa de fazer algo que possa ser acessível a todos, mas que acaba por não ser atrativo para ninguém. Uma pena.

FAIXAS DO MÊS:

- Pat Benatar - Invincible: uma música que tive contato através da playlist organizada pelo escritor Ernest Cline com o intuito de servir como trilha sonora para seu mais famoso livro, Jogador Nº 1. Mas é tão contagiante que não poderia ter ficado de fora aqui.

- Duran Duran - Union of the Snake: o mesmo acima pode ser dito aqui. E olha que eu até sou um conhecedor razoável do grupo, mas não havia tido contato com esta composição até então.

- Porcupine Tree - Time Flies: uma das melhores músicas que já ouvi na vida. Infelizmente, sua versão completa está indisponível no Spotify no momento, e um single edit ocupa seu lugar na playlist por ora.

- Megadeth - Good Mourning/Black Friday: por motivos óbvios.

- The B-52's - Roam: mais músicas contagiantes! Às vezes é algo bem necessário.

- Metric - The Art of Doubt: a segunda melhor faixa do último trabalho do grupo, que também é seu título. Serve como um lembrete sobre algo que se faz essencial para a vida.

Confira abaixo a playlist feita durante novembro de 2018:

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

"Blade Runner" ganhará um anime e sonhos podem SIM se tornar realidade


Blade Runner é um dos maiores clássicos do cinema e do imaginário cyberpunk existentes. Creio que todos saibam disso. Seu sucessor, Blade Runner 2049, lançado no ano passado, possivelmente trilha o mesmo caminho do original, que só recebeu a devida atenção anos após sua exibição nos cinemas. São muitos os pontos sobre a sequência que podem ser destacados (como fica bem claro neste texto que traduzi), entre eles a campanha de marketing, que divulgou três curta-metragens antes de sua estreia como uma forma de estabelecer uma conexão mais forte entre os dois longas, sendo eles 2036: Nexus Dawn e 2048: Nowhere to Run, ambos live-action, e Blackout 2022, um anime dirigido por Sinichiro Watanabe, criador dos renomados Cowboy Bebop e Samurai Champloo, e que deixou um gostinho de quero mais, com fãs se perguntando como seria uma série completa no estilo.

Se você foi um dos que implorou por mais material da franquia produzido em desenhos animados japoneses, então só tem a agradecer pela confirmação feita hoje de que sim, haverá um anime situado no universo de Blade Runner. Batizado como Black Lotus, será situado no ano de 2032 e contará com alguns personagens conhecidos do público em seus 13 episódios, que durarão por volta de 30 minutos. Watanabe fará parte do projeto como produtor criativo, enquanto a direção ficará sob encargo de Shinji Aramaki e Kenji Kamiyama, respectivamente conhecidos por seus trabalhos em Neon Genesis Evangelion e Ghost in the Shell: Stand Alone Complex. A exibição se dará através do bloco Toonami da Cartoon Network nos EUA e do Crunchyroll para o resto do mundo.

A notícia é provavelmente uma das melhores coisas que poderiam acontecer para a marca, seja como um todo ou para este atual momento de revitalização do nome, com a ótima recepção do último filme pela crítica (apesar da baixa arrecadação em bilheteria, especialmente se comparada com os valores de produção). A possibilidade de expansão do já rico mundo de Blade Runner é provavelmente o sonho de muitas das mentes criativas espalhadas pelo mundo, enquanto a sede por novas histórias ali situadas é o suficiente para levar os mais aficionados ao delírio. E ver pessoas tão competentes envolvidas na produção dá ainda mais motivos para colocar um belo sorriso no rosto de qualquer um.

Aliás, é importante ressaltar o quão interessantes são estas escolhas das principais mentes criativas do anime. Todos estiveram envolvidos, de uma forma ou de outra, em produções relacionadas a ficções científicas e ao universo cyberpunk: enquanto Ghost in the Shell teve fortes influências de Blade Runner ao mesmo tempo que ajudou a moldar o subgênero (para depois vir a influenciar a trilogia Matrix, que por sua vez influenciou tudo o que veio a seguir), Evangelion também bebeu muito desta fonte para definir sua identidade visual. Cowboy Bebop, por sua vez, é basicamente uma obra que poderia muito bem se passar no mesmo universo dos longas por inúmeros motivos, tanto é que a escolha de Watanabe para a direção de Blackout 2022 não foi a toa e se mostrou muito acertada, assim como a dos outros dois também parece ser.

Ainda não há data para o lançamento de Black Lotus, mas seu anúncio, por si só, já é motivo para comemoração e a prova de que sim, sonhos podem se tornar realidade. Fica a torcida para que o produto-final faça jus à expectativa, mas vendo os nomes envolvidos, fica difícil isso não acontecer.

Caso você ainda não tenha visto Blackout 2022, confira-o logo abaixo e observe o potencial que Black Lotus possui:


E se você nunca assistiu Blade Runner na vida, pelo amor de Deus, PARE TUDO O QUE VOCÊ ESTIVER FAZENDO E VÁ VER O FILME, A SEQUÊNCIA E OS CURTAS. Agradeça-me depois.

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

[RESENHA] "Bohemian Rhapsody" (2018)



Há anos que já vinha se falando sobre um filme sobre a história do Queen com enfoque em Freddie Mercury. Inicialmente, o projeto foi anunciado com Sacha Baron Cohen (Borat, Bruno, O Ditador) como intérprete do vocalista, algo que nunca foi para frente e acabou por deixar o papel sob o encargo de Rami Malek, conhecido especialmente por protagonizar a série Mr. Robot. Mas mesmo após escalados os atores que viveriam Brian May, Roger Taylor, John Deacon e Mary Austen (Gwilyn Lee, Ben Hardy, Joe Mazzello e Lucy Boynton, respectivamente) e com a maior parte do longa já gravado, o diretor Bryan Singer misteriosamente "se afastou" da produção sem muitas explicações. Foi uma estrada tortuosa, mas Bohemian Rhapsody teve as adversidades deixadas para trás e chegou aos cinemas no último dia 1º de novembro no Brasil (2 do mesmo mês para o resto do mundo) com um resultado agradável, apesar de algumas incongruências.

O roteiro trabalha a relação de Mercury com sua família, com os outros membros do grupo e com Mary Austin, além da descoberta de sua homossexualidade. E tudo isso funciona para propósitos narrativos, estruturando o filme de forma sólida e servindo a seu objetivo de cativar o público com a trajetória de uma das maiores vozes que já passaram por este mundo. Entretanto, diversas liberdades foram tomadas, mudando a ordem e a data de muitos fatos para o funcionamento da trama como planejado pela produção. Na maioria dos casos, são pormenores inocentes (como a passagem da banda pelo Brasil, que é retratada como sendo em algum momento entre 1977 e 1979, mas só veio a ocorrer de fato em 1981 pela primeira vez, enquanto o histórico show no Rock In Rio só aconteceu em 1985), quando não exagerados (a cena de Freddie tocando a melodia de Bohemian Rhapsody enquanto deitado com Mary beira o ridículo), mas distorções como a descoberta da AIDS por volta de 1985 (que na verdade se deu em 1987) desviam muito da realidade e podem confundir os menos familiarizados com a história. Além disso, momentos mais espetaculosos da vida do vocalista, como o abuso de drogas e as insanas festas dadas por ele ficam apenas implícitos no contexto das cenas que as retratam, uma decisão mercadológica para manter a classificação etária a mais baixa possível.

Ainda assim, muitos dos elementos ali mostrados possuem respaldo da realidade e são capazes de fascinar desde os mais leigos aos grandes conhecedores do Queen, especialmente no que diz respeito ao processo de composição. Ver as experimentações feitas pelo quarteto em estúdio para dar a origem a alguns de seus maiores sucessos apenas evidenciam a sua genialidade, enquanto os conflitos internos entre os membros deixam clara a realidade de qualquer banda e exploram uma faceta pouco conhecida pelo grande público. Fica a ressalva, porém, de que estes aspectos poderiam ser ainda mais ricos caso fossem mostradas algumas celebridades amigas do grupo, em especial o músico David Bowie, tão essencial para a composição de Under Pressure e participante de diversos outros importantes momentos, mas que no longa foi reduzido a apenas algumas breves menções.

Apesar destes pontos controversos quanto ao script, Bohemian Rhapsody deve muito de sua repercussão ao trabalho desenvolvido pelos atores. Mesmo no menor dos papeis, não é possível dizer que alguém esteja mal no filme, ainda mais com nomes como Aidan Gillen e Mike Myers fazendo pontuais aparições e preenchendo esta lacuna. Mas os intérpretes dos personagens principais são os grandes destaques, com caracterização, postura, modos e tiques fiéis aos dos membros da banda, seja em suas entrevistas e conversas, seja em suas apresentações nos palcos. Quem mais impressiona, no entanto, é Rami Malek, com uma performance meticulosamente estudada, dando vida a um Freddie Mercury que não deixa a dever em quase nada ao original, ficando clara a dedicação do ator em reproduzir até o menor dos trejeitos do lendário frontman, algo que se mostra explícito no vídeo que compara a apresentação do Queen no Live Aid com a reprodução no longa.

E como é de se imaginar, não há do que se reclamar da trilha sonora. As composições orquestrais de John Ottman funcionam de forma competente dentro do longa sempre que há espaço para elas. As músicas do Queen, por sua vez, embalam a grande maioria dos momentos mais memoráveis, sendo muitas vezes acompanhadas de rápidos jogos de cena retratando apresentações ou gravações em estúdio, com a melhor sendo o da própria canção-título. Foram selecionadas 20 faixas do grupo para o filme, envolvendo boa parte de seus maiores sucessos, seja de forma integral ou editada, de modo que é possível considerar o disco uma bela coletânea, especialmente por incorporar algumas versões até então inéditas no formato de áudio.

Uma adaptação ipsis literis da história do Queen para os cinemas resultaria em algo nos moldes de O Lobo de Wall Street ou Bingo, O Rei das Manhãs. Este não é o caso de Bohemian Rhapsody, não apenas por não se aprofundar nos aspectos mais pesados das vidas de seus protagonistas, mas também por tomar muitas liberdades poéticas com trajetória do grupo, ao ponto de distorcer a realidade em alguns momentos. Apesar disso, consegue acertar no retrato de muitos outros, com o auxílio do trabalho de seu elenco (em especial do impecável Rami Malek), da inteligente montagem e de uma matadora seleção musical para compor sua trilha. Não é perfeito, mas executa com competência seu trabalho de comover os adeptos de longa data e conquistar uma nova legião de fãs.

TRAILER:


CONFIRA TAMBÉM A TRILHA SONORA:

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

BALANÇO MUSICAL - Outubro de 2018


Olá! Seja bem-vindo ao meu projeto Balanço Musical, uma coluna mensal na qual falo sobre música, o que escutei no mês que se passou, o porquê das escolhas, o que me influenciou nesses dias, e publico uma playlist com uma faixa referente a cada dia do período. O objetivo não é nada além de escrever um pouco mais sobre música no blog, apresentar algumas coisas diferentes e dar às pessoas a oportunidade de conhecer novos artistas e canções. As postagens são publicadas sempre no primeiro dia útil de cada mês, o que pode ou não coincidir com o dia 1º, hoje excepcionalmente fugindo à regra devido a falta de energia elétrica que me impediu de finalizar o texto a tempo.

Todo ser humano já passou por épocas na vida em que as coisas davam sinais de que finalmente começariam a dar certo, quando na verdade tudo não passava de um alarme falso, uma pegadinha para te fazer acreditar que há algo neste mundo que vá além de decepções, tristeza e rejeições. Como sabiamente disse o Craque Daniel (interpretado pelo tão sábio quanto Daniel Furlan), em um dos vídeos do Falha de Cobertura, "A esperança é o sentimento mais nocivo que tem para qualquer ser humano", e não só por lhe manter sofrendo, como ele completa, mas também porque, quando você a cultiva, todo o resto já foi por água abaixo. 

Essa pseudo-filosofia melancólica e barata é minha forma de enxergar os eventos que se deram durante outubro, um mês que pareceu regido pela Lei de Murphy em sua interpretação mais popular, "se algo puder dar errado, dará errado e da pior maneira possível". Pequenas luzes pareciam estar ao fim do túnel, que se revelaram vaga-lumes e deixaram clara a mensagem do universo: o túnel ainda está longe de acabar. Dos grandes aos menores eventos, do esperado às surpresas, tudo parece ter existido apenas para me fazer agarrar a ínfima possibilidade de dar certo e quebrar a cara com estilo logo em seguida. E sinceramente, chega, né? A mensagem já foi entendida. É muito sofrimento para um ano só.

Pelo menos eu não fico desamparado quando o assunto é música. Como eu disse mês passado, pretendia diminuir um pouco meu consumo de música, e eu o fiz... Mas nem tanto assim. Foram 2.345 scrobbles em outubro segundo meu last.fm, contra 2.462 de setembro, o que indica sim uma queda (especialmente considerando que foram 31 x 30 dias), mas nada muito expressivo. De qualquer forma, o número também inclui 516 artistas, 714 álbuns e 1.782 faixas diferentes. E o ponto mais alto foi que consegui entrar em contato com diversos materiais lançados ainda este ano, já pensando na lista de melhores a ser lançada em dezembro.

Como não poderia deixar de ser, todas estas novidades tem espaço entre os DESTAQUES DO MÊS, ao lado de alguns petardos do passado que podem ser conferidos a seguir.

ARTISTAS DO MÊS:

- Genesis: um dos mais importantes grupos de rock progressivo em todos os tempos ganhou espaço por sua mais que conhecida qualidade, que foi o suficiente para me manter ouvindo alguns de seus trabalhos por mais de uma semana.

- U2: quem me conhece, sabe que não sou o maior entusiasta dos irlandeses, mas que amo seus trabalhos iniciais até o clássico The Joshua Tree. Acabei por redescobrir estes discos e estou até considerando a dar uma segunda chance ao que veio depois, tamanha a qualidade ali contida.

- Pink Floyd: não tinha como ficar de fora aqui, especialmente após a passagem de Roger Waters pelo Brasil no último mês, cercada pelas mais idiotas das polêmicas criadas por gente que nunca compreendeu seu trabalho.

- Rage Against The Machine: mais do que essencial após o período eleitoral.

ÁLBUNS DO MÊS:

- Legend of the Seagullmen - Legend of the Seagullmen (2018): o projeto, que envolve grandes nomes da cena atual, inclusive membros do Mastodon e do Tool, resultou em um trabalho eficiente e interessante, que combina uma boa dose de Metal ao Psicodélico e entrega músicas que podem soar estranhas em uma primeira audição, mas que crescem no ouvinte posteriormente.

- Metric - Art of Doubt (2018): o grande destaque do mês, o álbum lançado pelos canadenses no final de setembro é uma força da natureza quando se trata de hits, de modo que grande parte de suas faixas funcionaria tranquilamente como single. Viciante do início ao fim, consegue agradar desde casuais até fãs mais ferrenhos, transcendendo a esfera do Indie e conquistando até mesmo os mais aversos ao estilo. Uma grata surpresa, decerto.

- Alex Skolnick Trio - Conundrum (2018): o projeto paralelo do guitarrista do Testament é um dos melhores lançamentos instrumentais do ano, seguindo com louvor sua proposta de seguir voltado ao Jazz e apresentando algumas das mais belas músicas de 2018.

- Dee Snider - For the Love of Metal (2018): para quem associa a imagem do vocalista ao Twisted Sister e toda aquela farofada oitentista que o grupo representa, o espanto é imediato ao se deparar com este disco, totalmente voltado para o Metal e que passa longe de qualquer saudosismo, além de ser direto e inspirado. Uma verdadeira pedrada de onde menos se esperava que ela viesse.

- Disturbed - Evolution (2018): o segundo trabalho do grupo após seu retorno do hiato, em 2015, mostra-os se afastando de alguns elementos que foram importantes para seu sucesso no passado, mas que não tem mais lugar no novo caminho que pretendem seguir. Ainda assim, o Metal característico ainda se encontra presente, mas mais maduro e interpolado por algumas faixas acústicas e mais melancólicas. É um CD que faz jus a seu nome.

- Alien Weaponry -  (2018): provavelmente a novidade mais refrescante no cenário do Metal em muitos anos, estes jovens neozelandeses combinaram a sonoridade do estilo com elementos da cultura Maori e fizeram um som autêntico e pesado. Uma boa estreia e, espera-se, o início de uma jornada promissora.

- Dorothy - 28 Days In The Valley (2018): um nome em ascensão nos últimos anos, a banda encabeçada pela vocalista homônima é mais uma surpresa dentre os lançamentos deste ano, oferecendo um som criativo e de qualidade voltado ao Rock clássico, aliado a linhas vocais muito acima da média que agradam mesmo quem não é muito chegado ao gênero.

- Lenny Kravitz - Raise Vibration (2018): um dos mais renomados artistas das últimas décadas chega a seu 11º trabalho com seu já característico Funk Rock ganhando algumas novas camadas e se aproximando mais do Funk hora ou outra. Uma audição agradável que pretendo fazer mais vezes.

- Greta Van Fleet - Anthem Of The Peaceful Army (2018): o disco mais badalado do ano, tanto pela repercussão do EP lançado no último ano quanto pela inegável semelhança da sonoridade com a do Led Zeppelin, a estreia completa do quarteto traz o som voltado ao Rock clássico e as boas performances que se esperava deles. Confesso que achei que faltou um pouco mais de brilho próprio (algo que me pareceu mais presente em From The Fires), mas ainda assim o álbum agrada e traz algumas ótimas canções, especialmente em sua segunda metade. Eis outra banda que promete muito para os próximos anos.

- Gizelle Smith - Ruthless Day (2018): belo e cativante, o mais recente registro desta vocalista voltada ao Funk e ao Soul é de encher os olhos, os ouvidos e a alma. Excelente do início ao fim, é um daqueles CDs que melhora tudo ao seu redor, seja pela bela voz da artista, o ótimo papel desempenhado pelo grupo que a acompanha ou a produção acertada. Recomendado.

- The Stooges - Raw Power (1973): este disco marca presença aqui por eu ter feito uma longa comparação entre as mixagens feitas por David Bowie e Iggy Pop. Minha conclusão é que ambas são ruins, mas a do último é melhor por fazer mais sentido com a proposta do álbum. Quanto à qualidade das músicas, não há muito o que se falar quando se trata de um clássico incontestável.

FAIXAS DO MÊS:

- Beck - Colors: a música-título do álbum lançado no ano passado já havia me cativado à época, mas seu recém-lançado e divertido clipe (que conta com a participação da atriz Alison Brie) fez com que ela ficasse grudada em minha cabeça por dias.



- Metric - Dressed to Suppress: a melhor faixa de Art of Doubt e provavelmente uma das melhores do ano, é extremamente viciante e também tem um ótimo clipe lançado recentemente.


- Helloween - Halloween: uma tradição de todos os Dias das Bruxas.

Confira abaixo a playlist feita durante outubro de 2018: