quinta-feira, 6 de setembro de 2018

"A carreira do Rush em 10 Álbuns: Por Geddy Lee" (traduzido do "Louder")


O Rush pode não existir mais, mas seu legado segue vivo. E não há ninguém mais orgulhoso do que eles deixaram para trás do que o vocalista e baixista Geddy Lee, cofundador da banda em Toronto no ano de 1968.

Lee se sentou com a revista Prog para relembrar 10 de seus melhores álbuns, desde a estreia autointitulada muito inspirada no Led Zeppelin até o canto do cisne em 2012, Clockwork Angels. Foi uma emocionante jornada, com altos e baixos, e ele respira fundo antes de começar...


Rush (1974)

O álbum de estreia, e o único do Rush com a formação Alex Lifeson (guitarra), Geddy Lee (baixo/vocal) e John Rutsey (bateria)

Geddy Lee: "Este disco foi a gente tentando encontrar uma sonoridade, achando que gostaríamos de ser uma banda de hard rock e emulando aquelas que achávamos legais. Consigo ouvir Led Zeppelin ali, e um pouco de Humble Pie. Gostaria de poder ouvir mais do que apenas essas duas referências, mas não consigo. John Rutsey era um baterista meio no estilo de Simon Kirke - só cuidar da batida e já podemos tocar. Então foi assim que as músicas foram compostas.

"Nós gravamos o álbum com um produtor chamado David Stock, mas o resultado sinal soou tão ruim que tivemos que refazê-lo com Terry Brown, que veio a se tornar nosso principal produtor. Adicionamos mais músicas nessa segunda versão, e uma delas era Finding My Way, que acabou se tornando uma das mais importantes faixas do álbum - verdadeiramente roqueira.

"E a música que realmente fez com que chamássemos a atenção foi Working Man. Ainda havia estações de rádio nos EUA sem uma programação estritamente controlada na época, e os DJs podiam apresentar faixas mais longas. Working Man tinha sete minutos de duração, e a quantidade de vezes que ela foi tocada acabou fazendo com que assinássemos um contrato com a Mercury Records. Foi uma canção com impacto incrível."


Fly By Night (1975)

No segundo álbum, Rutsey estava fora e Neil Peart estava dentro, como baterista e compositor. Também estava a bordo um estilo de rock mais progressivo.

Geddy Lee: "Nós tínhamos uma música escrita antes de Neil entrar - Anthem. Era algo mais arriscado do que qualquer coisa no primeiro álbum, tocada em um tempo de batida pouco comum. Foi o tipo de composição que convenceu John de que talvez isso não fosse para ele. Então, um ponto de virada para o grupo.

"Não era a ideia inicial de Neil escrever as letras. Eu e Alex sempre forçávamos ele a tentar porque não queríamos ter de cuidar disso. Mas acabou funcionando muito bem para nós.

"Beneath, Between & Behind foi um momento-chave em Fly By Night. Foi uma das primeiras letras que Neil compôs para a banda. Talvez tenha sido a primeira letra que ele escreveu na vida, ponto. Ela era bem prolixa, difícil de cantar, mas Alex e eu colocamos um instrumental fervoroso atrás dela e foi ótimo.

"By-Tor & The Snow Dog foi nossa primeira música épica. As pessoas odiaram o título: 'Ah meu Deus, que pretensioso!' Mas ela foi nomeada em homenagem aos dois cachorros do nosso empresário. Uma piada boba. E assim, de uma forma estranha, uma das principais canções do Rush começou como comédia."


2112 (1976)

A obra-prima que salvou a carreira do trio, definida por sua controversa faixa-título de 20 minutos com ares de ficção científica existencialista.

Geddy Lee: "Nosso terceiro álbum, Caress Of Steel (1975), não foi capaz de estabelecer uma conexão com o público. Ele era tão experimental, com nossa primeira tentativa de uma faixa-conceitual que ocupava um lado inteiro de um LP, The Fountain of Lamneth. Era tudo muito obscuro. Caress Of Steel não teve boa repercussão, e a gravadora não estava contente conosco. Então nós estávamos basicamente brincando com fogo naquele ponto.

"A última coisa que esperávamos era que 2112 fosse bem-recebido porque a faixa-título era outra que ocupava todo um lado do LP. Mas havia algo no som de 2112 que dava uma sensação muito mais definitiva e consolidada a ele.

"A história de 2112 era muito anti-autoritarismo. Era completamente sobre liberdade - individual e criativa -  e eu fiquei em choque quando a NME nos chamou de neofascistas. Isso é algo tão longe da realidade. É loucura.

"Mas no fim, o álbum realmente nos salvou. Trouxe muitos fãs novos. E o lado B realmente dá fechamento para o trabalho. A Passage To Bangkok, Something For Nothing, The Twilight Zone - são músicas de rock muito boas. E isso acabou se tornando um marco para nós, ter esse tipo de diversidade em todos os discos."


A Farewell To Kings (1977)

Indo totalmente contra a maré, este foi um colosso do rock progressivo criado no ano em que o punk estourou. Xanadu, Cygnus X-1, pássaros cantando: está tudo aqui.

Geddy Lee: "Era um sonho para nós gravar um álbum na Grã-Bretanha. Muito da música que nos influenciou enquanto crescíamos era blues rock britânico e rock progressivo britânico. Nós havíamos feito nossa primeira turnê no Reino Unido em 1977, e com Terry Brown sendo um britânico vivendo em Toronto, eu perguntei, 'Por que nós não gravamos por lá?' E foi assim que fomos parar nos Estúdios Rockfield em Gales.

"Nós ficamos muito embasbacados, então foi uma grande aventura gravar no interior galês. Tudo parecia muito rústico, especialmente durante as primeiras semanas, com o som de ovelhas balindo em sua janela ao amanhecer. Mas amamos trabalhar por lá, ir aos campos para capturar os sons ambientes que vocês ouvem em Xanadu e A Farewll To Kings - o eco natural das paredes de pedra, e os pássaros cantando ao nascer do sol.

"Xanadu foi gravada toda de uma vez só - 11 minutos, direto. Desde que nos preparássemos, podíamos fazer esse tipo de coisa. E Cygnus X-1 foi um mergulho de cabeça no espaço sideral - um tipo totalmente diferente de viagem."


Permanent Waves (1980)

Depois do longo e complexo Hemispheres de 1978, Rush entrou na nova década com um novo som, completo com o hit The Spirit Of Radio.

Geddy Lee: "Nós sentimos que realmente estávamos começando a parecer formulaicos com Hemispheres, e isso era assustador. A faixa que abria o álbum (Cygnus X-1 Book II: Hemispheres) era como 2112, com quase 20 minutos de duração, e não queríamos ficar nos repetindo.

"Com Permanent Waves, queríamos mais urgência em nosso som, no que diz respeito à empolgação - um tipo diferente de energia. Ainda tínhamos músicas como Natural Science, que é uma das minhas faixas favoritas em toda nossa história. Mas nossa intenção com o disco era realmente condensar nossa sonoridade e tentar ser compositores melhores.

"The Spirit Of Radio deu o tom a todo o registro. Ela era tão pra cima e tão contemporânea. A música é sobre a comercialização da música e como o rádio estava mudando. O riff de Alex representava o movimento das ondas de rádio. E a forma como a canção vai se modificando, entre diferentes estilos e tempos, foi feito para soar como se você estivesse mudando as estações.

"O álbum nos levou a um novo período, e tudo pareceu muito natural."


Moving Pictures (1981)

O maior e melhor álbum do Rush, contendo as clássicas Tom Sawyer, Limelight, Red Barchetta e YYZ. Mas foi difícil acertá-lo...

Geddy Lee: "Moving Pictures foi um disco enorme para nós. Aquele nível de sucesso era muito acima de qualquer coisa que havíamos vivido antes. Mas tivemos muitos 'momentos' com esse trabalho - foi bem difícil de finalizá-lo.

"Duas músicas foram tranquilas de serem compostas: Limelight e Red Barchetta, que era tão boa de se tocar ao vivo. Tom Sawyer foi o contrário, ganhando vida tardiamente. Tivemos tanto trabalho em ajustar os solos de guitarra e balancear o final. Mas depois de tanto sofrimento, acertamos em cheio e se tornou algo muito poderoso. Nos ficamos meio que, 'Cacete, de onde veio isso?'

"Nós nos divertimos muito com Witch Hunt [parte três de 'Fear']. Embora seja uma música sombria, ela envolveu tanta besteira. Para gravar os sons das multidões, nós três saímos para o estacionamento do estúdio no frio congelante do inverto. Mas na noite em que mixamos a música, soubemos da notícia de que John Lennon havia sido baleado. Ficamos todos em choque, muito chateados. É algo que jamais esquecerei."


Power Windows (1985)

Em um álbum brilhante, dominado por teclados, um guitarrista insatisfeito levou uma pelo time.

Geddy Lee: "Tivemos esse período nos anos 80 - a era dos teclados. Começou com Signals (1982), e foi até Hold Your Fire (1987). Acho que Power Windows é o melhor desse período. Eu amo a qualidade do som. Mas para Alex foi um disco frustrante de se fazer. E eu não tinha ideia do quão sofrido foi para ele até depois de encerrar as gravações.

"Eu estava tocando teclado, e também trouxemos Andy Richards, um especialista em sintetizadores bem respeitado. Então estávamos cobrindo as faixas com som, e Alex teve que lutar por seu espaço ali. Ele não surtou - não é de seu feitio. Ele joga pelo time, então seguiu com a corrente. Foi apenas depois de terminarmos que ele expressou suas frustrações.

"Claro que, olhando para trás, eu posso entender completamente. Mas no geral, há um bom equilíbrio entre músicas de destaque para guitarra como The Big Money e de predomínio de teclados como Middletown Dreams, uma bela canção. E em Mystic Rhythms, tudo gira em torno do riff de guitarra. Sério, Alex tocou de forma incrível em Power Windows. É algo evidente no decorrer do disco."


Roll The Bones (1991)

Mais guitarras, e ótimas músicas: os fatores-chave no melhor álbum da banda no início dos anos 90.

Geddy Lee: "Havia algumas boas músicas em Presto (1989). The Pass é de longe uma das melhores coisas que já escrevemos. Mas as composições foram tão mais fortes em Roll The Bones.

"Era definitivamente um álbum com mais foco na guitarra. Nós pisamos um pouco no freio com os teclados. Eles ainda estavam ali, mas não com tanta evidência quando em Presto e nos trabalhos anteriores, Power Windows e Hold Your Fire.

"Para mim, em retrospecto, a produção de Roll The Bones deixou um pouco a desejar. Ele poderia ter soado maior e mais consistente. Mas acho que o que garantiu o êxito do trabalho é a qualidade das músicas. Bravado é uma faixa tão bem escrita. O mesmo vale para Dreamline, e Ghost Of A Chance - que eu amo.

"O álbum como um todo representa um verdadeiro amadurecimento para nós como compositores. E a faixa-título cresceu muito com o tempo. Tocamos ela na nossa última turnê, em 2015, e foi uma sensação diferente, mais profunda. Ela soa mais forte atualmente, e eu pude sentir isso na forma que o público reagiu."


Vapor Trails (2002)

O álbum de retorno. Em 1998, após a morte de sua esposa e filha, Neil Peart disse a Lee e Lifeson para considerá-lo aposentado. Cinco anos depois, ele e o Rush voltaram à ativa.

Geddy Lee: "Sem dúvidas, Vapor Trails foi o disco mais difícil que fizemos. Eu não achava que voltaríamos e gravaríamos outro álbum. E foi muito difícil - uma época de muita emoção.

"Tivemos que redescobrir como trabalhar juntos, e sempre sendo razoáveis com a situação de Neil. Sua confiança teve que voltar lentamente. Tínhamos que dar espaço a ele e, ao mesmo tempo, encorajá-lo.

"O processo de composição foi bem inseguro, eu diria. E no que diz respeito às letras de Neil, era uma questão sensível. Ghost Rider e a faixa-título, ambas foram bem pessoais para Neil. Estávamos tentando achar a balança entre deixar Neil expressar o que passou e forçar as letras a um nível mais universal, de modo que se tornasse uma declaração válida sobre a vida, ao invés de apenas sobre uma pessoa.

"Tanta emoção crua acabou indo para Vapor Trails, e ele foi um disco que soou cru. Mas conseguimos superar isso. E era tudo o que importava."


Clockwork Angels (2012)

O clássico do final da carreira. O 19º trabalho de estúdio da banda foi de fato o que todo fã do Rush sonhou por muito tempo - um álbum conceitual do início ao fim.

Geedy Lee: "Nunca entrou em nossas mentes que este talvez fosse nosso último álbum - estávamos tão empolgados em fazer algo conceitual novamente. Mas tomamos cuidados para que ele não soasse tão progressivo. Nós quisemos mantê-lo moderno: bem diverso, cheio de música e melodias fortes, mas que ainda abalasse estruturas.

"A história que Neil criou para Clockwork Angels é fantástica. Essencialmente, é sobre inocência - um jovem que vai para o mundo, como todos fazemos. Ele é enganado e trapaceado, mas no fim chega a conclusão de que, independente das coisas tolas que fez durante a vida, ele faria tudo novamente, e que valeu a pena.

"Nós não queríamos que o som fosse escravo do enredo. Queríamos que as músicas parecessem levemente conectadas umas às outras, mas que também tivessem vida própria fora do conceito. Essa foi a parte mais difícil. Mas no fim conseguimos. É um dos melhores registros musicais que já criamos."

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Este texto é uma tradução integral do original em inglês, escrito por Paul Elliot e publicado no Louder. Você pode conferi-lo aqui: https://www.loudersound.com/features/rush-s-career-in-10-albums-by-geddy-lee

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Resenha de UM parágrafo sobre "OS JOVENS TITÃS EM AÇÃO! NOS CINEMAS"!


Tal como a série animada que lhe deu origem, Os Jovens Titãs Em Ação! Nos Cinemas é transgressivo em relação a tudo o que já foi feito anteriormente com os personagens ou a equipe em qualquer mídia, deixando de lado grandes clichês superheroicos, dramas e romances adolescentes em prol de um humor às vezes subvertido, às vezes escrachado, mas que no fim não poupa ninguém (especialmente o próprio Universo DC, mas sem se esquecer da concorrência ou mesmo de outras grandes franquias do cinema). Cenas de ação dinâmicas e números musicais dão sustância à história para justificar um longa-metragem, que é então tomado por uma vasta gama de absurdos divertidíssimos que desafiam os limites do que já é conhecido por desenho animado pelo público. São muitas também as aparições de personagens e referências à Editora das Lendas, com destaque à reinterpretação do vilão Exterminador para este mundo que não se leva nem um pouco a sério. Acredite ou não, mas este é um dos melhores filmes lançados pela DC Entertainment desde a conclusão da trilogia O Cavaleiro das Trevas de Christopher Nolan, ao lado de Mulher-Maravilha e LEGO Batman - O Filme.

TRAILER:

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

BALANÇO MUSICAL - Agosto de 2018


Olá! Seja bem-vindo ao meu projeto Balanço Musical, uma coluna mensal na qual falo sobre música, o que escutei no mês que se passou, o porquê das escolhas, o que me influenciou nesses dias, e publico uma playlist com uma faixa referente a cada dia do período. O objetivo não é nada além de escrever um pouco mais sobre música no blog, apresentar algumas coisas diferentes e dar às pessoas a oportunidade de conhecer novos artistas e canções. As postagens são publicadas sempre no primeiro dia útil de cada mês, o que pode ou não coincidir com o dia 1º.

Agosto é um mês que tende a demorar para passar, provavelmente o mais demorado dentre todos. Sua extensão de 31 dias, aliada a ausência absoluta de feriados (exceto regionais), acaba causando esta impressão nas pessoas. Mas o deste ano passou rápido, ou ao menos mais rápido que os demais. E esta não é uma impressão exclusiva minha, já que vi muitas outras pessoas comentarem o mesmo por aí. No meu caso, especificamente, as últimas semanas foram marcadas por despedidas, reencontros, novidades e descobertas em meio a um mar de incertezas, dúvidas e tempo livre que veio a ser ocupado por cultura pop, especialmente música.

A música, na verdade, acabou por ser a maior constante em minha vida nestes últimos dias. E quando digo isso, é porque foi de fato A maior, seja em quantidade ou em qualidade. Este agosto me fez ultrapassar todos os limites que conhecia anteriormente e se tornou, com toda certeza, o mês em que mais consumi música em toda minha vida. Para se ter uma ideia, bati meu recorde anterior de canções escutadas em um único dia (94) seis vezes, com 99, 100 (duas vezes), 101, 102 e - e este é o mais absurdo de todos - 132. No total, foram 2.157 reproduções, incluindo 581 artistas, 933 álbuns e 1.639 faixas diferentes. E desta vez minha conta do last.fm não esteve com nenhum problema, ao contrário do que aconteceu em julho, então todos estes números são absolutos. A título de comparação, meu 2017 todo contou com o contato de 692 artistas, e chegar perto deste número em tão pouco tempo é assustador. Aliás, o número de scrobbles de 2018 já ultrapassou o do último ano logo no início de agosto, e só Deus sabe onde esta contagem vai parar faltando ainda quatro meses até o final do período.

Como não poderia deixar de ser, um mês como este me fez entrar em contato com uma vasta diversidade de materiais interessantes e, como de praxe, vale a pena falar de alguns deles em meus DESTAQUES DO MÊS, que podem ser conferidos a seguir.

ARTISTAS DO MÊS:

- Siouxsie and The Banshees: um dos principais nomes do cenário alternativo dos anos 1980 marcou forte presença durante o último mês graças a reiteradas audições de Tinderbox e Peepshow, dois de seus mais conhecidos (e melhores) trabalhos, que se comunicaram com meu estado de espírito recentemente de maneiras que jamais entenderei por completo.

- Eric Clapton: sempre estive ciente da genialidade de Clapton, mas seus trabalhos nunca haviam me fisgado da mesma forma que recentemente. Sou da teoria de que tudo tem sua hora na música, e fico feliz que tenha chego a hora de ser conquistado pelas fantásticas composições do guitarrista.

- Toto: o grupo continua sendo uma das principais presenças musicais em minha vida, de modo que tenho ouvido o clássico Toto IV quase semanalmente. Aproveitei o embalo para conferir também a estreia da banda, quase tão boa quanto seu maior sucesso (o que já diz muito).

- Steely Dan: entrei em contato com o primeiro trabalho do grupo, Can't Buy a Thrill, ao acaso e me vi obrigado a ouvir novamente seu sucessor, Countdown to Ecstasy. Vício instantâneo nessa que foi uma das bandas que mais quebrou paradigmas em sua época.

- Midnight Oil: o mês se iniciou com a audição de Blue Sky Mining, um dos principais trabalhos dos australianos, e foi o suficiente para me manter ancorado a ele até o último dos 31 dias.

ÁLBUNS DO MÊS:

- The Longshot - Love Is For Losers (2018): a mais nova empreitada de Billie Joe Armstrong, mais conhecido por ser vocalista e guitarrista do Green Day, é uma grata surpresa por seu viés simples, descompromissado e direto, entregando um Rock and Roll de qualidade e sem firulas, com direito até a cover de Ozzy Osbourne encerrando a tracklist.

- Lucifer - Lucifer II (2018): o segundo registro do trio que carrega o nome do anjo caído apresenta um Hard Rock com pegada setentista que conquista por sua abordagem moderna aliada a elementos clássicos, sendo envolto por uma aura de misticismo e ocultismo que só colaboram com sua força. Vale a pena conhecer.

- Fantastic Negrito - Please Don't Be Dead (2018): um dos mais interessantes trabalhos do ano, este artista, que parece ainda não ter caído nas graças do público brasileiro, apresenta uma mistura de Blues, Rock, Funk e Soul em um disco forte, mas acessível ao mesmo tempo. Preciso ouvir mais vezes, mas já é possível dizer que é candidato ao posto de Melhor Álbum do Ano, apesar da concorrência de peso.

- Alice In Chains - Rainier Fog (2018): o Alice In Chains amadureceu, e isso fica evidente em seu mais recente registro. Um dos principais nomes do Grunge durante os anos 1990, conseguiu se reerguer após a triste morte de Layne Staley com a chegada de William DuVall e hoje vem se mostrando novamente relevante para a cena, apresentando um álbum que se afasta um pouco de suas origens e se aproxima ainda mais do Metal, além de soar mais otimista do que tudo feito pela banda anteriormente. Interessante e repleto de qualidade, vale ser ouvido e reouvido.

- Vinnie Vincent Invasion - Vinnie Vincent Invasion (1986): o nome Vinnie Vincent soa desconhecido para muita gente, mas ele integrou o Kiss entre 1980 e 1984, durante o segundo auge do grupo, após revelarem as faces por trás das maquiagens ao mundo. Acabou seguindo uma breve carreira solo, ficou no anonimato por mais de 20 anos e só retornou aos holofotes recentemente. De qualquer forma, a estreia de seu projeto Invasion é mais do que um atestado de sua qualidade, com um Hard Rock conciso e avassalador (muitas vezes flertando com o Heavy Metal) que fideliza o ouvinte logo na primeira ouvida.

- Metallica - ...And Justice For All (1988): este clássico completou 30 anos no último dia 25 de agosto e injustiça seria se ele não estivesse presente na lista.

- Helloween - Keeper of the Seven Keys, Pt. II (1988): outro clássico que completou 30 anos no último mês, havendo aniversariado no dia 29. Helloween era uma força da natureza em seus primeiros trabalhos, em especial neste, em que qualquer música poderia ter se tornado um grande hit sem muitos esforços.

- Elton John - Too Low For Zero (1983): continuando minha jornada de descoberta dos trabalhos do artistas, resolvi conferir este consagrado álbum que alia os elementos clássicos da sonoridade de Elton ao estilo do Pop que dominou os anos 1980. De quebra, a ótima I Guess That's Why They Call It The Blues me pareceu uma ótima escolha pra encerrar a playlist deste mês.

FAIXAS DO MÊS:

- The Beatles - The End: minha faixa oficial sempre que algo chega a seu inevitável fim.

- Simple Minds - Don't You (Forget About Me): a música que fecha o clássico filme Clube dos Cinco tem uma letra autoexplicativa.

- Sepultura - Ratamahatta: uma antológica composição como esta nunca é demais na vida de ninguém.

- Limp Bizkit - Take a Look Around: não é segredo para ninguém que estive em contato com os filmes da franquia Missão: Impossível nas últimas semanas. Coloquei essa música como representação simbólica do dia em que conferi Efeito Fallout no cinema, apesar de ela ser trilha sonora do segundo longa da saga de Ethan Hunt.

- Queen feat. David Bowie - Under Pressure: é apenas uma das melhores músicas feitas na história. Então, por que não, certo?

Ouça abaixo a playlist feita durante agosto de 2018:

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

A abertura remasterizada de "Batman: A Série Animada" é a coisa mais bonita que você verá hoje


Poucas adaptações transmídia foram tão bem-sucedidas quanto Batman: A Série Animada. O desenho concebido por Bruce Timm e Eric Radomski foi desenvolvido com esmero pelas mãos da dupla em parceria com outros grandes nomes, como Paul Dini, Alan Burnett, Michael Reeves, Boyd Kirkland, Kevin Altieri, Dan Riba etc e marcou época durante a década de 1990, habitando as lembranças especialmente das crianças e adolescentes de então e sendo até hoje a principal referência quando o assunto são as aventuras do Homem-Morcego fora das páginas dos gibis, mesmo com a forte concorrência da série de games Batman: Arkham ou a trilogia de filmes O Cavaleiro das Trevas de Christopher Nolan.

Tive a oportunidade de reassistir ao programa na íntegra recentemente e posso dizer que essa posição é mais que merecida. A qualidade e fluidez empregada no traço e na animação chega a impressionar, tendo se tornado referência para tudo o que foi produzido na sequência e ainda sendo uma influência na atualidade. O mesmo pode ser dito a respeito dos roteiros, que contam com tramas bem-estruturadas e que muitas vezes tratam de temas importantes, seja para o mundo real ou acerca do próprio universo de seu protagonista, ao mesmo tempo que são acessíveis sem desrespeitar, em momento algum, a inteligência de seu espectador, seja ele criança, adolescente ou adulto. A criação da atmosfera da série, que alia elementos antigos a contemporâneos em um clima soturno, e o trabalho de dublagem, tanto em inglês quanto em português, fecham o pacote com qualidade. Não é loucura dizer que algumas das melhores histórias do herói foram contadas no programa, como é o caso de episódios como Quase O Peguei ou O Julgamento, entre muitos outros, além de ter sido responsável por redefinir as origens de antagonistas como o Sr. Frio e o Cara-de-Barro.

Os fãs e entusiastas da animação receberam uma notícia muito boa nos últimos meses: o seu relançamento completo em Blu-Ray, em um box que contará com todos os seus 109 episódios (o que inclui As Novas Aventuras do Batman), os longas Batman: A Máscara do Fantasma (que se encontra atualmente disponível na Netflix) e Batman & Mr. Freeze: Abaixo de Zero, um documentário sobre os bastidores de Batman: A Série Animada e três Funko Pop! inspirados no desenho. Com o lançamento da edição, marcado para 30 de outubro, aproximando-se, a Warner divulgou um vídeo de encher os olhos contendo a versão remasterizada da antológica abertura do programa, o qual pode ser conferido a seguir:



A título de curiosidade, a IGN comparou as versões antiga e remasterizada do vídeo e, como é possível se observar abaixo, há uma diferença gritante entre elas, não apenas na nitidez da exibição, mas também na quantidade de frames que cada uma apresenta, mostrando que o trabalho que vem sendo feito é mais do que bem-vindo:


Infelizmente, ainda não há previsão para o lançamento de Batman: A Série Animada em Blu-Ray aqui no Brasil. Assim que acontecer, no entanto, sentirei a obrigação de conferir mais uma vez a animação do início ao fim. Não que seja um grande sacrifício.

Box contendo todo o conteúdo da edição especial de Batman: A Série Animada em Blu-Ray. Lindo, não?

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

[RESENHA] "Missão: Impossível - Efeito Fallout" (2018)


Franquias de cinema são curiosas, pois não há um padrão para suas existências. Algumas começam muito bem e vão decaindo a cada novo lançamento (que é o que mais acontece), algumas conseguem manter o fôlego até o final, algumas tem seu ápice no segundo filme, outras começam bem, acabam se perdendo no meio mas conseguem entregar uma conclusão satisfatória. E há o caso de Missão: Impossível, que gastou toda uma trilogia tentando se encontrar, soube se reinventar para uma nova década pelas mãos mais que competentes de Brad Bird e, posteriormente, Christopher McQuarrie, conquistou novo público e vem se firmando como um dos principais nomes quando o assunto é ação nos últimos anos. Cenas cada vez mais insanas (nas quais Tom Cruise não usa dublês) aliadas a boas tramas modernas de espionagem, fotografia inventiva e pouco convencional, e elencos competentes se tornaram marcas registradas dessa nova fase, que parecia haver atingido seu ápice em Nação Secreta (2015).

Mas, para Cruise e McQuarrie, parece sempre haver espaço para mais. Assim como os próprios filmes, a dupla parece cada vez mais empenhada em transformar o impossível em possível. E foi para essa missão que Missão: Impossível - Efeito Fallout foi concebido: superar seu antecessor, apresentando uma trama melhor, direção mais criativa e preocupada com detalhes, um elenco ainda mais competente e, claro, sequências de ação ainda mais frenéticas e espetaculosas do que as vistas anteriormente. E dado o elevado patamar em que os dois últimos longas se estabeleceram, é espantoso pensar no quão fácil o resultado final fez a tarefa parecer.

Conectando-se diretamente com o final do quinto filme, Efeito Fallout traz o agente da IMF Ethan Hunt (Cruise) tendo que lidar com os Apóstolos, organização de anarco-terroristas dissidente do Sindicato, que confrontou em sua missão anterior. O plano do grupo é ter acesso a armas nucleares para espalhar o caos e destruir a ordem vigente, e Hunt está disposto a ir até as consequências finais para impedi-los. Junto a ele, retornam alguns personagens apresentados ao público anteriormente, como o Secretário Alan Hunley (Alec Baldwin), a agente Ilsa Faust (Rebecca Ferguson), sua ex-esposa Julia (Michelle Monaghan), o vilão Solomon Lane (Sean Harris) e figuras mais do que carimbadas como Luther (Ving Rhames) e Benji (Simon Pegg). Juntam-se ainda a este vasto elenco novidades como o agente Walker (Henry Cavill), a Diretora da CIA Erika Sloane (Angela Bassett) e a misteriosa Viúva Branca (Vanessa Kirby).

O desenvolvimento da trama apresenta alguns interessantes desdobramentos, culminando em viradas de roteiro que, em primeiro momento, podem parecer previsíveis para aqueles que já conhecem a série, mas que são sucedidos tantas outras em sequência que acabam por deixar o espectador desnorteado tamanhas as surpresas (que até chegam a ser excessivas, há de se reconhecer). Ao mesmo tempo, as relações de Hunt com aqueles que o rodeiam são levadas à beira de um colapso devido a suas ações em prol da missão, mas são sustentadas pela fé quase cega que seus parceiros tem no protagonista. O conflito é ainda mais agravado pelos atos de seus colegas no ramo, como é o caso de Walker (personagem em que Cavill escorrega em sua atuação vez ou outra, mas que convence durante as cenas de ação) e Faust, que é quem mais afeta o agente de forma profissional e pessoal (ainda que esta última não se resolva de forma decente). Tudo isso cria uma atmosfera que direciona para a percepção de que a tarefa em questão é, de fato, impossível.


O que mais leva a crer nessa impossibilidade, no entanto, são as cenas de ação. Grande marca pela qual a franquia se fez conhecida nos últimos anos, elas se sobressaem às demais não pelo absurdo de uma ou outra de maior destaque, mas pela quantidade. Esse é o filme de Missão: Impossível com o maior número de sequências de ação em toda a franquia, e todas se mostram insanas, ainda que cada qual a seu modo: seja pelo risco oferecido ou pela quantidade de detalhes a serem observados, fica claro para qualquer um que não foi a toa que Tom Cruise se machucou durante as gravações do longa. Pensar no astro protagonizando cada um daqueles momentos sem o auxílio de qualquer dublê só agrava a sensação de perigo existente, a qual já se encontra potencializada pela direção de McQuarrie, seja em saltos de paraquedas, perseguições de veículos em ruas movimentadas, corridas por telhados parisienses ou assalto a helicópteros em movimento (embora o uso de computação gráfica fique evidente até demais em momentos-chave).

Aliás, a direção não se destaca apenas durante a ação. Mesmo nos momentos de maior respiro, Christopher McQuarrie consegue criar ambientações que evidenciam o perigo das situações através de uma variada combinação de registros fechados com outros que apresentam os cenários de forma mais aberta em diversos ângulos, algo que o permite, em conjunto com o trabalho do diretor de fotografia Rob Hardy, criar composições de cena requintadas, sofisticadas e agradáveis em determinados pontos. Ainda sobre os aspectos técnicos, vale o destaque à trilha sonora composta por Lorne Balfe, uma das grandes forças motrizes do filme através de suas faixas impactantes dentro da medida, bem como aos departamentos de arte responsáveis por desenvolverem as máscaras e demais acessórios que já são mais do que conhecidos.

Missão: Impossível - Efeito Fallout encerra a segunda trilogia da saga com espaço para mais continuações, muito graças ao caráter episódico da série, bem como às recentes adições ao elenco, que podem vir a ganhar mais espaço no futuro. Este sexto longa funciona, ao mesmo tempo, como a conclusão de um arco e uma porta de entrada para novos fãs já que, mesmo com referências a seus antecessores, a reintrodução sucinta de personagens e elementos apresentados anteriormente permite seu funcionamento de forma individual, ainda que não seja o mais recomendado. Seja como for, os níveis aqui estabelecidos se mostram ainda mais difíceis de serem superados pelas mentes criativas envolvidas, por mais capazes que elas já tenham se provado. O trabalho desenvolvido por Christopher McQuarrie e Tom Cruise, ainda que com alguns ínfimos problemas, acabou por culminar não apenas no melhor Missão: Impossível, mas também em um dos melhores filmes de ação da década.

TRAILER: