segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

ANALISANDO - "STAR WARS: O DESPERTAR DA FORÇA" (2015)


Ah, Star Wars... A franquia que mais marcou minha vida está de volta. Foram 3 anos de espera desde o anúncio da compra da Lucasfilm pela Disney e a divulgação, no mesmo dia, que uma nova trilogia de Star Wars seria desenvolvida. Desde então, fui acompanhando cada nova notícia divulgada, cada imagem mostrada, cada vídeo lançado, sempre criando mais e mais expectativa pelo que estava vendo, aguardando todo dia mais ansiosamente para que "Star Wars: O Despertar da Força" fosse lançado. Pois bem, esse dia finalmente chegou, mais de uma semana atrás. Até o momento, já vi o filme duas vezes no cinema. E, cumprindo meu papel como fã e apreciador da sétima arte, acho justo vir até aqui compartilhar minhas opiniões sobre o longa, este que foi provavelmente o mais aguardado de todos os tempos.

Antes de mais nada, acho válido parabenizar o marketing da Disney e da Lucasfilm por toda a sutileza no trabalho de divulgação. Tão pouco foi divulgado nas imagens, nos trailers e nos comentários do elenco e da equipe que foi o suficiente pra deixar todo mundo animado ao mesmo tempo que não estragou a experiência para ninguém. Sei que chegou um momento, após a divulgação do último trailer, que vários vídeos começaram a ser lançados, mas eles não mostravam quase mais nada além do que já havia sido visto. Então, parabéns, obrigado, e espero que continuem com essa abordagem para a campanha dos dois próximos filmes (gostaria que se aplicasse a filmes em geral, mas sei que isso não vai acontecer).

E devo ressaltar também que este texto conterá SPOILERS. Sim, repito, SPOILERS. Então, se você ainda não assistiu "Star Wars: O Despertar da Força", pare de ler o texto aqui e agora. Acredite, VOCÊ NÃO QUER RECEBER SPOILERS DA TRAMA.

Enfim. Como foi, então, ver um novo Star Wars na tela do cinema, mais de 10 anos depois do lançamento de "A Vingança dos Sith"?

O RETORNO A UMA GALÁXIA MUITO, MUITO DISTANTE


"Star Wars: O Despertar da Força" tinha um grande desafio: trazer novamente a magia da franquia para as telas, após a má recepção da trilogia prelúdio, feita inteiramente por George Lucas. Mais do que isso, precisavam apresentar a saga para uma nova geração, ao mesmo tempo em que deveriam satisfazer as expectativas dos fãs de longa data. Com isso em mente, a equipe de produção decidiu levar em consideração tudo o que havia feito sucesso. Games, livros, quadrinhos, a animação "Clone Wars" e, é claro, a trilogia original, composta por "Uma Nova Esperança", "O Império Contra-Ataca" e "O Retorno de Jedi".

Através disso, moldaram os personagens do filme, a trama, referências, cenários... Repaginaram o Império e a Aliança Rebelde como a Primeira Ordem e a Resistência e os trouxeram para um novo contexto político, em que a Nova República governa a Galáxia. Descartaram o uso predominante de fundos verdes e computação gráfica, e voltaram ao básico, usando efeitos práticos, localizações existentes e cenários reais, assim como nos filmes originais. E, obviamente, as grandes marcas registradas de Star Wars, como o letreiro e a música tema, foram resgatadas.

E o êxito foi obtido, devo dizer, com toda a glória e louvor. O longa fez eu me sentir em casa, com todos os seus elementos familiares, mas que ao mesmo tempo não são meras cópias. A utilização dos efeitos práticos foi a melhor decisão que poderia ter sido tomada para esse filme, pois tudo em tela parece extremamente vivo, real, tátil e convincente, algo que dificilmente seria alcançado com o uso exacerbado de CGI. Na verdade, o uso de criaturas, fantasias e droides funcionais fez com que as poucas vezes que a computação foi usada em tela ficassem um pouco deslocadas, vide Maz Kanata e Líder Supremo Snoke, que, apesar do excelente trabalho feito em suas criações e captura de movimentos, não ficaram tão convincentes quanto o resto.

A maior prova desse sucesso pela equipe de efeitos se dá pela criação de BB-8. O pequeno robozinho esférico foi desenvolvido para funcionar plenamente. Sim, ele realmente existe e sai rolando por aí sem maiores problemas. O trabalho realizado com o droide foi simplesmente fantástico e o tornou ainda mais real, sendo facilmente uma das melhores coisas do filme. O mesmo pode ser dito sobre R2-D2, que, apesar de ter pouco tempo de tela, também é completamente automatizado (o que deve ser um alívio para o ator Kenny Baker, por não ter mais que passar horas e horas de gravação enlatado).

E eu nem citei os demais elementos que fizeram de Star Wars um sucesso. A Força, sabres de luz, naves, batalhas espaciais bem feitas... Tudo está lá, devidamente atualizado e ainda extremamente comovente. Quando Han Solo diz "Chewie, estamos em casa", acredito que essa fala traduza o sentimento de todos os espectadores.

APRESENTANDO O NOVO E HONRANDO O ANTIGO


Então, que ótimo que esse resgate dos velhos efeitos e elementos deu certo. Mas um filme não pode viver apenas disso e da nostalgia dos fãs ao verem algumas de suas coisas favoritas na tela. Ele precisa de novidades.

E elas existem, sendo apresentadas da melhor maneira imaginável. Isso se aplica, principalmente, aos personagens. Novas faces foram introduzidas à franquia, e desde o primeiro momento elas já se mostram facilmente relacionáveis. Para começo de conversa, nada melhor do que falar da Rey, a sucateira que na verdade é a grande protagonista de "O Despertar da Força". Forte, destemida, ágil, talvez um pouco teimosa, mas carismática o suficiente para liderar a história e a franquia pelos próximos anos. Junto a ela temos Finn, o desajeitado Stormtrooper desertor que possui um bom coração e tem um fantástico tempo de comédia, ao mesmo tempo que vê sua coragem crescer com o decorrer do longa. Há também de se falar de Poe Dameron, o melhor piloto da Resistência que aparentemente também é o cara mais legal daquela galáxia. E, claro, BB-8, o droide de Poe, que nos fornece algumas das melhores cenas do filme e ainda consegue se expressar e demonstrar emoções. Novamente digo: uma das melhores coisas do novo Star Wars.

Do lado dos caras maus, também temos novas peças. O antagonista principal e de maior destaque é Kylo Ren, um fantástico personagem e vilão em construção que tem potencial para se tornar um dos grandes. Instável, descontrolado, impaciente e cheio de si, ele tem a ambição de ser tão poderoso quanto Darth Vader, mas é exatamente o oposto de seu avô. Sim, ele ainda por cima é um Skywalker, filho de Leia com Han Solo, dando continuidade ao legado amaldiçoado da família. Ao seu lado, encontra-se General Hux, um militar que parece ter sido moldado diretamente pela juventude nazista, com seus grandiosos e vagos discursos e tendo fascínio pelo belicismo. E, liderando toda a Primeira Ordem ao mesmo que disciplina Ren nos caminhos do Lado Sombrio da Força, há o Líder Supremo Snoke, uma figura enigmática, de face toda distorcida e repleta de cicatrizes, da qual pouco se sabe sobre, exceto de que ele já existe há centenas de anos e é sábio. Entretanto, é alguém cuja presença impõe respeito imediato.

Merecem destaque também alguns personagens secundários, como Unkar Plutt e Maz Kanata que, embora com pouco tempo de tela, tem papéis fundamentais para o desenvolver da trama. As novidades, porém, não se resumem a isso. Foram criados novos planetas, como Jakku, Takodana e todo o Sistema Hosnian. É em Takodana, inclusive, que temos uma das mais belas cenas do filme, com a Millenium Falcon sobrevoando o lago do local. Há novas naves, raças alienígenas, droides secundários. Até uma nova arma de destruição em massa foi criada: a Base Starkiller, um híbrido de planeta com a Estrela da Morte que usa a energia de estrelas para realizar seus disparos e destruir tudo o que há pela frente. Ela serve como lar da Primeira Ordem e é uma ameaça ainda maior do que as que já foram vistas antes.

Todos esses novos elementos, porém, não significam que tudo feito anteriormente foi esquecido, descartado e substituído. Muito pelo contrário. Aliás, esse é um dos maiores trunfos de "O Despertar da Força": todo o seu respeito e celebração ao material original, com a inclusão de diversas referências e fan-services nada gratuitos, cria o elo entre os fãs e tudo que foi apresentado pelo novo filme. E o melhor de tudo é que eles resgataram os personagens que pelo menos 3 ou 4 gerações cresceram amando. Han Solo, Chewbacca, Leia, Luke, C-3PO, R2-D2, estão todos lá, interagindo de forma fantástica com os novatos e tendo tempo de tela o suficiente para alegrar a todos. E não acaba por aí: o retorno da Millenium Falcon (e as incontáveis referências dentro da própria), X-Wings e Super Star Destroyers caídos no deserto de Jakku, a repaginada no visual dos Stormtroopers, diversas falas... Até mesmo a Base Starkiller é uma homenagem óbvia às duas Estrelas da Morte, ao mesmo tempo que é uma evolução lógica do pensamento dos remanescentes do Império Galáctico nos 30 anos que separam o longa de "O Retorno de Jedi".

O melhor exemplo dessa conciliação entre o novo e o antigo se dá, ao meu ver, durante a cena em que Finn tenta usar o canhão da Millenium Falcon. Ele havia acabado de sair de uma das novas TIE Fighters, com seus controles todos modernos e de fácil manuseio, e então se depara tendo que usar aquele trambolho, todo duro, difícil de acertar a mão e que ainda conta só com aquela telinha que usa um 3D bem básico, que era o melhor que se podia obter com os efeitos digitais em 1977, quando "Uma Nova Esperança" foi lançado. Um momento bem divertido de se assistir, mas com um significado muito maior por trás (e que ainda serve como um indicativo de como a tecnologia evoluiu na Galáxia durante todos esses anos).

"O LADO SOMBRIO... E A LUZ"


"Star Wars: O Despertar da Força" não tem esse título a toa.

Um dos maiores destaques do filme se dá pela maneira como ele apresenta a Força para a audiência. Durante a saga, sempre se ouviu sobre sua magnitude, que o poder de destruir um planeta nada era comparado a ela, que a mesma envolvia todas as formas de vida e fluía sobre elas. Entretanto, pouco foi de fato mostrado além da levitação de alguns objetos (o mais impressionante sendo a X-Wing levitada por Yoda em "O Império Contra-Ataca"), enforcamento sem o uso das mãos, truques mentais e raios. O clamor dos fãs por mais sempre foi grande desde o fim da trilogia original, e acabou não sendo correspondido nos episódios I, II e III, agravando ainda mais a decepção com os mesmos.

Felizmente, o novo longa cumpre esse papel de modo esplendoroso. Nunca a Força esteve tão visceral em tela. Novas habilidades foram demonstradas, como conseguir parar um tiro de laser no ar, congelar uma pessoa por completo, vasculhar a mente de alguém, torturar e até mesmo resistir à tortura (e ainda conseguir revertê-la). As aparições de Kylo Ren são puro deleite para qualquer fã por conta disso, especialmente sua entrada, na qual ele deixa o disparo parado ao mesmo tempo em que congela Poe Dameron, assassina Lor San Tekka, dá mais alguns comandos, sai de cena e só então deixa o projétil prosseguir seu caminho. É um tipo de domínio jamais visto, nem mesmo Darth Vader chegou a demonstrar tamanho poder antes (muito devido às limitações da época, mas enfim).

Outra coisa relacionada à Força que a película soube fazer foi diferenciar as duas facetas da mesma. O Lado Sombrio tem como seu principal representante o próprio Kylo Ren, que é alguém descontrolado, dominado por sua raiva e suas demais emoções, com um constante conflito dentro de si, tendo que, curiosamente, resistir ao chamado da bondade. Oposto a ele está Rey, a figura fluente na Luz, que é alguém forte e centrada, além de moldada pelas dificuldades da vida no deserto de Jakku. Essa divisão se mostra bastante clara em dois momentos: o primeiro deles é através da fantástica fotografia da cena da (triste e inacreditável) morte de Han Solo, na qual o mesmo fica cara a cara com seu filho, que tem sua face parte coberta pela luz e parte sombra, até que a luminosidade, proveniente da estrela que estava recarregando a Base Starkiller, some, o rosto de Ren fica dominado pela escuridão e ele então assassina seu pai. O segundo momento se dá na batalha final entre Kylo e Rey na floresta, a qual está completamente escura, tendo iluminação apenas pelas lâminas dos sabres de luz, além, é claro, do antagonista usando da dor de seu ferimento para conseguir força para o confronto, enquanto a garota mantem-se focada e deixa a Força fluir para enfrentá-lo.

Aliás, é importante falar sobre a Rey. Como citado anteriormente, ela é a protagonista do filme e, não a toa, é nela que ocorre "o despertar da Força". E ela é muito poderosa com a Força. Poderosa até demais. De alguém que achava que a Força era apenas um mito para alguém que conseguiu resistir à tortura de Kylo Ren, usou truque mental em um Stormtrooper para ser libertada, puxou o sabre de luz da neve e deixou que a própria Força guiasse seus movimentos durante o confronto final, ela com certeza aprende rápido. Ou a Força sempre esteve com ela, mas a jovem nunca soube disso. Ou então já teve treinamento Jedi prévio quando muito nova, antes de ser deixada em Jakku. O fato é que seu passado ainda é um mistério, pouco se sabe sobre quem é sua família ou sobre o que aconteceu em seu passado, mas uma coisa é certa: todo esse domínio e facilidade não foram a toa, e também não serão ignorados nos episódios VIII e IX. Então, preparem-se para uma boa explicação sobre as origens da sucateira, que já é uma das favoritas de muitos (eu incluso).

"MÚSICA POR JOHN WILLIAMS"


Quando a Disney anunciou a produção de "Star Wars: Episódio VII", uma das minhas maiores preocupações foi "quem iria compor a trilha sonora?", pois toda a saga teve sua música composta pelo genial John Williams. Isso se agravou um pouco quando J.J. Abrams foi confirmado como diretor, pois ele costuma trabalhar com Michael Giacchino nas trilhas de seus filmes e, embora este seja fantástico, John Williams é incomparável, e isso também acabaria com a tradição da franquia.

Felizmente, alguns meses depois, Williams foi confirmado não apenas para este longa, mas como compositor de toda a nova trilogia. E, assim, eu pude respirar aliviado, pois o homem por trás dos temas não apenas de Star Wars, mas também de Indiana Jones, Superman, ET - O Extraterreste, Jurassic Park, Harry Potter, entre muitos e muitos outros filmes com músicas memoráveis, estava de volta. Pelo menos musicalmente o filme já estava garantido (porque, convenhamos, mesmo muita gente não gostando da trilogia prelúdio, é inegável o quão fantástica a trilha daqueles filmes é).

E devo confessar uma coisa: da primeira vez que assisti ao filme, quase não reparei nas músicas, talvez por estar embasbacado com o espetáculo visual e as novidades que me foram apresentadas, e provavelmente porque toda minha ansiedade para finalmente ver o novo Star Wars tenha me tirado o foco. Duas das novas me chamaram a atenção: a que toca quando vemos as primeiras cenas da Rey em Jakku e quando a própria está subindo as escadas e montanhas da ilha no planeta em que Luke Skywalker está. Mas fora isso, nada mais me prendeu tanto a atenção.

Então, fui ouvir a trilha sonora quando cheguei em casa. E fui surpreendido, porque aquilo tudo era muito bom e eu não lembrava de quase nada daquelas faixas tocando nas 2:16h que fiquei sentado no cinema. Quando fui ver pela segunda vez, consegui reparar, entre várias outras coisas, no quão boas as músicas eram e como elas combinavam com o ritmo do filme, praticamente ditando-o. Mais um trabalho de gênio para a conta de John Williams.

O tema de destaque da vez é justamente a música "Rey's Theme", que é belíssimo, evolui tal qual a personagem para quem é destinado durante o filme e possui um leve toque de Harry Potter em sua composição. Além disso, é a que mais se faz presente na trilha sonora, tendo seus trechos principais reproduzidos em 6 ou 7 outras faixas. Merecem destaque também "Kylo Ren Arrives at the Battle", que marca uma ameaçadora passagem que sempre toca durante as aparições do antagonista, "March of The Resistance", o tema da Resistência que parece uma fanfarra de guerra no melhor estilo dos filmes sobre a Segunda Guerra Mundial, e "The Jedi Steps and Finale", que é reproduzida durante o encontro entre Rey e Luke nos minutos finais de "O Despertar da Força" e já é emendada com o ótimo medley dos créditos.

A única reclamação que eu posso fazer sobre a trilha sonora é que, fora "Rey's Theme" e "March of The Resistance", não há nenhuma outra grandiosa e contínua música, a exemplo das clássicas "Imperial March" e "The Asteroid Field". Mas isso é quase irrelevante, pois a trilha de "Uma Nova Esperança" também não conta com os grandes e favoritos temas, que só vieram em "O Império Contra-Ataca" e "O Retorno de Jedi". Então, acredito que faixas mais completas para a Primeira Ordem e também para Kylo Ren venham no Episódio VIII.

E, hey, John Williams já está com 83 anos. É incrível que ele tenha entregue algo de tão alto nível com uma idade tão avançada. Genialidade é algo que não se perde, e eu mal posso esperar para ouvir as composições das duas vindouras sequências.

A FORÇA É PODEROSA NESSE FILME,  MAS NEM SEMPRE


Embora eu só tenha elogiado "Star Wars: O Despertar da Força" até agora, é necessário reconhecer que o filme tem sim seus problemas. Esse foi, inclusive, um dos motes das conversas que tive com amigos sobre ele: que é ótimo, mas não é isento de falhas. Nada muito grande que o transforme em um novo "A Ameaça Fantasma" ou "O Ataque dos Clones", mas o suficiente para incomodar um pouco e digno de nota em qualquer análise feita.

Em primeiro lugar, Capitã Phasma. Que propaganda enganosa. Divulgada como poderosa, intimidadora e cruel, ela, que é uma Stormtrooper cromada e que ainda usa capa, não mostrou ao que veio em Episódio VII, sendo completamente inútil e, ainda por cima, alvo da piada sobre o compactador de lixo, referência à icônica cena de "Uma Nova Esperança". Eu sinceramente espero que ela retorne para o próximo filme e tenha uma participação que faça jus a sua tão imponente imagem, especialmente depois de ser caçoada por Finn, anteriormente seu subordinado.

Outra coisa que incomodou a mim e quase todos com quem falei foi a falta de maiores explicações sobre a situação política da Galáxia naquele momento. É dito o suficiente para você poder aproveitar o longa sem problemas, mas é uma explicação bem vaga e que levanta diversas perguntas posteriores, como "qual a abrangência dos domínios da Nova República?", "qual é o tamanho e a relevância da Primeira Ordem?" ou "por que deve haver uma Resistência?". Não que eu queira ver um monte de cenas de blábláblá no Senado Galáctico como na trilogia prelúdio, mas poderiam ter incluído pelo menos mais uma cena explicativa, como aquela em que o Grand Moff Tarkin diz que o Senado foi dissolvido em "Uma Nova Esperança", para deixar tudo mais claro. Felizmente, o material lançado junto com o filme nos EUA trouxe algumas respostas, e você pode conferi-lo AQUI. Fica claro, então, que existia uma espécie de Guerra Fria até aquele momento.

Por fim, não acho que a Base Starkiller deveria ter sido destruída já no começo dessa nova trilogia. Talvez fosse melhor ela nem estar em funcionamento ainda, deixando-a como ameaça para as sequências. Mas, se é para ela estar operante, gostaria mais que apenas a deixassem inutilizada, e e não que ela fosse obliterada por completo. E nem culpo tanto o engenheiro da mesma por sua destruição, pois dessa vez ainda tentaram proteger seu ponto fraco. Para se ter ideia, Han, Finn, Chewie e Rey tiveram que destruir a proteção por dentro para a X-Wing de Dameron poder invadir o ponto fraco e detonar a base, ou seja, houve um esforço muito maior. De qualquer modo, concordo com quem diz que tal ponto fraco poderia ser ainda mais protegido e próximo do núcleo da Starkiller. Aparentemente, engenharia não é uma profissão muito valorizada na Galáxia Muito Muito Distante, ou talvez eles também tenham problemas de superfaturamento por lá.

Há quem reclame que o roteiro de "O Despertar da Força" seja muito semelhante ao de "Uma Nova Esperança", e, embora eu concorde que eles tenham vários elementos em comum (o que achei bom e até necessário), a história contada pelo novo filme é outra, os acontecimentos semelhantes ocorrem em ordem diferente, e, a partir do momento da captura da Rey, as tramas divergem totalmente. Tem até quem desgoste da própria Rey e sua facilidade em controlar a Força, mas, como dito anteriormente, isso não foi a toa e certamente veremos uma explicação para tal no Episódio VIII.

DAISY RIDLEY E JOHN BOYEGA


Poderia parabenizar todos os atores por suas performances em Episódio VII. Desde o veterano Harrison Ford a aos mais novos Oscar Isaac e Adam Driver, todos entregaram atuações sólidas, convincentes, carregadas de emoção e qualidade, de modo que esse é facilmente o melhor Star Wars de todos no quesito. Até a Carrie Fisher, tresloucada e um "pouquinho" sequelada dos anos de abuso das drogas, mandou bem quando em cena.

O maior destaque, por outro lado, fica para os novatos Daisy Ridley e John Boyega. Os dois atores ingleses eram totalmente desconhecidos do público, nunca tendo feito nada relevante, e foram as melhores surpresas que os fãs poderiam ter. O desempenho de ambos é fantástico, não poderiam ter escolhidos pessoas melhores para liderarem este novo capítulo da franquia. Daisy domina todas as cenas em que está presente, sabendo se expressar, se posicionar, entonar sua voz... E nada soa ou parece artificial em momento algum. John, por sua vez, tem como sua maior qualidade a expressão corporal e o fantástico tempo e senso de humor, dando o tom cômico necessário e suficiente para o filme, do mesmo modo que ocorria nos originais.

Fico verdadeiramente feliz que o futuro da saga esteja em tão boas mãos, e que eles ainda serão vistos no mínimo pelos próximos dois longas. E o melhor de tudo é que os dois são muito jovens, ambos com 23 anos, e tem o potencial para crescerem, evoluírem e nos surpreenderem ainda mais. Suas carreiras serão acompanhadas com grande interesse.

O VEREDITO


Pelo texto, acho que ficou clara minha posição em relação ao filme. EU AMEI. Cada segundo dentro da sala do cinema foi mágico e único. E, por incrível que pareça, conseguiu ficar ainda melhor na segunda vez que assisti. Toda a minha espera de meses foi recompensada e minhas expectativas, que já estavam no teto, conseguiram ser superadas, graças ao cuidado, respeito e paixão envolvidos nessa que, sem dúvidas, pode e merece ser chamada de obra cinematográfica.

Apesar da longa análise, eu ainda não consegui abordar alguns dos meus aspectos favoritos, como o jeito que o duelo de sabres de luz foi apresentado, de forma mais realista e bruta, ao invés de algo repleto de firulas sem necessidade como na trilogia prelúdio. Ou o quão fantástica é toda a fotografia do longa em seu total, ou o ótimo ritmo que o filme possui. Ou até mesmo como os Stormtroopers finalmente parecem ameaçadores e finalmente tem precisão em seus tiros, ao mesmo tempo que ainda servem como bons alívios cômicos nos mais variados momentos. Isso só deixa ainda mais explícito o quão rico e cheio de detalhes o Episódio VII é.

De qualquer forma, acredito que tenha conseguido expressar no decorrer do texto o que "Star Wars: O Despertar da Força" tem de melhor. Visual fantástico, som de qualidade, atuações incríveis, personagens cativantes, boa e convincente trama, humor, aventura, drama, referências, homenagens, Millenium Falcon, sabres de luz, Força, batalhas espaciais, e uma conexão perfeita entre o antigo e o novo. Acima de tudo, uma experiência fantástica e única, pois jamais haverá novamente o sentimento de ver um novo Star Wars nos cinemas, depois de tanto tempo. Facilmente um dos melhores do ano, atrás apenas de "Mad Max: Estrada da Fúria".

...

Ah, quem eu estou querendo enganar? Dane-se Mad Max, ninguém ligava pra essa franquia até o lançamento do novo filme! "O Despertar da Força" é meu filme favorito de 2015. É Star Wars, voltando ao que jamais deveria ter deixado de ser, trazendo todos os personagens mais amados de volta e sendo liderado por uma das melhores protagonistas femininas já vistas. Nem mesmo os pequenos problemas reduzem a magnitude do que essa produção representa.

E que venha o Episódio VIII! Falta muito para maio de 2017 ainda?

NOTA: 9,0

FICHA TÉCNICA

"STAR WARS: O DESPERTAR DA FORÇA" ("STAR WARS: THE FORCE AWAKENS"), EUA/Inglaterra, 2015
Uma parceria LUCASFILM LTD e BAD ROBOT PRODUCTIONS
DIRETOR: J. J. Abrams
PRODUZIDO POR: J. J. Abrams, Kathleen Kennedy, Lawrence Kasdan, Bryan Burk, e outros
ROTEIRO POR: J. J. Abrams, Lawrence Kasdan e Michael Ardnt
MÚSICA POR: John Williams
ESTRELADO POR: Harrison Ford, Mark Hamill, Carrie Fisher, Adam Driver, Daisy Ridley, John Boyega, Oscar Isaac, Lupita Nyong'o, Andy Serkis, Domhall Gleeson, Anthony Daniels, Peter Mayhew e Max Von Sydow

TRAILER



TRILHA SONORA

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

ESPECIAL METAL GEAR SOLID - "They played us like a damn fiddle!"


Olá! Sou fã de Metal Gear Solid há muito tempo e, devido ao lançamento de "Metal Gear Solid V: The Phantom Pain" no próximo dia 01/09, resolvi fazer uma série de postagens especiais para celebrar tanto o novo game quanto o encerramento da épica criação de Hideo Kojima. Mas não contarei a trama da saga ou farei reviews de cada título, e sim falarei um pouco das minhas experiências com os jogos na ordem em que eu os descobri, coisa que, acredito eu, muitos irão se identificar.

Confira as postagens anteriores abaixo:
PARTE 1 - PARTE 2 - PARTE 3 - PARTE 4

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2012, mais uma vez.

Enquanto eu jogava "Peace Walker" tranquilamente no conforto da minha casa, já tendo terminado-o, algo aconteceu durante a Tokyo Game Show. Já tinha um tempo que rumores vinham circulando pela web, e eles foram confirmados com o anúncio de que um novo Metal Gear Solid estava a caminho. Anunciado como "Metal Gear Solid: Ground Zeroes", ele seria uma sequência direta de "PW" e traria Big Boss novamente ao protagonismo. E um trailer de 13 minutos foi lançado.

Aquilo era a coisa mais bela que eu já havia visto relacionada a video-games até então.

Um gráfico realista ao extremo, com todos os detalhes de feição humana e cenário possíveis de se imaginar. Efeitos de luz e água perfeitamente criados num mundo digital, graças ao poder da fantástica "FOX Engine". Um clima mais tenso do que tudo visto antes. Um novo, misterioso e desfigurado vilão, que aparentava ser o chefe de uma também nova e misteriosa organização. O retorno de personagens conhecidos como Chico e Paz. E aquilo sairia para Xbox 360. Cara, eu realmente precisava colocar minhas mãos naquele jogo o mais rápido que pudesse.

Em dezembro daquele mesmo ano, um game chamado "The Phantom Pain", desenvolvido por uma empresa desconhecida chamada "Moby Dick Studios" e com a direção de um tal de "Joakim Mogren" foi anunciado durante a Video Game Awards, e ele tinha gráficos extremamente semelhantes aos apresentados pela FOX Engine em "Ground Zeroes". Rumores e teorias se espalharam de que aquele se tratava na verdade do "Metal Gear Solid 5", fortalecidos por uma vasta gama de fatos (como Joakim = Kojima, esse Moby Dick Studios havia sido criado a pouquíssimo tempo e o personagem do vídeo era muito semelhante ao Big Boss). Tudo isso se confirmou em 2013 durante a Game Developer Conference, com Kojima revelando ser mesmo o tal Mogren e confirmando pela primeira vez "Metal Gear Solid V: The Phantom Pain". O jogo apareceu mais uma vez durante a E3 em junho, aproveitando o anúncio do PS4 e do Xbox One e sendo oficializado para tais consoles e também para X360, PS3 e PC.

OK, muito bacana, meu hype foi a mil com tudo isso. Mas e o tal do "Ground Zeroes"?

Hideo Kojima esclareceu a situação depois. No fim, ambos os games seriam lançados, mas eles seriam parte de algo maior, chamado por ele de "MGSV Experience". Assim, teríamos "Metal Gear Solid V: Ground Zeroes", servindo como um prólogo, e "Metal Gear Solid V: The Phantom Pain", que seria o jogo principal. Beleza, dois jogos, não tinha por que reclamar. Pouco depois, em 2013 mesmo, foi anunciado de que GZ seria lançado em 18 de março do ano seguinte para PS3, PS4, Xbox 360 e Xbox One. E lá fui eu direto embarcar no trem das expectativas...

Quando o jogo veio a público, porém, não foi exatamente o que se esperava.

A maior parte das críticas que "Ground Zeroes" recebeu foi por causa de sua duração. O jogo tem apenas uma missão principal, que pode ser concluída em cerca de 2 horas na primeira vez que é jogada e em apenas 5 minutos (ou até menos) caso um jogador habilidoso resolva fazer uma speed-run. Fora isso, ainda há mais 5 (ou 6, caso você jogue a versão de PC) missões extras, sem relação alguma com a trama. E isso é muito pouco quando se trata de um game que leva "Metal Gear Solid" em seu título. Mesmo com reconhecimento dos gráficos espetaculares e uma boa diversidade de extras, bem como o trabalho necessário para se conseguir 100%, muita gente disse esse não passava de uma "demo técnica".

Kojima se retratou após o lançamento e as críticas sofridas pelo título. Seu argumento foi o de que apenas lançou "MGSV:GZ" devido ao tempo necessário para o desenvolvimento completo do jogo principal, algo que ainda estava longe de ocorrer na época. Assim, o jogador poderia ter uma chance de conferir todas as novidades prometidas, além de ter um tempo para se acostumar a várias das novas mecânicas que estariam presentes em "TPP". E foi prometido conteúdos extras através da transferência de saves entre os dois capítulos.

Eu só tive a oportunidade de jogar "Metal Gear Solid V: Ground Zeroes" nesse ano, em junho, quando comprei a versão para PC (que só saiu em dezembro do ano passado). E, mesmo assim, joguei bem pouco, apenas completei a missão principal, pois estava sem tempo na época. Mas já foi o suficiente para me impressionar, seja com toda a beleza gráfica e os detalhes, o novo gameplay (atualizado e com comandos semelhantes aos dos FPSs atuais, pelo menos quando se usa um controle), a liberdade e as várias opções de como executar o objetivo. Mesmo assim, fico feliz de ter pego um bom desconto durante a Steam Summer Sale, pois o jogo realmente não vale o preço que ele foi vendido por aqui em sua versão para os consoles (muito embora ele seja bem mais barato para PC, corrigindo essa injustiça de certa forma).

Eu pretendia jogá-lo mais antes do lançamento de "Metal Gear Solid V: The Phantom Pain", mas nesse momento estamos às portas de seu lançamento... Bom, talvez ainda dê para aproveitá-lo, pois não sei quando conseguirei por as mãos no novo jogo. Eu só espero que seja logo (já estou movendo meus pauzinhos para isso faz um tempo).

E é isso.

"Tá, mas e o MGS4?"

Eu nunca joguei "Metal Gear Solid 4: Guns of The Patriots". Não tenho PS3, apenas X360. Mas já assisti todas as (8:30h) de cutscenes do game no Youtube, e devo dizer que fiquei extremamente satisfeito em como a história de Solid Snake foi concluída. A experiência de jogá-lo deve ser ainda melhor (como sempre é), e ainda espero um dia conseguir comprar um PlayStation 3, nem que seja apenas para esse propósito.

De qualquer forma, foi um prazer poder compartilhar minhas memórias e impressões sobre games que gosto tanto, e sem dúvidas são os meus preferidos, com uma boa distância para qualquer outro existente. Para finalizar, deixo aqui o trailer final de "The Phantom Pain", mostrando a evolução da franquia.



V HAS COME TO. Bom "Metal Gear Solid V: The Phantom Pain" para todos!

domingo, 30 de agosto de 2015

ESPECIAL METAL GEAR SOLID - "From now on... Call me Big Boss!"


Olá! Sou fã de Metal Gear Solid há muito tempo e, devido ao lançamento de "Metal Gear Solid V: The Phantom Pain" no próximo dia 01/09, resolvi fazer uma série de postagens especiais para celebrar tanto o novo game quanto o encerramento da épica criação de Hideo Kojima. Mas não contarei a trama da saga ou farei reviews de cada título, e sim falarei um pouco das minhas experiências com os jogos na ordem em que eu os descobri, coisa que, acredito eu, muitos irão se identificar.

Confira as postagens anteriores abaixo:

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"And, now, for something completely different..."

A essa altura, já tendo jogado 3 títulos por completo, eu achei que já conhecia Metal Gear Solid bem o suficiente e que nada mais poderia me surpreender. Felizmente, esse tal de Hideo Kojima discordava completamente disso.

"Metal Gear Solid: Peace Walker" saiu, originalmente, para PSP em 2010. E eu até cheguei a ter contato com o game uma vez através de um amigo, mas a falta de um segundo analógico no portátil não o tornava da experiência a mais agradável, e demoraria um pouco até eu me acostumar com os comandos adaptados. Sendo assim, acabei deixando-o de lado, até por achar que esse era um spin-off como "Metal Gear Solid: Portable Ops" e que contaria apenas partes pouco essenciais para o entendimento da história.

Vocês podem imaginar, então, qual foi minha reação ao me deparar com tal jogo remasterizado em HD incluso na coletânea para X360. Ainda por cima, sem seu antecessor junto. Dei uma pesquisada na internet, e só aí descobri que "Portable Ops" não havia sido dirigido por Kojima e por isso foi deixado de fora, sendo então considerado "parcialmente canon". "Peace Walker", por outro lado, era um jogo feito pelo criador da saga e, mais do que isso, o início de um novo e derradeiro capítulo no enredo de MGS, completando o que foi iniciado em 1987 com "Metal Gear" para computadores MSX.

Assim, dando procedência à minha maratona de jogatina em 2012, chegou a vez de jogar MGS:PW. Como dá pra imaginar, eu estava bem animado, pois era um jogo completamente inédito para mim.

Eis que o inesperado entra em ação.

"Novidade". Se tem alguma palavra para descrever "Metal Gear Solid: Peace Walker", é essa. Porque eu me deparei com algo que não era o que eu estava acostumado. Praticamente tudo foi mudado: menus, interface, apresentação, opções, modos. Até o "pré-título", algo que pouca gente dava atenção (quando notavam sua existência), mudou: o tradicional "Tactical Espionage Action" tornou-se "Tactical Espionage Operations". E essa modificação, por mais insignificante que pareça, representou uma virada radical no estilo do game.

Todos os jogos da franquia eram lineares, seguiam seu caminho e aconteciam de forma contida em si. Mas não "Peace Walker": o velho sistema de jogo foi substituído por missões. 33 principais e mais 128 extras, totalizando em 161. E agora você tinha que gerenciar a "Mother Base", o centro de operações da "Militaires Sans Frontieries" (uma alusão aos mundialmente famosos "Médicos Sem Fronteiras"), a nova organização militar de Snake e Kaz Miller (que já havia "aparecido" em MGS1), que começava como uma pequena plataforma marítima no meio do nada. E para manter o local, era necessário recrutar soldados, que podiam ser encontrados nas missões e extraídos através do "Fulton Recovery System" (um sistema que de fato foi usado pelo Exército Estadunidense). Quanto mais soldados e mais alta a classificação deles (dependendo também da especialização de cada um), mais a Mother Base evoluía. Não só isso: novos equipamentos e armas eram desenvolvidos e melhorados, os suprimentos iam sendo reabastecidos, integrantes feridos eram curados mais rápido. E sim, os outros membros da MSF podiam ficar feridos, pois era possível enviá-los em missões paralelas próprias, as "Outer Ops", nas quais não dava, porém, para controlá-los, apenas montar o melhor time possível e colocá-los em ação.

Claro que uma organização militar não estaria completa sem algumas máquinas de guerra. Era possível consegui-las também em missões, bastava não destruí-las em combate. Sim, havia meios para tal, bastava atingir apenas o piloto, e assim era possível pegar tanques, veículos blindados e helicópteros dos mais variados tipos. A parte mais legal, porém, era a oportunidade de construir seu próprio Metal Gear, o ZEKE, ao coletar partes "deixadas" pelos chefes ("Pupa", "Chrysalis", "Cocoon" e "Peace Walker", todos máquinas) e também roubar chips que formam suas inteligências artificiais. Quando pronto, você podia mudar suas cores e até mesmo adicionar algumas partes extras, também obtidas pelos chefões. Ah, e todo esse maquinário da destruição podia acompanhar os soldados durante as "Outer Ops".

Devido ao novo sistema de missões, o modo de se apresentar a história também foi modificado. As cenas em computação gráfica foram substituídas por uma espécie de história em quadrinhos animada na maior parte do tempo (devido às limitações do PSP), sendo algumas dessas interativas, parecendo minigames. Há também algumas gravações de áudio com informações complementares. E foi adicionada uma divisão por capítulos, que se referem mais ou menos a umas 5 ou 6 missões consecutivas. Tudo isso, ao meu ver, não interferiu em nada. Pelo contrário: só facilitou a compreensão da trama, que, aliás, é maravilhosa. Foi a primeira vez desde MGS3 que eu não sabia absolutamente nada sobre ela, então tive uma experiência quase única e aproveitei cada segundo daquele enredo que, surpreendentemente, se distanciava um pouco da completa (e fantástica) loucura da franquia e era algo mais leve e introspectivo, repleto de personagens interessantes como Amanda, Chico, Paz, Huey e Dr Strangelove. E Kaz se mostra um excelente parceiro, tem função essencial e só cresce no decorrer do jogo.

A coisa mais marcante, porém, é o tema oficial do jogo. "Heavens Divide", imortalizada pela voz de Donna Burke, é bela e tocante, estando facilmente entre as melhores músicas de toda a série. Fora, claro, que o momento que ela começa a tocar enquanto você enfrenta o Peace Walker é inesquecível.



Eu acho que fiquei jogando Peace Walker durante um mês de forma ininterrupta, ou até mais. É um jogo extenso e difícil, cheio de truques e elementos a serem coletados, soldados a serem obtidos, melhorias a serem realizadas e missões a serem desbloqueadas. Algumas delas, inclusive, só se você rejogar uma missão principal ou jogar uma (ou até algumas) missões alternativas. Então você ainda fica tentando se superar, obter algumas coisas extras nas fases, bater seu próprio tempo e rank, explorando todos os segredos... E aí realmente vai tempo. Um tempo de total diversão e cheio de surpresas.

Todas essas novidades, no fim, se tornaram essenciais para a série. "Ground Zeroes" usou de um esquema semelhante e "The Phantom Pain" trará as missões e a Mother Base de volta. Nada mais justo, pois o sistema é extremamente divertido e um dos pontos mais altos de "Metal Gear Solid: Peace Walker", hoje considerado importantíssimo para o cânone da saga pela ligação direta com seu quinto título. E só não o considero o melhor MGS já feito porque ele apresenta algumas pequenas limitações na jogabilidade e não tem nenhum chefe humano. Não fosse por isso, ele teria força o suficiente para se igualar a MGS1 e MGS3, quem sabe até mesmo superá-los. Mesmo assim, ele também tem um lugar muito especial no meu coração.

Ah, e a versão remasterizada em HD tem suporte para o segundo analógico dos controles de PS3 e X360. Ainda bem.

A seguir: seja tocado como um maldito violino.

PS: esqueci de dizer, mas PW tem dois finais: um parcial e um definitivo. Então, se você ainda pretende jogá-lo, está dada a dica. De nada.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

ESPECIAL METAL GEAR SOLID - "I'm like you, I have no name."


Olá! Sou fã de Metal Gear Solid há muito tempo e, devido ao lançamento de "Metal Gear Solid V: The Phantom Pain" no próximo dia 01/09, resolvi fazer uma série de postagens especiais para celebrar tanto o novo game quanto o encerramento da épica criação de Hideo Kojima. Mas não contarei a trama da saga ou farei reviews de cada título, e sim falarei um pouco das minhas experiências com os jogos na ordem em que eu os descobri, coisa que, acredito eu, muitos irão se identificar.

Confira as postagens anteriores abaixo:
PARTE 1 - PARTE 2

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É, eu joguei Metal Gear Solid na ordem reversa: primeiro o 3, depois o 2 e, por fim, o 1. E acabou sendo uma experiência muito interessante.

Já havia um tempo que eu vinha tentando jogar "Metal Gear Solid", um dos maiores clássicos do PlayStation 1. Eu tinha os dois CDs em mãos e tinha um emulador que rodava o jogo muito bem. Mas, nas minhas primeiras tentativas, eu nem chegava até o elevador e via o título, ou seja, basicamente eu não jogava. E não sei por quê. Talvez o fato de já saber a história e, especialmente, ter lido a ótima HQ que conta a trama do jogo me afastava de prosseguir. O enredo de MGS sempre foi uma coisa importante para mim, mas uma vez que eu já sabia toda essa parte por completo, não via grandes motivos para me aventurar pela ilha de Shadow Moses.

Até que chegou 2012. Nesse fatídico ano, já citado por mim nos dois posts anteriores, passei por alguns momentos complicados na minha vida, fiquei bem pra baixo e procurei por coisas que pudessem me distrair. Aliado a isso, eu consegui a "Metal Gear Solid HD Collection" para Xbox 360 e, como eu não tinha nada muito mais importante para fazer (exceto a parte de estudar para o vestibular... Não repitam isso, crianças, foi muito irresponsável da minha parte), pensei "Quer saber? Vou jogar todos os jogos em sequência". Incluindo o MGS1.

E olha, se arrependimento matasse... Eu certamente não estaria escrevendo esse texto por conta desse jogo. Como eu pude deixá-lo passar por tanto tempo? Pensando agora, talvez eu não tenha aprendido direito a lição de que ler a história e vivenciar a experiência completa são coisas completamente distintas. E, se eu havia a aprendido, ela certamente foi reforçada, e nunca mais cometi esse terrível erro novamente. Nem mesmo com "Quarteto Fantástico".

O primeiro "Metal Gear Solid" fez milagres com o hardware que o PS1 tinha. Belos gráficos, especialmente por ter sido lançado em 1998, uma atmosfera extremamente envolvente, cenários bem criados, inteligência artificial de primeira, ambientes que passam a sensação da vida presente neles, uma fantástica e marcante trilha sonora (com um "Alert Theme" que até hoje me aterroriza), ação stealth minuciosamente criada e controles impecáveis, práticos e perfeitamente responsivos. Junto a tudo isso, temos a visão cinematográfica de Hideo Kojima que só enriquece a experiência e a faz tudo parecer um grande filme interativo.

Agora, onde eu já li tudo isso? Ah sim, eu mesmo falei essas coisas quando escrevi sobre MGS2 e MGS3! Essa foi a parte mais interessante de ter jogado esse clássico: ver que os melhores elementos da franquia estiveram presentes desde o começo, e Kojima só foi evoluindo-os e aperfeiçoando-os com o passar do tempo e as inovações da tecnologia. Mesmo os jogos que deram início a tudo, "Metal Gear" e "Metal Gear 2: Solid Snake", já possuíam um pouco disso, mas, quando o "Solid" passou a fazer do título, essas coisas foram elevadas a um novo patamar e se tornaram a marca registrada da saga.

E a trama é muito melhor sendo jogada do que lida numa HQ (óbvio, afinal ela foi pensada para funcionar em um formato e não para o outro). Além de ser fantástica, claro. Tantos momentos emocionantes, reviravoltas e diálogos marcantes, protagonizados por personagens que, para mim, são os mais empáticos de toda a série. Mesmo os vilões tem seu carisma, e são figuras-chave de algumas das melhores cutscenes de "Metal Gear Solid". Sério, como não sentir-se tocado ouvindo, principalmente, as histórias de vida de Psycho Mantis e Sniper Wolf, dois dos favoritos dos fãs? E ainda temos Liquid Snake, o antagonista principal e líder do grupo FoxHound, que é quem revela um dos maiores plot twists do game. Mas é em MGS1 que conhecemos Revolver Ocelot, personagem essencial para quase todos os eventos que envolvem este e os jogos que vieram em seguida. E desde sua primeira aparição podemos ver o quão diferenciado o lendário pistoleiro é.

O que eu mais gostei, porém, foram as boss battles. São as melhores e mais criativas de toda a franquia. Todas excelentes e desafiadoras, e cada uma com sua peculiaridade, o que as torna ainda mais incríveis. Quem não sofreu para derrotar o Hind D ou o Metal Gear REX? Quem não travou um duelo épico de snipers contra Sniper Wolf? Quem não se sentiu acuado ao enfrentar o brutal Vulcan Raven? E, principalmente, quem não socou o Liquid com gosto durante o confronto final? E isso que nem mencionei as batalhas emocionantes contra Ocelot e Cyborg Ninja. A minha preferida, porém, é contra Psycho Mantis. Porque, além de não ser lá uma tarefa simples, ela quebra a quarta parede dos mais fantásticos modos possíveis: o oponente lê "sua mente" (no caso, seu Memory Card) e pode realizar comentários caso ache algum save de títulos da Konami, te obriga a trocar o controle para a porta 2 (caso contrário ele detectará todos os seus movimentos) e pode fazer objetos se moverem na vida real, pedindo para você colocar seu controle sobre uma superfície plana e movendo-o para o lado (caso ele tenha a função Rumble, que o faz tremer). Um verdadeiro toque de gênio, que só poderia ter saído da da brilhante mente de Hideo Kojima. Caso esteja afim, relembre um pouco deste épico confronto:



Como eu já disse, me arrependo muito por não ter jogado "Metal Gear Solid" antes. Eu amei o jogo em todos os seus aspectos, mesmo só tendo terminado-o 14 anos após seu lançamento. Por incrível que pareça, esse game também envelheceu muito bem pois, mesmo com seus gráficos claramente ultrapassados (ainda que sejam da melhor qualidade possível para o PS1), o gameplay e a apresentação parecem mais atuais que nunca, o som ainda é ótimo e a história lida com temas atemporais. Ou seja, ele estava muito a frente de seu tempo. E até hoje tenho dúvidas se meu favorito da saga é o MGS1 ou o MGS3, mesmo eu amando este último de uma forma especial. Mas a única conclusão que posso chegar é que ambos tem o direito a ocupar tal posto, cada qual por suas qualidades e a marca que deixou em minhas memórias.

E sim, também tenho um carinho único por MGS1, porque ele foi essencial para eu sair daquele estado de tristeza em que me encontrava. Especialmente pela cena final, e toda a reflexão feita nela por Solid Snake e Meryl. Jamais me esquecerei daquelas palavras.

Ah é, dá pra obter dois finais, um bom/definitivo e um ruim/alternativo! Cara, esse jogo é mesmo demais!

OK. Trilogia encerrada. E agora?

Próxima parada: NICARÁGUA.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

ESPECIAL METAL GEAR SOLID - "Raiden, turn off the game console right now!"


Olá! Sou fã de Metal Gear Solid há muito tempo e, devido ao lançamento de "Metal Gear Solid V: The Phantom Pain" no próximo dia 01/09, resolvi fazer uma série de postagens especiais para celebrar tanto o novo game quanto o encerramento da épica criação de Hideo Kojima. Mas não contarei a trama da saga ou farei reviews de cada título, e sim falarei um pouco das minhas experiências com os jogos na ordem em que eu os descobri, coisa que, acredito eu, muitos irão se identificar.

Confira a postagem anterior abaixo:

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Eu joguei a série Metal Gear Solid numa ordem completamente errada. E agora essa frase fará sentido.

Depois de jogar "Metal Gear Solid 3", eu fiquei fascinado pela franquia. Queria saber tudo, jogar tudo. Mas, infelizmente, não achava os demais games em lugar nenhum (afinal, se o mais recente já foi complicado de conseguir, o quão impossível seria encontrar os outros), não tinha dinheiro para comprar um PSP e jogar "Metal Gear Solid: Portable Ops" (que teoricamente deveria ser uma sequência para os eventos de "Snake Eater", mas não foi dirigido por Kojima, e hoje é considerado "parcialmente canon") e um PS3  aqui no Brasil ainda era absurdamente caro, logo não tinha nem chances de comprá-lo e esperar por "Metal Gear Solid 4: Guns of the Patriots". O que eu fiz, então? Li tudo em fóruns e afins (inclusive, abraço para a galera da comunidade "Metal Gear Solid BRASIL" do finado Orkut, que disponibilizou muito conteúdo em português). Foi basicamente um mestrado em MGS.

E ficou assim por bom tempo. 4 anos se passaram e, embora eu nunca tenha me esquecido da franquia, acabei jogando muitos outros títulos, me tornei um viciado em Guitar Hero/Rock Band, consegui um PC melhor e aprendi a baixar e gravar jogos (heh). Houve uma época que eu tinha conta no Black Cats, um dos sites de torrents privado mais famosos e cobiçados da internet, e, como o PS2 já estava quase sem lançamentos, tive uma ideia brilhante: baixar "Metal Gear Solid 2: Sons of Liberty", que nunca estava ativo em outros sites de torrent, para me divertir e passar o tempo. Afinal, eu já conhecia a história toda (inclusive tinha lido a HQ baseada no primeiro MGS, estando teoricamente bem situado), então não seria exatamente surpreendido.

Mas, cara, como eu estava enganado. Eu fui surpreendido. BEM surpreendido. Não pela trama-base em si, e sim pelos pequenos detalhes. Mas antes, vamos mais uma vez falar de aberturas:



Essa introdução é genial. Diversas cenas, todas focadas em Solid Snake, se passando durante a primeira parte do jogo, dando a entender que ele quem seria o protagonista, e só nos últimos segundos que aparece o Raiden. O vídeo remete a todo o material de divulgação do game, que fez a mesma coisa e escondeu o loirinho que é o verdadeiro protagonista do jogo. Eu já sabia quando joguei, e hoje isso é senso comum, mas foi uma verdadeira polêmica na época de lançamento (e até hoje há quem torça o nariz). Uma coisa é certa: Kojima "trollou" o mundo, antes mesmo de "trollar" ter algum significado. Ponto para ele.

Falando do jogo em si, eu de fato fiquei surpreso, feliz e me diverti demais com ele. Basicamente toda a mecânica que eu havia encontrado em MGS3 estava ali, com exceção, obviamente, dos elementos inovadores de sobrevivência. Os cenários também estavam longe do esplendor e da área colossal das florestas soviéticas, mas Big Shell era extremamente bem feito, com vários níveis e poderia facilmente confundir o jogador, sendo quase um labirinto. E também tinha animais pelo local (quem nunca pisou no cocô de gaivota e escorregou, não é mesmo?), embora você não pudesse, e nem precisasse, se alimentar deles. Não dá pra dizer que jogar MGS2 depois de seu sucessor foi exatamente um downgrade, mesmo tendo gráficos obviamente inferiores, mas ainda assim muito bons, ainda mais se considerarmos a época que foi feito (o game saiu em novembro de 2001, pouco mais de um ano e meio depois do lançamento do PlayStation 2 no mercado). Ele continuava muito atual, e mal dava para perceber tanto os 4 anos que os separavam.

E, mesmo já "conhecendo", a história conseguiu me pegar de assalto. Porque eu só conhecia o que havia lido, e obviamente deixaram muita coisa de lado. Todo o desenvolvimento de Raiden e a evolução da trama, além dos vários momentos emocionantes e personagens que se destacam, são pontos extremamente interessantes, e que apenas o game pode te proporcionar. Foi com "Metal Gear Solid 2" que eu aprendi uma valiosa lição: "ler é uma coisa, jogar é outra completamente diferente". Porque há coisas que só a experiência completa pode te fornecer, como foi exatamente o caso aqui. Especialmente na parte final do game, quando você acha que sua cópia veio com problema, Coronel Campbell fica completamente louco (o que você pode conferir aqui, por sua conta e risco), você fica todo confuso e então é revelado o grande plot twist. Aliás, Kojima pode falar que o tema desse jogo é MEME, mas o enredo todo trata de MANIPULAÇÃO. Os protagonistas foram manipulados de um jeito que nem mesmo o mais visionário dos fãs poderia ter previsto na época. Assim como esses mesmos fãs foram manipulados em toda a divulgação. Filho da mãe. Mais um ponto para ele.

As férias de inverno de 2009 (que também é quando a maior parte do jogo se passa, curiosamente) foram muito melhores graças a "Sons of Liberty", e acabei zerando-o duas vezes. Revisitei o jogo novamente em 2012, também remasterizado em HD, mas que usava como base a versão "Substance", com diversas "VR Missions", melhorias, a dificuldade "European Extreme" e uma coleção expandida de dog tags a serem coletadas. Também tive a oportunidade de reparar em detalhes que haviam passado despercebidos, inclusive uma das falas finais de Snake, que também se tornou favorita para mim, graças a seu teor puramente filosófico:

"Life isn't just about passing on your genes. We can leave behind much more than just DNA. Through speech, music, literature and movies...what we've seen, heard, felt...anger, joy and sorrow...these are the things I will pass on. That's what I live for. We need to pass the torch, and let our children read our messy and sad history by its light. We have all the magic of the digital age to do that with. The human race will probably come to an end some time, and new species may rule over this planet. Earth may not be forever, but we still have the responsibility to leave what traces of life we can. Building the future and keeping the past alive are one and the same thing."

Tem muitos fãs por aí que dizem não gostar de "Metal Gear Solid 2", seja por conta da mudança de protagonista ou por não terem sentido o mesmo impacto que os demais títulos da franquia tiveram. E, de fato, é um game "estranho". Mas no bom sentido da palavra. Talvez sua complexidade espante muita gente, além de todas as loucuras de Hideo Kojima (que estava inspiradíssimo durante todo o processo criativo). Particularmente, acho-o genial e extremamente subestimado, justamente por causa desses elementos, e por ter uma das melhores quebras de quarta parede que já vi. Não é meu favorito, mas chega muito próximo, e certamente possui um espaço especial em meu coração.

Ah! Lembra que falei da revista "Dicas e Truques para PlayStation" no post anterior? Acontece que eu também tinha a edição com o review de MGS2, que comprei por causa do guia de "Harry Potter and the Socerer's Stone" para PS1 quanto tinha uns 6 anos de idade. Esse foi meu real primeiro contato com a franquia, mesmo sem ter entendido muita coisa e me interessado bem pouco. Mas acho que, no fim das contas, era mesmo pra ser, certo? Fora que foi muito bacana ler o texto depois de todo aquele tempo e ver o jogo ser tão ovacionado.

E, quando achei que a franquia já havia me oferecido tudo de melhor, depois de dois ótimos jogos, eis que mordi minha língua novamente. "The Best is Yet to Come", já dizia o título dá música...