segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

ANALISANDO - "STAR WARS: O DESPERTAR DA FORÇA" (2015)


Ah, Star Wars... A franquia que mais marcou minha vida está de volta. Foram 3 anos de espera desde o anúncio da compra da Lucasfilm pela Disney e a divulgação, no mesmo dia, que uma nova trilogia de Star Wars seria desenvolvida. Desde então, fui acompanhando cada nova notícia divulgada, cada imagem mostrada, cada vídeo lançado, sempre criando mais e mais expectativa pelo que estava vendo, aguardando todo dia mais ansiosamente para que "Star Wars: O Despertar da Força" fosse lançado. Pois bem, esse dia finalmente chegou, mais de uma semana atrás. Até o momento, já vi o filme duas vezes no cinema. E, cumprindo meu papel como fã e apreciador da sétima arte, acho justo vir até aqui compartilhar minhas opiniões sobre o longa, este que foi provavelmente o mais aguardado de todos os tempos.

Antes de mais nada, acho válido parabenizar o marketing da Disney e da Lucasfilm por toda a sutileza no trabalho de divulgação. Tão pouco foi divulgado nas imagens, nos trailers e nos comentários do elenco e da equipe que foi o suficiente pra deixar todo mundo animado ao mesmo tempo que não estragou a experiência para ninguém. Sei que chegou um momento, após a divulgação do último trailer, que vários vídeos começaram a ser lançados, mas eles não mostravam quase mais nada além do que já havia sido visto. Então, parabéns, obrigado, e espero que continuem com essa abordagem para a campanha dos dois próximos filmes (gostaria que se aplicasse a filmes em geral, mas sei que isso não vai acontecer).

E devo ressaltar também que este texto conterá SPOILERS. Sim, repito, SPOILERS. Então, se você ainda não assistiu "Star Wars: O Despertar da Força", pare de ler o texto aqui e agora. Acredite, VOCÊ NÃO QUER RECEBER SPOILERS DA TRAMA.

Enfim. Como foi, então, ver um novo Star Wars na tela do cinema, mais de 10 anos depois do lançamento de "A Vingança dos Sith"?

O RETORNO A UMA GALÁXIA MUITO, MUITO DISTANTE


"Star Wars: O Despertar da Força" tinha um grande desafio: trazer novamente a magia da franquia para as telas, após a má recepção da trilogia prelúdio, feita inteiramente por George Lucas. Mais do que isso, precisavam apresentar a saga para uma nova geração, ao mesmo tempo em que deveriam satisfazer as expectativas dos fãs de longa data. Com isso em mente, a equipe de produção decidiu levar em consideração tudo o que havia feito sucesso. Games, livros, quadrinhos, a animação "Clone Wars" e, é claro, a trilogia original, composta por "Uma Nova Esperança", "O Império Contra-Ataca" e "O Retorno de Jedi".

Através disso, moldaram os personagens do filme, a trama, referências, cenários... Repaginaram o Império e a Aliança Rebelde como a Primeira Ordem e a Resistência e os trouxeram para um novo contexto político, em que a Nova República governa a Galáxia. Descartaram o uso predominante de fundos verdes e computação gráfica, e voltaram ao básico, usando efeitos práticos, localizações existentes e cenários reais, assim como nos filmes originais. E, obviamente, as grandes marcas registradas de Star Wars, como o letreiro e a música tema, foram resgatadas.

E o êxito foi obtido, devo dizer, com toda a glória e louvor. O longa fez eu me sentir em casa, com todos os seus elementos familiares, mas que ao mesmo tempo não são meras cópias. A utilização dos efeitos práticos foi a melhor decisão que poderia ter sido tomada para esse filme, pois tudo em tela parece extremamente vivo, real, tátil e convincente, algo que dificilmente seria alcançado com o uso exacerbado de CGI. Na verdade, o uso de criaturas, fantasias e droides funcionais fez com que as poucas vezes que a computação foi usada em tela ficassem um pouco deslocadas, vide Maz Kanata e Líder Supremo Snoke, que, apesar do excelente trabalho feito em suas criações e captura de movimentos, não ficaram tão convincentes quanto o resto.

A maior prova desse sucesso pela equipe de efeitos se dá pela criação de BB-8. O pequeno robozinho esférico foi desenvolvido para funcionar plenamente. Sim, ele realmente existe e sai rolando por aí sem maiores problemas. O trabalho realizado com o droide foi simplesmente fantástico e o tornou ainda mais real, sendo facilmente uma das melhores coisas do filme. O mesmo pode ser dito sobre R2-D2, que, apesar de ter pouco tempo de tela, também é completamente automatizado (o que deve ser um alívio para o ator Kenny Baker, por não ter mais que passar horas e horas de gravação enlatado).

E eu nem citei os demais elementos que fizeram de Star Wars um sucesso. A Força, sabres de luz, naves, batalhas espaciais bem feitas... Tudo está lá, devidamente atualizado e ainda extremamente comovente. Quando Han Solo diz "Chewie, estamos em casa", acredito que essa fala traduza o sentimento de todos os espectadores.

APRESENTANDO O NOVO E HONRANDO O ANTIGO


Então, que ótimo que esse resgate dos velhos efeitos e elementos deu certo. Mas um filme não pode viver apenas disso e da nostalgia dos fãs ao verem algumas de suas coisas favoritas na tela. Ele precisa de novidades.

E elas existem, sendo apresentadas da melhor maneira imaginável. Isso se aplica, principalmente, aos personagens. Novas faces foram introduzidas à franquia, e desde o primeiro momento elas já se mostram facilmente relacionáveis. Para começo de conversa, nada melhor do que falar da Rey, a sucateira que na verdade é a grande protagonista de "O Despertar da Força". Forte, destemida, ágil, talvez um pouco teimosa, mas carismática o suficiente para liderar a história e a franquia pelos próximos anos. Junto a ela temos Finn, o desajeitado Stormtrooper desertor que possui um bom coração e tem um fantástico tempo de comédia, ao mesmo tempo que vê sua coragem crescer com o decorrer do longa. Há também de se falar de Poe Dameron, o melhor piloto da Resistência que aparentemente também é o cara mais legal daquela galáxia. E, claro, BB-8, o droide de Poe, que nos fornece algumas das melhores cenas do filme e ainda consegue se expressar e demonstrar emoções. Novamente digo: uma das melhores coisas do novo Star Wars.

Do lado dos caras maus, também temos novas peças. O antagonista principal e de maior destaque é Kylo Ren, um fantástico personagem e vilão em construção que tem potencial para se tornar um dos grandes. Instável, descontrolado, impaciente e cheio de si, ele tem a ambição de ser tão poderoso quanto Darth Vader, mas é exatamente o oposto de seu avô. Sim, ele ainda por cima é um Skywalker, filho de Leia com Han Solo, dando continuidade ao legado amaldiçoado da família. Ao seu lado, encontra-se General Hux, um militar que parece ter sido moldado diretamente pela juventude nazista, com seus grandiosos e vagos discursos e tendo fascínio pelo belicismo. E, liderando toda a Primeira Ordem ao mesmo que disciplina Ren nos caminhos do Lado Sombrio da Força, há o Líder Supremo Snoke, uma figura enigmática, de face toda distorcida e repleta de cicatrizes, da qual pouco se sabe sobre, exceto de que ele já existe há centenas de anos e é sábio. Entretanto, é alguém cuja presença impõe respeito imediato.

Merecem destaque também alguns personagens secundários, como Unkar Plutt e Maz Kanata que, embora com pouco tempo de tela, tem papéis fundamentais para o desenvolver da trama. As novidades, porém, não se resumem a isso. Foram criados novos planetas, como Jakku, Takodana e todo o Sistema Hosnian. É em Takodana, inclusive, que temos uma das mais belas cenas do filme, com a Millenium Falcon sobrevoando o lago do local. Há novas naves, raças alienígenas, droides secundários. Até uma nova arma de destruição em massa foi criada: a Base Starkiller, um híbrido de planeta com a Estrela da Morte que usa a energia de estrelas para realizar seus disparos e destruir tudo o que há pela frente. Ela serve como lar da Primeira Ordem e é uma ameaça ainda maior do que as que já foram vistas antes.

Todos esses novos elementos, porém, não significam que tudo feito anteriormente foi esquecido, descartado e substituído. Muito pelo contrário. Aliás, esse é um dos maiores trunfos de "O Despertar da Força": todo o seu respeito e celebração ao material original, com a inclusão de diversas referências e fan-services nada gratuitos, cria o elo entre os fãs e tudo que foi apresentado pelo novo filme. E o melhor de tudo é que eles resgataram os personagens que pelo menos 3 ou 4 gerações cresceram amando. Han Solo, Chewbacca, Leia, Luke, C-3PO, R2-D2, estão todos lá, interagindo de forma fantástica com os novatos e tendo tempo de tela o suficiente para alegrar a todos. E não acaba por aí: o retorno da Millenium Falcon (e as incontáveis referências dentro da própria), X-Wings e Super Star Destroyers caídos no deserto de Jakku, a repaginada no visual dos Stormtroopers, diversas falas... Até mesmo a Base Starkiller é uma homenagem óbvia às duas Estrelas da Morte, ao mesmo tempo que é uma evolução lógica do pensamento dos remanescentes do Império Galáctico nos 30 anos que separam o longa de "O Retorno de Jedi".

O melhor exemplo dessa conciliação entre o novo e o antigo se dá, ao meu ver, durante a cena em que Finn tenta usar o canhão da Millenium Falcon. Ele havia acabado de sair de uma das novas TIE Fighters, com seus controles todos modernos e de fácil manuseio, e então se depara tendo que usar aquele trambolho, todo duro, difícil de acertar a mão e que ainda conta só com aquela telinha que usa um 3D bem básico, que era o melhor que se podia obter com os efeitos digitais em 1977, quando "Uma Nova Esperança" foi lançado. Um momento bem divertido de se assistir, mas com um significado muito maior por trás (e que ainda serve como um indicativo de como a tecnologia evoluiu na Galáxia durante todos esses anos).

"O LADO SOMBRIO... E A LUZ"


"Star Wars: O Despertar da Força" não tem esse título a toa.

Um dos maiores destaques do filme se dá pela maneira como ele apresenta a Força para a audiência. Durante a saga, sempre se ouviu sobre sua magnitude, que o poder de destruir um planeta nada era comparado a ela, que a mesma envolvia todas as formas de vida e fluía sobre elas. Entretanto, pouco foi de fato mostrado além da levitação de alguns objetos (o mais impressionante sendo a X-Wing levitada por Yoda em "O Império Contra-Ataca"), enforcamento sem o uso das mãos, truques mentais e raios. O clamor dos fãs por mais sempre foi grande desde o fim da trilogia original, e acabou não sendo correspondido nos episódios I, II e III, agravando ainda mais a decepção com os mesmos.

Felizmente, o novo longa cumpre esse papel de modo esplendoroso. Nunca a Força esteve tão visceral em tela. Novas habilidades foram demonstradas, como conseguir parar um tiro de laser no ar, congelar uma pessoa por completo, vasculhar a mente de alguém, torturar e até mesmo resistir à tortura (e ainda conseguir revertê-la). As aparições de Kylo Ren são puro deleite para qualquer fã por conta disso, especialmente sua entrada, na qual ele deixa o disparo parado ao mesmo tempo em que congela Poe Dameron, assassina Lor San Tekka, dá mais alguns comandos, sai de cena e só então deixa o projétil prosseguir seu caminho. É um tipo de domínio jamais visto, nem mesmo Darth Vader chegou a demonstrar tamanho poder antes (muito devido às limitações da época, mas enfim).

Outra coisa relacionada à Força que a película soube fazer foi diferenciar as duas facetas da mesma. O Lado Sombrio tem como seu principal representante o próprio Kylo Ren, que é alguém descontrolado, dominado por sua raiva e suas demais emoções, com um constante conflito dentro de si, tendo que, curiosamente, resistir ao chamado da bondade. Oposto a ele está Rey, a figura fluente na Luz, que é alguém forte e centrada, além de moldada pelas dificuldades da vida no deserto de Jakku. Essa divisão se mostra bastante clara em dois momentos: o primeiro deles é através da fantástica fotografia da cena da (triste e inacreditável) morte de Han Solo, na qual o mesmo fica cara a cara com seu filho, que tem sua face parte coberta pela luz e parte sombra, até que a luminosidade, proveniente da estrela que estava recarregando a Base Starkiller, some, o rosto de Ren fica dominado pela escuridão e ele então assassina seu pai. O segundo momento se dá na batalha final entre Kylo e Rey na floresta, a qual está completamente escura, tendo iluminação apenas pelas lâminas dos sabres de luz, além, é claro, do antagonista usando da dor de seu ferimento para conseguir força para o confronto, enquanto a garota mantem-se focada e deixa a Força fluir para enfrentá-lo.

Aliás, é importante falar sobre a Rey. Como citado anteriormente, ela é a protagonista do filme e, não a toa, é nela que ocorre "o despertar da Força". E ela é muito poderosa com a Força. Poderosa até demais. De alguém que achava que a Força era apenas um mito para alguém que conseguiu resistir à tortura de Kylo Ren, usou truque mental em um Stormtrooper para ser libertada, puxou o sabre de luz da neve e deixou que a própria Força guiasse seus movimentos durante o confronto final, ela com certeza aprende rápido. Ou a Força sempre esteve com ela, mas a jovem nunca soube disso. Ou então já teve treinamento Jedi prévio quando muito nova, antes de ser deixada em Jakku. O fato é que seu passado ainda é um mistério, pouco se sabe sobre quem é sua família ou sobre o que aconteceu em seu passado, mas uma coisa é certa: todo esse domínio e facilidade não foram a toa, e também não serão ignorados nos episódios VIII e IX. Então, preparem-se para uma boa explicação sobre as origens da sucateira, que já é uma das favoritas de muitos (eu incluso).

"MÚSICA POR JOHN WILLIAMS"


Quando a Disney anunciou a produção de "Star Wars: Episódio VII", uma das minhas maiores preocupações foi "quem iria compor a trilha sonora?", pois toda a saga teve sua música composta pelo genial John Williams. Isso se agravou um pouco quando J.J. Abrams foi confirmado como diretor, pois ele costuma trabalhar com Michael Giacchino nas trilhas de seus filmes e, embora este seja fantástico, John Williams é incomparável, e isso também acabaria com a tradição da franquia.

Felizmente, alguns meses depois, Williams foi confirmado não apenas para este longa, mas como compositor de toda a nova trilogia. E, assim, eu pude respirar aliviado, pois o homem por trás dos temas não apenas de Star Wars, mas também de Indiana Jones, Superman, ET - O Extraterreste, Jurassic Park, Harry Potter, entre muitos e muitos outros filmes com músicas memoráveis, estava de volta. Pelo menos musicalmente o filme já estava garantido (porque, convenhamos, mesmo muita gente não gostando da trilogia prelúdio, é inegável o quão fantástica a trilha daqueles filmes é).

E devo confessar uma coisa: da primeira vez que assisti ao filme, quase não reparei nas músicas, talvez por estar embasbacado com o espetáculo visual e as novidades que me foram apresentadas, e provavelmente porque toda minha ansiedade para finalmente ver o novo Star Wars tenha me tirado o foco. Duas das novas me chamaram a atenção: a que toca quando vemos as primeiras cenas da Rey em Jakku e quando a própria está subindo as escadas e montanhas da ilha no planeta em que Luke Skywalker está. Mas fora isso, nada mais me prendeu tanto a atenção.

Então, fui ouvir a trilha sonora quando cheguei em casa. E fui surpreendido, porque aquilo tudo era muito bom e eu não lembrava de quase nada daquelas faixas tocando nas 2:16h que fiquei sentado no cinema. Quando fui ver pela segunda vez, consegui reparar, entre várias outras coisas, no quão boas as músicas eram e como elas combinavam com o ritmo do filme, praticamente ditando-o. Mais um trabalho de gênio para a conta de John Williams.

O tema de destaque da vez é justamente a música "Rey's Theme", que é belíssimo, evolui tal qual a personagem para quem é destinado durante o filme e possui um leve toque de Harry Potter em sua composição. Além disso, é a que mais se faz presente na trilha sonora, tendo seus trechos principais reproduzidos em 6 ou 7 outras faixas. Merecem destaque também "Kylo Ren Arrives at the Battle", que marca uma ameaçadora passagem que sempre toca durante as aparições do antagonista, "March of The Resistance", o tema da Resistência que parece uma fanfarra de guerra no melhor estilo dos filmes sobre a Segunda Guerra Mundial, e "The Jedi Steps and Finale", que é reproduzida durante o encontro entre Rey e Luke nos minutos finais de "O Despertar da Força" e já é emendada com o ótimo medley dos créditos.

A única reclamação que eu posso fazer sobre a trilha sonora é que, fora "Rey's Theme" e "March of The Resistance", não há nenhuma outra grandiosa e contínua música, a exemplo das clássicas "Imperial March" e "The Asteroid Field". Mas isso é quase irrelevante, pois a trilha de "Uma Nova Esperança" também não conta com os grandes e favoritos temas, que só vieram em "O Império Contra-Ataca" e "O Retorno de Jedi". Então, acredito que faixas mais completas para a Primeira Ordem e também para Kylo Ren venham no Episódio VIII.

E, hey, John Williams já está com 83 anos. É incrível que ele tenha entregue algo de tão alto nível com uma idade tão avançada. Genialidade é algo que não se perde, e eu mal posso esperar para ouvir as composições das duas vindouras sequências.

A FORÇA É PODEROSA NESSE FILME,  MAS NEM SEMPRE


Embora eu só tenha elogiado "Star Wars: O Despertar da Força" até agora, é necessário reconhecer que o filme tem sim seus problemas. Esse foi, inclusive, um dos motes das conversas que tive com amigos sobre ele: que é ótimo, mas não é isento de falhas. Nada muito grande que o transforme em um novo "A Ameaça Fantasma" ou "O Ataque dos Clones", mas o suficiente para incomodar um pouco e digno de nota em qualquer análise feita.

Em primeiro lugar, Capitã Phasma. Que propaganda enganosa. Divulgada como poderosa, intimidadora e cruel, ela, que é uma Stormtrooper cromada e que ainda usa capa, não mostrou ao que veio em Episódio VII, sendo completamente inútil e, ainda por cima, alvo da piada sobre o compactador de lixo, referência à icônica cena de "Uma Nova Esperança". Eu sinceramente espero que ela retorne para o próximo filme e tenha uma participação que faça jus a sua tão imponente imagem, especialmente depois de ser caçoada por Finn, anteriormente seu subordinado.

Outra coisa que incomodou a mim e quase todos com quem falei foi a falta de maiores explicações sobre a situação política da Galáxia naquele momento. É dito o suficiente para você poder aproveitar o longa sem problemas, mas é uma explicação bem vaga e que levanta diversas perguntas posteriores, como "qual a abrangência dos domínios da Nova República?", "qual é o tamanho e a relevância da Primeira Ordem?" ou "por que deve haver uma Resistência?". Não que eu queira ver um monte de cenas de blábláblá no Senado Galáctico como na trilogia prelúdio, mas poderiam ter incluído pelo menos mais uma cena explicativa, como aquela em que o Grand Moff Tarkin diz que o Senado foi dissolvido em "Uma Nova Esperança", para deixar tudo mais claro. Felizmente, o material lançado junto com o filme nos EUA trouxe algumas respostas, e você pode conferi-lo AQUI. Fica claro, então, que existia uma espécie de Guerra Fria até aquele momento.

Por fim, não acho que a Base Starkiller deveria ter sido destruída já no começo dessa nova trilogia. Talvez fosse melhor ela nem estar em funcionamento ainda, deixando-a como ameaça para as sequências. Mas, se é para ela estar operante, gostaria mais que apenas a deixassem inutilizada, e e não que ela fosse obliterada por completo. E nem culpo tanto o engenheiro da mesma por sua destruição, pois dessa vez ainda tentaram proteger seu ponto fraco. Para se ter ideia, Han, Finn, Chewie e Rey tiveram que destruir a proteção por dentro para a X-Wing de Dameron poder invadir o ponto fraco e detonar a base, ou seja, houve um esforço muito maior. De qualquer modo, concordo com quem diz que tal ponto fraco poderia ser ainda mais protegido e próximo do núcleo da Starkiller. Aparentemente, engenharia não é uma profissão muito valorizada na Galáxia Muito Muito Distante, ou talvez eles também tenham problemas de superfaturamento por lá.

Há quem reclame que o roteiro de "O Despertar da Força" seja muito semelhante ao de "Uma Nova Esperança", e, embora eu concorde que eles tenham vários elementos em comum (o que achei bom e até necessário), a história contada pelo novo filme é outra, os acontecimentos semelhantes ocorrem em ordem diferente, e, a partir do momento da captura da Rey, as tramas divergem totalmente. Tem até quem desgoste da própria Rey e sua facilidade em controlar a Força, mas, como dito anteriormente, isso não foi a toa e certamente veremos uma explicação para tal no Episódio VIII.

DAISY RIDLEY E JOHN BOYEGA


Poderia parabenizar todos os atores por suas performances em Episódio VII. Desde o veterano Harrison Ford a aos mais novos Oscar Isaac e Adam Driver, todos entregaram atuações sólidas, convincentes, carregadas de emoção e qualidade, de modo que esse é facilmente o melhor Star Wars de todos no quesito. Até a Carrie Fisher, tresloucada e um "pouquinho" sequelada dos anos de abuso das drogas, mandou bem quando em cena.

O maior destaque, por outro lado, fica para os novatos Daisy Ridley e John Boyega. Os dois atores ingleses eram totalmente desconhecidos do público, nunca tendo feito nada relevante, e foram as melhores surpresas que os fãs poderiam ter. O desempenho de ambos é fantástico, não poderiam ter escolhidos pessoas melhores para liderarem este novo capítulo da franquia. Daisy domina todas as cenas em que está presente, sabendo se expressar, se posicionar, entonar sua voz... E nada soa ou parece artificial em momento algum. John, por sua vez, tem como sua maior qualidade a expressão corporal e o fantástico tempo e senso de humor, dando o tom cômico necessário e suficiente para o filme, do mesmo modo que ocorria nos originais.

Fico verdadeiramente feliz que o futuro da saga esteja em tão boas mãos, e que eles ainda serão vistos no mínimo pelos próximos dois longas. E o melhor de tudo é que os dois são muito jovens, ambos com 23 anos, e tem o potencial para crescerem, evoluírem e nos surpreenderem ainda mais. Suas carreiras serão acompanhadas com grande interesse.

O VEREDITO


Pelo texto, acho que ficou clara minha posição em relação ao filme. EU AMEI. Cada segundo dentro da sala do cinema foi mágico e único. E, por incrível que pareça, conseguiu ficar ainda melhor na segunda vez que assisti. Toda a minha espera de meses foi recompensada e minhas expectativas, que já estavam no teto, conseguiram ser superadas, graças ao cuidado, respeito e paixão envolvidos nessa que, sem dúvidas, pode e merece ser chamada de obra cinematográfica.

Apesar da longa análise, eu ainda não consegui abordar alguns dos meus aspectos favoritos, como o jeito que o duelo de sabres de luz foi apresentado, de forma mais realista e bruta, ao invés de algo repleto de firulas sem necessidade como na trilogia prelúdio. Ou o quão fantástica é toda a fotografia do longa em seu total, ou o ótimo ritmo que o filme possui. Ou até mesmo como os Stormtroopers finalmente parecem ameaçadores e finalmente tem precisão em seus tiros, ao mesmo tempo que ainda servem como bons alívios cômicos nos mais variados momentos. Isso só deixa ainda mais explícito o quão rico e cheio de detalhes o Episódio VII é.

De qualquer forma, acredito que tenha conseguido expressar no decorrer do texto o que "Star Wars: O Despertar da Força" tem de melhor. Visual fantástico, som de qualidade, atuações incríveis, personagens cativantes, boa e convincente trama, humor, aventura, drama, referências, homenagens, Millenium Falcon, sabres de luz, Força, batalhas espaciais, e uma conexão perfeita entre o antigo e o novo. Acima de tudo, uma experiência fantástica e única, pois jamais haverá novamente o sentimento de ver um novo Star Wars nos cinemas, depois de tanto tempo. Facilmente um dos melhores do ano, atrás apenas de "Mad Max: Estrada da Fúria".

...

Ah, quem eu estou querendo enganar? Dane-se Mad Max, ninguém ligava pra essa franquia até o lançamento do novo filme! "O Despertar da Força" é meu filme favorito de 2015. É Star Wars, voltando ao que jamais deveria ter deixado de ser, trazendo todos os personagens mais amados de volta e sendo liderado por uma das melhores protagonistas femininas já vistas. Nem mesmo os pequenos problemas reduzem a magnitude do que essa produção representa.

E que venha o Episódio VIII! Falta muito para maio de 2017 ainda?

NOTA: 9,0

FICHA TÉCNICA

"STAR WARS: O DESPERTAR DA FORÇA" ("STAR WARS: THE FORCE AWAKENS"), EUA/Inglaterra, 2015
Uma parceria LUCASFILM LTD e BAD ROBOT PRODUCTIONS
DIRETOR: J. J. Abrams
PRODUZIDO POR: J. J. Abrams, Kathleen Kennedy, Lawrence Kasdan, Bryan Burk, e outros
ROTEIRO POR: J. J. Abrams, Lawrence Kasdan e Michael Ardnt
MÚSICA POR: John Williams
ESTRELADO POR: Harrison Ford, Mark Hamill, Carrie Fisher, Adam Driver, Daisy Ridley, John Boyega, Oscar Isaac, Lupita Nyong'o, Andy Serkis, Domhall Gleeson, Anthony Daniels, Peter Mayhew e Max Von Sydow

TRAILER



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