sexta-feira, 31 de agosto de 2018

A abertura remasterizada de "Batman: A Série Animada" é a coisa mais bonita que você verá hoje


Poucas adaptações transmídia foram tão bem-sucedidas quanto Batman: A Série Animada. O desenho concebido por Bruce Timm e Eric Radomski foi desenvolvido com esmero pelas mãos da dupla em parceria com outros grandes nomes, como Paul Dini, Alan Burnett, Michael Reeves, Boyd Kirkland, Kevin Altieri, Dan Riba etc e marcou época durante a década de 1990, habitando as lembranças especialmente das crianças e adolescentes de então e sendo até hoje a principal referência quando o assunto são as aventuras do Homem-Morcego fora das páginas dos gibis, mesmo com a forte concorrência da série de games Batman: Arkham ou a trilogia de filmes O Cavaleiro das Trevas de Christopher Nolan.

Tive a oportunidade de reassistir ao programa na íntegra recentemente e posso dizer que essa posição é mais que merecida. A qualidade e fluidez empregada no traço e na animação chega a impressionar, tendo se tornado referência para tudo o que foi produzido na sequência e ainda sendo uma influência na atualidade. O mesmo pode ser dito a respeito dos roteiros, que contam com tramas bem-estruturadas e que muitas vezes tratam de temas importantes, seja para o mundo real ou acerca do próprio universo de seu protagonista, ao mesmo tempo que são acessíveis sem desrespeitar, em momento algum, a inteligência de seu espectador, seja ele criança, adolescente ou adulto. A criação da atmosfera da série, que alia elementos antigos a contemporâneos em um clima soturno, e o trabalho de dublagem, tanto em inglês quanto em português, fecham o pacote com qualidade. Não é loucura dizer que algumas das melhores histórias do herói foram contadas no programa, como é o caso de episódios como Quase O Peguei ou O Julgamento, entre muitos outros, além de ter sido responsável por redefinir as origens de antagonistas como o Sr. Frio e o Cara-de-Barro.

Os fãs e entusiastas da animação receberam uma notícia muito boa nos últimos meses: o seu relançamento completo em Blu-Ray, em um box que contará com todos os seus 109 episódios (o que inclui As Novas Aventuras do Batman), os longas Batman: A Máscara do Fantasma (que se encontra atualmente disponível na Netflix) e Batman & Mr. Freeze: Abaixo de Zero, um documentário sobre os bastidores de Batman: A Série Animada e três Funko Pop! inspirados no desenho. Com o lançamento da edição, marcado para 30 de outubro, aproximando-se, a Warner divulgou um vídeo de encher os olhos contendo a versão remasterizada da antológica abertura do programa, o qual pode ser conferido a seguir:



A título de curiosidade, a IGN comparou as versões antiga e remasterizada do vídeo e, como é possível se observar abaixo, há uma diferença gritante entre elas, não apenas na nitidez da exibição, mas também na quantidade de frames que cada uma apresenta, mostrando que o trabalho que vem sendo feito é mais do que bem-vindo:


Infelizmente, ainda não há previsão para o lançamento de Batman: A Série Animada em Blu-Ray aqui no Brasil. Assim que acontecer, no entanto, sentirei a obrigação de conferir mais uma vez a animação do início ao fim. Não que seja um grande sacrifício.

Box contendo todo o conteúdo da edição especial de Batman: A Série Animada em Blu-Ray. Lindo, não?

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

[RESENHA] "Missão: Impossível - Efeito Fallout" (2018)


Franquias de cinema são curiosas, pois não há um padrão para suas existências. Algumas começam muito bem e vão decaindo a cada novo lançamento (que é o que mais acontece), algumas conseguem manter o fôlego até o final, algumas tem seu ápice no segundo filme, outras começam bem, acabam se perdendo no meio mas conseguem entregar uma conclusão satisfatória. E há o caso de Missão: Impossível, que gastou toda uma trilogia tentando se encontrar, soube se reinventar para uma nova década pelas mãos mais que competentes de Brad Bird e, posteriormente, Christopher McQuarrie, conquistou novo público e vem se firmando como um dos principais nomes quando o assunto é ação nos últimos anos. Cenas cada vez mais insanas (nas quais Tom Cruise não usa dublês) aliadas a boas tramas modernas de espionagem, fotografia inventiva e pouco convencional, e elencos competentes se tornaram marcas registradas dessa nova fase, que parecia haver atingido seu ápice em Nação Secreta (2015).

Mas, para Cruise e McQuarrie, parece sempre haver espaço para mais. Assim como os próprios filmes, a dupla parece cada vez mais empenhada em transformar o impossível em possível. E foi para essa missão que Missão: Impossível - Efeito Fallout foi concebido: superar seu antecessor, apresentando uma trama melhor, direção mais criativa e preocupada com detalhes, um elenco ainda mais competente e, claro, sequências de ação ainda mais frenéticas e espetaculosas do que as vistas anteriormente. E dado o elevado patamar em que os dois últimos longas se estabeleceram, é espantoso pensar no quão fácil o resultado final fez a tarefa parecer.

Conectando-se diretamente com o final do quinto filme, Efeito Fallout traz o agente da IMF Ethan Hunt (Cruise) tendo que lidar com os Apóstolos, organização de anarco-terroristas dissidente do Sindicato, que confrontou em sua missão anterior. O plano do grupo é ter acesso a armas nucleares para espalhar o caos e destruir a ordem vigente, e Hunt está disposto a ir até as consequências finais para impedi-los. Junto a ele, retornam alguns personagens apresentados ao público anteriormente, como o Secretário Alan Hunley (Alec Baldwin), a agente Ilsa Faust (Rebecca Ferguson), sua ex-esposa Julia (Michelle Monaghan), o vilão Solomon Lane (Sean Harris) e figuras mais do que carimbadas como Luther (Ving Rhames) e Benji (Simon Pegg). Juntam-se ainda a este vasto elenco novidades como o agente Walker (Henry Cavill), a Diretora da CIA Erika Sloane (Angela Bassett) e a misteriosa Viúva Branca (Vanessa Kirby).

O desenvolvimento da trama apresenta alguns interessantes desdobramentos, culminando em viradas de roteiro que, em primeiro momento, podem parecer previsíveis para aqueles que já conhecem a série, mas que são sucedidos tantas outras em sequência que acabam por deixar o espectador desnorteado tamanhas as surpresas (que até chegam a ser excessivas, há de se reconhecer). Ao mesmo tempo, as relações de Hunt com aqueles que o rodeiam são levadas à beira de um colapso devido a suas ações em prol da missão, mas são sustentadas pela fé quase cega que seus parceiros tem no protagonista. O conflito é ainda mais agravado pelos atos de seus colegas no ramo, como é o caso de Walker (personagem em que Cavill escorrega em sua atuação vez ou outra, mas que convence durante as cenas de ação) e Faust, que é quem mais afeta o agente de forma profissional e pessoal (ainda que esta última não se resolva de forma decente). Tudo isso cria uma atmosfera que direciona para a percepção de que a tarefa em questão é, de fato, impossível.


O que mais leva a crer nessa impossibilidade, no entanto, são as cenas de ação. Grande marca pela qual a franquia se fez conhecida nos últimos anos, elas se sobressaem às demais não pelo absurdo de uma ou outra de maior destaque, mas pela quantidade. Esse é o filme de Missão: Impossível com o maior número de sequências de ação em toda a franquia, e todas se mostram insanas, ainda que cada qual a seu modo: seja pelo risco oferecido ou pela quantidade de detalhes a serem observados, fica claro para qualquer um que não foi a toa que Tom Cruise se machucou durante as gravações do longa. Pensar no astro protagonizando cada um daqueles momentos sem o auxílio de qualquer dublê só agrava a sensação de perigo existente, a qual já se encontra potencializada pela direção de McQuarrie, seja em saltos de paraquedas, perseguições de veículos em ruas movimentadas, corridas por telhados parisienses ou assalto a helicópteros em movimento (embora o uso de computação gráfica fique evidente até demais em momentos-chave).

Aliás, a direção não se destaca apenas durante a ação. Mesmo nos momentos de maior respiro, Christopher McQuarrie consegue criar ambientações que evidenciam o perigo das situações através de uma variada combinação de registros fechados com outros que apresentam os cenários de forma mais aberta em diversos ângulos, algo que o permite, em conjunto com o trabalho do diretor de fotografia Rob Hardy, criar composições de cena requintadas, sofisticadas e agradáveis em determinados pontos. Ainda sobre os aspectos técnicos, vale o destaque à trilha sonora composta por Lorne Balfe, uma das grandes forças motrizes do filme através de suas faixas impactantes dentro da medida, bem como aos departamentos de arte responsáveis por desenvolverem as máscaras e demais acessórios que já são mais do que conhecidos.

Missão: Impossível - Efeito Fallout encerra a segunda trilogia da saga com espaço para mais continuações, muito graças ao caráter episódico da série, bem como às recentes adições ao elenco, que podem vir a ganhar mais espaço no futuro. Este sexto longa funciona, ao mesmo tempo, como a conclusão de um arco e uma porta de entrada para novos fãs já que, mesmo com referências a seus antecessores, a reintrodução sucinta de personagens e elementos apresentados anteriormente permite seu funcionamento de forma individual, ainda que não seja o mais recomendado. Seja como for, os níveis aqui estabelecidos se mostram ainda mais difíceis de serem superados pelas mentes criativas envolvidas, por mais capazes que elas já tenham se provado. O trabalho desenvolvido por Christopher McQuarrie e Tom Cruise, ainda que com alguns ínfimos problemas, acabou por culminar não apenas no melhor Missão: Impossível, mas também em um dos melhores filmes de ação da década.

TRAILER:


quinta-feira, 23 de agosto de 2018

CINCO Resenhas de Um Parágrafo sobre a franquia "MISSÃO: IMPOSSÍVEL"!


Missão: Impossível - Efeito Fallout chegou aos cinemas há algumas semanas. Nunca fui grande aficionado pela franquia, mas fiquei curioso para conferir sua mais recente adição após a chuva de elogios que tomou a crítica especializada. Por isso, resolvi assistir a todos os demais filmes de Missão: Impossível feitos anteriormente como forma de me preparar para este novo. E isso me deu uma ideia de postagem: por que não resenhar TODOS os longas? Deste modo, pela primeira vez na história, publico este verdadeiro compilado de Resenhas de Um Parágrafo sobre cada um dos lançamentos da saga sem fim de Ethan Hunt e seus parceiros, em um formato experimental que, se bem recebido, pode vir a ser usado com outros grandes nomes do cinema.

Claro, o texto sobre Efeito Fallout sairá separadamente, mas você pode conferir minhas impressões sobre os outros cinco Missão: Impossível logo a seguir.

MISSÃO: IMPOSSÍVEL (1996)


O primeiro Missão: Impossível chegou aos cinemas há 22 anos com boa direção do aclamado Brian De Palma, um competente elenco, trilha sonora feita pela criativa mente de Danny Elfman e algumas cenas que vieram a se tornar icônicas com o passar dos anos. O filme, no entanto, é prejudicado por um roteiro sem ritmo que acaba se perdendo em sua indecisão entre ser uma trama de espionagem clássica ou de ação, ficando no meio do caminho e não atingindo satisfatoriamente nenhuma das duas opções. Ainda assim, trouxe alguns elementos que se tornariam marca registrada da franquia, como o briefing das missões ao início, os dispositivos tecnológicos e, principalmente, as máscaras e moduladores de voz.

Trailer:


MISSÃO: IMPOSSÍVEL 2 (2000)


Com uma diferença brutal de direcionamento em relação a seu antecessor, Missão: Impossível 2 assume sua identidade como filme de ação e chega ao novo milênio repleto de influências e vícios tirados diretamente de um recém lançado Matrix. O principal problema da sequência é seu exagero, seja dentro do roteiro repleto de clichês ou através das escolhas no mínimo questionáveis do diretor, que acabam por tornar o longa muito caricato, por pouco não assumindo um tom de paródia. Ainda assim, sequências repletas de movimento e, principalmente, boas lutas (é o John Woo, afinal) acabam por fazê-lo divertido e bom para ser conferido de forma descompromissada.

Trailer:


MISSÃO: IMPOSSÍVEL 3 (2006)


Um ainda pouco conhecido J. J. Abrams assume as rédeas da franquia em seu terceiro lançamento e a parceria veio a mudar seu destino para sempre (até porque a Bad Robot, produtora de Abrams, cuidou deste e de todas as sequências desde então). Missão: Impossível 3 aprende com seus erros anteriores, se deixa influenciar por A Identidade Bourne e A Supremacia Bourne e entrega um filme de espionagem moderno, sabendo se dividir entre os momentos de ação e as reviravoltas características. Um sempre competente Phillip Seymour Hoffman brilha como antagonista de Tom Cruise, enquanto a adição de Simon Pegg como Benji Dunn se mostra bem-vinda e fundamental para o futuro. Só seria melhor se o final não fosse tão piegas.

Trailer:


MISSÃO: IMPOSSÍVEL - PROTOCOLO FANTASMA (2011)


O primeiro Missão: Impossível da atual década abre uma nova trilogia acertando as arestas faltantes para a saga alçar novos e promissores voos. O diretor Brad Bird, de Os Incríveis e Gigante de Ferro, assume o comando e faz de Protocolo Fantasma um filme divertido, com roteiro redondo, visual polido (às vezes até hermético demais) e que ainda ousa ao brincar com alguns elementos clássicos da franquia. É aqui que se inicia a loucura das cenas de ação em lugares e situações improváveis sem o uso de um dublê para Tom Cruise, o que as torna fascinantes e realistas. Ainda faz um bom trabalho em se conectar com os eventos vistos em seu antecessor.

Trailer:


MISSÃO: IMPOSSÍVEL - NAÇÃO SECRETA (2015)


O quinto longa de Missão: Impossível segue os caminhos estabelecidos pelo anterior e eleva ainda mais o nível da franquia. Nação Secreta é divertido, bem escrito e apresenta cenas de ação mais absurdas que as de Protocolo Fantasma, contando com uma fotografia que as valoriza e expõe todo seu perigo. O trabalho de Christopher McQuarrie, seja no roteiro ou na direção, são a alma do sucesso do filme, enquanto as adições de Rebecca Ferguson e Alec Baldwin, junto com o reaproveitamento de Jeremy Renner, injetam novo ânimo a este universo. Não apenas uma das grandes películas de ação dos últimos anos, como também o melhor da saga até este ponto.

Trailer:

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

SUPERMAN - 80 anos, 8 histórias #1: "Superman: Identidade Secreta"


Bem-vindos ao meu especial sobre o Superman, no qual falarei sobre 8 diferentes histórias do personagem como forma de celebrar seus 80 anos. Essas histórias podem variar entre arcos, edições únicas ou fases completas. Mais do que recomendar quadrinhos, espero que possa transmitir o que cada uma das escolhas significa para mim. Hoje, uma HQ que acalentou meu coração e se tornou uma das minhas favoritas de todos os tempos.

Esta não é uma história convencional do Superman. Não há grandes vilões com planos mirabolantes, invasões alienígenas ou pancadarias desenfreadas. Está mais para uma história sobre o Superman, o seu mito e sua importância. É também uma história sobre Clark Kent, mas não aquele que estamos acostumados. Clark é um adolescente que vive no interior dos Estados Unidos e, como qualquer pessoa de sua idade, tudo o que menos quer é ser incomodado ou atrair atenção indesejada, mas é exatamente o que ele consegue graças a seu nome. Seus bem-humorados pais acharam que seria uma boa ideia fazer do filho um homônimo de um dos maiores ícones da Cultura Pop, afinal ele já seria automaticamente famoso e teria muitos produtos com seu nome estampado, e os parentes embarcaram na brincadeira, presenteando o garoto com tudo relacionado ao Superman em qualquer data possível. E ele odeia tudo aquilo: as recorrentes brincadeiras, o merchandising e, consequentemente, o herói.

Até que, de repente, tudo muda. Em uma noite relaxando sob a luz do luar, habilidades incomuns despertam. Voo, superforça, resistência sobre-humana. Ele agora tem alguns dos principais poderes do Superman, e sua vida nunca mais foi a mesma desde então.


Superman: Identidade Secreta se dá a partir desta premissa. Durante a história, acompanhamos a vida deste rapaz que mora em um mundo similar ao nosso, em que o Superman é um personagem, mas que vive a mais inusitada das situações e quer descobrir seu lugar no meio disso tudo. Ao mesmo tempo, tem que lidar com os mesmos dilemas que qualquer outra pessoa, como problemas na escola, a definição da carreira profissional, seus relacionamentos amorosos, a constituição de uma família, além, é claro, das recorrentes piadas com seu nome, que o acompanham aonde quer que ele vá. E tudo isso enquanto mantém o máximo de discrição possível durante seus atos heroicos, para não que não seja identificado por ninguém, especialmente pelo governo estadunidense, que se interessou nos boatos sobre sua existência.

O quadrinho se divide em quatro edições e cada uma delas retrata um período da jornada de Clark: a adolescência, o início da vida adulta, o estabelecimento de sua própria família e a chegada da velhice. Cada uma destas passagens apresenta uma diferente perspectiva do protagonista acerca do mundo que o cerca, seus relacionamentos e o modo com que lida com seus poderes. Vemos, literalmente, ele crescer, amadurecer, aprender com suas experiências e mudar suas prioridades de acordo com cada acontecimento. A narração em primeira pessoa constrói a ponte que aproxima o leitor de seu interlocutor, mas é a forma natural com que cada diferente situação é tratada que permite a identificação e acaba conquistando através de toda a humanidade ali existente. Mérito total para a construção do roteiro de Kurt Busiek, que traduz o comum através do extraordinário e ainda faz com que haja um sentimento de amizade e cumplicidade entre o personagem principal e quem o acompanhou durante seus mais essenciais momentos.

A HQ ainda traz em seu subtexto comparações entre a versão mais popular do Superman e a sua própria. Muitas são as diferenças entre eles: se o herói clássico é confiante, decidido e se relaciona facilmente, o Clark Kent aqui apresentado é mais introvertido, reflexivo e tem seus medos, preocupações e incertezas sobre os tortuosos caminhos da vida, o que o torna mais palatável para o público. Ao mesmo tempo, ambos compartilham um senso de responsabilidade e a necessidade de fazer o que é certo com seus poderes, sendo guiados por uma inabalável moral e nobreza em seus atos, sempre se arriscando para salvar as vidas daqueles em situações desesperadas. Fica no ar o quanto disso Clark tirou das páginas dos gibis do Superman e quanto é inerente a si e sua criação, mas tendo em vista que ele se baseia no personagem para fazer algumas escolhas (ainda que pontuais) no decorrer da trama, é possível entender que tudo aquilo que sempre foi motivo de zoação durante toda sua vida acabou por servir como bússola nas horas mais importantes.


Impossível, porém, deixar de falar da arte de Identidade Secreta, essencial para fazer da obra o que ela é. Quem conhece o trabalho de Stuart Immonen conhece seu imenso talento e versatilidade, capaz de adaptar seu traço dependendo do estilo da história em que está envolvido. Aqui, Immonen emprega um desenho com ares realistas, mas ao mesmo tempo limpos e leves, o que, aliado a sua singular noção de perspectiva e senso de movimento, acaba por fazer deste um dos quadrinhos mais belos visualmente já feitos, cheio de vida e com quadros e splash-pages dignos de serem emoldurados e expostos em museus ou exposições.

São muitos os destaques que ainda podem ser feitos sobre Superman: Identidade Secreta, sejam as boas sacadas e homenagens feitas acerca dos métodos de Clark para não ser identificado por ninguém, a semelhança de algumas pessoas ao seu redor com integrantes dos enredos do Superman nos gibis, ou alguns pontos que acabariam por revelar importantes detalhes da trama. O importante, no entanto, é perceber a importância do Homem de Aço para a trama, ainda que indiretamente, com sua aura de bondade e ética sendo refletida a cada decisão tomada pelo protagonista. Esta é, de fato, uma história sobre o Superman e, mais do que isso, é também uma história sobre a vida, em toda sua beleza.

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

"Os X-Men e o Preconceito" (vulgo "meu TCC") disponível NA ÍNTEGRA!


Todo universitário tem que passar pelo tão temido Trabalho de Conclusão de Curso (ou TCC para os mais chegados). Não há como evitá-lo: ele é um passo essencial na formação do aluno e um meio de tentar estimular a produção de pesquisa científica no país. Sua obrigatoriedade, no entanto, faz com que os alunos o encarem como um fardo, um empecilho em suas já complicadas jornadas para obtenção do tão sonhado diploma, e acabam por escolher temas quem nem sempre os satisfazem, mas como eles devem apresentar algo, veem-se sem maiores opções. Eu, no entanto, tive a sorte de poder aliviar esse peso ao garantir a chance de estabelecer uma conexão entre meu curso e algumas das coisas que mais gosto.

A ideia de trabalhar com o tema Os X-Men e o Preconceito veio em 2016, em uma conversa com uma amiga minha enquanto pegávamos o ônibus até a faculdade. Naquela época, eu precisava encontrar uma forma de completar minhas horas complementares de pesquisa e a publicação de um artigo científico era uma das opções a serem consideradas. O trabalho seria bem mais brando, abordando apenas a relação da criação dos mutantes da Marvel com a luta pelos direitos civis dos negros nos Estados Unidos, que por si só já envolve diversas nuances e já renderia o conteúdo necessário.

Acabei não precisando escrever o artigo, mas a ideia seguiu viva dali em diante, sendo refinada, encorpada e tendo como foco a história Deus Ama, O Homem Mata, uma das que trata do assunto com maior afinco. Terminei por considerá-la para ser meu TCC e já até sabia quem poderia me orientar: o professor Guilherme Madeira, com quem tive aula de Direitos Humanos no terceiro semestre do curso e que não apenas era alguém de grande conhecimento e didática, mas também era um fascinado pela Cultura Pop assim como eu e entenderia onde chegar com o trabalho.

Chegando a época, propus o tema e ele o abraçou. Conversamos algumas vezes para definir o direcionamento e os aspectos a serem abordados. Os tópicos foram estabelecidos e passei a trabalhar no conteúdo o qual, após algumas noites mal-dormidas, foi concluído no início de maio último. E no dia 14 de junho de 2018, o trabalho Os X-Men e o Preconceito: uma análise da origem e desenvolvimento dos personagens e da história "Deus Ama, O Homem Mata" como metáfora do racismo e da intolerância foi aprovado pela banca formada pelo meu orientador, o já citado professor Madeira, a professora Orly Kibrit e a professora Carolina Mourão, todos a quem só tenho a agradecer por terem possibilitado que esse sonho se tornasse realidade.

A notícia da aprovação de um TCC de tema tão peculiar acabou se espalhando com uma rapidez muito maior do que eu esperava. Mais inesperado ainda foi saber que muita gente se interessou em lê-lo, o que me deixou extremamente feliz. Por isso, estou disponibilizando o trabalho todo de forma integral para leitura e download através do Google Docs. Espero que possa, acima de tudo, proporcionar uma leitura agradável a todos que se aventurem a conferir o resultado de algo do qual me orgulho. Mais do que isso, gostaria de ajudar, incentivar e quem sabe até inspirar qualquer um que venha a ter a mesma sorte que tive com a liberdade para poder trabalhar a face mais séria e consciente de algo que gosto tanto quanto o universo dos super-heróis. Abordagens como esta são pouco comuns no mundo acadêmico, mas caso você tenha a chance, agarre-a com todas as forças, porque definitivamente vale a pena.

Confira abaixo a íntegra do meu trabalho Os X-Men e o Preconceito. Boa leitura!