quinta-feira, 20 de abril de 2017

[RESENHA] The Wild Storm #3 - "Chapter Three" (2017)


Antes de ter lido a edição, vi uma crítica em um site estadunidense na qual o redator disse que provavelmente não faria texto sobre o próximo número de The Wild Storm. Não por não estar gostando do rumo da revista, pelo contrário: ele já não tinha mais palavras para descrever o quão boa ela é, e isso após dois capítulos apenas. E eu concordo com cada palavra que ele disse. Essa HQ é incrível e não precisa que eu diga isso, mas meu amor por ela me mantém escrevendo.

Vamos ao grande destaque: JENNY SPARKS ESTÁ DE VOLTA. Uma de minhas personagens favoritas de todo o Stormwatch e Authority, Warren Ellis repaginou sua cria, dando a ela um novo visual e transformando-a, aparentemente, em descendente de asiáticos. Seus poderes de manipulação eletricidade, porém, foram mantidos, e Ellis os demonstra nas primeiras páginas da melhor maneira possível. Se em suas primeiras aparições ela já era poderosa, hoje, em um mundo tão conectado e dependente de aparelhos eletrônicos, Jenny se mostra mais perigosa do que nunca.

Esta edição também contou com outro importante evento: o primeiro confronto entre a I.O. e os WildC.A.T.s. Cole Cash (com sua máscara!), Kenesha e Void, junto com a Engenheira, protagonizaram cenas de ação que trouxeram o melhor da escrita de Warren Ellis a tona. E se antes eu duvidei de Jon Davis-Hunt, neste número ele me calou, entregando seu melhor trabalho até o momento, com uma arte fluída e dinâmica que só favoreceu as sequências.

Há muita coisa legal acontecendo ao mesmo tempo em The Wild Storm: enquanto o enrendo vai sendo construído, conflitos já se desenrolam, novos personagens são introduzidos, dúvidas são levantadas... O que leva à grande questão: qual será o resultado disso tudo? Enquanto não é possível obter essa resposta, só dá para esperar pelo próximo capítulo deste que é um dos melhores quadrinhos em publicação no momento.

Confira as primeiras páginas da edição:






Veja também as belas capas variantes de The Wild Storm #3:


Adrianna Tereshkova, a Void, na arte de Jim Lee, criador da personagem.


Jenny Sparks usando seu potencial na arte de Jamie McKelvie ("The Wicked + The Divine", "Phonogram").

segunda-feira, 17 de abril de 2017

"Ôôôôô, Doctor Who voltôôô" ♫ - A resenha de "The Pilot" (S10E01, 2017)


FINALMENTE! Após mais de um ano de hiato, pontuado apenas pelos especiais de Natal The Husbands of River Song e The Return of Doctor Mysterio, a série britânica Doctor Who retorna para sua 10ª temporada, que marca a despedida do showrunner Steven Moffat, dono do cargo desde 2010. Também é o adeus de Peter Capaldi, ator que interpreta a 12ª encarnação do Doutor, fazendo sua estreia nos minutos finais do episódio especial The Time of the Doctor, em 2013.

Nada disso foi impeditivo, porém, para que o programa retornasse de maneira leve e divertida - ao seu modo. Com a estreia de Pearl Mackie como a companion Bill e o retorno do comediante Matt Lucas como Nardole, que já havia aparecido nos últimos dois especiais, The Pilot soube equilibrar comédia e tensão, ao mesmo tempo que apresentava sua nova personagem e a inseria nesse louco universo de viagens pelo tempo e pelo espaço, vilões nada convencionais, aventuras imprevisíveis e um protagonista que se mostra cada vez mais excêntrico.

É justamente a novata quem mais se destaca no episódio. Bill faz com que a trama gire em torno de sua sexualidade, com a antagonista do episódio sendo uma garota por quem ela se apaixona, mas que se comporta de um jeito muito estranho. A nova companheira também se mostra pouco convencional, fugindo do comum em relação a suas antecessoras ao ser apresentada a todo o mundo e os conceitos com que o Doutor convive diariamente, seja a TARDIS e o fato de ser maior por dentro, ou os Daleks por si só. Suas reações a todas essas novidades são alguns dos pontos altos do humor aqui visto.

Impossível também não citar as interações entre o protagonista e Nardole. Há uma grande química entre Peter Capaldi e Matt Lucas, algo que já foi possível conferir no último especial de Natal e que se confirma aqui. A relação entre os dois é natural e rende outros ótimos momentos de humor. Com o desenrolar da temporada, a chance é grande que o desenvolvimento do relacionamento dos dois com Bill renda cenas divertidíssimas, no mesmo nível daquelas entre David Tennant e Catherine Tate durante a 4ª temporada.

O episódio ainda merece uma menção a seus easter eggs. As várias chaves de fenda sônica da série clássica, além dos retratos de Susan (a neta do Doutor, que acompanhou sua 1ª encarnação, interpretada pelo lendário William Hartnell) e de River Song, foram o suficiente para aquecer o coração dos mais aficionados. A "vilã" da semana também se mostrou relevante, com um conceito interessante que levou a um comovente momento com Bill, dada sua relação com a jovem.

The Pilot veio para mostrar que a demora foi justificada e a espera valeu a pena. Um início até simples e divertido para uma temporada que promete ser ambiciosa, com o resgate de de conceitos antigos e o retorno de antigos vilões. Mas se esse episódio serve como indicativo, os fãs podem esperar coisas boas e grandiosas da despedida de Moffat e Capaldi de Doctor Who.

CONFIRA A PRÉVIA DO PRÓXIMO EPISÓDIO, SMILE:

sexta-feira, 14 de abril de 2017

"STAR WARS: OS ÚLTIMOS JEDI" - O trailer, o pôster, o painel e os detalhes


14 de abril era um dia muito aguardado pelos fãs de Star Wars ao redor do mundo. A realização do painel sobre Star Wars: Os Últimos Jedi na Star Wars Celebration, que nesse ano acontece em Orlando, Flórida nos EUA, seria a primeira vez que o elenco, o diretor Rian Johnson e a presidente da Lucasfilm Kathleen Kennedy viriam a público falar sobre o novo capítulo da franquia, com a promessa da divulgação do primeiro trailer, algo muito aguardado pelos fãs desde o fim de O Despertar da Força.

As novidades a respeito do longa reveladas durante o evento não foram poucas. Apesar de quase nada ter sido revelado a respeito da trama (o que já era esperado), os pequenos detalhes liberados por aqueles que estavam no palco já bastaram para nos mostrar a direção em que o filme está se direcionando. Seja com Johnson dizendo que "este será um desafio de provação para todos os personagens", Daisy Ridley insinuando a respeito de Luke Skywalker que "conhecer nossos heróis nem sempre é o que esperamos", John Boyega falando que "sempre há novas aventuras para ele e Poe (Dameron)", e Kennedy interrompendo Mark Hamill para dizer que "Luke Skywalker é incrivelmente importante para a história", foi possível ver que, novamente, nem tudo era o que os fãs esperavam e que certos rumores divulgados tem algum fundamento.

Um dos grandes destaques do painel, porém, foi a divulgação de uma nova personagem chamada Rose, interpretada por Kelly Marie Tran:


Pouco foi dito sobre Rose além do fato de ela integrar a Resistência, sendo parte da equipe de manutenção, e que ela será uma personagem que não queria estar envolvida com a guerra e o conflito, mas será puxada para dentro da aventura em grande estilo (o conceito básico da jornada do herói, o que significa que podemos esperar uma considerável participação sua na trama).

Perto do final, foi mostrado o primeiro pôster de Os Últimos Jedi:


A bela e simples arte nos apresenta os três personagens que devem ser o ponto chave de Episódio VIII: Luke Skywalker, Kylo Ren e Rey, que empunha um sabre-de-luz que muda gradativamente do azul para o vermelho (seja por mero efeito estético ou detalhe dramático). O mais legal da imagem, no entanto, é homenagem prestada ao clássico pôster do Star Wars original, no ano em que completará 40 anos de seu lançamento:


E, na sequência, houve a divulgação do tão aguardado primeiro trailer de Star Wars: Os Últimos Jedi:



Sim, eu pirei, você pirou, o público presente na Celebration pirou, qualquer um que seja minimamente fã de Star Wars pirou com o vídeo. E, como nos trailers de O Despertar da Força, pouco foi mostrado a respeito do enredo. Ainda assim, já é possível abstrair várias dicas sobre a abordagem que Rian Johnson almeja para a saga. Vamos, então, a uma análise mais aprofundada de momentos-chave do clipe:

- Assim como no primeiro trailer de O Despertar da Força, esse começa com um breve momento de calmaria no vazio, seguido de "susto" e um dos personagens principais suados e ofegantes. Se antes isso ocorreu com Finn, agora é a vez de Rey estar nessa situação semelhante;

- Após o logotipo da Lucasfilm, temos algumas sequências de belíssima fotografia, contraste de cores e a voz de Luke Skywalker ao fundo, no que parece ser um momento no treinamento de Rey com a Força, tanto é que pedrinhas ao redor de sua mão começam a flutuar;

- A sequência "Luz. Escuridão. Equilíbrio." é a mais interessante e repleta de detalhes. Na parte da "Luz", podemos ver a General Leia de costas comandando alguma operação da Resistência, enquanto ao fundo é possível ouvir o sussurro de sua clássica frase "Help me, Obi-Wan Kenobi...". No momento da "Escuridão", temos o capacete de Kylo Ren todo estraçalhado (o que condiz com as notícias de que ele adotará um novo visual), com Obi-Wan dizendo "Seduced by the Dark Side of the Force...". Por fim, vemos um livro com o símbolo da Ordem Jedi sendo analisado por Luke no trecho do "Equilíbrio", com Yoda falando que a Força "surrounds us, and binds us" por trás. Pode parecer algo simples, mas que também pode indicar a importância de alguns velhos personagens na trama, além de se assemelhar muito ao momento em que Rey tem suas visões ao tocar o sabre-de-luz de Luke no Episódio VII; [Atualizado após uma melhor apuração do trailer]

- A bela cena em que Rey treina com o sabre no penhasco enquanto Luke a assiste ainda traz o protagonista dizendo "é muito maior", sendo um complemento à sequência anterior e indicando que o caminho de alguém na Força talvez vá muito além da binariedade Jedi/Sith;

- O que vem a seguir é uma sequência de curtas cenas e cortes rápidos. Destaque para o ótimo momento das naves levantando terra vermelha indo enfrentar os AT-AT ao fundo (me lembrou de Mad Max: A Estrada da Fúria pela gradação das cores), a nave de Poe Dameron sendo destruída no hangar de um dos Destroyer da Resistência, a aparição triunfal da Millenium Falcon, o contraste entre as aparições em sequência de Rey e Kylo Ren (que agora conta com uma cicatriz a lá Anakin), a destruição do Templo Jedi de Luke, Phasma no meio dos escombros com outros Stormtroopers, e a batalha espacial que promete ser grandiosa;

- E momento mais polêmico vem no final: Luke Skywalker dizendo "Eu só sei de uma coisa: é hora dos Jedi acabarem". Isso não significa, porém, que ele tenha desistido de ser um Jedi, tenha ido para o Lado Sombrio ou algo do tipo. Essa fala de Luke vai de encontro com outras do trailer, a respeito do equilíbrio da Força, sobre haver muito mais que isso. Também tem sentido com o pôster, já que a luz do sabre que Rey segura se divide entre o azul dos Jedi e o vermelho dos Sith. Talvez ele queira ir além do Lado Sombrio e da Luz, balanceando os dois? Seriam Luke e Kylo Ren os últimos Jedi do título, com Rey se tornando esse algo novo, uma espécie de Jedi Cinza (algo que existia no velho Universo Expandido)?;

- Vale destacar, ainda, a música do trailer, com o retorno de temas épicos e grandiloquentes, algo muito presente na trilogia prelúdio (Episódios I, II e III), da qual o diretor Rian Johnson nunca escondeu sua admiração. E, de fato, as composições desses três filmes estão entre as melhores da história do cinema, e uma abordagem mais próxima a essa no novo longa seria bem vinda.

São muitas as dúvidas que o trailer levantou, mas ao mesmo tempo fica cada vez mais claro que certas teorias e rumores estavam certos, e que a trama irá explorar todo o espectro cinza da Força que existe entre os Jedi e os Sith. De qualquer modo, teremos que aguardar até dia 14 de dezembro para obter algumas dessas respostas.

Confira, por fim, o painel de Star Wars: Os Últimos Jedi na íntegra:

terça-feira, 11 de abril de 2017

O trailer de "Thor: Ragnarok" é um dos mais legais dos últimos tempos


O mundo foi pego de assalto nessa última segunda-feira com o lançamento do primeiro trailer de um dos vindouros longas do Marvel Studios, Thor: Ragnarok. Repleto de cores, muito humor e com Led Zeppelin na trilha sonora, o clipe, ao mesmo tempo, não deixou de lado o tom épico e grandioso que Deus do Trovão tem desde sua criação, muito graças aos enquadramentos e o senso de proporção das cenas apresentadas.

A sensação oitentista está em todos os lugares, começando pelo logotipo do filme, passando pelo clima aventuresco e pela paleta de cores escolhida até chegar na aparição de Jeff Goldblum, figura carimbada em diversas produções de tal década e da seguinte. De brinde, vários aliens esquisitos e extravagantes, Cate Blanchett gótica tresloucada e, claro, Loki e Hulk.

E há quem dissesse que Ragnarok seria uma desonra para o legado de Jack Kirby. Mas pelo jeito será o contrário, tendo clara influência dos visuais e dos conceitos das primeiras histórias do Deus Nórdico, bem como de várias outras criações do Rei. E não há nada que empolgue mais um fã do que isso.

Confira o vídeo abaixo:

segunda-feira, 10 de abril de 2017

[RESENHA] Mastodon - "Emperor of Sand" (2017)


Há quem diga que o Metal está morrendo, que os grandes nomes do gênero estão chegando a seu fim, seja pela dissolução das bandas ou por mera aposentadoria, e que não há mais para onde ir depois disso. De fato, lendas estão nos deixando: o Black Sabbath realizou seu último show em fevereiro desse ano, o Motörhead acabou após a morte de Lemmy Kilmister, o Iron Maiden está envelhecendo, e por aí vai. Felizmente, há toda uma geração de grupos que, embora não ganhe tanto destaque nos holofotes, vem revolucionando o estilo, introduzindo novas ideias que mantêm seu espírito vivo.

O Mastodon é uma dessas bandas, mas não é de hoje que eles estão na ativa: seu primeiro disco, Remission, fará 15 anos de lançamento no próximo 28 de maio. Sua contribuição para o gênero nesse tempo não passou despercebida, tendo angariado seus fãs por todo o mundo e conquistado a aclamação da crítica especializada, especialmente com seus três registros mais recentes, Crack the Skye, The Hunter e Once More 'Round the Sun. Este último, porém, deixou todos indagando "qual o próximo passo que esses caras darão?", pois a fórmula dos últimos álbuns parecia já estar mostrando sinais de desgaste.

A resposta veio, e em grande estilo. Emperor of Sand, sétimo lançamento de inéditas do grupo, mostra que o quarteto não tem limites para sua criatividade. Com um som mais acessível, o que já vinha se tornando uma tendência a cada novo disco, foram feitas modificações cirúrgicas no estilo, o suficiente para distingui-lo de seus antecessores. Tudo isso, claro, sem deixar de lado todo o peso que os colocou como uma das principais referências do Metal mundial na atualidade.

Nas 11 faixas que compõem o tracklist, podemos notar uma grande presença de solos de guitarra, em sua grande maioria mais longos e desenvolvidos do que nos álbuns anteriores, bem como um festival de riffs marcantes. Também é claro o espaço conquistado pelo baterista Brann Dailor, que, além de ser um demônio na parte rítmica, tem o timbre mais melódico do conjunto e se tornou um de seus principais vocalistas, marcando presença no microfone em 8 canções. Vale ainda citar o uso de teclados em algumas músicas para criar uma espécie de clima que muito se assemelha a ficção cientifica, bem como algumas breves passagens acústicas. Os grandes destaques ficam por conta de Sultan's Curse, Show Yourself, Steambreather, Roots Remains, Ancient Kingdom, Clandestiny, Andromeda e Jaguar's God. Ou seja, basicamente todas, e seria uma injustiça dizer o contrário.

Nós temos o privilégio de viver na mesma época que o Mastodon, um grupo que, além de ter se mostrado capaz de inovar todo um gênero, se provou capaz de se reinventar, esbanjando criatividade e sendo acessível como poucas bandas no mundo do Metal. Emperor of Sand é mais uma grande adição à sua rica discografia, sendo um álbum que novamente nos deixa pensando "qual o próximo passo que esses caras darão?". Dessa vez, porém, não por conta de uma fórmula que parece ter saturado, mas porque aparentemente não há limite para esse quarteto. E tudo o que podemos esperar é que eles nos surpreendam novamente.

TRACKLIST:



CONFIRA O DIVERTIDO CLIPE DE SHOW YOURSELF: