quarta-feira, 18 de maio de 2022

BALANÇO MUSICAL - Abril de 2022

(Arte por Declan Shalvey. Cavaleiro da Lua pertencente à Marvel Entertainment, LLC e The Walt Disney Company, todos os direitos reservados.)

Olá! Seja bem-vindo ao meu projeto Balanço Musical, uma coluna mensal na qual falo sobre música, o que escutei no mês que se passou, o porquê das escolhas, o que me influenciou nesses dias, e publico uma playlist com uma faixa referente a cada dia do período. O objetivo não é nada além de escrever um pouco mais sobre música no blog, apresentar algumas coisas diferentes e dar às pessoas a oportunidade de conhecer novos artistas e canções. As postagens são publicadas sempre na primeira segunda-feira útil de cada mês (exceto quando ela coincide com o primeiro dia [útil] do mês -- ou quando não me dá tanta vontade assim).

Abril foi um bom mês. Não foi o mais marcante deles, mas muitas vezes isso é um bom sinal, ainda mais vindo de um final levemente ruim do anterior. Os vários feriados acabaram por torná-lo mais leve, um respiro extremamente necessário, especialmente para um ano como esse 2022, reduzido em folgas por diversos fatores. Ainda assim, recebi certos produtos que há muito pretendia adquirir, finalmente tive a oportunidade de assistir Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa (e amei, claro), reassisti Batman assim que saiu nos streamings, fiquei em dia com Doctor Who e segui vendo a série do Cavaleiro da Lua, que atualmente já teve sua temporada encerrada e, honestamente, mesmo com seus erros, me agradou (mais do que parece ter agradado o resto do público).

E foi um bom mês musicalmente também. Não que isso ainda surpreenda alguém, afinal os únicos momentos em que não consumo música é quando estou comendo, dormindo ou assistindo algum filme ou série, mas a informação não deixa de ser válida. De acordo com meu last.fm, foram 3.392 reproduções realizadas em abril (média de 113/dia), contando com 624 artistas, 1.093 álbuns e 3.117 faixas diferentes. Um crescimento em relação a março último, e números bem similares aos do mesmo período no ano passado, mostrando que, apesar das mudanças em minha vida... é, as coisas continuam mais ou menos as mesmas em sua essência.

Da mesma forma que nos períodos mencionados, o que ouvi durante abril se manteve dentro de meu padrão de sempre, com Rock, Metal e Pop oitentista, variando entre seus subgêneros e combinando novidades com clássicos e favoritos pessoais. Tudo isso pode ser conferido logo abaixo em meus DESTAQUES DO MÊS, com uma pequena surpresa.

ARTISTAS DO MÊS:


- Rush (Rock Progressivo, Hard Rock): eu sou clichê até demais por colocar minha banda favorita como principal destaque mais uma vez (eu já perdi a conta de quantas já foram). Mas não tem como, os caras foram um grupo estupendo em tudo o que fizeram. E eu realmente os ouvi bastante em abril, muito graças a edição comemorativa de 40 anos de Moving Pictures, seu mais famoso trabalho (merecidamente).

Destaco também:

- Pink Floyd (Rock Progressivo) -- destaco aqui que David Gilmour e Nick Mason se reuniram para gravar, junto ao artista ucraniano Andriy Khlyvnyuk, a faixa Hey, Hey, Rise Up!, uma forma de arrecadar fundos para as vítimas da Guerra da Ucrânia em uma atitude muito bem vinda de caras fora de série

- The Beatles (Rock)

- Black Sabbath (Metal)

- David Bowie (Rock)

- Elvis Presley (Rock, Rockabilly)

ÁLBUNS DO MÊS:


- Red Hot Chili Peppers - Unlimited Love (Rock, Funk Rock, Pop Rock, Rock Alternativo; 2022): eu gosto dos discos com Josh Klinghoffer como guitarrista, mas a experiência de ouvi-los, mesmo com a qualidade, sempre deixava a impressão de algo estar faltando. E esse "algo faltando" tem nome: John Frusciante. Eis que ele volta ao grupo, eles gravam um álbum e adivinhe? É como se tudo estivesse de volta ao lugar, tanto na qualidade sonora, quanto no clima geral, composições e aquela alegria tão característica do RHCP. Unlimited Love soa como continuação direta dos melhores momentos do quarteto, e creio que não há elogio maior que esse.


- Jack White - Fear of the Dawn (Rock, Hard Rock, Blues Rock; 2022): sim, dois álbuns indicados como destaques de abril, algo que eu tentei evitar fazer por muito tempo, mas dessa vez não tive como escapar com dois trabalhos de tão alto nível lançados quase que simultaneamente. Sobre esse em específico, acho que dá para dizer que Jack White se encontra num ponto alto de sua carreira, tendo lançado o magnânimo Help Us Stranger com os Raconteurs em 2019 e retornando agora para mais uma empreitada solo, influenciada por sons mais pesados e ágeis, mas sem deixar de lado os elementos que o consagraram. Fear of the Dawn é o artista mais uma vez provando sua versatilidade, e esse é só o primeiro dos dois trabalhos que ele lançará nesse ano.

Destaco também:

- Elvis Costello - Mistook Me For a Friend (Rock, Rock Alternativo; 2022) -- Costello fazendo o que sabe de melhor em mais uma grande adição a sua vasta discografia

3rd Secret - 3rd Secret (Rock Alternativo; 2022) -- esse supergrupo com Krist Novoselic (ex-Nirvana), Kim Thayil (ex-Soundgarden) e Matt Cameron (Pearl Jam) causou algum barulho pelo peso dos nomes envolvidos durante o lançamento do trabalho, mas o resultado não me impressionou muito. Talvez precise ouvir novamente, mas me soou aquém do esperado...

- Eddie Vedder - Earthling (Rock; 2022) -- um belíssimo registro que também poderia estar entre os principais destaques do mês (só que três já seria demais)

- Joe Satriani - The Elephants of Mars (Rock Instrumental; 2022) -- não que seja do feitio de Satch errar, mas seu mais recente lançamento é um acerto gigantesco e muito bem vindo

- Inglorious - Inglorious (Hard Rock; 2016) -- a estreia do grupo deixou explícita a qualidade logo de cara. Ouvindo após os dois posteriores, porém, fica nítida a evolução que tiveram na sonoridade e composições

- Angra - Secret Garden (Power Metal, Speed Metal, Metal Sinfônico; 2014) -- a estreia de Fabio Lione nos vocais impressiona e deixa pouco a desejar em relação a álbuns mais antigos da banda

- Steven Wilson - Insurgentes (Rock Progressivo, Rock Experimental; 2008)

- Porcupine Tree - Fear of a Blank Planet (Rock Progressivo, Metal Progressivo; 2007) -- discaço maravilhoso, o grupo em seu ápice

- Volbeat - Rock The Rebel / Metal The Devil (Metal, Hard Rock; 2007) -- a estreia dos dinamarqueses deixa claro que já esbanjavam qualidade desde o início

- The Stooges - The Weirdness (Punk Rock, Art Rock, Hard Rock; 2007) -- primeiro do grupo desde Raw Power, de 1973, voltou de onde eles pararam, entregando um trabalho que equilibra agressividade e esquisitice experimental magistralmente

- Kings of Leon - Aha Shake Heartbreak (Garage Rock, Stoner Rock; 2005) -- ótimo como tudo o que faziam nessa época

- Probot - Probot (Metal; 2004)

- Opeth - Blackwater Park (Metal Progressivo, Death Metal; 2001) -- Opeth produzido por Steven Wilson, quer dizer, não tinha como dar errado

- Mötorhead - 1916 (Metal, Speed Metal, Hard Rock; 1991)

- Robert Plant - Manic Nirvana (Rock; 1990)

- Deep Purple - The House Of Blue Light (Hard Rock; 1987)

- Supertramp - Paris (Rock Progressivo, Pop Rock; 1980) -- um dos melhores álbuns ao vivo já lançados

FAIXAS DO MÊS:


- Echo & The Bunnymen - It's Alright (Rock, Rock Alternativo): Echo & The Bunnymen é uma banda que em muito se comunica comigo, muito pelo clima de suas músicas, suas letras e as experimentações realizadas. E aqui é uma mistura de tudo, mas com o segundo ponto se sobressaindo. Não é literal mas, de alguma forma, me senti contemplado pela letra de It's Alright. Daquelas coisas que faz pouco sentido para os demais, mas que para mim não poderia ser mais certeiro. Oh well.

Destaco também:

- Lyn - You Are Stronger (Hard Rock, J-Metal; 2020) -- a abertura de Persona 5 Strikers é uma das minhas faixas favoritas da franquia (e eu precisava ouvi-la para aquele momento em específico)

- 3 Doors Down - Kryptonite (Rock Alternativo, Hard Rock; 2000)

- Simple Minds - East At Easter (Pop, Pop Rock, Post-Punk, New Wave; 1983) -- no dia da Páscoa, óbvio, como uma piada de gosto duvidoso

- The Cure - Boys Don't Cry (Post-Punk, Rock; 1979) 

Confira, por fim, a playlist elaborada durante abril de 2022:

segunda-feira, 11 de abril de 2022

BALANÇO MUSICAL - Março de 2022

(Arte por Franceso Francavilla. Batman pertencente à DC Comics, todos os direitos reservados)

Olá! Seja bem-vindo ao meu projeto Balanço Musical, uma coluna mensal na qual falo sobre música, o que escutei no mês que se passou, o porquê das escolhas, o que me influenciou nesses dias, e publico uma playlist com uma faixa referente a cada dia do período. O objetivo não é nada além de escrever um pouco mais sobre música no blog, apresentar algumas coisas diferentes e dar às pessoas a oportunidade de conhecer novos artistas e canções. As postagens são publicadas sempre na primeira segunda-feira útil de cada mês (exceto quando ela coincide com o primeiro dia do mês -- ou quando não me dá tanta vontade assim).

Março foi um bom mês. Quer dizer, ele começou muito bem, com o primeiro dia ocorrendo durante o Carnaval e sendo reservado a minha ida ao cinema, a primeira desde fevereiro de 2020, para assistir Batman; e terminou um pouco mal por conta de ocorrências em seus últimos dias, em especial a morte do baterista Taylor Hawkins, importante membro do Foo Fighters, o que me deixou abalado por dias. Ainda assim, não foi capaz de ofuscar os bons dias vividos entre lazer e trabalho, que contaram com idas a festa de aniversário de uma amiga e a reencontro com alguns velhos amigos após anos sem se ver, bem como com o (re)lançamento de Persona 4 Arena Ultimax para consoles e PC, e a estreia da série do Cavaleiro da Lua, um personagem menos conhecido que é protagonista de ótimas histórias, e se espera que a adaptação siga nessa mesma linha.

E claro que ele também foi acompanhado de muita música, que eu simplesmente não consigo deixar de escutar, por mais que tente (embora, sinceramente, não haja lá muito motivo: basicamente TUDO eu posso fazer enquanto escuto algo). Segundo meu last.fm, foram 3.226 reproduções realizadas durante março (média de 104/dia), que contaram com 585 artistas, 933 álbuns e 2.927 faixas diferentes (curiosamente, apenas uma a menos que minhas reproduções totais de fevereiro desse ano). A média se manteve consistente com os últimos dois meses, mas todos os demais números subiram. O segredo? Voltei a ouvir mais playlists, e aí não tem jeito mesmo.

Como já disse em outras postagens, não tenho reinventado a roda em minhas audições recentes, como cheguei a fazer em determinados momentos do passado. Claro, vez ou outra eu ainda ouço algo que, em outros tempos, seria impensável para mim, mas o grosso do que escuto segue sendo Rock, Metal e Pop oitentista. Mas nem por isso que deixei de fazer descobertas ou revisitar materiais que há tempos não ouvia, bem como conferindo lançamentos ou faixas recentemente divulgadas. E tudo isso pode ser constatado em meus DESTAQUES DO MÊS a seguir.

ARTISTAS DO MÊS:


- Pain of Salvation (Metal Progressivo): eis uma "descoberta" recente minha que só fui dar maior atenção recentemente. O Pain of Salvation é uma banda difícil de se descrever, pois suas composições variam entre o melancólico e o denso, o pesado e o destruidor... O fato é que suas canções, melodias e letras chegaram a tocar meu âmago, e a identificação foi imediata. Um grupo ímpar no cenário atual.

Destaco também:

- The Rolling Stones (Rock)

- Creedence Clearwater Revival (Southern Rock, Rock Psicodélico)

- Bullet For My Valentine (Metalcore, Metal, Thrash Metal, Hard Rock)

ÁLBUNS DO MÊS:


- Scorpions - Rock Believer (Hard Rock, Rock; 2022): o Scorpions vinha de uma última década inusitada, que contou com anúncio de "último" álbum, aposentadoria e turnê de despedida, volta atrás na decisão e lançamentos bons, mas burocráticos, sem se assimilar com seus melhores momentos. Um novo álbum parecia fadado a seguir o mesmo caminho dos anteriores... Só que, felizmente, não. Os alemães voltaram a suas raízes e, aliados à experiência adquirida em mais de 55 anos de atividade, revitalizaram seu som, ao mesmo tempo que mostraram muita vontade e se mostraram muito à vontade. Riffs marcantes, solos inspirados e uma voz quase intacta de Klaus Meine são algumas das marcas possíveis de serem conferidas em Rock Believer. Sabe-se lá qual o próximo passo grupo, mas que eles mantenham a qualidade aqui vista.

Destaco também:

- Ghost - Impera (Metal, Hard Rock; 2022) -- preciso confessar que, à primeira ouvida, pareceu um baita disco, mas escutei uma ou outra música separadamente e não senti essa força toda. Talvez tenha sido o impacto da música de abertura, mas foi por conta disso que não o coloquei no destaque principal. Ainda assim, recomendado

- Sabaton - The War To End All Wars (Metal; 2022) -- Metal de qualidade tendo a Primeira Grande Guerra como tema. Destaco às surpresas que tive quanto a versatilidade sonora, com o grupo saindo de seu habitual

- Midnight Oil - Resist (Rock, Hard Rock; 2022) -- esse pode ou não ser o último álbum do Midnight Oil. Caso se confirme, será uma despedida mais que digna, com todos os elementos que consagraram o grupo e letras mais críticas, diante dos tempos que vivemos e a situação ambiental cada vez mais grave

- FM - Thirteen (Hard Rock, AOR; 2022) -- em primeira audição, achei o anterior, Synchronized, superior, mas ainda sobra qualidade neste novo trabalho do grupo

- Beth Hart - A Tribute to Led Zeppelin (Hard Rock; 2022) -- Beth Hart já errou? Se já, eu desconheço. Esse registro com interpretações das músicas do Led Zeppelin é coisa fina, tendo fidelidade ao material de origem, mas também sendo repleto de personalidade própria

- Chris Cornell - No One Sings Like You Anymore (Rock; 2020) -- esse álbum póstumo é composto inteiramente de covers, mas isso não é nenhum demérito. O título é autoexplicativo

- Inglorious - Ride To Nowhere (Hard Rock; 2019) -- estou conhecendo esse grupo ao contrário de seus lançamentos. Curiosamente, mal dá para perceber muita diferença entre esse e seu sucessor. Sinal que os caras são bons mesmo 

- Mr. Big - What If... (Hard Rock; 2010)

- Ayreon - 01011001 (Metal Progressivo, Rock Progressivo; 2008)

- Avantasia - The Metal Opera, Pt. 1 (Metal Progressivo, Metal Sinfônico, Power Metal; 2001)

- The Cure - Bloodflowers (Rock Gótico, Post-Punk, Rock Alternativo; 2000)

- Moonspell - Sin/Pecado (Metal Gótico, Doom Metal; 1998)

- The Black Crowes - By Your Side (Hard Rock, Southern Rock; 1998)

- New Order - Technique (Post-Punk, Pop Rock, Dance Rock; 1989)

- Skid Row - Skid Row (Hard Rock, Metal; 1989)

- Gary Moore - After The War (Hard Rock, Blues Rock; 1989)

- John Forgety - Centerfield (Rock, Southern Rock, Heartland Rock; 1985)

- Whitesnake - Slide It In (Hard Rock; 1984)

- Journey - Frontiers (Hard Rock, Rock, AOR, Pop Rock; 1983)

- Styx - Paradise Theatre (Rock, Hard Rock, AOR; 1981)

- Yes - Relayer (Rock Progressivo; 1974)

FAIXAS DO MÊS:


- Nirvana - Something In The Way (Grunge, Rock Alternativo; 1991): a música mais presente em todos os materiais promocionais de Batman (e no próprio filme) tinha que ser minha escolha, além de ser, claro, uma grande composição de Kurt Cobain, que parece combinar tanto com o falecido vocalista quanto com o protagonista vivido por Robert Pattinson na adaptação.

Destaco também:

- Foo Fighters - Best of You (Rock; 2005) -- singela homenagem ao baterista do grupo, Taylor Hawkins, falecido no último dia 26. Que descanse em paz

- The Jam - Start! (Pop Rock, Post-Punk; 1980) -- brincadeira com o próprio nome da música iniciar o mês com ela

- .38 Special - Hold On Loosely (Hard Rock, Rock; 1980)

- Alice Cooper - Hello Hooray (Glam Rock, Hard Rock; 1973)

Confira, por fim, a playlist feita durante março de 2022:

segunda-feira, 7 de março de 2022

BALANÇO MUSICAL - Fevereiro de 2022

(Arte por Alex Ross. Pacificador pertencente à DC Comics, todos os direitos reservados.)

Olá! Seja bem-vindo ao meu projeto Balanço Musical, uma coluna mensal na qual falo sobre música, o que escutei no mês que se passou, o porquê das escolhas, o que me influenciou nesses dias, e publico uma playlist com uma faixa referente a cada dia do período. O objetivo não é nada além de escrever um pouco mais sobre música no blog, apresentar algumas coisas diferentes e dar às pessoas a oportunidade de conhecer novos artistas e canções. As postagens são publicadas sempre na primeira segunda-feira útil de cada mês (exceto quando ela coincide com o primeiro dia do mês -- ou quando não me dá tanta vontade assim).

Fevereiro foi um mês interessante em minha vida, repleto de novidades e mudanças em minha rotina, com um impacto mais que positivo. Também foi rápido, se passando num estralar de dedos, e relativamente tranquilo. Claro, tive alguns percalços no trajeto, mas nada que tenha ofuscado os bons momentos que tive. Pra agregar a isso tudo, ainda tivemos os finais das primeiras temporadas de Pacificador e O Livro de Boba Fett, que não deixaram a desejar em nada comparado a tudo que vinham mostrando até então, assim como o lançamento do jogo Horizon: Forbidden West, embora só tenha recebido minha cópia, comprada em pré-venda, uma semana depois do previsto. E, particularmente, esse foi um momento que comprei alguns discos de vinil, que venho escutando com frequência nos últimos dias. Então, sim, outro mês que dá para ser definido como "bom".

Muito por reflexo da menor quantidade de dias, fevereiro também foi um mês em que escutei um pouco menos música que meu habitual, embora ainda dentro da minha média geral. Segundo meu last.fm, foram 2.928 reproduções musicais nos últimos 28 dias (média de 104/dia), contando com 388 artistas, 564 álbuns e 2.632 faixas diferentes. Dá continuidade à tendência vista em janeiro último, e fico espantado em como minha decisão de dar preferência a álbuns ao invés de playlists impactou meus números de artistas e álbuns, especialmente em comparação com 2019, 2020 e 2021, quando criei o ritmo de consumo que possuo hoje (e que também possuem ótimas playlists, não deixei de conferir).

E assim como nesses anos, bem como nos anteriores desde 2016, fevereiro foi inteiramente dedicado a ouvir álbuns que eu ainda não havia escutado até então, um a cada dia, montando a playlist do mês exclusivamente com músicas tiradas deles. Mas se nos últimos anos variei entre resenhar ou comentar tudo o que ouvi, dessas vez vou seguir meu padrão atual e comentar apenas aqueles registros que eu realmente acho que preciso comentar, apenas listando os demais. Então, confira abaixo quais foram minhas escolhas de fevereiro em 2022.

- U2 - How To Dismantle An Atomic Bomb (Rock, Pop Rock; 2004): esse eu confesso que só escutei para ter Vertigo como primeira música da playlist, mas é um ótimo álbum da banda após sua fase mais pop, logo na sequência do também ótimo All That You Can't Leave Behind.


- Jethro Tull - The Zealot Gene (Rock Progressivo, Folk Rock; 2022): depois de um hiato de 19 anos sem gravar em estúdio (e 23 anos sem registrar material 100% inédito), o grupo liderado por Ian Anderson sem toda aquela intensidade de outrora, mas também longe de diminuir a qualidade do trabalho por conta disso. O novo álbum remete muito aos clássico do Jethro Tull, mas também tem uma pegada mais cabível (e até esperada) para o experiente grupo. Mas está tudo lá: as canções inspiradas, a parte progressiva e, claro, a flautinha do líder.
 
- Uriah Heep - The Magician's Birthday (Hard Rock, Rock; 1971)


- John Mellencamp - Strictly A One-Eyed Jack (Rock, Folk Rock; 2022): o artista se mostrou inspirado em seu mais recente trabalho, com canções melancólicas e reflexivas, mas que não deixam de ter aquela pegada mais popular que o consagrou. Destaque ainda para as duas participações de Bruce Springsteen, que dão um toque de ouro ao álbum.

- George Harrison - Brainwashed (Rock; 2002)

- Tesla - Mechanical Resonance (Hard Rock, Metal; 1986)


- Korn - Requiem (Metal, Nu Metal; 2022): o sucessor de The Nothing, lançado em 2019, é um dos discos mais curtos do Korn, mas a duração é inversamente proporcional à qualidade. Requiem traz todo o peso da banda, sua marca registrada, em uma embalagem ainda mais refinada do que anteriormente, enquanto a duração faz desse um de seus trabalhos mais acessíveis.

- Motörhead - Bastards (Metal, Hard Rock; 1993)


- Saxon - Carpe Diem (Metal; 2022): Metal clássico inglês de qualidade. Isso é o que se espera do Saxon, e isso é o que o grupo entrega. Mas eles não soam datados, longe disso, parece que souberam atualizar seu som com maestria. A idade parece fazer bem a essas lendas da NWOBHM.

- Rage - Reflection of a Shadow (Thrash Metal; 1990)


- Bring Me The Horizon - amo (Metal, Hard Rock, Metalcore; 2019): eu posso não ter ouvido muito do BMTH, mas gostei muito de tudo o que ouvi até aqui. O grupo liderado por Oliver Sykes tem aquele apelo que faz de boas bandas lendárias, e especialmente no Metal, e isso é palpável em amo.

- L'arc En Ciel - True (J-Rock; 1995)

- Talisman - Truth (Hard Rock; 1998): uma das bandas que mais gostei de ter contato nos tempos mais graves da pandemia parece que nunca gravou um álbum ruim sequer. Ainda bem.


- Slash feat. Myles Kennedy & The Conspirators - 4 (Hard Rock; 2022): talvez o melhor desde Apocalyptic Love, por melhor que World On Fire seja. O novo registro de Slash ao lado de Myles Kennedy os Conspirators é um trabalho que traz aquela qualidade dos dois primeiros álbuns aliada a uma sonoridade e, principalmente, uma seleção de faixas mais direta. Acredito que, feito esse ajuste, as próximas empreitadas do guitarrista e sua banda serão certeiras.

- Hanoi Rocks - Oriental Beat (Hard Rock, Glam Metal; 1980): o disco que possivelmente deu origem ao famigerado "Rock Farofa", o Hard Rock/Hair Metal/Glam Metal dos anos 1980, e que é muito bom e em quase nada soa como o subgênero viria a soar.

- Slaughter - Stick It To Ya (Hard Rock, Metal; 1989): um ótimo trabalho que dosa muito bem peso com momentos mais acessíveis, vale a pena conferir.


- Wig Wam - Non Stop Rock'n'Roll (Hard Rock; 2010): o álbum que contém a abertura de Pacificador obviamente foi ouvido no dia que o último episódio da série foi ao ar, mas mais do que isso, é um ótimo trabalho que soa como Hard Rock oitentista, mas com aspectos mais atualizados. Deus abençoe James Gunn por ter incluído a faixa na já icônica apresentação da série e aparentemente salvo a carreira desses caras.

- Glenn Hughes - Building the Machine (Hard Rock, Funk Rock; 2001)


- Amyl and The Sniffers - Comfort To Me (Punk Rock, Indie Rock; 2021): esse aqui eu peguei de uma recomendação que vi em rede social, confesso, mas fiquei muito surpreso com o som, enérgico e cheio de atitude. Uma banda para se ficar de olho no futuro.

- New Order - Get Ready (Rock, Pop Rock, New Wave, Post-Punk; 2001)

- The Rolling Stones - Their Satanic Majesties Request (Rock; 1967)


- Atlus Sound Team; Lyn - Persona 5 Royal: Original Soundtrack (J-Rock, Jazz; 2022): esse aqui provavelmente era o álbum que eu mais queria ouvir em fevereiro. Eu amo a trilha sonora de Persona 5 e também amei muito as novas faixas incluídas em Persona 5 Royal, e já não era sem tempo de colocar essas músicas nos serviços de streaming. E o melhor: com a versão completa de Colors Flying High, abertura que até então se desconhecia mais do que aqueles 1min36seg presentes no jogo.

- The Monkees - More Of The Monkees (Rock; 1967)

- Elastica - Elastica (Rock, Britpop, Punk Rock; 1995): esse aqui foram ANOS de espera (desde 2017) para ouvir, até que finalmente apareceu nos streamings no começo desse ano. E valeu a espera, pois é um dos registros definitivos da era do Britpop.


- Tears For Fears - The Tipping Point (Rock, Pop Rock, New Wave, Pop; 2022): eis outra banda que teve um longo hiato sem registrar nada em estúdio (18 anos), o Tears For Fears retorna após um período conturbado de seu vocalista e guitarrista, Roland Orzabal, que parece exorcizar seus demônios nesse álbum que em muito renova o som da dupla, enquanto segue com aquelas letras mais profundas e conscientes, que são sua marca registrada.


- Atlus Sound Team; Lyn - Persona 5 Strikers: Original Soundtrack (J-Rock, J-Metal, J-Pop; 2022): outra que eu queria ouvir muito, porque é absolutamente incrível. Pega muitos dos temas originais de Persona 5 e os reinterpreta numa pegada muito mais voltada para o Metal, enquanto traz seus próprios (e ótimos) temas, tornando essa uma das grandes trilhas sonoras dos jogos da série Persona.

- Badfinger - Straight Up (Rock, Hard Rock; 1971)

- Atlus Sound Team; Yumi Kawamura; Lotus Juice - Persona 3 FES: Original Soundtrack (J-Rock, J-Pop, J-Rap; 2007): para fechar a playlist com estilo, usando a faixa que inspirou seu título, a trilha sonora da versão "melhorada" de Persona 3 traz alguns dos grandes temas da série, em especial sua rápida abertura e seu melancólico encerramento.

Confira, por fim, a playlist elaborada durante fevereiro de 2022:

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

BALANÇO MUSICAL - Janeiro de 2022

(Arte encontrada aqui. Personagens pertencentes à Atlus Co. Ltd., todos os direitos reservados)

Olá! Seja bem-vindo ao meu projeto Balanço Musical, uma coluna mensal na qual falo sobre música, o que escutei no mês que se passou, o porquê das escolhas, o que me influenciou nesses dias, e publico uma playlist com uma faixa referente a cada dia do período. O objetivo não é nada além de escrever um pouco mais sobre música no blog, apresentar algumas coisas diferentes e dar às pessoas a oportunidade de conhecer novos artistas e canções. As postagens são publicadas sempre na primeira segunda-feira útil de cada mês (exceto quando ela coincide com o primeiro dia do mês -- ou quando não me dá tanta vontade assim).

Janeiro foi um mês que, tal qual o ano de 2022, comecei sem expectativa nenhuma. E não foi para menos: depois de tudo o que aconteceu em dezembro, eu estava um pouco cabisbaixo e sem muita perspectiva. Felizmente, certas coisas se resolveram, e passei a enxergar meu futuro com alguma clareza. Às vezes, precisamos de um belo chacoalhão para despertarmos para certas questões, e acredito que esse tenha sido meu caso. De qualquer modo, estive de férias do trabalho nos primeiros 15 dias (o que foi ótimo para eu tomar a terceira dose da vacina contra o SARS-CoV-19 e poder sofrer sem ter mais nada importante para fazer no dia seguinte) e, quando voltei, não tive que fazer muita coisa, inclusive voltando ao regime remoto integral, então tive bastante tempo para organizar meus pensamentos, assim como assistir filmes como Coquetel Explosivo e Eternos, além dos primeiros episódios da espetacular série do Pacificador, além de produções de Star Wars, como Rebels (sequência lógica após terminar Clone Wars) e O Livro de Boba Fett, que ganhou alguns de seus melhores episódios ali nas duas últimas semanas. Então, posso dizer que os últimos 31 dias foram minimamente estranhos, mas passaram longe de serem ruins e, olhando em retrospecto, dá até para chamar o período de "bom".

Com tanto tempo em minhas mãos, claro que janeiro seria bom musicalmente, e realmente foi. Longe de conseguir repetir o que fiz em dezembro, que acho muito difícil conseguir superar, mas ainda assim foi extremamente digno de nota. Segundo meu last.fm, foram 3.210 reproduções feitas nessas primeiras semanas do ano (média de 103/dia), que contaram com 502 artistas, 696 álbuns e 2.964 faixas diferentes. Os números referentes às músicas foram sem dúvidas elevados, mas os de artistas e álbuns foram bem abaixo do que eu esperava, provavelmente porque parei de ouvir playlists temáticas em determinadas horas do meu dia, mas está tudo dentro do esperado no geral. E achei engraçado que tive um início mais lento durante os primeiros dias, tentando internalizar minhas intenções de pegar um pouco mais leve, mas percebi algo: eu não consigo mais ficar sem ouvir muita música. Então, esses números elevados ainda devem se manter por um bom tempo.

E mais uma vez, não reinventei a roda durante o mês e me mantive mais ou menos dentro do esperado, ouvindo e escolhendo artistas relacionados ao Rock e Metal, embora tenha uma surpresa ou outra em minhas indicações. Mas isso é até bom, pois se mantém no espírito da coluna, o que é importante considerando que essa postagem também é comemorativa dos 5 ANOS DO BALANÇO MUSICAL, que eu jamais imaginei que chegaria tão longe... 

E, sinceramente, talvez esteja chegando a hora de parar. 

Infelizmente, as postagens consomem muito mais do meu tempo livre do que eu gostaria e, por mais que eu ame música, ame escrever e ame fazer essas publicações, elas não dão o retorno devido para que eu continue com elas. Os blogs estão mais do que mortos, ninguém mais tem tempo ou sequer ânimo para ler na internet, e não há motivo para continuar dando murro em ponta de faca. Ainda pretendo fazer durante esse ano de 2022, e pode ser que mude de ideia no decorrer dos próximos meses, mas acho difícil imaginar o Balanço existindo depois de janeiro de 2023. Então, meu conselho é que aproveitem enquanto ainda dá, porque tudo na vida chega ao seu fim. 

De qualquer modo, como estava dizendo, janeiro foi um mês dentro do que se espera de mim, com algumas novidades de início de ano, alguns clássicos e muita música boa, e é possível conferir tudo isso em minha seleção de DESTAQUES DO MÊS logo abaixo.

ARTISTAS DO MÊS:


- David Bowie (Rock): sim, mais uma vez. Deus, o quão previsível eu posso ser? Mas há um bom motivo para Bowie ter sido meu principal artista de janeiro: o mês traz as datas tanto do aniversário dele quanto de sua morte, além do aniversário de lançamento de seu último trabalho, Blackstar. Mas, sinceramente, preciso de justificativa para ouvir ao lendário Camaleão? Definitivamente não.

Destaco também:

- The Who (Rock)

- Korn (Nu Metal)

- U2 (Rock, Pop Rock, Post-Punk)

- Black Sabbath (Metal)

- The Offspring (Punk, Pop Punk)

- The Smashing Pumpkins (Rock, Rock Alternativo, Pop Rock)

- Genesis (Rock Progressivo, Rock, Pop Rock)

- Nightwish (Metal Sinfônico)

- Angra (Power Metal, Metal Melódico, Metal Experimental)

ÁLBUNS DO MÊS:


- The Weeknd - Dawn FM (Pop, Synth-pop, 80s Revival; 2022): The Weeknd é um artista que nunca tive nada contra, até havia chego a ouvir After Hours à época de seu lançamento e gostado do resultado, mas não era lá grande fã. Mas o que ouvi em Dawn FM me chamou a atenção por remeter à sonoridade dos anos 1980 sem deixar de ser atual, e também ser um registro recheado de emoção e ideias. Uma ótima forma de se iniciar 2022.

Destaco também:

- Steve Vai - Inviolate (Rock, Hard Rock, Instrumental; 2022) -- que trabalho espetacular desse mago das guitarras, quase cheguei a colocá-lo em meu destaque principal

- Keb' Mo' - Good To Be... (Blues, Blues Rock, Folk; 2022) -- acho que não estava no clima para ouvir esse e acabei achando meio chato, provavelmente vou revisitá-lo em breve

- AC/DC - Rock Or Bust (Hard Rock, Blues Rock; 2014)

Almah - Unfold (Power Metal, Metal Melódico; 2013)

- Soundgarden - King Animal (Grunge, Hard Rock; 2012) -- demorei todos esses anos para ouvir o último registro da banda, mas achei que foi uma despedida digna (e involuntária) para um dos maiores grupos do Grunge

- Dream Theater - Six Degrees of Inner Turbulence (Metal Progressivo; 2002) -- um dos poucos álbuns do grupo que não havia escutado até então, e que curiosamente fez aniversário dias depois

- Pearl Jam - Riot Act (Grunge, Hard Rock; 2002)

- Alice In Chains - Alice In Chains (Grunge, Metal; 1995)

- Bruce Springsteen - The Ghost Of Tom Joad (Rock, Folk Rock; 1995)

Whitesnake - Slip of the Tongue (Hard Rock; 1989)

- Sisters of Mercy - Floodland (Rock, Goth Rock; 1987)

- Asia - Astra (Rock, Rock Progressivo, Pop Rock, New Wave; 1985)

- Deep Purple - Stormbringer (Rock, Hard Rock, Funk Rock; 1974)

- The Velvet Underground - Loaded (Rock, Rock Experimental, Avant-Garde; 1970)

FAIXAS DO MÊS:


- Steve Conti - Call Me Call Me (Rock; 1999): não mencionei acima, mas janeiro acabou por também ser um mês de despedidas precoces e longe do ideal, e achei que essa música, encerramento de um dos mais marcantes episódios de Cowboy Bebop, cairia como uma luva para simbolizar o momento, bem como fechar a playlist.

Destaco também:

- Muse - Won't Stand Down (Rock, Hard Rock; 2022) -- muito se falou sobre a nova música do Muse antes de seu lançamento, por conta da divulgação de um trecho pelo vocalista Matt Bellamy repleto de peso antes de seu lançamento oficial, com muita gente falando que o grupo iria se aventurar pelo Metal. E realmente, é uma faixa muito mais pesada do que o costumeiro da banda, mas que também não se desvencilha dos elementos mais habituais do trio. Não que isso seja ruim, muito pelo contrário, e me lembrou muito do que apresentaram em Drones, de 2015

- Lyn, Shihoko Hirata, Yumi Kawamura, Lotus Juice - Road Less Taken (J-Rock, J-Pop; 2018) -- músicas de abertura dos Persona sempre caem muito bem para iniciar playlists e, por que não, anos, especialmente essa com sua mensagem que muito ecoou em mim recentemente

- Creed - Riders On The Storm (Rock, Hard Rock, Grunge; 2015) -- desconhecia essa versão, mas gostei bastante

- Seatbelts - Ask DNA (J-Rock; 2001) -- música que escolhi para o dia em que fui tomar a minha terceira dose da vacina, muito como uma piada sobre a crença dos negacionistas de que elas alterariam o DNA das pessoas (!!!)

- R.E.M. - Stand (Rock, Rock Alternativo; 1988) -- ouvir essa música me lembra imediatamente de Parks and Recreation, mais especificamente do episódio que o Ben fica procurando o que fazer enquanto está desempregado e faz uma minúscula animação em stop-motion usando um trecho dessa faixa

Confira, por fim, a playlist elaborada em janeiro de 2022:


segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

BALANÇO MUSICAL - Dezembro de 2021

(Arte encontrada aqui. Personagens pertencentes à Atlus Co. Ltd., todos os direitos reservados)

Olá! Seja bem-vindo ao meu projeto Balanço Musical, uma coluna mensal na qual falo sobre música, o que escutei no mês que se passou, o porquê das escolhas, o que me influenciou nesses dias, e publico uma playlist com uma faixa referente a cada dia do período. O objetivo não é nada além de escrever um pouco mais sobre música no blog, apresentar algumas coisas diferentes e dar às pessoas a oportunidade de conhecer novos artistas e canções. As postagens são publicadas sempre na primeira segunda-feira útil de cada mês (exceto quando ela coincide com o primeiro dia do mês -- ou quando não me dá tanta vontade assim).

Acho que ficou bem nítido pelo teor de meus posts do Balanço Musical que não estava tendo meu melhor ano na vida pessoal, profissional ou em diversos outros aspectos, e dezembro chegou para concretizar essa tendência. Ainda que o mês tenha começado relativamente bem, terminou de forma tenebrosa, com algumas das piores surpresas que poderia ter, especialmente nesse momento, e encerrou 2021 com uma péssima nota. Mas é como disse George Harrison: "All things must pass", e sei que é exatamente isso, tudo o que aconteceu é meramente passageiro e até mesmo o último ano já ficou para trás, embora suas consequências ainda estejam aqui, mas também por mera questão de tempo. Da parte boa das últimas semanas, posso destacar o fim da (ótima) série do Gavião Arqueiro, o início de O Livro de Boba Fett, eu quase finalizando a espetacular Star Wars: Clone Wars (nesse momentos faltam meros seis episódios), ter terminado de rever Cowboy Bebop e jogado alguns video-games, ainda que bem menos do que gostaria. "Ué, e cadê Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa nessa lista aí?" Pois é, por conta das péssimas coisas que rolaram, acabei não conseguindo assistir até agora, então fica para, sei lá, quando eu puder ver.

E em mais uma ironia do destino, ou talvez a confirmação de mais uma tendência em minha vida - no caso, a de que "momentos ruins são acompanhados de muitos e ótimos sons" -, dezembro foi lotado de música. Sendo sincero, tudo indica que foi o mês em que mais ouvi música em toda minha vida: segundo meu last.fm, foram 3.822 canções reproduzidas nos últimos 31 dias (média de 124/dia), incluindo 518 artistas, 860 álbuns e 3.583 faixas diferentes. Superei com alguma folga meu recorde anterior, de junho de 2020, de modo que esses números também foram essenciais para fechar 2021 como meu melhor ano musicalmente, que contou com 40.150 reproduções, 2.503 artistas, 7.208 álbuns e 28.410 faixas diferentes, de modo que tive a honra de ser a pessoa com "100% a mais que os ouvintes no Brasil" de acordo com a Retrospectiva do Spotify, ou simplesmente quem mais ouviu música no país no último ano.

Meu plano era fazer de dezembro um mês um pouco mais eclético, incluir alguns registros diferentes do habitual em minha playlist, e eu até cheguei a escutá-los e gostar do que ouvi, mas minhas escolhas acabaram ficando naquilo de sempre: Rock, Metal, pitadas de Pop oitentista, novidades, lançamentos e algumas poucas surpresas que nem são tão surpresa assim para quem já acompanha as postagens há algum tempo, ainda mais nesse ano. Por outro lado, acabou tendo uma boa sinergia, o resultado final ficou bem agradável, então acredito que tenha sido melhor assim. Você pode entender mais sobre o que estou falando em meus DESTAQUES DO MÊS logo abaixo.

ARTISTAS DO MÊS:


- Rush (Rock Progressivo, Hard Rock): pela sei lá qual vez, Rush foi meu principal artista do mês. Não que não tenha sido justificado, pois eu realmente ouvi MUITO o trio canadense em dezembro, principalmente nas últimas duas semanas. Fora que, convenhamos, eles foram bons demais.

Destaco também:

- Foo Fighters (Rock)

- The Seatbelts (Jazz, Jazz Fusion)

ÁLBUNS DO MÊS:


- Joe Bonamassa - Time Clocks (Blues Rock; 2021): o autor do meu álbum favorito de 2020 (que eu nunca oficializei em lista alguma, mas fica aqui registrado) anunciou ao final de agosto, juntamente a um single, que lançaria um novo trabalho ao final do ano, e minha expectativa já foi lá no alto. E posso dizer que não fui desapontado, porque Time Clocks é um senhor disco, melancólico em suas reflexões sobre o tempo e que mostra o dono da empreitada no ápice de seu talento. Ainda me questionando se não foi o melhor de 2021 também, mas com certeza está nas cabeças de uma hipotética lista minha. 

Destaco também:

Paul Gilbert - Werewolves in Portland (Rock Instrumental; 2021)

Black Label Society - Doomcrew Inc. (Doom Metal, Hard Rock, Southern Rock; 2021)

Volbeat - Servant Of The Mind (Metal, Hard Rock; 2021) -- gostei, mas achei abaixo do anterior Rewind, Replay, Rebound

- Deep Purple - Turning To Crime (Rock, Hard Rock, Blues Rock; 2021) -- um disco de covers muito bom de outra banda que lançou álbuns em dois anos seguidos

- Silk Sonic - An Evening With Silk Sonic (Funk, Pop, R&B; 2021) -- eu nem sabia que isso aqui era algo, até que descobri e me apaixonei por essa união de Bruno Mars e Anderson .Paak

- Neil Young & Crazy Horse - Barn (Rock, Folk Rock, Southern Rock; 2021)

- Robert Plant & Alisson Krauss - Raise The Roof (Rock, Pop Rock, Blues, Soul; 2021)

- Adele - 30 (Pop, Soul, Jazz; 2021)

- Sepultura - The Mediator Between Head and Hands Must Be the Heart (Thrash Metal, Groove Metal, Metal Experimental; 2013)

- Kings of Leon - Come Around Sundown (Indie Rock, Pop Rock, Garage Rock; 2010)

- Angra - Aurora Consurgens (Power Metal, Speed Metal, Groove Metal; 2006)

- Muse - Absolution (Rock, Hard Rock; 2004)

- No Doubt - Tragic Kingdom (Rock, Punk Rock, Ska; 1995)

- Soundgarden - Badmotorfinger (Grunge, Hard Rock, Rock; 1991) -- clássico absoluto que completou 30 anos

- Death - Human (Death Metal, Thrash Metal; 1991) -- trabalho espetacular dessa banda revolucionária que também completou 30 anos

- Titãs - O Blesq Blom (Rock, Pop Rock; 1989)

- Oingo Boingo - Dead Man's Party (Rock, Rock Alternativo, Pop Rock; 1985)

- Rory Gallagher - Deuce (Rock; 1971) -- mais um clássico que completou 50 anos de seu lançamento em 2021

FAIXAS DO MÊS:


- David Bowie - You've Got A Habit of Leaving (Rock; 2021): ao final de 2021, foi lançada uma coletânea de raridades de David Bowie que incluía seu "álbum perdido" Toy (que já foi lançado em separado tendo a imagem acima como capa), gravado em 2000 e que foi engavetado pelo artista em determinado momento de sua produção. O trabalho é composto majoritariamente de regravações de músicas antigas de sua carreira, e essa versão de You've Got A Habit of Leaving se destacou em minha primeira audição.

Destaco também:

- Smith/Kotzen - Got a Hold On Me (Hard Rock; 2021) -- a melhor do EP Better Days, que já havia sido mencionado em novembro

- Lyn - Hoku To Bokura To (J-Pop, J-Rock; 2017) -- traduzida para o inglês como With The Stars And Us, é a música de encerramento do Persona 5 original, que escolhi para encerrar minha playlist e inspirar seu nome

- Shihoko Hirata - Backside Of The TV (J-Pop; 2008) -- diretamente do interior do TV World de Persona 4

- Atlus Sound Team - Heartful Cry (Rock Instrumental; 2007) -- uma das minhas favoritas da trilha de Persona 3 FES

- Trans-Siberian Orchestra - The Lost Christmas (Metal Progressivo; 2004)

- Johnny Cash - Hurt (Country Rock; 2002)

- Simply Red - Stars (Pop Rock; 1991) -- só coloquei porque finalmente achei essa música depois de anos

- John Lennon - Happy Xmas (War Is Over) (Rock; 1971) -- alô Simone

Confira, por fim, a playlist feita durante dezembro de 2021: