Mais uma semana, mais um episódio de Doctor Who. A décima temporada chega a seu terceiro capítulo de forma divertida e até descompromissada, mas sabendo trabalhar seus protagonistas e sempre abordando temas contemporâneos importantes. Embora a aventura em si não tenha sido tão empolgante quanto anteriormente, Thin Ice trouxe em seu subtexto discussões necessárias em nossa sociedade atual, sobre racismo e valor da vida humana.
Dando continuidade ao que vimos até aqui, Bill segue conhecendo o Doutor, e dessa vez ela se depara com uma de suas facetas mais chocantes às pessoas comuns: o homem que sempre quer ajudar a todos, mas que nem sempre consegue, reconhece a falha e segue em frente. A jovem fica abismada com a facilidade com que o protagonista supera um trágico acontecimento, o que rende um excelente momento de conversa entre os dois, com algumas das palavras mais marcantes já proferidas pelo personagem principal.
Os diálogos, aliás, são o ponto mais forte de Thin Ice, tendo sido feitos sob medida para Peter Capaldi e Pearl Mackie brilharem enquanto tratam de importantes e necessários assuntos como escravidão, racismo e desenvolvimento social. Tudo isso se torna mais inusitado se pensarmos que o episódio se passa em 1813, o que só prova que certos temas nunca envelhecem, e devem estar sempre sendo discutidos para evitar erros do passado.
O mistério da semana não foi tão empolgante quanto o das últimas duas, mas foram o suficiente para que Bill pudesse compreender as consequências das viagens para o passado e visse o Doutor espalhar um pouco mais de sua bondade, como espécie de pedido de desculpas pela sua frieza anterior. O mais importante momento do episódio, porém, foi o final, com Nardole gritando com o cofre visto em The Pilot, após ouvirmos batidas vindo dali de dentro, como se alguém ou algo estivesse desesperado para sair. O que (ou quem) está sendo guardado ali? Eu já tenho algumas teorias, mas isso é assunto para outro post...
CONFIRA A PRÉVIA DO PRÓXIMO EPISÓDIO, KNOCK KNOCK:
Olá! Seja bem-vindo ao meu projeto Balanço Musical, uma coluna mensal na qual falo sobre música, o que escutei no mês que se passou, o porquê das escolhas, o que me influenciou nesses dias, e publico uma playlist com uma faixa referente a cada dia do período. O objetivo não é nada além de escrever um pouco mais sobre música no blog, apresentar algumas coisas diferentes e dar às pessoas a oportunidade de conhecer novos artistas e canções. As postagens são publicadas sempre no primeiro dia útil de cada mês, o que pode ou não coincidir com o dia 1º.
Apesar deste ter sido outro mês em que a música esteve bastante presente em minha vida (talvez até mais que nos três últimos), não houve muita variação em abril. Led Zeppelin se destacou nos últimos dias por conta do trailer de Thor: Ragnarok, o qual conta com Immigrant Song como trilha sonora e que, por sua vez, me deixou com tanta vontade de escutar a banda a ponto de eu agora estar revisitando sua discografia completa, uma experiência que vem sendo fantástica e que recomendo a todos os que estiverem dispostos. Assim, na playlist, cada música dos britânicos corresponde a um dia que ouvi um de seus álbuns.
Deixaram suas marcas também The Beatles (e Paul McCartney solo) e alguns artistas presentes na trilha sonora de Guardiões da Galáxia Vol. 2, como Fleetwood Mac e Electric Light Orchestra (ELO para os íntimos), assim como alguns álbuns aniversariantes do mês que passou, como o Seventh Son of a Seventh Son do Iron Maiden, o homônimo do Whitesnake (ou 1987) e o Sonic Temple do The Cult, três clássicos que merecem várias e várias ouvidas, sejam seguidas ou ao longo da vida. Ainda, Mastodon e as músicas do ótimo Power Rangers Redux voltaram a marcar presença, como uma continuação de março.
De resto, algumas aleatoriedades. Revolution Calling do Queensrÿche apareceu nas minhas "Descobertas" da Semana no Spotify (sendo que eu já conheço a música há anos), Battle of the Heroes foi minha forma de demonstrar entusiasmo com o trailer de Star Wars: Os Últimos Jedi, On Melancholy Hill é a representante da vontade que tive de ouvir Gorillaz por conta do lançamento de Humanz, Michael Jackson agraciou minha audição com seu excelente álbum Off The Wall, enquanto Queen, David Bowie e Gang of Four estão presentes simplesmente porque tive vontade de ouvi-los, especialmente o último grupo, já que fazia algum tempo que não escutava Entertainment, um dos álbuns que mais marcaram meu 2016.
Há algo a não se amar em Guardiões da Galáxia Vol. 2? Talvez uma ou outra piada mais bobinha. Mas nenhum ponto baixo tem a capacidade de desmerecer todas as qualidades que o filme tem a oferecer, seja em seu visual repleto de cores que se destacam, seu roteiro divertido e comovente, a trilha sonora milimetricamente calculada para conduzir a trama, a ação limpa e eletrizante, as homenagens e referências que pipocam sem parar em tela, e os personagens, tanto os já conhecidos, que ganham maior profundidade, quanto os estreantes, que roubam a cena sempre que possível (em especial os antagonistas). James Gunn nos presenteia com uma frenética e tocante aventura repleta do humor que já é marca registrada do grupo, em um longa que vai para as cabeças da lista de melhores já lançados pelo Marvel Studios.
NOTA: este texto deveria ter sido lançado há um mês, mas o desenvolvimento dele acabou saindo do meu controle, ficando muito maior do que eu esperava. Melhor assim, pois também está bem mais completo do que eu imaginava inicialmente.
O último dia 25 de março marcou o primeiro aniversário do lançamento mundial de Batman vs Superman: A Origem da Justiça, que no Brasil saiu um dia antes, 24 de março (ou, se formos considerar as pré-estreias, 23). Cercado de controvérsias a respeito de sua qualidade e a retratação de seus personagens, o longa é até hoje objeto de acaloradas discussões entre os fãs de cinema e quadrinhos, que não conseguem chegar a um consenso se ele é bom ou não.
Esse é, de fato, um filme complicado de se analisar. Mas eu estou aqui para trazer alguma luz sobre o assunto. E, para cumprir essa tarefa, escolhi o formato "O bom, o mau e o feio", que usei há muito tempo, no segundo texto publicado nesse blog, sobre as manifestações de 2013. Inspirado no título original do faroeste Três Homens em Conflito, sua mecânica é simples: vou mostrar tudo que há de melhor, de pior e de pífio relacionado a BvS, como é possível conferir a seguir.
O BOM:
- A Mulher-Maravilha de Gal Gadot: se houve alguma unanimidade a respeito do filme, essa foi a participação da atriz israelense como Diana de Themyscira. Os fãs amaram a Mulher-Maravilha, por menor que tenha sido seu tempo em tela, e não a toa seu longa solo é um dos mais aguardados de 2017.
- O Batman de Ben Affleck: mesmo com toda a controvérsia a respeito de sua escalação para o papel, o ator foi outro ponto muito elogiado, conseguindo passar muito bem a carga dramática necessária para se interpretar Bruce Wayne e seu alter ego Encapuzado.
- A trilha sonora: uma das minhas coisas favoritas de Batman vs Superman são suas músicas, com todo o ar grandiloquente que possuem. Há momentos berrantes, estridentes, graves e icônicos, como já é o tema da Mulher-Maravilha. Tem todos os ingredientes que faz desse um trabalho de gênio, de modo que Hans Zimmer e Junkie XL merecem todos os elogios existentes.
- A fotografia: Zack Snyder sabe capturar cenas de certos ângulos que favorecem os personagens ou os cenários em que estão. Não há como negar isso, especialmente em momentos como o Superman no topo da montanha ou o Batman em cima da antena com o rifle sniper.
- As cenas de ação: outro ponto em que não há como criticar o diretor, é simplesmente impossível não se impressionar (e se empolgar) com a forma que as cenas de ação são bem coreografadas, detalhadas e grandiosas, mesmo as mais contidas, como o confronto entre o Batman e os criminosos no galpão.
- A reação do mundo ao Superman: um dos aspectos mais interessantes do longa é ver as consequências das ações do Superman após os eventos de Homem de Aço, com a população e a mídia questionando o resultado disso tudo e até mesmo sua própria existência, como fica claro na frase dita pelo astrofísico Neil DeGrasse Tyson em sua breve participação, "Must there be a Superman?". Esse questionamento já havia aparecido em uma edição clássica da HQ do azulão, e foi interessante vê-lo ser adaptado para as telas.
- A sequência de sonho do Batman: apesar de eu já ter falado sobre as cenas de ação, tive que separar essa do resto, de tão excelente que essa sequência do Batman Knightmare no deserto é. O único jeito de não se empolgar com isso é estando morto por dentro.
- A união da Trindade nas telas: ver o Superman, o Batman e a Mulher-Maravilha juntos no cinema era o sonho de muitos fãs, e BvS nos proporcionou isso, mesmo que brevemente e a seu modo. Ainda assim, foi incrível ver os três heróis mais icônicos da história dos quadrinhos lutando lado a lado.
- A fidelidade visual: os uniformes do Superman, do Batman e da Mulher-Maravilha parecem ter sido tirados diretamente das páginas das HQs, de tão fieis que estão. Essa semelhança é muito importante na representação de personagens tão clássicos, e levou muitos fãs ao êxtase.
O MAU:
- O Lex Luthor de Jesse Eisenberg: um dos pontos mais criticados de Batman vs Superman é seu principal vilão. Além de sua caracterização ir na contramão da versão mais conhecida do público (um gênio sério, centrado e calculista, e não esse cientista louco e descontrolado que vimos), a atuação de Eisenberg só piorou a representação, sendo extremamente afetada, repleta de maneirismos e tiques, e muitas vezes irritante. O resultado final é o que vimos, um personagem desencontrado e que beira a esquizofrenia. O que nos leva a outro ponto...
- O plano sem sentido de Lex Luthor: sabemos que Luthor queria destruir o Superman e que esse era seu grande objetivo. Mas os meios que ele usou para alcançá-lo... Vamos recapitular: ele colocou o Batman e o Superman um contra o outro, trouxe a kryptonita para o Batman roubá-la propositalmente, fez os heróis brigarem entre si ao mesmo tempo que mantinha a Martha Kent em cativeiro e estava criando o Apocalipse. Esse plano dependia de tantas variáveis que a chance dele dar errado era muito alta. E se o Batman tivesse matado o Superman, fazia o que com o Apocalipse? E se os dois tivessem morrido no confronto? E se o Batman não tivesse roubado a kryptonita? Fora os pontos intermediários, como a explosão do Capitólio em Washington. E se o Superman evitasse que ela acontecesse, algo bem plausível se considerarmos seus poderes? Poucas são as coisas que fazem sentido nisso tudo.
- A caracterização do Superman: Henry Cavill nos entregou uma atuação decente dentro do possível, com o material que tinha em mãos. Mas a forma como o Superman foi retratado no roteiro é sofrível. Cheio de dúvidas, questionando sua moral o tempo todo, sem saber o que fazer, como se comportar, sem um pingo de senso de liderança. Isso pode ser qualquer coisa, menos o Homem de Aço que conhecemos, um personagem de moral inabalável desde os primórdios, que foi ensinado a fazer o que é certo desde o princípio, o epítome da bondade, tão grande quanto a vida e que inspira todos a sua volta. Já falei sobre quem é o Superman anteriormente, e isso só mostra que Zack Snyder não compreende o herói que tem em mãos.
- A caracterização do Batman: apesar dos elogios à atuação de Ben Affleck, seu Batman vai na direção oposta de tudo o que o personagem representa. Se dizendo um criminoso, matando capangas de Luthor de modo inconsequente, marcando bandidos para eles serem mortos na cadeia, estando cego pelo ódio a ponto de não raciocinar e deixando grande parte de suas habilidades de detetive de lado. Nada disso faz justiça ao Morcego como conhecemos, um detetive lógico e incansável vigilante, que às vezes se utiliza de medidas extremas, mas que não mata, algo imutável em seu (distorcido) código moral. Pelo menos Snyder acertou na amargura de Bruce Wayne.
- O mau-aproveitamento de Lois Lane: pela versão que foi aos cinemas, ficou claro para qualquer espectador que a produção não via motivos para Lois Lane estar presente além de cumprir o contrato de Amy Adams. Seu impacto na trama beira o zero, seus motivos são confusos e eu preferia não ter testemunhado as vergonhosas cenas em que ela joga a lança de kryptonita dentro d'água para ter que ir pegar de novo na sequência (e quase morrer afogada). É verdade que a versão estendida deu a ela mais propósito e tempo de tela, mas esses 30 minutos adicionais não apagam o restante do filme.
- O roteiro mal-escrito: todos os problemas citados acima poderiam ser resumidos como falhas de roteiro, mas eles são tão gritantes que precisavam de itens próprios para que meus argumentos pudessem ser devidamente desenvolvidos. Não significa, porém, que isso já encerra esse tópico, pois o roteiro tem ainda mais pontos negativos, como as resoluções rápidas feitas porcamente, o pouco sentido de certas situações, o modo como certos personagens mudam completamente de ideia. Não há como defender esse script, com mais furos que um queijo suíço.
- A preferência por momentos ao invés de cenas: como é melhor explicado no vídeo abaixo, Zack Snyder evita desenvolver cenas e dá preferência à apresentação de momentos, que precisam ser cada vez mais épicos, sempre surpreendendo a audiência. Mas isso simplesmente não cria substância nenhuma para o filme, tornando-o belo em seu visual, mas vazio em sua essência.
- O desperdício da morte do Superman: a chegada de Apocalipse à Terra e seu confronto derradeiro com o Homem de Aço fizeram do falecimento do herói um dos momentos mais importantes da história dos quadrinhos, em uma cobertura que ultrapassou a mídia especializada e chegou a diversos jornais do horário nobre ao redor do globo. Mas o filme resumiu este grandioso evento à resolução de seu terceiro ato, de uma maneira muito simplista que não fez jus à sua contraparte. O que poderia ter sido um longa tão importante quanto a HQ foi na época acabou sendo desperdiçado como um mero momento de BvS. Admiro a coragem de terem matado o Superman logo no segundo filme do Universo Expandido da DC, mas poderia ter sido muito melhor.
- A necessidade de apresentar tantos conceitos e personagens: não é novidade para ninguém que a Marvel está há quase uma década desenvolvendo seu universo compartilhado nos cinemas, já tendo consolidado franquias e personagens que caíram nas graças do público e da crítica. A DC/Warner, por outro lado, iniciou seu projeto em 2013, com o lançamento de Homem de Aço, que apresentou apenas a nova versão do Superman. Eles precisavam correr atrás do prejuízo, especialmente após o sucesso estrondoso que Os Vingadores fez no ano anterior, e viram em Batman vs Superman essa oportunidade, ao ponto de inserir no filme vários elementos a serem trabalhados no futuro e que já pudessem alavancar no lançamento de Liga da Justiça (que sai em novembro de 2017). Mas isso acabou sendo prejudicial ao longa, que não conseguiu conciliar todos os elementos e acabou ficando um tanto disforme, quase sem foco. O típico caso em que se mirou muito e acertou pouco.
O FEIO:
- O CGI do Apocalipse: por mais que eu tenha elogiado os visuais do filme, é inegável que o visual do Apocalipse poderia ter sido melhor melhor trabalhado. Mas infelizmente a versão do adversário definitivo do Superman é uma mistura genérica de Orc com uma das Tartarugas Ninja da nova franquia. Uma pena.
- Ter de lançar uma versão estendida para certas coisas fazerem sentido: muitas pessoas reclamaram que o início do filme não tinha lógica, que faltavam explicações para certos acontecimentos. O lançamento da versão estendida de Batman vs Superman fez essas mesmas pessoas mudarem de ideia, já que os 30 minutos adicionais trabalham melhor esses momentos. Ainda assim, é vergonhoso pagar para ver algo nos cinemas e ainda ter uma experiência incompleta (parece até os games de certas empresas aí). O pior é que essa prática acabou se tornando padrão, com Esquadrão Suicida fazendo o mesmo.
- A montagem: relacionado com o item anterior, é claro para qualquer um o quão infeliz a edição de BvS é, desde o momento que envia aos cinemas um início incompleto, ao ponto de não conseguir estabelecer uma conexão clara entre diversos momentos, e culminando na cena de introdução dos futuros membros da Liga da Justiça logo antes do confronto entre Batman e Superman, do modo mais anticlimático possível. O que nos leva ao próximo ponto...
- A maneira que a Liga da Justiça foi introduzida: Bruce Wayne mandou um email à Diana com uma antiga foto dela junto com os vídeos que ele roubou de Lex Luthor, em pastas que já possuíam o símbolo de cada personagem definido. E assim somos obrigados a assistir uma cena de alguém conferindo sua caixa de entrada. Logo antes da porradaria entre o Superman e o Batman. Quem diabos achou que isso seria uma boa ideia?!
- A localização do servidor central da LexCorp: ainda no primeiro ato, Bruce precisa roubar alguns dados de Lex Luthor, e vê na festa organizada pelo vilão a oportunidade de ter acesso aos arquivos. Só que o servidor central da empresa fica localizado na residência do magnata, ao lado de sua cozinha, sem tranca alguma, sendo de fácil acesso a qualquer pessoa. Uma resolução de roteiro tão fraca que beira o vergonhoso. E imagine o quão mais legal seria se houvessem trabalhado melhor essa ideia, em toda uma sequência de infiltração stealth protagonizada pelo Batman, estando o servidor localizado em um prédio separado, ou até mesmo no subsolo da casa de Luthor, sob máxima vigilância? Mas infelizmente desperdiçaram mais uma oportunidade de desenvolver as habilidades do personagem.
- "Pegue um pote de mijo e chame-o de chá de pêssego da vovó": até hoje eu tento entender a necessidade desse momento. Em qualquer contexto. Sério, qual o problema desses caras?!
- "SALVE MARTHA": as mentes mais brilhantes que passaram pelos quadrinhos nunca haviam estabelecido a ligação sobre os nomes das mães do Batman e do Superman serem os mesmos em quase 80 anos de existência dos personagens. O "visionário" Zack Snyder pensou nisso. E era, de fato, uma ideia muito boa, que poderia ser usada de várias formas e trazer implicações interessantes à trama. Pena que ela foi desperdiçada em uma das resoluções de roteiro mais porcamente escritas da história do cinema, transformando os heróis, que até o segundo anterior se odiavam, em melhores amigos instantaneamente. E o pior é que o subtexto por trás disso tudo é ótimo, mas a execução é simplesmente terrível. Parabéns, Zack Snyder.
- A premissa do filme: fazer o Batman e o Superman se odiarem e brigarem para depois transformá-los em parceiros de combate ao crime como se nada tivesse acontecido é, e sempre foi, uma ideia idiota. O plano era homenagear a clássica HQ Batman: O Cavaleiro das Trevas, mas pegar o conceito ali presente e usá-lo ao contrário é algo que não tinha como dar certo (e de fato não deu). Havia formas muito melhores de unir os maiores da DC, em uma história que traria um suspeitando do outro enquanto trabalhavam lado a lado, mas que desenvolveria as relações entre os dois, sem envolver ódio ou mudanças repentinas de ideia. É uma pena, porém, que ninguém tenha pensado nisso.
A CONCLUSÃO:
O que fica claro, após toda essa análise feita sobre Batman vs Superman: A Origem da Justiça, é que o longa preza pela primazia visual, pela ação como um espetáculo, pelos momentos que deixam a audiência boquiaberta, e pela trilha sonora que potencializa tudo isso ao máximo, sempre em busca de causar o maior impacto possível no espectador. Mas, ao mesmo tempo, ele peca no que é básico: construir uma história original e bem amarrada e desenvolver seus personagens, elementos estes que aproximaram os fãs de seu material fonte, os quadrinhos, desde os primórdios.
Os conceitos de bom e ruim são subjetivos, e BvS tem muitos elementos que pendem para cada um dos lados. Cabe a cada um pesar o que acha mais importante em um filme e decidir se gostou ou não do que lhe foi apresentado. Uma coisa é certa, porém: ele poderia ter sido muito melhor. E, se formos pensar no que a Marvel vem conseguindo fazer apenas usando seus personagens de segundo, terceiro e até quarto escalão, um longa que une os dois maiores ícones da DC (e, no fim, a Trindade) tinha a obrigação de ser uma espécie de O Poderoso Chefão do gênero de herói. Mas passou longe disso.
Os erros cometidos aqui, porém, não são nenhuma novidade no mundo dos quadrinhos. Durante a década de 1990, dava-se muito valor para a qualidade visual dos títulos, e o quão adultos, sérios e realistas eles eram. Poucos, porém, se importavam com a qualidade dos roteiros, desde que eles apresentassem violência, personagens femininas com traços sensuais e cinismo imperando a cada diálogo.
Muitos dos responsáveis por essa onda de HQs "estéticas" se diziam influenciados pelas duas obras seminais lançadas em 1986: Watchmen e Batman: O Cavaleiro das Trevas, que apresentavam muitos desses elementos em uma abordagem mais adulta, que fez os quadrinhos caírem nas graças do público mainstream. Entretanto, nenhuma das histórias se resumia apenas a isso: enquanto Watchmen, entre muitas outras questões filosóficas, tratava-se de uma crítica ao conceito de super-herói e o porquê dele não ser cabível no mundo real, O Cavaleiro das Trevas apresentava um Batman consumido ao completo por sua própria loucura, indo aos extremos do combate ao crime, ao mesmo tempo em que havia toda uma crítica social ao fundo, pautada na época de sua publicação. Infelizmente, esses quadrinistas ficaram apenas na superfície de um muito mais vasto oceano, absorvendo (e espalhando) apenas o básico.
Não impressiona saber, então, que Zack Snyder também se diz influenciado pelas graphic novels. E, claramente, ele também não entendeu nada sobre elas. Em 2009, o diretor comandou a adaptação de Watchmen, tendo se focado na fidelidade visual, adaptando quadro por quadro, mas deixando de lado toda a essência do quadrinho, motivo pelo qual o filme recebe críticas até hoje. E, em BvS, ele tentou forçar de qualquer jeito o maior número de homenagens a Batman: O Cavaleiro das Trevas (desde o uniforme até cenas tiradas diretamente da obra), apropriando-se de conceitos, mas distorcendo-os ao ponto de chegar em um Homem Morcego psicopata que cruza a única linha que sua contraparte na HQ jamais conseguiu, mesmo estando no extremo: matar seus oponentes.
É por isso que tantos reclamaram da tonalidade do filme: porque Zack Snyder nunca entendeu Watchmen e Batman: O Cavaleiro das Trevas, só enxergou o topo do iceberg e acha que a violência, o cinismo, o sombrio e realista são o que torna as histórias melhores, quando isso não cabe em uma trama que tem como objetivo final unir a Liga da Justiça, exemplo máximo de esperança no mundo dos heróis. No fim, Batman vs Superman: A Origem da Justiça não passa de um quadrinho massavéio da década de 1990, só que feito para o cinema.
E, novamente, cabe a cada um julgar se isso é bom ou ruim. Afinal, Spawn, Youngblood e WildC.A.T.s foram grandes sucessos na época de suas estreias.
Após ter dado início a sua 10ª temporada de modo divertido e com bom ritmo, Doctor Who retornou nessa semana em um episódio que manteve a qualidade apresentada anteriormente. Smile foi uma boa aventura que tratou de temas importantes, teve sua dose de horror e soube usar o humor ao seu favor, estando ele muito presente nas interações entre o Doutor e Bill, sua nova parceira.
Falando da dupla, muito do roteiro girou em torno deles, dando continuidade aos eventos da última semana e desenvolvendo Bill, bem como sua relação com o protagonista. E dá um certo gosto em ver que existe química entre Peter Capaldi e Pearl Mackie, ambos cada vez mais mais a vontade em seus papeis. Mas é interessante ver como o Doutor está se portando com sua nova companion, tentando evitar ao máximo que ela se machuque (ou pior), mesmo que ela nunca lhe dê ouvidos e vá direto no coração do perigo.
O episódio explorou, ainda, assuntos como a senciência dos robôs, escravidão e independência, tudo para compreender melhor o que os microrrobôs Vardy estavam fazendo com aquela colônia do que restou da população humana. Curioso ver que, novamente, os antagonistas não foram abordados como vilões no sentido clássico da palavra, mas como criaturas mal compreendidas que não sabem como se portar adequadamente. Talvez isso ainda vá acontecer mais vezes, para contrastar com o retorno de Missy e a aparição do Mestre de John Simm no final da temporada.
Doctor Who segue um rumo interessante no momento, com vários conceitos interessantes e muito humor em cada episódio. O que significa que algo épico e dramático vem pela frente, para encerrar as passagens de Capaldi e Moffat na série em grande estilo. Então, não se deixem enganar e já preparem os lenços. Mas, por hora, vale aproveitar o que vem sendo oferecido, que não é pouco.