Eu estava bem animado para ver "Batman vs Superman: A Origem da Justiça". Foram meses de aguardo, acompanhando a produção e vendo fotos e trailers, alguns melhores e outros não tão bons assim. Mas a esperança era grande, e isso só aumentou quando, no começo do mês, começaram a aparecer na rede as primeiras reações de um pequeno número de pessoas que conseguiram acesso exclusivo ao filme, e elas foram bem positivas. Entretanto, eu jamais poderia prever que, após as primeiras sessões de pré-estreia e cabine de imprensa, a reação do público e, principalmente, da crítica seria tão polarizada. Uma quantidade avassaladora de resenhas e comentários negativos apareceram na rede massacrando o longa, ao mesmo tempo que muita gente o elogiava, o que incluía críticos de renome. Isso foi o suficiente para abaixar minha expectativa, mas também me fez perceber que esse é um daqueles filmes divisor de opiniões, e eu só podia assistir e desenvolver a minha própria, sem influências externas.
Dito isso, desviei de todos os spoilers possíveis e fui conferi-lo apenas no sábado. Ao fim da exibição, eu estava embasbacado. Porque haja coragem para se iniciar o Universo Cinematográfico DC dessa maneira (e quem já assistiu sabe muito bem do que estou falando). Não só isso: essa versão do Batman é a melhor já feita até hoje no cinema, a Mulher-Maravilha é ótima e sempre se destaca nas cenas, o Superman se desenvolveu muito em relação a "O Homem de Aço" (filme o qual eu acho no máximo mediano), a ação é fantástica e o desenvolvimento que culmina no tão esperado confronto é bem feito. E, indo contra a maré, não tive problema nenhum com o ritmo do filme, pois mal senti suas 2:30h de duração passarem, e gostei bastante do Lex Luthor excêntrico e pirado de Jesse Eisenberg, uma curiosa releitura do personagem que tem respaldo em certas HQs, como "Superman: Entre a Foice e o Martelo".
Não tem como dizer que "Batman vs Superman" é perfeito, porém. Ele tem sim seus problemas, especialmente nas várias resoluções rápidas e mal-feitas que o roteiro dá para certas situações-chave da trama e na caracterização do Apocalipse. Só que isso é o suficiente para jogá-lo todo no lixo? Definitivamente não. Além de tudo que já citei, a adaptação ainda possui uma trilha sonora fantástica e megalomaníaca, uma excelente apresentação e estabelecimento dos personagens que aqui aparecem pela primeira vez, uma boa dose de fan-services e muito simbolismo ao comparar os membros da Trindade com deuses mitológicos e, principalmente, Superman com Jesus Cristo (novamente: quem viu o filme sabe do que estou falando). Gostei do filme, e achei que foi um bom jeito de introduzir todo o Universo (ou MULTIVERSO?) DC nos cinemas. Essa, entretanto, foi a minha reação, e cada pessoa com que falo sobre o mesmo tem opiniões diferentes. Fica a seu critério, então, decidir se ele é bom ou não, ou se vale ver no cinema ou esperar para assistir em casa. Mas será que vale a pena segurar essa dúvida e curiosidade por tanto tempo, enquanto é possível saná-las ainda nas próximas semanas? Eu fiz minha escolha, e sei que não me arrependo.
(MINHA) NOTA: 8,5*
*ATUALIZAÇÃO 02/05/2016: como dito nesse outro texto, diminuo minha nota de "Batman vs Superman: A Origem da Justiça" para 7,25.Ainda mantenho o que escrevi aqui (exceto sobre o Luthor) e continuo a gostar do filme, mas é impossível negar seus problemas hoje.
Dia 18 de março já está quase às portas, e, com ele, chega finalmente à Netflix os novos episódios de "Demolidor". Depois de uma primeira temporada que colocou a série facilmente na primeira colocação dentre as sobre super-heróis, o aguardo por novas aventuras do Diabo de Hell's Kitchen vinha se tornando cada vez maior, especialmente após ser divulgado que grandes personagens como Justiceiro e Elektra seriam parte fundamental da trama. E, com a espera chegando ao fim e por ser grande fã de todas essas icônicas figuras, resolvi listar alguns elementos que gostaria de ver nesse segundo ano do Homem Sem Medo.
Escolhi algumas coisas mais simples, mas que já me botariam um enorme sorriso na cara se eu as visse. Confira abaixo minha seleção.
#1 - O SENTIDO DE RADAR
Uma das coisas que eu reclamei sobre a primeira temporada em minha crítica foi a ausência de uma melhor representação do maior poder do Demolidor: o sentido de radar. Ele até "aparece" quando há destaque a algum batimento cardíaco ou som distante, mas nunca chegamos a ver de fato o jeito que Matt Murdock consegue compreender o mundo a sua volta através da união de seus sentidos (e aquela maluquice de "ver o mundo em chamas" não conta). Embora seja uma adição recente, vinda pelas geniais mãos de Mark Waid, Chris Samnee e Paolo Rivera, seria algo simplesmente épico de ser representado na tela, especialmente através de algum corte vertical na imagem, fazendo um paralelo entre o que vemos e o jeito que o herói "vê" o que o cerca. E isso ficaria ainda melhor para demonstrar seus pontos fracos, como a sua impossibilidade de enxergar figuras e a dificuldade em ambientes extremamente barulhentos e agitados.
#2 - CONSIDERAÇÕES SOBRE ELEKTRA NATCHIOS
Eu poderia fazer vários tópicos sobre a Elektra nesse post, mas acabaria deixando ele muito mais cheio do que eu pretendo, então resolvi unir tudo em um só.
A primeira coisa que tenho a dizer sobre a personagem é: quero ver, em algum momento, ela usando sua clássica bandana na série. Embora tenha amado o novo visual da personagem, muito mais adequado a combate e sem o sex appeal desnecessário, faltou a bandana, esse elemento que é sua marca registrada. Sério, adoraria vê-la usando o aparato, mesmo que brevemente.
Outra consideração que gostaria de fazer é no que tange o seu relacionamento com Matt Murdock. Eles sempre tiveram uma relação conturbada, marcada por confrontos entre si, parcerias e grandes doses de romance nessa louca vida de vigilante que ambos levam. É um tópico que deve ser tratado com muita cautela, para que não fique nada muito meloso e nem frio demais. Confio nos produtores e acho que eles acertarão o tom, mas sempre é bom ressaltar.
Por fim, o ponto que considero mais importante. NÃO MATEM ELEKTRA. Sério. Embora o arco de sua morte seja um dos mais consagrados de toda a história dos quadrinhos do Demolidor, o próprio pai da personagem, Frank Miller, assumiu que foi um erro ter feito isso com uma personagem tão interessante. Tanto é que tiveram que ressuscitá-la posteriormente. Então, reitero: NÃO MATEM ELEKTRA. Pelo menos por enquanto. Até porque ainda falta um personagem para fazer uma adaptação digna dessa história. O que me leva ao meu próximo item...
#3 - MERCENÁRIO
Alguns dizem que ele é o "Coringa da Marvel", outros o chamam de "homem mais perigoso do mundo". Mas ele é, junto com o Rei do Crime, o maior algoz do Homem Sem Medo, e o fato é que chegou a hora de introduzi-lo no seriado. Claro, a primeira temporada já deixou uma referência ao vilão ao mostrar aquele atirador de elite que tinha uma carta de baralho na caixa de sua arma. Mas queremos mais. Nem que seja mais uma referência para deixá-lo preparado como antagonista de uma eventual terceira temporada. Adoraria vê-lo já nesses novos episódios, mas acho que Matt Murdock já terá problemas o suficiente para lidar com.
#4 - A "BENGALA-BASTÃO-GANCHO-CORDA"
Nos quadrinhos, o Demolidor tem um dos utensílios mais legais dos super-heróis: a sua bengala, que pode se dividir em duas e virar bastões, e que ainda por cima tem uma corda e ela pode de enganchar em alguns lugares. E, embora eu tenha relevado sua ausência durante a primeira temporada, por ser justamente o começo da carreira do personagem, acho que ela já poderia aparecer nos próximos 13 episódios, seja lá como Matt fará para consegui-la. Assim, poderíamos finalmente ver o lado mais acrobático do Diabo da Guarda na série, com ele pulando e se balançando por Nova York. #5 - UM POUCO MAIS DE REI DO CRIME
O Wilson Fisk de Vincent D'Onofrio foi um dos pontos mais aclamados da série em seus primeiros 13 capítulos. Mas, com ele fora da jogada após os eventos do último episódio, certamente os fãs sentirão falta desse ótimo antagonista. Então, por que não apresentar algumas atualizações da situação do Rei do Crime, já preparando uma eventual volta dele para o futuro? Mesmo que em uma breve aparição. E usando seu clássico terno branco, de preferência. #6 - EXECUÇÕES EXAGERADAS PELAS MÃOS DO JUSTICEIRO
Ah, vamos lá. Essa é uma das características mais marcantes do personagem, especialmente na longa e aclamada fase que ele teve nas mãos da dupla Garth Ennis e Steve Dillon. E, já que a Netflix permite uma linguagem mais adulta e a violência é liberada, por que não? Pelo menos uma, vai. Mas tem que ser algo que beire o estilo do Tarantino, só assim ficaria ideal.
#7 - ENVOLVIMENTO DA MÍDIA
Uma das coisas que mais gosto da primeira temporada de "Demolidor" é o arco de Ben Urich e o papel que a mídia tem na história. Mas, após o que aconteceu ao personagem no 12º episódio, fica difícil imaginar que esse poderoso elemento ainda vá ter a mesma influência no futuro da trama. Mas eu gostaria de ver mais disso. Talvez se eles colocassem um repórter de outro jornal, como, sei lá, o CLARIM DIÁRIO? E isso tem total com o tópico final...
#8 - PELO MENOS UMA REFERÊNCIA AO HOMEM-ARANHA
Demolidor e Homem-Aranha já protagonizaram inúmeras histórias memoráveis, e sua parceria nas HQs já é de longa data (e muitas vezes envolveu o Justiceiro também). E, agora que a Marvel Studios e a Sony Pictures tem um acordo pelos direitos compartilhados do Escalador de Paredes, acho que é quase obrigação pelo menos uma citação a ele. Até porque o "pirralho" já vai aparecer em "Capitão América: Guerra Civil", que estreia mês que vem nos cinemas, então ele já deve existir no Universo Marvel nesse momento, e seus atos já devem estar repercutindo por Nova York. E fica a torcida pela união dos personagens também nas telas, por mais improvável que isso seja.
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Queria muito ver essa cena acontecer. Mas acho que não vai rolar.
Já estamos em março. A temporada de filmes e séries de super-heróis foi inaugurada com "Deadpool" no mês passado, e ela terá continuidade nas próximas semanas com alguns dos lançamentos mais aguardados desse primeiro semestre de 2016. No dia 18, sexta-feira, a segunda temporada temporada de "Demolidor" chega à Netflix. Na semana seguinte, dia 24, é a vez de "Batman vs Superman: A Origem da Justiça" finalmente entrar em cartaz nos cinemas de todo o país. Os meses seguintes também trazem nomes de peso: no dia 28 de abril, o aguardado "Capitão América: Guerra Civil" estreia no circuito nacional, e por fim, quase um mês depois, em 26 de maio, "X-Men: Apocalipse" passa a ser exibido nas salas brasileiras.
É impossível deixar de notar, entretanto, que todos esses esperados títulos tem algo em comum: todos eles, sem exceção, irão colocar heróis para lutar uns com os outros. "Demolidor" trará o próprio Homem Sem Medo contra o Justiceiro (que está mais para um anti-herói, mas enfim). "Batman vs Superman" tem o embate em seu próprio nome. "Capitão América: Guerra Civil" mostrará basicamente todos os Vingadores já apresentados até agora lutando entre si (e ainda terá o Homem-Aranha no meio disso tudo, com seu papel na trama ainda sendo uma incógnita). E "X-Men: Apocalipse" também terá o grupo de mutantes lutando contra outros mutantes que, embora sob a influência do vilão Apocalipse, também são reconhecidamente heróis (exceto Magneto, claro, mas até mesmo ele já teve seus momentos de heroísmo).
Este é um elemento já antigo nas histórias em quadrinhos, especialmente as que serviram de inspiração para todas essas adaptações ("Again... The Punisher", "Batman: The Dark Knight Returns", "Civil War" e "Age of Apocalypse", só para citar algumas). E todas elas sempre fizeram muito sucesso e tiveram grande repercussão. E isso me fez parar por um momento e pensar: por que, afinal, as pessoas gostam tanto de ver esses grandes personagens, que supostamente deveriam estar lutando no mesmo lado, trocando socos entre eles mesmos?
Apenas um dos inúmeros confrontos entre Matt Murdock e Frank Castle nas HQs.
A resposta que mais rápido me veio em mente é, provavelmente, uma das mais óbvias: esse tipo de briga é a personalização das discussões entre fãs sobre qual personagem é o melhor. Pois é. Sabe aquela conversa boba que você teve com seu amigo sobre quem é melhor entre Batman e Superman? Ou então sobre quem venceria uma luta entre eles? É esse tipo de momento que os quadrinhos, no mais puro "fan-service", procuram proporcionar aos leitores. Ao mesmo tempo, essas pancadarias sempre se tornam grandes acontecimentos, o que consequentemente aumenta o número de vendas. Então, as editoras decidiram unir o útil ao agradável, e é por isso que quase todos os heróis possíveis já caíram na porrada entre si e até hoje isso ocorre. E o que estamos prestes a ver nas próximas semanas é a transposição disso para as telas, o que irá alegrar os fãs e também os bolsos dos envolvidos nos projetos.
Um outro motivo, e este já é um pouco mais complexo, é devido a um confronto de ideologias. Diferentes personagens trazem consigo diferentes visões de justiça, certo e errado, bem e mal. E, querendo ou não, as pessoas acabam escolhendo seus heróis favoritos justamente por concordarem ou não com seus principais fundamentos. Assim sendo, quando eles se confrontam e um deles sai vitorioso, é como se o leitor/espectador visse sua visão de mundo sendo superior às demais. Isso é tão verdade que TODAS as adaptações lidarão com esse conflito entre seus personagens principais, especialmente "Capitão América: Guerra Civil", que está construindo toda uma campanha nas redes sociais ao dividir os fãs entre o #TimeCapitãoAmérica, contra o registro governamental dos heróis, e #TimeHomemdeFerro, a favor de tal registro.
Mas talvez a maior razão para as pessoas gostarem tanto de ver super-heróis brigando seja também a mais simples: essas histórias sempre rendem grandes momentos. Ótimas lutas, ótimos diálogos, ótimas lutas enquanto ocorrem ótimos diálogos, o fato é que esses encontros sempre trazem momentos divertidos ou épicos que são o puro deleite de qualquer fã e motivo suficiente para conquistar qualquer pessoa que ainda não tenha sido atraída por esse universo. Até mesmo quando o roteiro não entrega um vitorioso absoluto para a pancadaria (o que já aconteceu bastante), há algum outro acontecimento, como a união dos personagens para enfrentar um vilão, que fazem a história valer a pena.
Então, sim, há alguns motivos para as pessoas gostarem tanto desses conflitos entre heróis. São histórias divertidas, muitas vezes épicas, que dão a oportunidade de vermos alguns de nossos favoritos socando a cara de outros nem tão favoritos assim. Não é a toa que essas histórias façam tanto sucesso até hoje, com a DC tendo realizado seu grande evento "Convergência" no último ano e a Marvel concluindo recentemente a sua nova "Guerras Secretas", e já tendo em vista uma "Guerra Civil II" para 2016. E, claro, todas as adaptações que chegarão às telas da TV e do cinema nas próximas semanas, as quais eu não deixarei de conferir de modo algum, e recomendo que você faça o mesmo.
Antes que eu me esqueça: aqui é #TimeCapitãoAmérica.
Esse filme é exatamente o que achei que ele seria: uma zoeira completa e que não poupa nada ou ninguém, nem mesmo a si próprio e os envolvidos. O grande brilho está, claro, no personagem-título, que quebra a 4ª parede constantemente, tem uma máscara com expressões faciais, não cala a boca, não tem limites e faz um verdadeiro festival de referências da forma mais cômica possível. Facilmente a melhor atuação do Ryan Reynolds que eu já vi. Ademais, um roteiro funcional com sua dose de clichês hollywoodianos para contar a origem do Mercenário Tagarela, bons personagens de apoio (destaque para o Colossus, que é quase uma sátira do X-Man das HQs por toda sua bondade etc), boa trilha sonora e uma grande dose de ação (literalmente) visceral. Ah, e a cena pós-créditos é ótima. Então, se você tem 16 anos, dê graças a Deus por conseguir ver esse filme, pois ele é mais pesado que "Os Oito Odiados", por exemplo, e pegou uma classificação menor. E se você for mais velho, vá conferir essa adaptação que conseguiu capturar perfeitamente a essência do anti-herói e dê boas risadas por quase 2 horas.
Chegou aquela época do ano. Não só a das festas, mas também a de pegar tudo o que você ouviu de novo ao decorrer de 12 meses, avaliar, ver o que foi melhor e o que foi pior. E, no meu caso, listar. Sim, a já tradicional lista do Ground Zero está de volta mais uma vez, e dessa vez ainda maior do que anteriormente! Confesso que gostaria de ter ouvido mais dos lançamentos de 2015, sinto que perdi algumas agradáveis surpresas, mas ainda assim devo dizer que o ano foi, assim como 2014, muito bom para a música. Tive a oportunidade de conferir alguns álbuns incríveis, e muitos deles chegaram até mesmo a superar minhas expectativas. Então, nada mais justo do que juntar tudo em uma lista e postar aqui.
Assim como fiz no ano passado, quis sair um pouco do formato tradicional e decidi que a publicação teria algo além das minhas escolhas para o Top 15. Dessa vez, entram também alguns lançamentos que merecem uma menção honrosa, seja porque não seguem o formato tradicional, seja porque valha uma homenagem, ou simplesmente porque eu quis (¯\_(ツ)_/¯ ). Além disso, resolvi incluir também as 10 músicas lançadas em 2015 que eu mais gostei, expandindo um pouco o propósito da postagem, mas mantendo-o 100% focado no mundo musical.
E, como gosto de ressaltar sempre, essa é MINHA lista de melhores do ano, baseada no MEU gosto musical. Sinto muito se você não encontrou seu disco preferido por aqui, mas é como dizem, melhor sorte na próxima vez (novamente: ¯\_(ツ)_/¯ ).
Mas chega desse papinho chato. Vamos ao que interessa! TOP 15:
#15: MUMFORD & SONS - "WILDER MIND"
Devo confessar que nunca gostei muito do som do Mumford & Sons, aquele folk acústico nunca foi lá muito atrativo para mim, me dava um pouco de sono, simplesmente não agradava. Mas o grupo resolveu mudar sua abordagem, plugou as guitarras no amplificador e aproximou-se do Indie Rock. O resultado é "Wilder Mind", um bom e divertido CD que por ter dividido os fãs, mas é um prato cheio para os fãs do gênero.
#14: LAMB OF GOD - "VII: STURM UND DRANG"
Depois de toda a confusão envolvendo o vocalista Randy Blythe nos últimos anos, desde sua prisão ao seu julgamento e a campanha #FreeRandyBlythe, a banda finalmente pode gravar um novo disco em estúdio. E o resultado é o esperado de qualquer lançamento do Lamb of God: peso, visceralidade e vocais guturais, em mais um sólido registro do quinteto estadunidense. O grande destaque vai para a faixa "Overlord", na qual Blythe usa predominantemente vocais limpos e que tem uma pegada muito próxima do Grunge.
#13: DISTURBED - "IMMORTALIZED"
Foram 5 anos de hiato desde o ótimo "Asylum", de 2010. Mas o Disturbed felizmente está de volta, e em boa forma. E aparentemente essa longa pausa fez bem para os integrantes, que voltaram dispostos, energéticos e criativos, com tudo isso refletindo nas composições de "Immortalized", que sabem se arriscar e buscar alguns novos caminhos, mas sem deixar o peso característico para trás. E ainda surpreenderam com o ótimo cover de "Sound of Silence", clássico folk de Simon & Garfunkel.
#12: THE WINERY DOGS - "HOT STREAK"
Talvez não seja tão bom quanto o avassalador debut, que possivelmente criou parâmetros para as pessoas e foi o que as fez ficarem um pouco decepcionadas aqui. Mas é inegável a qualidade que "Hot Streak" nos apresenta, com o trio explorando outros caminhos além do virtuosismo que os levou à fama e flertando com vários outros gêneros, em uma combinação muito boa de se ouvir. Os músicos podem ter apostado em algo mais simples e direto, mas toda a competência pertinente aos mesmos se mostra bem presente. No aguardo para ver para qual direção Kotzen, Sheehan e Portnoy trilharão a seguir.
#11: DAVID GILMOUR - "RATTLE THAT LOCK"
Acredite ou não, mas esse foi o primeiro álbum de David Gilmour que ouvi além de sua carreira com o Pink Floyd. E devo dizer que foi uma experiência curiosa, pois, ao mesmo tempo que o guitarrista soa mais solto e confortável, toda a genialidade e competência do mesmo continua lá. "Rattle That Lock" é um disco leve, gostoso e divertido de se ouvir, destacando toda a qualidade de Gilmour como guitarrista e compositor. Recomendado, especialmente para os fãs de "A Momentary Lapse of Reason" e "The Division Bell", álbuns nos quais o artista tomou a dianteira em sua antiga e lendária banda.
#10: FAITH NO MORE - "SOL INVICTUS"
Uma das melhores bandas dos anos 1990, o Faith No More já havia voltado aos palcos faz alguns anos (e alguns inclusive devem se lembrar do ótimo show dos caras no Brasil durante o saudoso SWU, em 2011). A ideia de um novo registro já vinha sendo discutida há algum tempo, e felizmente 2015 foi o momento de ela sair do papel. "Sol Invictus" é um disco louco, cheio de experimentações com gêneros distintos, criatividade correndo solta e ritmos pouco convencionais. Ou seja, tudo o que o quinteto vinha fazendo desde o celebrado "Angel Dust", de 1991. Excelente retorno.
#9: TRIVIUM - "SILENCE IN THE SNOW"
O mundo está cheio de novas ótimas bandas de Metal, e o Trivium pode se orgulhar de ser uma das melhores atualmente. Depois de mudarem um pouco de ares no ótimo "Vengeance Falls", eis que eles resolvem modificar a sonoridade novamente. "Silence in the Snow" é um álbum maduro, conciso, que demonstra uma evolução constante no estilo dos caras, ao mesmo tempo que não deixa de ser pesado e agressivo. Diferente de tudo o que eles fizeram anteriormente, porém, suas músicas soam mais próximas do Metal clássico, com vocal limpo e guitarras mais contidas. O resultado é ótimo e eu mal posso esperar para conferir como será a próxima gravação.
#8: MUSE - "DRONES"
Depois de uma série de experimentações nos ótimos "The Resistance" e "The 2nd Law", o Muse prometeu fazer um trabalho mais simples em seu novo álbum. E é exatamente isso que "Drones" entrega: um som mais direto, pesado, agitado, mas não menos megalomaníaco do que o resto da discografia dos ingleses, ainda sobrando espaço para experimentar mais um pouco e até mesmo para soar épico em "The Globalist", a música mais longa do trio até hoje. Com uma abordagem política em suas composições, esse é um CD sólido e mais acessível do que os anteriores.
#7: BARONESS - "PURPLE"
Segundo James Hetfield, o frontman do Metallica, "Purple" foi a quinta melhor coisa que lhe aconteceu em 2015. É uma responsabilidade e tanto, mas o álbum certamente tem qualidade para tal. A coisa que mais me agrada no Baroness é que eles evoluem a cada lançamento, e aqui não foi diferente. O som do grupo está se tornando cada vez mais distinto, de um jeito que eles fazem Metal de um jeito belo, artístico e único. Fico feliz que as mudanças na formação tenham dado tão certo. Embora eu ainda esteja digerindo o trabalho, algo que, assim como os anteriores, não é uma tarefa tão simples, ele já me conquistou o suficiente para figurar na lista.
#6: HALESTORM - "INTO THE WILD LIFE"
Energético. Eclético. Variado. Divertido. Essas são apenas algumas palavras que eu poderia usar para descrever "Into the Wild Life", o mais recente lançamento do Halestorm. Gravado em apenas uma sessão, em uma tacada só, esse álbum apresenta um Hard Rock como há muito não se ouvia, com músicas músicas mais pesadas, músicas menos pesadas, belas baladas e uma pegada única. A melhor performance do quarteto, especialmente de Lzzy Hale, que simplesmente destrói nos vocais em cada uma das 13 (ou 15, na versão estendida) faixas. Uma maravilha de se ouvir, vinda de uma das bandas mais legais de hoje em dia.
#5: NOEL GALLAGHER'S HIGH FLYING BIRDS - "CHASING YESTERDAY"
Sou um grande fã do debut solo de Noel Gallagher, mas há de se concordar que ele não é exatamente a coisa mais rock n' roll já lançada, o que desagradou algumas pessoas. Em "Chasing Yesterday", entretanto, não é possível se dizer o mesmo: a sonoridade mais rocker do artista está de volta, ao mesmo tempo que ele não descarta totalmente sua sonoridade anterior. O resultado é ótimo, com 10 faixas bem feitas que vão do mais agitado ao praticamente introspectivo. Confesso que fiquei com um pé atrás ouvindo as primeiras músicas divulgadas, que não me agradaram logo de cara. Mas fui positivamente surpreendido, no fim tudo se encaixou como deveria e este é mais um trabalho incrível para o já longo currículo de Noel.
#4: VINTAGE TROUBLE - "1 HOPEFUL RD."
Conheci o Vintage Trouble nesse ano, e foi justamente com esse CD, que é apenas o segundo deles. Ainda não tive a oportunidade de ouvir o primeiro. Mas, nossa, como eu gostei de "1 Hopeful Rd.". Um som simples, que remete ao Rock Clássico e ao Blues Rock, mas com uma identidade própria, muito graças à fantástica voz do cantor Ty Taylor, um pouco melancólica e com forte influência da Soul Music. E os músicos podem não ser os melhores ou mais técnicos, mas tem qualidade o suficiente e sabem entreter o ouvinte. O mais divertido que ouvi em 2015, facilmente.
#3: BLIND GUARDIAN - "BEYOND THE RED MIRROR"
Provavelmente o álbum que mais ouvi nesse ano, eis mais um fantástico trabalho para a discografia do Blind Guardian, que, ao meu ver, é uma das bandas mais subestimadas do Metal. O estilo e a criatividade dos alemães continua forte em "Beyond the Red Mirror", mas, ao mesmo, tempo eles vem incorporando novos elementos a sua sonoridade, com fortes influências do Progressivo. Isso gerou várias faixas épicas, como a abertura "The Ninth Wave" e o encerramento (ou não, dependendo de qual versão você está ouvindo) "The Grand Parade", mas o grupo soube variar bem dentro das 10, ou 11, ou até mesmo 12 faixas que compõem disco (novamente, depende da versão). Recomendadíssimo.
#2: IRON MAIDEN - "THE BOOK OF SOULS"
Faz tempo que o Iron Maiden vem tornando seu som em algo cada vez mais próximo do Progressivo. Isso começou lá no mediano "The X Factor", e veio ganhando um pouco mais de força a cada novo lançamento, culminando no também mediano "A Matter of Life and Death", repleto de sons longos, e foi refinado no ótimo "The Final Frontier", que foi mais equilibrado, mas também com muitas músicas que facilmente passam dos 7 minutos. Mas foi com "The Book of Souls" que a banda atingiu sua melhor performance dentro da proposta, com empolgantes e belas composições de maior duração, ao mesmo tempo que possui praticamente o mesmo número de canções mais curtas, energéticas e diretas, de modo que elas estão intercaladas, o que não torna a audição tão cansativa. Ótima performance de todos os membros, principalmente Bruce Dickinson que, mesmo aos 57 anos de idade, continua cantando como poucos. Meu trabalho preferido dos britânicos desde "Dance of Death", até poderia ocupar a primeira posição em outras circunstâncias.
#1: GHOST - "MELIORA"
O grande diferencial de "Meliora" para todos os outros lançamentos desse ano é que ele foi muito bom em todos os aspectos possíveis. Já falei sobre ele aqui, e inclusive indiquei que o mesmo era um forte candidato ao melhor de 2015. Dito e feito, nada foi capaz de superá-lo. A tracklist é impecável, o som do grupo está melhor do que nunca, evoluiu em relação ao "Infestissumam", investiu no peso e os vocais do Papa Emeritus mantiveram a qualidade já conhecida. Um festival de riffs e solos, uma bateria que melhorou muito se comparada aos anteriores, e faixas que já te conquistam logo na primeira audição. Novamente digo: esse é o trabalho mais forte do Ghost, e merece ser considerado como o melhor lançamento dos últimos 12 meses.
MENÇÕES HONROSAS:
FOO FIGHTERS - "SAINT CECILIA EP"
Não poderia incluir esse trabalho na lista de melhores álbuns, pois ele é apenas um EP. Ainda assim, o que foi feito aqui é tão bom que simplesmente não poderia passar em branco. O Foo Fighters entrega aqui 5 faixas incríveis, divertidas e completamente rock n' roll, deixando de lado o estilo conceitual de seu último disco e voltando um pouco ao som alcançado no excelente "Wasting Light". Realmente espero que o próximo trabalho completo da banda siga por essa abordagem, aprovada com louvor.
MOTÖRHEAD - "BAD MAGIC"
Devido à terrível ocorrência do falecimento de Lemmy Kilmister (RIP), acho válido dizer algumas palavras sobre "Bad Magic", o derradeiro disco da extensa carreira do Motörhead. Um trabalho divertido, até ousado em certo ponto, que apresenta o som característico da banda, mas sem a força de clássicos como "Ace of Spades", "Overkill" ou "Bomber". Ainda assim, um bom jeito de encerrar a discografia, sem desonrar o bom nome do grupo ou decepcionar os fãs. E que Lemmy seja sempre lembrado por sua boa música.
"MAD MAX: FURY ROAD - ORIGINAL MOTION PICTURE SOUNDTRACK"
Elogiei o uso da trilha sonora como parte fundamental do filme em minha curta crítica, mas devo dizer que ela funciona muito bem como um produto separado. As composições são incríveis e te transmitem toda a angústia e a adrenalina vistas em tela, mesmo sem a utilização de qualquer recurso visual. Aparentemente, "Estrada da Fúria" é um trabalho de gênio em todos os aspectos.
"STAR WARS: THE FORCE AWAKENS (ORIGINAL MOTION PICTURE SOUNDTRACK)"
Também já falei dessa aqui em minha análise completa (com spoilers) sobre o mais novo Star Wars, mas ela pode ser facilmente resumida como: mais uma trilha fantástica do genial John Williams. Composições fantásticas que funcionam muito bem por si só, mas que ficam ainda mais incríveis se acompanhadas do filme. E ainda apresenta novos temas marcantes, como "Rey's Theme" e "March of The Resistance", que tem tudo para tornarem-se referência nos anos que estão por vir.
TOP 10 MÚSICAS:
Como falei anteriormente, escolhi 10 das minhas músicas favoritas lançadas nesse ano e as rankeei nessa playlist. A ordem, assim como a do Top 15 Álbuns, é inversa: a primeira música é minha escolha #10, a segunda é minha escolha #9, a terceira é a minha escolha #8, e assim por diante. Não foi fácil me conter em apenas 10 faixas, pois, mais uma vez, 2015 teve muita música boa. Mesmo assim, espero que gostem da lista. Boa audição!