segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Crítica de UM parágrafo sobre "A CHEGADA"!


Uma ficção científica que faz uso do fantástico para tratar dos temas mais humanos possíveis. Um filme atual, que explora assuntos como o medo do desconhecido e o preconceito. Uma trama que é ao mesmo tempo densa, complexa e íntima, pessoal. Com um início lento, mas desenvolvimento em um ritmo impressionante, "A Chegada" é belo e cativante, com um teor filosófico de fazer qualquer um refletir por horas, dias, semanas. A produção é coroada com a excelente atuação de Amy Adams, que te faz sentir na pele toda a carga emocional que sua personagem apresenta. Facilmente o melhor longa que assisti nesse ano até agora.

NOTA: 10

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quinta-feira, 24 de novembro de 2016

A magia voltou às telas, e eu me sinto em casa novamente


Eu tinha 6 anos no dia em que minha mãe me levou ao cinema, mais ou menos nessa mesma época, há 15 anos. Naquele mesmo 2001 minha irmã havia nascido, e a divisão do tempo entre o trabalho e os cuidados com a bebê só fez os momentos entre mãe e filho, que já não eram muitos (mas sempre especiais), diminuírem drasticamente. Por isso, ela reservou a data apenas para nós dois, e assim fomos ao Cinemark do Shopping D, como bem me recordo. O filme que assistimos? O mesmo que era capa da última edição da Revista Recreio, "Harry Potter e a Pedra Filosofal".

Ao término daquela sessão, minha vida nunca mais foi a mesma. Eu estava completamente conquistado por todo aquele incrível universo mágico de varinhas, vassouras, feitiços, poções, cães de três cabeças, Quadribol, Chapéu Seletor, escadas que mudam de lugar e imagens que se movem. Já me sentia amigo íntimo de personagens tão carismáticos quanto Rony Weasley, Hermione Granger, Rúbeo Hagrid e Alvo Dumbledore. E, claro, eu queria muito ser o Harry Potter (quem me conheceu até os 14 anos sabe muito bem disso, até óculos redondos eu usava). O impacto foi imediato, e ali nasceu um enorme fã da série, que leu todos os livros, viu todos os filmes, jogou vários dos games, comprou inúmeros colecionáveis, acompanhava todas as notícias possíveis e se empolgava a cada novidade.

Minha mãe também se tornou fã depois daquele dia. Leu os livros, viu os filmes, se empolgava comigo a cada trailer, imagem ou trecho divulgado. Fazíamos competição para ver quem acabava cada livro antes. Discutíamos as adaptações, no que acertaram, o que faltou, quais as coisas mais legais. Pensando agora, em certos momentos ela até parecia mais fã que eu, e talvez fosse (ou ainda seja) mesmo. E minha irmã, que tinha cerca de 9 meses no lançamento de "A Pedra Filosofal", cresceu com Harry Potter, virou fã dos longas e, quando mais velha, resolveu aventurar-se pelos livros também.

É inegável que a saga teve um grande papel em minha vida. Acompanhando as histórias, seja na versão cinematográfica ou na versão escrita, fui entretido por cada segundo daquelas aventuras, aprendendo importantes lições sobre amizade, lealdade, coragem e sacrifícios que me fizeram crescer como pessoa, ao mesmo tempo que vi seus protagonistas crescendo comigo. E também foi importante pois cada lançamento de um novo filme da franquia era um dia feliz, um momento de união com a minha família, sempre empolgada para ver o resultado da adaptação que chegava aos cinemas.

O trio que marcou toda uma geração.

Quando "Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2" foi lançado, quase exatos 10 anos após o primeiro longa, eu já não era mais exatamente um fanático pela franquia. Ainda era fã, gostava muito, mas já não tinha o mesmo engajamento de outrora. Os livros já haviam sido todos publicados, e eu já sabia como aquela história iria terminar. Além disso, no auge dos meus 16 anos eu estava em contato com outras coisas, supostamente mais maduras, tentando parecer o "adultão" (coisa que até hoje não sou). Mesmo assim, foi inevitável derramar algumas lágrimas ao fim do filme, com aquela sensação de dever cumprido, por menos sentido que ela fizesse. Era o fim de uma era, o encerramento de um ciclo. E o ponto final em todos aqueles momentos agradáveis em família que ocorreram na última década.

Com o fim de Harry Potter, ficou um vácuo no quesito lançamentos de cinema. Ele logo foi preenchido pelos filmes de herói, que naquela época vinham aumentando exponencialmente de quantidade. Mas o sentimento é diferente: por mais que eu adore adaptações de HQs e fique empolgado por cada uma delas, nenhuma chegou a me proporcionar o mesmo encanto e empolgação que os filmes da saga (os que chegaram mais perto talvez tenham sido "Os Vingadores", "Guardiões da Galáxia" e a Trilogia Batman de Christopher Nolan). Além disso, esses longas são algo mais de meu gosto pessoal, pois foram poucas as vezes que fui vê-los acompanhado de alguém da minha família. Só consegui me reunir com minha mãe e minha irmã em uma mesma sala de cinema para assistir "Star Wars: O Despertar da Força", mais de cinco anos depois.

Por isso, quando "Animais Fantásticos e Onde Habitam" foi anunciado, minha primeira reação foi de desconfiança. Como todo bom purista, não via necessidade em voltar ao universo de uma franquia que já estava fechada e deveria se manter intocada, sendo essa uma tentativa de lucrar em cima da marca. Mas eu pensei melhor e percebi que não há problema nenhum em fazer isso, pois os filmes originais continuariam ali intocados, e ainda teríamos a oportunidade, caso tudo fosse feito corretamente, de ver mais uma boa história ganhar vida. A escalação do ótimo Eddie Redmayne como protagonista, o retorno de David Yates à direção e a escolha da própria J. K. Rowling, criadora de todo esse universo, como roteirista amenizou ainda mais minhas preocupações, e resolvi então dar uma chance ao longa.

Cena de bastidores com os quatro protagonistas de "Animais Fantásticos e Onde Habitam".

E valeu a pena ter feito isso. "Animais Fantásticos" não me decepcionou. Inclusive, me surpreendeu muito. É ótimo ver personagens tão carismáticos quanto o quarteto Newt Scamander, Jacob Kowalski e as irmãs Tina e Queenie Goldstein sendo apresentados e desenvolvidos de forma tão simples e concisa que você já sente uma certa intimidade com eles até o fim do filme. É ótimo assistir a uma trama bem desenvolvida ao suficiente que sabe dosar inocência com temas mais sérios e adultos, ao mesmo tempo que desenvolve histórias que se conectam e fazem sentido no fim. É ótimo voltar àquele universo de magia, varinhas, feitiços, poções, imagens que se movem e seres extraordinários.

E é ótimo ir novamente aos cinemas com a família para conferir algo relacionado à franquia Harry Potter. Ao fim da sessão, o sentimento era unânime: o filme era ótimo, e mal podemos esperar para ver qual será o próximo passo a ser dado nessa nova saga. Um dos fatores que mais favoreceu "Animais Fantásticos e Onde Habitam" foi o fato de ser uma história inteiramente nova, sem paralelo nos livros, e cada cena foi uma surpresa para todos nós. Fomos todos conquistados pelos novos personagens e pelas criaturas mágicas, voltamos a ler teorias e notícias, e é questão de tempo até colocarmos as mãos em novos itens colecionáveis.

A empolgação voltou. A magia voltou. E eu só posso agradecer por isso. Senti falta de Harry Potter em minha vida. Senti falta de toda a repercussão da saga, seja na mídia, entre os fãs ou o público comum. Senti falta desses simples bons momentos com a família. E é bom que "Animais Fantásticos e Onde Habitam" exista para me proporcionar tudo isso mais uma vez. É um filme diferente, que soube evoluir em temática, acompanhando seu público cativo. Mas também sabe fazer uso da nostalgia, trazendo você de volta ao conforto daquele mundo tão familiar. E, hoje, eu me sinto aquele garoto de 6 anos novamente.

A criadora e suas criações em forma viva.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

[RESENHA] Metallica - "Hardwired... To Self-Destruct" (2016)


8 anos. Esse é o tempo que separa os dois últimos lançamentos do Metallica. Claro que eles não ficaram inativos durante esse intervalo: muitos shows foram realizados, uma parceria de qualidade no mínimo duvidosa (para não dizer outra coisa) com o finado Lou Reed foi registrada em "Lulu", músicas não utilizadas no ótimo "Death Magnetic" acabaram saindo no EP "Beyond Magnetic", o longa "Metallica: Through The Never" chegou ao cinemas junto com o CD de sua trilha-sonora, a estranha "Lords of Summer" apareceu ao vivo algumas vezes. Os fãs, porém, clamavam por mais: queriam um novo álbum de estúdio do grupo, que há muito já vinha sendo prometido, mas parecia que nunca veria a luz do dia.

A espera, felizmente, acabou. "Hardwired... To Self-Destruct" chegou às lojas e serviços de streaming na última sexta-feira, dia 18/11, e o resultado deve agradar a todos os fãs. Aqui temos um Metallica confortável, sem a necessidade de se provar ou tentar experimentar e inovar, apenas fazendo o que sabe de melhor: Metal de qualidade, do jeito mais verdadeiro possível. Muitos momentos Thrash e Heavy se mesclam na tracklist, ao mesmo tempo que o álbum tem, especialmente em sua segunda parte, uma boa pitada de Groove, com riffs pesados e muito influenciados pelo forte baixo de Robert Trujillo. E a mixagem, alvo das principais reclamações de "Death Magnetic", encontra-se no ponto nesse novo disco, o que torna sua audição ainda mais prazerosa.

Das 12 faixas, totalizando 77:29min, os destaques vão para pedradas certeiras como "Hardwired", "Here Comes Revenge", "Moth Into Flame" e "Spit Out the Bone", com essas duas últimas já sendo consagradas como algumas das melhores gravadas pelo grupo. Vale citar também as ótimas "Atlas, Rise!", "Halo On Fire" e "Confusion", com clara inspiração nos grupos da NWOBHM que marcaram a adolescência dos integrantes; bem como as pesadas "Now That We're Dead" e "ManUNkind", e a homenagem ao falecido Lemmy Kilmister em "Murder One", cheia de referências em sua letra. "Sleep No More" é uma momento de autoreferência, sendo basicamente uma "Sad But True" que cita o Cthullu, e "Am I Savage?", apesar de bem executada, não chega a ser marcante.

O álbum vem causando as mais variadas reações mundo afora, mas é de consenso geral que ele possui várias faixas memoráveis. De fato, "Hardwired... To Self-Destruct" não veio para revolucionar, para ser o novo "Master of Puppets". Mas é até melhor que seja assim. O Metallica soa despretensioso e honesto, e isso só favoreceu sua sonoridade nesse novo registro. É bom ouvir esta que é uma das maiores bandas de Metal da história sem querer se atualizar, ou sem ter que provar que ainda sabe fazer música pesada. Eles apenas fizeram um som de qualidade, com um resultado final muito positivo e que tem o potencial para aparecer em várias listas de melhores do ano pelo mundo afora. Vida longa ao Metallica, e que eles possam continuar se sentindo a vontade por muito mais anos pela frente, seja para experimentar ou para se ater às raízes.

James Hetfield (vocais, guitarra)
Kirk Hammett (guitarra)
Robert Trujillo (baixo)
Lars Ulrich (bateria)

domingo, 20 de novembro de 2016

Crítica de UM parágrafo sobre "ANIMAIS FANTÁSTICOS E ONDE HABITAM"!


Poderia ter dado muito errado. Mas não deu. "Animais Fantásticos e Onde Habitam" tem êxito em tantas áreas quanto um blockbuster pode ter: uma trama redonda, a construção sucinta e eficiente de personagens complexos e carismáticos, excelente visual, trilha sonora marcante. Um filme que diverte e aparenta ser inocente, mas sabe tratar de temas mais maduros (e até mesmo atuais), como preconceito, conservadorismo e discursos de ódio, com muita eficácia e didática, dialogando com seu público sem subestimá-lo. Uma ou outra coisa do roteiro poderia ter um polimento ou exploração melhor, mas ainda assim a estreia da escritora J. K. Rowling como roteirista é muito satisfatória, ao mesmo tempo que o diretor David Yates acumula mais um ótimo resultado lidando com o mundo bruxo. E antes que eu me esqueça: o longa sabe fazer uso da nostalgia sem transformá-la em uma muleta. Esse é o retorno ao universo de Harry Potter que todos estávamos esperando, e essa nova franquia aparenta ter um brilhante caminho pela frente.

NOTA: 9,3

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quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Crítica de UM parágrafo sobre "DOUTOR ESTRANHO"!


O filme com os mais belos visuais que a Marvel já colocou nos cinemas. Bom roteiro, fechado, nada revolucionário, mas o suficiente para se destacar ao introduzir mais um personagem ao UCM. Uma boa trilha sonora, algo que há tempos não se ouvia nos longas da produtora, que acertou ao escalar Michael Giacchino para compor todos esses temas exóticos e bem executados. "Doutor Estranho" é uma ótima introdução à parte mística desse universo, e faz bom uso dos recursos que tem à disposição, seja o Olho de Agamotto, os feitiços ou o Manto da Levitação. Vai te entreter e te divertir, muito graças às ótimas atuações de Benedict Cumberbatch e Tilda Swinton. E vale a pena ficar até o final para ver as cenas pós-créditos, mas, se você é fã, já sabe disso.

NOTA: 8,7

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